sexta-feira, 10 de setembro de 2010

RADIALISMO ROCK DEVE SE ADAPTAR À INTERNET



O grande mal do rádio FM brasileiro é que ele se volta para o próprio umbigo. Sem verificar as novidades nem o contexto atual da Internet, mesmo quando a ela adere formalmente, o rádio brasileiro acaba servindo aos interesses de uma "panelinha" de profissionais e adeptos que, parecendo uma multidão nos fóruns de discussão sobre rádio, na verdade não passam de uma minoria esmagada que não consegue disfarçar sua identificação aos interesses empresariais.

Uma das coisas que deve se levar em conta é que, no que se diz ao radialismo rock, que lida com um público musicalmente exigente (apesar de certos ouvintes que só gostam do "feijão com arroz" roqueiro e acham o ridículo poser metal "genial"), não pode sucumbir à falação em cima das músicas e nem estas devem ser cortadas por vinhetas.

Dane-se a tal "agilidade radiofônica", o horário dos anunciantes ou o modelo de edição americano. Nada justifica que uma rádio faça sua programação musical corrida, por questões de contratos publicitários ou porque é assim que se faz nos EUA. Antes dos anunciantes, o rádio é feito para os ouvintes. E a vontade do ouvinte é que prevalece.

Numa época em que é mais comum e crescente o download de músicas, onde LPs inteiros podem ser baixados na Internet e músicas inteiras podem ser acessadas até mesmo nos arquivos estáticos do YouTube (arquivos de vídeo que na verdade consistem numa imagem parada ilustrando o som de áudio, muitos exibindo a capa do álbum da referida faixa), é inadmissível que uma rádio de rock toque, por exemplo, "Smoke On The Water" com a parte final cortada pela vinheta, pelo operador ou pela voz do locutor.

A música tem que ser tocada até o fim, seja que final for. Caso contrário, a rádio não irá conseguir prender a atenção do ouvinte, que pode montar muito bem sua "rádio rock" através de arquivos MP3 que colhe dos sites de download e do YouTube, convertendo as faixas de vídeo em áudio e jogando tudo para seu iPod.

Da mesma forma, as rádios de rock brasileiras têm que parar de sucumbir ao "feijão com arroz". Tocar Bon Jovi é impensável. É quase que tocar Menudo ou Absyntho, porque o poser metal só é "rock clássico" para as mentes das pessoas que imaginam querer o Nobel da Paz para o palhaço Bozo.

As rádios de rock, portanto, devem ir para o menos óbvio, para o Lado B roqueiro. E "lado B roqueiro" não significa tocar o "lado A" do hip hop, do techno ou do reggae, a título de "atitude rock". Há muita coisa boa e desconhecida da história do rock, há muita coisa brilhante. A saída do "feijão com arroz" é indispensável para que o radialismo rock retome o fôlego que sempre o consagrou no passado.

Se adaptar à Internet, no radialismo rock, não quer dizer só pesquisar textos de sites ou botar um canal de transmissão on line. É preciso criar um repertório musical abrangente e tocar as músicas na íntegra, pouco importando interesses de anunciantes ou modismos de técnicas radiofônicas. Ignorar isso é dar tiros no pé. De metralhadora AR-15.

Ficar no "irrit-pareide", seja com o melhor (porém mais manjado) do rock, seja com o pior, é inútil, porque qualquer deslize o fã de rock vai correndo para o YouTube em busca de bandas menos conhecidas e desliga de vez o rádio.

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