terça-feira, 14 de setembro de 2010

MÚSICA DO PiG BRASILEIRA: UMA CONVERSA AFIADA



Vamos falar a língua afiada usada por Paulo Henrique Amorim:

A música brega-popularesca é a trilha sonora do PiG.

A música brega-popularesca é a Música de Cabresto Brasileira, porque é a "cultura de cabresto" aplicada à música brasileira e determinada pelo coronelismo radiofônico e televisivo.

Mas há quem jure que a música brega-popularesca é a "verdadeira MPB".

E quem jura apresenta apenas números, cifras, índices. Como se lotar plateias fosse suficiente para produzir conhecimento social para a posteridade.

Mas lota-se plateia como quem lota um curral de gado. O povo é empurrado, e vai, alegre feito criancinhas indo para a Disneylândia.

O PiG adora. O Faustão vibra. Até William Waack esfrega as mãos e ri. Otávio Frias, então, dá pulos de comemoração, na maior alegria. Mas até o sisudo Roberto Civita abre o champanhe.

Mas há quem jure que a música brega-popularesca não está na mídia.

Coitados. Esse pessoal, boa parte dele intelectual, não vê televisão. Acha que o Calcinha Preta só rola na emissora comunitária da Zona Norte de São Paulo.

Coitados. Andam bebendo demais e veem coisas. Já não veem poste se movendo, mas veem o ingênuo Chimbinha com traje de guerrilheiro cubano. Deve ser, também, a Maria Joana, oferecida pelo Gabeira. Mas não espalha isso, não, hein?

A Música do PiG Brasileira movimenta milhões. Alimenta as fortunas dos latifundiários, do empresariado associado, dos políticos que controlam emissoras de rádio FM, certas rádios comunitárias, afiliadas de emissoras de TV aberta.

A Música do PiG Brasileira também alimenta o poder da grande mídia. Se as concorrentes da Globo também tocam essa música, problema delas. Foi a Globo que expandiu a Música do PiG para níveis de domínio absolutista.

Tanto que a música de qualidade, tão fácil de ser feita até por sapateiros, hoje virou coisa de elitistas.

Pobre Brasil. Os Centros Populares de Cultura da UNE, formados pela classe média universitária, foram acusados de idealizar a cultura popular.

Os cepecistas apenas queriam estimular o debate sobre a cultura brasileira, mas o diálogo com as classes populares foi rompido com o golpe civil-militar de 1964.

Diálogo rompido, a classe média correu para os festivais da canção da TV Record. Mas o povão foi entregue à cafonice patrocinada pelo latifúndio.

Chegaram a calar a voz de Waldick Soriano, que não mais fala por si só, mas pelas "generosas" vozes de Paulo César Araújo e da "global" Patrícia Pillar.

Se Waldick falasse, veríamos que ele não passava de um direitista corno-manso bastante conservador, machista, defensor da ditadura militar. Mas hoje pintam ele como se ele fosse um subversivo, suas letras medíocres são atribuídas a um suposto código revolucionário. Quanta besteira!!

O povo agora não pode mais fazer baiões autênticos, sambas autênticos, modinhas autênticas. Agora o povo é obrigado a brincar de Michael Jackson, de Beyoncé, de caubói americano, de detetive americano, de Super-Homem, de Mickey Mouse, de Pateta.

O povo não pode mais criar. Agora o povo só é "criativo" quando recria tendências de fora.

E quem fala isso não é só o PiG, mas até mesmo certos caros amigos. Certos blogueiros de esquerda, Sakamotos, Patolinos, etc.

Gente que, sem perceber, brinca feito crianças felizes no lodo do PiG. Nadam, brincam e se lambuzam do lamaçal fedorento da mídia golpista. Estão tão acostumados que não dão conta disso. Acreditam nos valores do PiG como se fossem valores seculares da humanidade.

Faustão e Huck sabem muito bem que a maior influência que exercem é sobre aqueles que dizem odiá-los, mas que seguem com fidelidade canina suas lições.

Gente que parece que só é esquerdista porque acha bonito, mas na sua cabeceira mantém secretas leituras de livros de Adam Smith, Roberto Campos, Paul Johnson e Francis Fukuyama.

Acreditam na ideia de "diversidade cultural" com o mesmo sentido que os neoliberais acreditam na ideia de democracia.

Mas tentam disfarçar seus preconceitos neoliberais num discurso confuso, cheio de modernices pseudo-esquerdistas, prosas concretistas, apelos publicitários.

E o pessoal aplaude. Sem desconfiar da sujeira do lamaçal do PiG que há tempos mancha as roupas desses críticos, blogueiros e cientistas sociais.

Coisa feia irem para o Encontro dos Blogueiros Progressistas com os pés sujos da lama do PiG. Não adianta desmentir a sujeira que se escancara aos nossos olhos.

Querem um país progressista com a mesma trilha sonora do país atrasado e neoliberal de antes. Acham que é porque "a maioria do povo gosta" e "é só o que o povo sabe fazer". Coitados. Pensam como as madames que se sentam nas primeiras fileiras das palestras do Instituto Millenium.

O povo pode fazer coisas melhores do que essa Música de Cabresto Brasileira que exibe cantores e conjuntos apatetados, submissos e medíocres.

O povo pode mais, porque as lutas sociais nada têm a ver com "rebolations", "tchans", "créus", "exaltas", "tecnobregas", "arrochas" e outras mediocridades.

O PiG é que não deixa o povo agir. Não quer que a Música Popular Brasileira de verdade (mesmo!) retome seu lugar nobre e destrone o Marketing Popular Brasileiro da Música do PiG Brasileira.

Pois o que tem valor é que prevalece. Desaparecerá a mediocridade reinante, apesar delas serem requentadas junto a certas paçocas. Apesar das vaquejadas, micaretas, "bailes funk", "aparelhagens", que também desaparecerão.

E não serão os confusos textos apologéticos, cheios de delírios modernosos, que impedirão isso.

Até porque ninguém entende coisa alguma desses textos, mas aplaude só pelo prestígio de quem escreveu. Ou porque é seu amigo. Se tivesse tempo e paciência para ler tais textos, certamente ficariam chocados com tantos absurdos neles escritos.

Mas o PiG está tranquilo, porque sua política pode estar em ruínas, mas sua trilha sonora continua inteiramente salva. Por conta da credulidade de certos caros amigos.

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