quarta-feira, 1 de setembro de 2010

VÍTIMAS DE PRECONCEITO DIFICILMENTE TÊM ADEPTOS FASCISTAS



É um dos maiores clichês, de toda defesa da ideologia brega e da música brega-popularesca em todas as suas vertentes, a de que seus fenômenos, ídolos e tendências são "vítimas de preconceito".

O clichê foi dito pela enésima vez, desta vez por uma das mais famosas duplas do dito "sertanejo universitário" durante um evento do canal Multishow. Mas até o jornalista Pedro Alexandre Sanches, no famoso artigo sobre o tecnobrega na revista Fórum, usou essa palavra tão batida.

Mas o uso tão suspeito dessa palavra, "preconceito", torna-se de tal forma um chavão que dá para suspeitar das intenções acerca do uso dessa palavra. E outros pretextos derivados, como as palavras "discriminação" e "injustiças".

Quando eu era adolescente, o uso mais marcante da expressão "vítimas de preconceitos" estava ligado ao terrível regime do apartheid na África do Sul. Era o famoso preconceito racial, uma forma cruel de discriminação humana, cuja história triste nos é bastante conhecida e há muitas fontes de pesquisa para conhecermos o terrível drama dos negros sul-africanos na antiga ditadura racial. Destaca-se sobretudo a figura humanista e brilhante do ativista Nelson Mandela, que depois tornou-se presidente do país, depois de findo o pesadelo racista.

Mas hoje qualquer um virou "vítima de preconceito". O ídolo de sambrega, a dupla breganeja, as mulheres-frutas, os milionários DJs de "funk carioca" e seus criados MC's, os risonhos grupos de forró-brega, os magnatas da axé-music. E essa ideia de "preconceito" acaba sendo muito falsa por dois principais motivos:

1. A ideia de preconceito é naturalmente associada a pessoas que sofrem privações pesadas e sérias limitações na vida. Não é o caso dos ídolos da música brega-popularesca, que lotam plateias, vendem muitos CDs, contribuem para o sucesso da mídia que os divulga, fazem muito sucesso, ganham muito dinheiro, aparecem em Caras, TV Fama, Domingão do Faustão, só faltam aparecer em Forbes. Mas já aparecem na Billboard, que é quase a mesma coisa.

2. Uma vítima de preconceito dificilmente se dispõe de uma multidão de adeptos agressivos e fanáticos. Afinal, os movimentos de intolerância social diferem muito dos movimentos humanistas - estes, sim, vítimas de preconceito - pela presença de pessoas capazes de reagir de forma agressiva, de uma maneira ou de outra.

Na música brega-popularesca, em algum momento se encontram adeptos agressivos, violentos, caluniadores. Neste blog, já informamos o caso do Olavo Bruno, fanático por música breganeja, que despejou mil calúnias até mesmo contra artistas como João Gilberto e Rita Lee. Seu nível de intolerância foi tal que Olavo teve que desaparecer da Internet - sua presença mais recente, segundo a busca do Google, data do ano passado - depois que, no fórum do portal Movimento Country, seus textos desapareceram de repente. Provavelmente por uma polêmica violenta envolvendo rodeios (evento defendido muito pelo arrogante Olavo).

Mas fãs de breganejo aparecem até mesmo invadindo páginas de recados de membros que participam de comunidades contra tais ídolos. No Orkut, fanáticos por Zezé Di Camargo & Luciano andaram rastreando comunidades contrárias à dupla para invadir páginas de recados de seus membros mandando mensagens ofensivas, irônicas e jocosas.

Os chicleteiros e os fãs de axé-music em geral também são famosos por sua arrogância sem limites. Os dois maiores cantores de "pagode romântico" do país também contam com fanáticos violentos, e o "funk carioca", nem se fala, existem gangues que até mataram policiais diante de vários clubes de subúrbio pelo país.

Como é que estilos musicais que se tornam bem-sucedidos e, por outro lado, contam com adeptos violentos e intolerantes, podem ser considerados "vítimas de preconceito"? Como é que aqueles que estão no poder, os ídolos popularescos, podem se autoproclamar "discriminados" ou "injustiçados" se eles aparecem facilmente nos maiores veículos da grande mídia?

As verdadeiras vítimas de preconceitos não agem assim, dessa forma tão arrogante e descarada. Se, na música brasileira, podemos encontrar alguma vítima de preconceito, será nos antigos artistas da MPB dos anos 60 e 70, como Edu Lobo, Chico Buarque, Diana Pequeno, Marília Medalha, Turíbio Santos, Toninho Horta, Sérgio Ricardo. Esses é que são os discriminados, os injustiçados, as verdadeiras vítimas de preconceito.

Eles (os artistas da MPB autêntica, Música Popular Brasileira e não Marketing Popular Brasileiro) é que não rolam no rádio, estão fora da mídia, ou, no caso de Chico Buarque, é explorado de forma leviana pela grande mídia, como o solteiro folgazão, como o boêmio boa-vida, quando ele se tornou famoso pela sua inegável e intensa força artística, que nenhum ídolo brega-popularesco que toma banho de loja, técnica e tecnologia para parecer "sofisticado" nas páginas de Caras, consegue ter.

Além disso, os adeptos dos cantores da Música Popular Brasileira mais autêntica são muito mais equilibrados e coerentes do que os fanáticos defensores da Música de Cabresto Brasileira que não gostam que se fale mal sequer dos espirros de seus ídolos.

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