sábado, 18 de setembro de 2010

PROCURADORA QUER CALAR CARTA CAPITAL



A procuradora eleitoral Sandra Cureau moveu uma intimação contra a revista Carta Capital a pretexto da publicidade do governo federal publicada pelo semanário. O episódio não foi difundido pela mídia conservadora, afinal Carta Capital não é de sua laia. Mas a mídia golpista deve estar comemorando a perseguição contra uma concorrente tão incômoda aos privilegiados do poder político-midiático.

A madame Cureau quer averiguar a "influência eleitoral" da publicidade do governo federal na revista Carta Capital, nos mesmos moldes do que Carlos Lacerda, há 55 anos atrás, havia feito contra Samuel Wainer, acusado de ter recebido investimento do Banco do Brasil para seu jornal Última Hora.

É muito estranho por que essa denúncia envolve justamente Carta Capital. Conforme escreveu Brizola Neto, no seu blog Tijolaço, se a medida fosse adotada "em relação à Veja ou Folha de S.Paulo, por exemplo, todos os jornais estariam escrevendo editoriais, o instituto Millenium já teria convocado o Reinaldo Azevedo e o Jabor para bradarem contra censura e o totalitarismo no país e a Sociedade Interamericana de Imprensa alardearia o fato além das nossas fronteiras".

Mas a implicância com Carta Capital, cujo editor Mino Carta é um dos poucos jornalistas que fazem bom jornalismo sem depender de diploma (afinal, ele é de uma geração pioneira que unia produção de notícias com profissionalismo e compromissos éticos), chega até mesmo a contradizer com a situação durante o período FHC, quando justamente Carta Capital "pecava" por não fazer publicidade do Governo Federal.

Ou seja, a revista é perseguida numa época pelo que não foi feito, e hoje é perseguida pelo que foi feito. Pura implicância, se sabermos que outros veículos da grande mídia brasileira também fazem publicidade do Governo Federal, até mesmo a Rede Globo.

Paulo Henrique Amorim desafia a procuradora perguntando sobre o desconhecimento dela da publicidade que Veja, Folha, Estadão, Isto É e Época fizeram do governo paulista de José Serra.

A pressão da grande mídia e da chapa demotucana à Presidência da República indica o circo de baixarias do jogo político conservador. Não quer reconhecer o declínio de José Serra civilizada e pacientemente (afinal, ainda não estamos em 03 de outubro, a derrota tucana não foi oficialmente anunciada e o PiG já perdeu a cabeça completamente) e quis derrubar a ministra da Casa Civil. O que mostra a incapacidade dos demotucanos em discutir propostas e manter o jogo eleitoral na esportiva, mesmo estando em desvantagem.

E, insatisfeitos, usam o Legislativo para derrotar um atuante periódico semanal e silenciam-se sobre o caso. A mídia golpista, assim, mostra-se plenamente grotesca e anti-profissional. E, sobretudo, anti-democrática.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Sou contra que se cale qualquer órgão de imprensa. Mesmo um órgão direitista ou alguma dessas publicações esquerdistas (Carta Capital, Caros Amigos, etc) que fazem bobagens como comparar a música popularesca com a Revolta de Canudos, algo abordado neste blog quase diariamente.

Que cada um possa falar e escrever o que der na telha. Seja coisas inteligentes ou bogabens. Depois que cada um se responsabilize pelo que diz.

Marcelo Delfino disse...

Estou usando um programinha chamado AddThis, para colocar os endereços das postagens deste blog no Twitter e no Facebook. Uma das postagens contempladas é esta aqui.