terça-feira, 21 de setembro de 2010

LIVROS PODERIAM ADVERTIR SOBRE ABUSOS DA TECNOCRACIA


JAIME LERNER, PEDRO ALEXANDRE SANCHES, ARMÍNIO FRAGA E ALI KAMEL - Alguns dos "gurus" da tecnocracia brasileira.

É um grande absurdo que haja vários jovens que se dizem "modernos", "inteligentes" e "conscientizados", mas que com convicção esnobe e arrogante, afirmam seu orgulho de nunca ler livros, de não "perder o tempo com coisas à toa".

Uns, reacionários demagogos mas dotados de um discurso "humanista", usam e abusam da alegação de que "se educam na escola da vida". Grande piada! Caem na noitada, enchem a cara e consomem muita "bobagem", e dizem que "estudam na escola da vida, das ruas". Seus referenciais sócio-culturais são terríveis, mas se acham "inteligentes e sem preconceitos". Seus valores morais são tenebrosos (e trevosos!), mas se acham "defensores da mais legítima cidadania".

Essa juventude que aparece aos montes no Orkut, tirando muita onda de "moderna", na verdade não passam de uns poodles com alma pit-bull que atuam como verdadeiros "cães de guarda" do PiG. Tive um problema com a "galera irada" da comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo", que na prática fizeram despertar seus antigos fantasmas do Comando de Caça aos Comunistas, aquele grupo ultra-direitista dos anos 60 do qual fez parte Bóris Casoy. Mas, como diz Renato Russo, "é só questão de idade, passando desta fase, tanto fez, tanto faz".

Renato Russo leu muitos livros. Principalmente quando passou uma fase bastante doente, na infância, que o obrigou a ficar de cama, em casa. Já entrava no punk rock, aos 17 anos, com jeitão de titio, intelectualizado. O nome Russo, em parte, foi inspirado no filósofo Jean-Jacques Rousseau e no escritor Bertrand Russell.

A leitura de livros, uma prática marginalizada na sociedade brasileira, poderia ser uma boa vacina contra as enfermidades sociais que atingem nosso país. Sem brincadeira, o Brasil de hoje serve como um verdadeiro laboratório para os absurdos ficticiamente descritos em obras como o cinema de Luís Buñuel e a literatura de Franz Kafka. E, como falamos em livros, o Brasil então se torna um grande continente kafkiano.

Só alguns absurdos kafkianos:

1. Criminosos passionais em liberdade condicional têm mais facilidade de arrumar namoradas do que nerds de bom caráter dotados do mais generoso altruísmo e romantismo amoroso. Homens perigosos que são mais atraentes do que homens de bom caráter!

2. Um político corrupto rouba verbas públicas que paralisam obras de uma grande cidade, joga para sua fortuna pessoal, compra emissoras de rádio e anos depois aparece como pseudo-radiojornalista. Só que, em vez dele ser hostilizado, é visto como "figura honesta" e, mesmo incompetente e sem diploma, ganha credibilidade entre as pessoas da sua cidade. Este caso é real, é do cafajeste eletrônico Mário Kertèsz, da Rádio Metrópole, de Salvador (Bahia).

Há também casos de assassinos como Guilherme de Pádua, Farah Jorge Farah e Pimenta Neves que recebem tratamento elegante da mesma grande mídia que criminaliza os movimentos sociais. Há casos de críticos musicais que, na imprensa esquerdista, defendem os mesmos valores brega-popularescos difundidos pela mídia golpista da qual a imprensa de esquerda combate duramente.

Enfim, tantos absurdos que mostram o quanto o Febeapá (Festival de Besteiras Que Assolam o País) que Sérgio Porto, através do seu codinome Stanislaw Ponte Preta, brilhantemente escreveu, sobreviveu mais de 40 anos depois da morte do seu autor. E que mostram o quanto o franco-atirador que virou celebridade, no filme O Fantasma da Liberdade (1974) de Buñuel, recebendo uma sentença de morte que não dá na prática (já que ele é liberado como se fosse um absolvido), diz muito psicopatas e criminosos passionais convertidos em "ícones pop" ou "coitadinhos que erraram".

