segunda-feira, 27 de setembro de 2010

IRÃ CONDENA SAKINEH À FORCA POR HOMICÍDIO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Dois pesos, duas medidas, um mesmo sistema de valores. Enquanto no Irã é mantida a condenação mortal de Sakineh Ashtiani, por enforcamento pela participação no assassinato de seu marido, os homens que, no Brasil, se envolvem no mesmo crime, numa inversão conjugal, chegam a ser soltos, sem qualquer chance de voltar para a cadeia. Em ambos os casos, a prisão perpétua, com atividades laboriais de dentro da cadeia, seriam a solução. Mas a sociedade machista, seja no Irã, seja no Brasil, ainda mostra seu poder retrógrado, em pleno século XXI.

Irã condena Sakineh à forca por homicídio

Caso de iraniana causou comoção pelo temor de que ela fosse apedrejada

Do Portal R7

O procurador-geral do Irã, Gholam Hussein Mohseni Ejei, anunciou nesta segunda-feira (27) que Sakineh Mohamadi Ashtiani, a mulher iraniana acusada de adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, foi condenada à morte por enforcamento pelo segundo crime.

Em declarações divulgadas nesta segunda-feira pela agência de notícias local Mehr, Mohseni Ejei explicou que, "de acordo com a decisão do tribunal, Sakineh foi acusada de assassinato e condenada por este delito".

O caso de Sakineh causou comoção mundial porque ela havia sido, anteriormente, condenada à morte por apedrejamento.

No início de setembro, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que a Justiça do país iria rever o caso de adultério contra Sakineh Mohammadi Ashtiani, que levou à sua condenação por esse polêmico método.

Mas um porta-voz afirmou que a acusação de cumplicidade de Sakineh no assassinato do marido - pela qual ela havia sido condenada à forca - permanecia "em andamento".

Assassinato, adultério, estupro, assalto a mão armada, apostasia (renegar a religião) e tráfico de drogas são crimes punidos com a pena de morte pela lei islâmica da Sharia, em vigor no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

Justiça chegou a adiar a pena três vezes

A Justiça do Irã chegou a adiar três vezes o pronunciamento sobre a execução de Sakineh, após uma intensa pressão internacional - tanto de governos quanto de entidades - contra a pena.

Em comunicado no dia 29 de agosto, o escritório de direitos humanos da Justiça do Irã informou que a sentença de morte contra Sakineh tinha sido concluída, mas que a execução ainda dependia de procedimentos internos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo à iraniana, aproveitando-se da boa relação que o Brasil mantém com o Irã. Mas o governo iraniano recusou, dando a entender que Lula não estava suficientemente bem informado sobre o caso e que Sakineh era uma criminosa comum.

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