segunda-feira, 13 de setembro de 2010

GRUPO ABRIL ESTÁ POR TRÁS DO SURTO CAFONA DA IMPRENSA ESQUERDISTA



Cooptar para calar. Manipular para controlar. A influência do Grupo Abril no mercado editorial brasileiro é tão grande que castra até mesmo a imprensa esquerdista que, no âmbito político, goza de grande autonomia, mas no âmbito cultural, sofre o peso de um acordo que não é tão incondicional que se imagina.

A influência do Grupo Abril na imprensa de esquerda se dá pelo fato dos Civita, donos do complexo empresarial, serem também donos da DINAP, distribuidora que comercializa a revista Caros Amigos. Além disso, os Civita também são, em parte, donos do portal UOL, que hospeda a edição brasileira do jornal francês Le Monde Diplomatique. O UOL também tem como sócia a família Frias, da Folha de São Paulo.

Isso é que é castrar cachorro, deixando-o latir. Sabemos que hoje a esfera cultural está cada vez mais sendo alvo de manobras políticas intensas. Já que as elites não conseguiram controlar o povo pela economia e pela política, agora o povo é controlado pela cultura. Mais tarde explicaremos o assunto.

Só a influência do Grupo Abril para explicar a presença de um dirigente funqueiro (que agora deixou de falar do estilo) e de um antigo crítico da Folha de São Paulo e Bravo (do Grupo Abril) na Caros Amigos.

Aliás, Pedro Alexandre Sanches e sua "Paçoca" seguem uma campanha pró-brega semelhante ao que Hermano Vianna, na Rede Globo de Televisão, fazia através do programa Central da Periferia. É exatamente a mesma campanha, mas sem o fardo de carregar uma grife da mídia golpista que assustaria a garotada. Isso de forma explícita.

Afinal, Pedro Alexandre Sanches entrou na imprensa de esquerda pelas portas dos fundos, sem explicação, sem qualquer posição autocrítica. Sabemos que Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna trabalharam na Rede Globo e se converteram à mídia de esquerda de forma autocrítica, com conhecimento de causa e sinceridade de adotar uma nova posição, o que é raro. Posição que é apoiada por Maria Inês Nassif e Luiz Fernando Veríssimo, como os outros integrantes do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, apesar de trabalharem em veículos da grande mídia, como o Valor Econômico e O Globo (mas fazem isso com rara autonomia e isenção).

Pedro Sanches, não. A impressão que se tem logo de cara é que ele faz um jogo duplo. Sua formação será sempre a da Folha de São Paulo, e recentemente, um episódio envolvendo um programa da TV Cultura ameaçado de sair do ar o fez reaproximar de um influente colunista da Folha, Gilberto Dimenstein. Será mera coincidência essa reaproximação? Independente do perfil ideológico do programa, certamente não.

Pedro Alexandre Sanches deve ter sido o preço que o Grupo Abril/Folha determinou para colaborar na imprensa esquerdista. Sabe que suas máquinas irão imprimir textos que vão contra os interesses políticos dos Civita e dos Frias. Ou que seus serviços de htm vão mostrar, on line, textos com a mesma anti-posição a eles. Por isso, os dois grupos empresariais querem uma compensação.

Daí a farsa de creditar dois fenômenos claramente comerciais, claramente ligados à grande mídia, como o "funk carioca" e o tecnobrega, como se fossem "movimentos sociais esquerdistas". É algo digno de entrar no Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, ou em qualquer anedota popular. Vá comparar os movimentos sociais de outros países com os modismos - sim, modismos! - do brega-popularesco para saber desse aspecto tragicômico acerca da ideia de cultura popular.

Pois os dois estilos, enquanto são creditados como "cultura de vanguarda" ou "militância popular" pelos periódicos da imprensa esquerdista, aparecem tranquilamente na tela da Rede Globo e mesmo nas páginas da Folha de São Paulo, a mesma mídia que adota posições antagônicas a Caros Amigos, Le Monde Diplomatique e revista Fórum. Mas se virou mania chamar Waldick Soriano de "subversivo" e "vanguardista", com todo o perfil retrógrado e conservador que ele, na verdade, representa, então qualquer surto cafona da intelectualidade é "justificável".

Será que não é vergonhoso para a imprensa esquerdista adotar, para a cultura popular, as mesmas posições da grande mídia, e fingir que os dois estilos, como qualquer outro que houver ou for citado, aparecem explicitamente na grande mídia?

Sob os testemunhos de milhares de expectadores, o tecnobrega já apareceu no olimpo mídio-golpista da Globo, enquanto a imprensa esquerdista é cega e surda a isso.

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