Mas há também os absurdos da tecnocracia. Quem leu 1984, de George Orwell, sabe da história do regime totalitário "futurista" descrita no livro. Mas, em que pesem as lições úteis do livro de Orwell, o Brasil atual está mais próximo do Admirável Mundo Novo (1932) de Aldous Huxley.

ADMIRÁVEL BRASIL NOVO

Numa comparação mais didática, se 1984, para nós, fala dos anos da Era Médici, Admirável Mundo Novo nos mostra o Brasil demotucano da Era FHC. A obra de Huxley nos avisa muito do perigo da tecnocracia e de suas imposições, de uma "racionalidade" que tenta prevalecer sobre nossa individualidade, sobre nossos desejos, nosso prazer, nossas necessidades mais básicas.

Recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, cometeu um dos seus piores atos de sua administração. Decidiu "amarrar" o sistema de transporte coletivo ao controle severo de uma paraestatal, adotando um visual padronizado que todas as empresas de ônibus, agora submetidas ao controle dessa paraestatal, passarão a usar.

Com alegações típicas da "racionalidade" tecnocrática, o projeto de Paes se inspira nos conceitos lançados pelo arquiteto paranaense Jaime Lerner. É estarrecedor que Jaime Lerner não é visto com desconfiança pela maioria das pessoas, mas ele parece ter saído dos filões autoritários da obra de Huxley.

Lerner foi prefeito nomeado pela ditadura, ligado aos tecnocratas da UFPR (de onde saiu o reitor Flávio Suplicy de Lacerda, que foi ministro da ditadura), filiado à ARENA, e há quem o considere como quase um Deus, de tanto medo que tem em contestar sua figura e seus procedimentos.

O mais absurdo disso tudo é que o projeto de Jaime Lerner para o transporte coletivo de Curitiba - depois implantado em outras cidades do país, sendo Teresina e Rio de Janeiro as mais recentes - segue rigorosamente a mesma lógica do projeto econômico ditatorial lançado por Roberto Campos, enquanto ministro do general Castelo Branco.

Ou seja, Lerner lançou um projeto originário da ditadura, que muitos ingenuamente pensam ser "mais democrático" e perfeito. E que mostra não ter sucesso em lugar algum, e em Curitiba o modelo de Lerner já dá sinais de trágico e avançado desgaste, com ônibus lotados e desconfortáveis, corrupção nas empresas camufladas pela uniformização visual (que confunde muitos passageiros), irregularidades até no passe eletrônico (o "Bilhete Único" de lá) e no estresse de motoristas que sofrem males súbitos no volante. Esses transtornos já causaram até mortes, para ver a gravidade do "perfeito modelo" de Jaime Lerner.

Por isso, o Brasil sucumbe a armadilhas que certamente deixariam pasmo até os mais bobos europeus. Algumas delas começam a ser desarticuladas, como é o caso da política demotucana da grande mídia, da dupla PSDB/DEM e do Instituto Millenium, de seus barões, viscondes, duques, de Otávio Frias Filho, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Ali Kamel, Sandra Cavalcanti (também integrante do antigo IPES) e outros.

Mas há a tecnocracia enrustida de críticos musicais e cientistas sociais metidos a julgar a cultura popular através de seus binóculos eletrônicos. Nomes como Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos, Rodrigo Faour e Hermano Vianna só conhecem a periferia dos documentários da TV paga, e querem se julgar conhecedores da mesma mais até do que o próprio povo da periferia.

Vianna e Sanches, então, nem se fala. Eles vieram daquela facção da Bizz/Ilustrada que se voltava mais para os movimentos estrangeiros de rua de Londres e Nova York, como o movimento de reggae inglês puxado pelos mods do Two Tone, ou o movimento hip hop da turma do Bronx e do Brooklyn.

