quinta-feira, 30 de setembro de 2010

INTELECTUALIDADE BRASILEIRA NÃO QUER CULTURA POPULAR, QUER "CULTURA POP"



A intelectualidade brasileira, salvo exceções, não quer a volta da cultura popular.

Essa intelectualidade quer a implantação definitiva da "cultura pop" no Brasil.

Cultura popular gera conhecimento, valores sociais edificantes, dignifica o cidadão.

Mas cultura popular não gera muito dinheiro, não traz fortuna.

"Cultura pop", por sua vez, não gera conhecimento algum, nem valores sociais dignos, o cidadão é reduzido à uma coisa, a um mero fetiche ou alvo do consumo.

Mas a "cultura pop" gera muito, muito, muito dinheiro.

Só que no Brasil costuma-se dar o famoso "jeitinho brasileiro", e é muito comum pessoas usarem desculpas esfarrapadas para defender certas causas duvidosas.

Por isso essa intelectualidade enche todos os seus textos de engodo.

Em vez de dizer "eu gosto disso", "eu gosto daquilo", porque "é divertido", eles preferem enrolar a opinião pública.

Aí eles defendem, sem assumir, teses de Francis Fukuyama e princípios da reunião de Bretton Woods aplicadas à análise da cultura popular da periferia.

"A MPB acabou", é o "fim da história" da Música Popular Brasileira. Agora temos o circo do brega-popularesco, da auto-esculhambação, todo mundo brincando de Michael Jackson, de Beyoncé Knowles, de caubói e detetive norte-americano.

Aí se dissimulam essas teses com alusões pseud0-esquerdistas, delírios pós-modernos e falatório militante. Assim, ninguém desconfia que um Pedro Alexandre Sanches da vida é um dos grandes pupilos de Otávio Frias Filho.

Essa intelectualidade quer apenas o hit-parade brasileiro. Algo para mostrar para turistas norte-americanos. Só não é coisa para inglês ver porque, no Reino Unido, a cultura de verdade sobressai sobre algumas crias locais do hit-parade que vão voando rapidinho para os EUA.

Então, armam esse discurso tão doce e simpático, porque assim a plateia lê sem entender e, mesmo assim, sai aplaudindo feito foca de circo.

Alguém entende a baboseira que Pedro Alexandre Sanches escreveu no texto sobre o tecnobrega na revista Fórum?

Ninguém entendeu, mas só por ler o título bonitinho que tenta vender a Gaby Amarantos como a "síntese da cultura brasileira", ficou deslumbrado feito criança que viu o gerente de supermercado vestido de Papai Noel e pensou ser mesmo o lendário personagem natalino.

Claro, se o pessoal passou o tempo todo acreditando que coelho bota ovo na Páscoa, acredita que o medíocre tecnobrega bebeu nas fontes da antropofagia oswaldiana.

Todos então pensam estar zelando pela preservação do folclore brasileiro. Balelas.

Estão, na verdade, querendo que o Brasil tenha hit-parade, e não cultura popular.

Porque o consumo enriquece, fortalece o mercado, sustenta o empresariado do entretenimento.

A cultura popular autêntica, que NÃO é a dos meros lotadores de plateias, produz riquezas sociais, mas não necessariamente riqueza financeira.

Daí a intelectualidade vem com discurso enrolado, vem com demagogia.

Mas o discurso é "otimista", "positivo", "tudo de bom". A plateia lê, não entende e aplaude assim mesmo.

Aí o que Pedro Sanches, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, Bia Abramo e similares defendem é exatamente a mesma coisa que aparece na Rede Globo, na Folha de São Paulo, na Caras e na Contigo.

Acabam defendendo o poderio da mídia golpista escondidos na trincheira adversária.

Ninguém entende, porque no nosso país abatido pelo terror psicológico da ditadura militar, as pessoas não sabem de coisa alguma e se conformam com cada absurdo imposto ao país.

E vão aplaudindo os propagandistas da mediocridade cultural travestidos de cientistas sociais ou críticos musicais.

Ou mesmo charlatões como Paulo César Araújo e seu festival de inverdades.

Isso até sofrer, anos depois, o tédio de ver a "cultura popular brasileira" reduzida a meros listões de "10 mais", "20 mais", "30 mais", "50 mais", "100 mais-mais".

Listões que não trarão dignidade para as populações pobres e de classe média baixa, que ficarão na mesma.

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