quarta-feira, 1 de setembro de 2010

UM PASSEIO COM UMA MULHER CLASSUDA FAZ DIFERENÇA



O que é passear com uma mulher classuda ou passear com uma boazuda? A diferença é enorme. A mulher classuda tem grande vantagem, porque vive de maneira inteligente, vê o mundo com inteligência, sabe discernir as coisas e tem muito, muito a nos dizer.

Um passeio com uma mulher classuda rende muito assunto. Até quando conta piada a mulher classuda é dotada de inteligência e senso de percepção. Se você passa uma tarde inteira com uma mulher classuda, como experiência humana, vale mais do que uma semana inteira de passeio solitário.

Vejamos os restaurantes. A mulher classuda vê tudo: a decoração, o comportamento dos funcionários, o tipo de cardápio. Se puder, ela sabe até o histórico do restaurante e se o endereço atual não havia abrigado outra casa em outros tempos. A mulher classuda compara um restaurante a outro. Frequenta três restaurantes e sabe dar uma boa avaliação a respeito deles. A boazuda, não, ela só avalia um restaurante se ela for maltratada por lá. Senão, fica tudo pelo nada.

A mesma coisa com as butiques. Ela vê as roupas pelo tipo de tecido, pelas marcas, mas os vê não por um modismo barato. Ela testa a combinação de cores, de peças, os trajes que possam ser charmosos, podendo usar roupas justas sem apelar e sem fugir do contexto. O uso de tops também é verificado pela ocasião, nada de usar um top num dia frio e chuvoso e tapar com um casaco qualquer pego de emergência.Nos dias de frio, usa-se roupas de frio, ora.

A mulher classuda discerne uma butique de outra. Vê a decoração, vê o ambiente. Fala com as vendedoras, com humildade e educação, não com a vaidade presunçosa de uma dondoca vulgar. A mulher classuda é discreta, até sua aparência física é discreta. Ela não se torna popozuda nem grotescamente "sensual", mas mantém-se em forma e, esbelta, magra ou gordinha, mantém seu charme e graciosidade. Sem firulas grosseiras.

A mulher classuda vai a livrarias. Não para se exibir para os frequentadores, mas para ler livros, geralmente aqueles que não sejam necessariamente best sellers - uma exceção é o excelente livro Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert, que eu estou lendo nas livrarias, e que é um verdadeiro manual de como ser uma mulher legal - e de preferência não sejam livros de auto-ajuda.

Se a mulher classuda pegar um livro sobre história e política, ela vai e lê. Se ela quer saber sobre personalidades como John Kennedy, ela não se acanha. Ela lê revistas femininas, depois vai à sessão de discos ouvir coisas como Norah Jones e Michael Bublé (e olha que estou falando de coisas mais pop), e depois vai e vê um livro que lhe mostre coisas bacanas ou interessantes, ou mesmo coisas que não são legais mas são fundamentais para nossa compreensão crítica da realidade, como a Segunda Guerra Mundial, ou o macartismo.

A mulher classuda, quando vai para uma boate, se preocupa com a música, as bebidas e comidas, o atendimento dos funcionários, a estética do ambiente, o histórico do lugar. Ela não vai a uma boate ou casa noturna a esmo só para aparecer ao lado dos amigos. Ela vai lá e vê os amigos, mas ela é observadora o suficiente para aproveitar mais coisas dentro de uma noitada.

A mulher classuda vê as coisas no seu detalhe, discerne lugares, serviços, pormenores, observa o mundo em sua volta, as coisas da vida, os fatos presentes e passados. Por isso ela é boa para conversar. Afinal, a vida é muito curta para que nos preocupemos com futilidades e vulgaridades.

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