De repente, obrigados a falar de cultura popular brasileira, esses caras adotam uma postura pedante e paternalista, e querem julgar os modismos do brega-popularesco - que envolvem cantores e conjuntos que, na prática, são dominados e explorados por empresários gananciosos associados às oligarquias da mídia e do entretenimento - como se tais intérpretes do comercialismo mais rasteiro e corrupto fossem como o reggae jamaicano (que eles conheceram via Londres) ou a cultura black dos EUA.

LEITURA DE LIVROS ESTIMULA PERCEPÇÃO E DISCERNIMENTO

Se a leitura de livros fosse mais comum, não teríamos pessoas tão tolas que, depois de ver o "funk carioca" em todos os programas da Rede Globo, reclamar que o estilo não tem espaço na mídia. As pessoas não sabem observar. Parecem policiais que conversam sobre o jogo de futebol do dia anterior, enquanto há um assalto logo em frente deles.

Por isso as pessoas não leem e, quando o fazem, aplaudem sem entender. É ótimo um Pedro Alexandre Sanches fazer aquele texto tendencioso, uma gororoba de palavras na revista Fórum sobre o tecnobrega, e o pessoal achar lindo. Mal sabem essas pessoas que o anedotário popular já havia criado, há muito tempo, uma figura chamada "intelectualóide", de textos rebuscados, que gosta de lixo cultural, cheio de poses e extravagâncias.

Aliás, quando os valores são importados, essas pessoas riem de gozação, sem saber o que há em "sua casa". Rir da sujeira do vizinho mais distante é fácil. Quando o intelectualóide é francês ou alemão, a gargalhada é geral. Mas há o intelectualóide brasileiro, o pessoal fica em silêncio, o trata como um Deus, aplaude feito foca de circo, sem saber por quê.

Da mesma forma que a louraburra também rende gargalhadas por sua burrice. Porque a lourinha ianque pode ser "burra" e "estúpida". Mas, no Brasil, as boazudas como ex-BBB's, mulheres-frutas, dançarinas de porno-pagode, garotas-da-laje e paniquetes, que representam a burrice feminina em território nacional, essas não recebem gargalhadas. Pelo contrário, são vistas como "deusas" e consideradas "lindas", por mais feias e enjoadas que sejam.

Por isso a falta de hábito de leitura das pessoas as expõe a mil armadilhas. Cria uma tolerância absurda aos absurdos da vida. A falta da vacina literária de bons livros faz as pessoas terem um nível discernitivo débil e patético. É um pessoal que diz odiar o Domingão do Faustão, mas fala a mesma gíria "galera" do apresentador e molda seu gosto musical nas barbaridades do brega-popularesco veiculadas no programa.

Por isso a leitura de George Orwell, Aldous Huxley, Stanislaw Ponte Preta, Dante Alighieri, Nicolau Maquiavel, entre tantos outros, permite desenvolver o senso crítico. Uma leitura que permita desenvolver a percepção e o discernimento, para que ninguém se comporte como um policial distraído durante um assalto na proximidade e achar que o "funk carioca" está "fora da mídia" mesmo aparecendo em tudo quanto é programa da Globo.

As armadilhas existentes no país não existem para serem admiradas. Existem para serem desmontadas. Até mesmo os "lindos" textos de Pedro Alexandre Sanches com seu "gosto de paçoca".

2 comentários:

Lucas Rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lucas Rocha disse...

Será que as boazudas só se limitam às mulheres-frutas, ex-dançarinas de pornopagode, ex-participantes do "Big Brother Brasil" (menos, é claro, a Grazi Massafera), "garotas da laje", PENIQUETES e "musas do brasileirão"?
E os brega-popularescos, será que só se limitam aos "bregas de raiz", axezeiros, breganejos, calcinheiros, funkeiros cariocas, pornopagodeiros do Recôncavo Soteropolitano (inclusive, é claro, o GAYBOLATION do Parangolé), sambregas, tecnobregas amazonenses e UNIVERSOTÁRIOS (inclusive, é claro, o galãzinho emonejo Luan Santana)?
Essas duas perguntinhas são tão idiotas que não tem corpo nem alma.