terça-feira, 7 de setembro de 2010

O ALARMISMO GOLPISTA DOS DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO


"INCOMODATION-TION" - O publicitário nazi-fascista Josef Göebbels se irritava quando ouvia falar a palavra "cultura".

"Não, você está maluco em achar que o povo dos sertões tem que ouvir baião autêntico". "Que loucura é essa de você querer que novos Ataulfo Alves e Pixinguinha surjam nas favelas?". "O povo pobre quer popozudas, quer espetáculo, quer cafonalha, auto-esculhambação!".

Já ouvimos essas frases ou ideias parecidas. É um tom alarmista, que no mais típico exemplo de "olha só quem fala", parte de pessoas que nos acusam de "alarmistas" quando reprovamos o sucesso das tendências brega-popularescas que domesticam culturalmente as classes populares no Brasil.

E, o que é pior, são declarações feitas por blogueiros, jornalistas e cientistas sociais que se dizem "sinceramente de esquerda" e "naturalmente solidários aos movimentos sociais das classes populares".

Mas tão estarrecedora é a comparação, de chocante exatidão, desses pretensos "amigos da cultura popular", quando suas declarações demonstram estar de acordo com a reação furiosa do publicitário nazista Josef Göebbels, quando este ouvia falar da palavra "cultura".

Pois não é essa mesma reação que nossos "inocentes intelectuais" sentem quando falamos da necessidade que novos Afaulfos, Gonzagões, Jacksons e Pixinguinhas ressurjam das periferias e das áreas pobres de nosso país?

Não é o mesmo horror quando essa intelectualidade, acomodada nos caros condomínios no Leblon e no Morumbi, sente quando um garoto da periferia começa a soltar lindas melodias de piano?

Não é o mesmo horror quando essa intelectualidade tenta creditar como "passado superado" a ideia de um feio e humilde franzino jardineiro vindo do morro, um certo Angenor de Oliveira, produzir maravilhosas melodias que o fazem hoje reconhecido como o mestre Cartola?

Não é esse horror que os faz reclamarem quando dissemos que as prostitutas pobres na verdade querem ser professoras ou costureiras, trabalhar como gente decente e viver dignamente? Essa intelectualidade, tão preocupada com o "social" - talvez sejam discípulos de José Sarney e não sabem - , está na verdade é com medo de que o recreio sexual dos machistas perca seu mercado nas "ruelas vagabundas" da periferia.

Não é o mesmo horror que dondocas sentem quando veem o povo pobre pedindo melhorias de vida? O horror que intelectuais que se dizem "socialistas" só para impressionar os caros amigos de ver os brasileiros fazendo as mesmas coisas que os mapuches chilenos, as Mães de Maio argentinas, o povo palestino, em vez de dançar o "créu", o "tchan" e o "rebolation".

Sim, essa intelectualidade tão "amiga do povo" está com medo. Medo que a cultura popular de verdade, não essa "cultura popular" da grande mídia e seus lotadores de plateias de vaquejadas, micaretas, "bailes funk", "aparelhagens" etc, reapareça com toda sua força. Medo de que a MPB autêntica, a Música Popular Brasileira genuína e não esse Marketing Popular Brasileiro de bregas e neo-bregas, volte a brilhar entre o grande público.

E medo, acima de tudo, que as classes populares no Brasil recuperem a auto-estima e a identidade sócio-cultural, voltem a produzir conhecimento em larga escala e passem a pensar a realidade de nosso país sem depender das lentes míopes da TV aberta, da imprensa populista e das rádios popularescas. Mídia esta que segue muito bem as lições de Göebbels, o patrono da "visibilidade fácil" da grande mídia.

Pois Göebbels afirmou uma vez que toda mentira veiculada mil vezes se transforma em verdade. Pois a mídia popularesca veiculou uma série de mentiras e asneiras em sua gigantesca tiragem, em seu grande raio de transmissão e na comunhão de interesses das grandes mídias regionais, que agora elas são vistas como "verdades". E a intelectualidade atribui essas mentiras tornadas verdades e trabalhadas pela grande mídia como "conhecimentos" gerados no seio das classes populares. Coisa tipicamente de Josef Göebbels.

Lamentável.

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