quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A HERANÇA CAFONA DO PODER DA GRANDE MÍDIA



A velha mídia dominante naufraga, e por isso quer livrar parte do seu peso para outros barcos.

A herança cultural da mídia golpista, coronelista, latifundiária, cúmplice do imperialismo, tem que ser transmitida, para garantir a fortuna de seus barões.

A cafonice dominante, tão defendida por coronéis do latifúndio, especuladores, oligarcas, aristocratas, barões da grande mídia, ditadores, já corria o risco de desaparecer do gosto e dos referenciais das populações pobres.

Daí que veio aquela história digna da Carochinha, de que a cafonice e a mediocridade cultural são "vítimas de preconceito" e "boicotadas" pela mídia.

Como boicotadas, se aparecem na Globo, na Folha, na Contigo, a grande mídia, a mais poderosa, a mais rica, dá todos os seus microfones para ídolos bregas e neo-bregas?

A intelectualidade etnocêntrica, com seu discurso complicado mas temperado com açúcar, aplaudida pelas focas de circo que não entendem bulhufas do que leem, acaba agindo mais contra do que a favor das populações pobres.

Acabam dizendo que o povo é "melhor" naquilo que é ruim deles.

A ideologia brega, que condenou o povo ao subemprego, ao alcoolismo, à prostituição, à subordinação social, se perpetua através desse discurso intelectualóide, que, apesar de se dizer do lado do povo, age contra ele.

Tem medo de que a cultura de verdade refloresça nas favelas, roças e sertões.

Amarram uma "MPB de classe média" nas trilhas de novela e colocam seus artistas como coadjuvantes ou figurantes do circo brega-popularesco só para dizer que "ainda dão espaço para a MPB de qualidade", que "não a discriminam".

Mas é a mesma MPB pasteurizada que essa intelectualidade fala mal. E que hoje vive sob a camisa-de-força das trilhas de novelas da Globo.

O grande medo da mídia e seus asseclas de ver essa cultura de cabresto naufragar, depois de gerar um mercado milionário, é muito grande.

Talvez até na surdina a grande mídia financie esses intelectuais e vá para a imprensa de esquerda enganar o povo.

Afinal, essa intelectualidade etnocêntrica muitas vezes é usada como moeda de troca para a DINAP, do Grupo Abril, distribuir os jornais esquerdistas, ou para o UOL, do Grupo Abril e Grupo Folha, hospedarem os sites desta mesma imprensa.

O resto fica por conta das paçocas com sabor de jabá.

Que vendem como "vanguarda" hoje o que vai aparecer tranquilamente no Domingão do Faustão.

E, aparecendo no Domingão do Faustão, chegam sakamotos, patolinos e outros lunáticos dizer que os ídolos brega-popularescos foram lá para destruir a grande mídia.

Tese que não faz o menor sentido, tamanha a felicidade dos ídolos brega-popularescos em visitar o Faustão.

Nos últimos oito anos, sem o apoio tucano no Planalto Central, a ideologia brega-popularesca teve que vender a falsa ideia de "verdadeira cultura popular" para sobreviver.

Tenta justificar o rótulo pela ação dos lotadores de plateias. A "verdadeira cultura" não é mais a que produz conhecimento nem valores sociais, mas aquela que lota plateias com muita rapidez e facilidade.

Quanta mentira, quanta lorota.

Mas a intelectualidade etnocêntrica adota um discurso macio. Como lobos em peles de cordeiros, falam até que o "mau gosto" do pobre tem que levar consideração, numa visão claramente elitista e paternalista, mas docilmente transmitida. Daí os aplausos.

Para a intelectualidade, o povo não presta e seu valor reside nisso. O povo é bom quando dança o "rebolation", quando vai para o clube noturno da periferia consumir os "sucessos do povão". Quando o povo pobre faz passeatas ou fecha rodovias, aí que o povo é abominável.

Sem sabermos, a intelectualidade impõe ao povo pobre a manutenção do papel subordinado, subserviente. Chega de novos Ataulfos, Gonzagões, Marinês. O povo pobre agora só pode brincar de pop norte-americano.

Agora só pode brincar de Michael Jackson, de Beyoncé, de caubói, de detetive, não tem o que comer, mas pode vestir roupas espalhafatosas. Não tem o que dizer, porque não sabe, não recebeu educação. Por isso a grande mídia lhe dá o microfone.

O povo pobre não pode mais criar sambas nem baiões, porque estes agora só podem ser criados em oficinas das escolas de música e dos conservatórios.

O povo pobre não pode produzir conhecimento. Só precisa se arrumar para aparecer bonzinho no Domingão do Faustão. E que se vire nos trinta segundos que lhe deem 15 minutos de fama.

A velha mídia fica grata aos intelectuais etnocêntricos. Estes, que fingem que não gostam da grande mídia, mas lá estão eles assistindo ao Faustão e ao Luciano Huck bem felizes.

Tudo para dizer que os "sucessos do povão" que lá aparecem "não estão" na grande mídia.

Cegos, querem que compartilhemos com sua cegueira, como se fosse a maior lucidez.

Essa intelectualidade só viu a periferia em documentários estrangeiros transmitidos pela TV paga, e escrevem para agradar ao porteiro do prédio, à faxineira, à empregada. Mas que, no fundo, tenta tratar eles como tolos, por não compartilharem da cegueira tecnocrática deles.

Essa intelectualidade acaba sendo herdeira da grande mídia, na divulgação da cafonice dominante.

Afinal, intelectual e elitista da cultura, Otávio Frias Filho, sócio do Instituto Millenium, barão da grande mídia, está por trás dessa pregação que pedros sanches, ronaldos lemos, rodrigos faours, miltons mouras, sakamotos, patolinos, que, dentro de uma retórica intelectualóide, quer reafirmar o império dos "sucessos do povão".

Tudo para manter o povo pobre sempre à margem do grande debate nacional em torno das questões da mídia e da política nacionais.

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