sexta-feira, 24 de setembro de 2010

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS: PROJETO VINCULADO À DIREITA POLÍTICA


A DIREITA BOTA FARDA NOS ÔNIBUS - Indo para a direita, acima e abaixo, Jaime Lerner (PR), Olavo Setúbal (SP), Francelino Pereira (MG), Marcos Medrado (BA), José Roberto Arruda (DF) e Eduardo Paes (RJ).

Historicamente, a padronização visual dos ônibus e todo um conjunto de medidas que envolve diminuição de frotas de ônibus em circulação, sistema de pool, consórcios e outros paliativos, está sempre associada a contextos políticos de direita, voltados aos interesses conservadores e contrários à vontade do povo.

Sabemos que o transporte coletivo de Curitiba, tão tido como "moderno" e "futurista", foi adotado durante o auge da ditadura militar, em 1974, implantado pelo prefeito "biônico" Jaime Lerner, filiado pela ARENA.

Mas de um modo ou de outro, a implantação dessas medidas, dentro de uma suposta racionalidade relativa ao transporte coletivo, sempre se relaciona com grupos políticos conservadores, tradicionalmente vinculados à direita, por mais que Jaime Lerner e o ex-secretário de transporte de Salvador, Marcos Medrado, se escondam, com cínico oportunismo, em partidos de centro-esquerda.

Aqui vamos listar os figurões das fotos mostradas no topo deste tópico:

JAIME LERNER - Considerado o maior tecnocrata do transporte coletivo, hoje trabalha como consultor. Pioneiro na adoção de medidas paliativas, com uma modernidade de fachada, que adaptam o sistema de ônibus a conceitos e procedimentos neoliberais. Virou símbolo de uma mentalidade falsamente progressista relacionada ao transporte coletivo, defendendo um modelo tecnocrático que, na teoria, soa perfeito, mas que já começa a mostrar seu dramático desgaste já na sua cidade de origem, Curitiba, capital do Paraná, onde o projeto de Lerner foi implantado em 1974. Historicamente filiado à ARENA, Lerner tentou uma passagem no PDT, depois voltou à direita pelo DEM e hoje está no PSB, partido que hoje mais parece um engodo ideológico situado entre o PMDB e o PPS.

OLAVO SETÚBAL - Banqueiro dono do Itaú, falecido há dois anos, Setúbal foi historicamente ligado à ARENA e ao hoje demotucano Paulo Egydio Martins, ex-governador de São Paulo, político conservador paulista que conseguiu desviar a União Nacional dos Estudantes para a direita, em 1951. Egydio, que também foi ministro da ditadura militar, o indicou para ser prefeito da capital paulista. No cargo, Setúbal implantou o padrão atual de transporte coletivo de São Paulo, baseado na uniformização visual, nos consórcios e no método tecnocrático de gerenciamento do sistema pelo Estado, com investimentos da iniciativa privada.

FRANCELINO PEREIRA - Ligado à ARENA e hoje no DEM, ele foi governador de Minas Gerais quando surgiu o Metrobel (atual BHTrans), que adotou a metodologia tecnocrática do transporte coletivo da Grande Belo Horizonte, nos anos 80.

MARCOS MEDRADO - Um dos afilhados políticos de Antônio Carlos Magalhães, Marcos Medrado é uma das figuras do conservadorismo político de Salvador, Bahia. Figura da direita política brasileira,foi presidente regional do PDC, mantendo-se no cargo depois da fusão do partido com o PDS malufista, virando PPB (atual PP). Como secretário de Transportes de Antônio Imbassahy (então também ligado ao carlismo baiano), Marcos Medrado reimplantou o esquema de pool nos ônibus (que tinha sido dissolvido pela prefeita Lídice da Mata, na gestão anterior), fortaleceu a corrupta medida das "frotas reguladoras", diminuiu as frotas em circulação, agrupou empresas em consórcios e bagunçou a distribuição de linhas nos bairros, sem critérios definidos de área. Além disso, permitiu a "padronização" de visual branco-básico da maioria das empresas de ônibus. Marcos Medrado está filiado ao PDT porque seu grupo político de dissidentes carlistas migrou para o partido, quando o atual prefeito João Henrique, ainda na sua primeira gestão e hoje no PMDB, estava então filiado.

JOSÉ ROBERTO ARRUDA - Quando assumiu o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda retomou a uniformização visual dos ônibus, que começava a ser dissolvida por algumas empresas de Brasília. Então filiado ao DEM, José Roberto Arruda, que é ligado a Joaquim Roriz, tradicional figura da direita política brasiliense, espécie de versão candango de Paulo Maluf, foi personagem de destaque no noticiário nacional por conta do esquema de corrupção montado por ele e que se tornou conhecido como "mensalão do DEM". O escândalo custou seu cargo político. Arruda chegou a ser preso, mas foi beneficiado pelo habeas corpus que garante a impunidade dos ricos e poderosos.

EDUARDO PAES - Afilhado político de César Maia - ex-comunista há muito integrado à direita política carioca - , Eduardo Paes integra a ala ultraconservadora do PMDB. Como subprefeito da Barra da Tijuca, realizou medidas anti-populares, sempre a favor dos interesses das classes mais ricas. Passou por outros partidos e sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, seu atual cargo, teve o apoio de vários políticos do DEM, apesar do rompimento com seu padrinho político. Estabeleceu, recentemente, conchavos com dirigentes olímpicos, fazendo o lobby para que o Rio de Janeiro, mesmo sem condições reais de realização, fosse escolhido sede das Olimpíadas de 2016. Recentemente, Eduardo Paes decidiu implantar outras medidas impopulares, como o fechamento de um longo trecho da Av. Rio Branco (claramente de acordo com os interesses das classes ricas e conservadoras), que pode provocar violentos engarrafamentos na cidade, e a padronização visual do sistema de ônibus carioca, que irá confundir os passageiros, principalmente nas classes populares. Seu atual padrinho, Sérgio Cabral, tem afinidades na postura conservadora e anti-popular.

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