domingo, 26 de setembro de 2010

FRESNO E BON JOVI, TUDO A VER



O Brasil vive uma grande comédia de erros. Um dos episódios mais hilários é o protesto de fãs do grupo farofeiro Bon Jovi contra a inclusão da banda emo Fresno na abertura das apresentações do grupo de Nova Jersey no Brasil.

A revolta é tanta que existem até abaixo-assinados para isso.

É de cair na gargalhada. Afinal, Bon Jovi também não é essa maravilha toda, pois a "cultura da memória curta", no nosso país, desconhece que o grupo é historicamente reconhecido como um dos mais piegas ícones do poser metal, ou metal-farofa, diluição do rock pesado para os padrões piegas do hit-parade.

E quem eram os grupos dessa tendência, marcada por muita pose, muita maquiagem, muitos escândalos, muitas músicas melosas e nenhuma essência rock'n'roll? Grupos hoje considerados "respeitáveis", como Bon Jovi, Guns N'Roses, Mötley Crüe e Poison, que nos anos 80 eram considerados tão ridículos quanto Menudo.

Além do mais, o próprio poser metal é considerado, pelos maiores conhecedores da história do rock, o equivalente do heavy metal ao emo para o punk rock. As queixas que se fazia, nos anos 80, a respeito do metal-farofa, são literalmente as mesmas, sem tirar nem pôr, às que são feitas hoje a respeito das bandas emo. Por isso Bon Jovi e Fresno têm tudo a ver um com o outro.

Vale lembrar que boa parte do público dito "roqueiro" no Brasil, sobretudo de 33 anos de idade para menos, foi educado por Xuxa e Gugu Liberato na infância, e nos anos 90 se converteu em nada mais do que uma multidão de mauricinhos e patricinhas junkie, suficientemente mal-educados e reacionários para serem vistos pelos incautos como "rebeldes radicalmente roqueiros". Só que roqueiros ao mesmo tempo caricatos e violentos.

Exemplo disso foi a lamentável geração de filhotes do Cabo Anselmo que constituiu na "nação roqueira" de adeptos das patéticas Rádio Cidade (RJ) e 89 FM (SP), que abordavam a cultura rock sob o ponto de vista de um delegado do DOI-CODI.

Daí esse pessoal não ter moral para dizer que Bon Jovi, Guns N'Roses e companhia farofeira - no fundo equivalentes ianques dos nossos breganejos e sambregas (Zezé Di Camargo & Luciano têm muito de Bon Jovi e os pagodeiros-mauricinhos são tão "pegadores" quanto os posers - Pamela Anderson e Solange Gomes que o digam) - são "rock clássico".

Isso porque a história do rock já mostra uma infinidade de grupos de rock pesado bem mais relevante que os posers. Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Blue Cheer, Steppenwolf, Ronnie James Dio, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, AC/DC, Sepultura, Rainbow, Blue Oyster Cult... O próprio Jimi Hendrix tem muito de rock pesado no seu som, como muitos clássicos que não nos deixam mentir, como "Fire", "Purple Haze", "Foxy Lady" e outros.

É muito fácil o mauricinho e patricinha metido a roqueiro reagir mandando mensagem irritadinha e mal-criada para o titio aqui, mas é bom o pessoal ficar sabendo que não faz sentido algum dizer que poser metal é "rock clássico" porque isso soa preguiçoso, infantil e tolo, muito tolo.

Só quem acredita em tolices como achar que personalidade dos anos 80 é o palhaço Bozo é que teria coragem para insistir nessa ideia absurda de que poser metal é "rock de verdade".

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