domingo, 26 de setembro de 2010

ESTA SEMANA TERMINO DE LER "COMER, REZAR, AMAR"


CAPA DA EDIÇÃO ORIGINAL DO LIVRO DE LIZ GILBERT.

Esta semana termino de ler o livro Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert. Justamente na semana em que a versão cinematográfica do livro estreia, com Julia Roberts no papel da autora (que, por sua vez, tem 41 anos e é casada com um brasileiro).

Foi um grande desafio para mim ler um best seller como este. Não sou daqueles que ficam fissurados em livros campeões de vendas, até tenho um pé atrás com eles. Mas Comer, Rezar, Amar me atraiu por ser um livro ligado ao universo das mulheres modernas, ao mesmo tempo inteligentes e sensíveis.

É um livro tipicamente feminino, com uma temática de interesse especial para as mulheres em geral. Mas tomei uma atitude de homem de verdade, ao decidir ler esse livro, porque quero conhecer a fundo esse universo feminino, porque são mulheres assim que desejo para minha vida amorosa.

Ando muito carente de mulheres legais. Mulher legal, sabemos, não é aquela que topa qualquer parada, e eu, francamente, não meço o valor da generosidade feminina pela proporção inversa do tamanho do shortinho que uma mulher usar. Até porque ando muito fulo da vida com as mulheres vulgares ou "jecas", como os leitores que acompanham este blog entendem muito bem.

Eu quero uma mulher para conversar, trocar ideias, divertir juntos, encarar a trajetória da vida, sermos parceiros em nossas atividades e valores. Não sou um tarado nem um machista gluteófilo, e fiquei constrangido quando, em Salvador, mulheres de extrema vulgaridade e grosseria me paqueravam como se eu já estivesse prometido para elas. Felizmente não moro mais na capital baiana, uma bela cidade mas que vive uma séria crise de valores sociais.




Comer, Rezar, Amar é um testemunho da mulher moderna que a própria autora, Liz Gilbert, é. Um perfil delicioso, de mulheres que ao mesmo tempo são dotadas de independência sócio-econômica e profissional, de admirável senso de humor e de uma sensibilidade emocional ímpar. É o que especialistas chamam de mulher-alfa.

Liz Gilbert narra sua experiência a partir de uma crise no seu casamento, no envolvimento amoroso com outro homem, até que ela decidiu viajar para a Itália passar uma temporada por lá. Depois de experimentar muito a gastronomia italiana e os prazeres das cidades italianas, Liz foi para a Índia e para a Indonésia, buscar o equilíbrio espiritual através das religiões orientais. Na Indonésia, conheceu seu atual marido, um brasileiro que trabalha com joalheria.

Aliás, mulheres assim dotadas de uma personalidade independente, que reúne razão e sensibilidade, são muito disputadas pelos homens. São como jóias raras, sobretudo no Brasil onde o machismo, mesmo agonizante feito um leão ferido, resiste sob urros ainda barulhentos.

O machismo brasileiro fez das suas, e sobretudo no interior do país, educou muito mal as mulheres das classes populares e até mesmo da classe média baixa que, mesmo tendo seu próprio trabalho, sua própria renda e sua própria casa, sofrem da subordinação funcional, que é o equivalente do feminismo ao analfabetismo funcional.

São mulheres que, embora profissionalmente independentes, não têm a personalidade capaz de discernir a realidade da vida. São moças piegas, que preferem ver Domingão do Faustão, reality shows, programetes do SBT e da Rede Record, ouvem música brega-popularesca, adotam um comportamento infantilizado e tolo.

Os modelos de mulheres que elas seguem são até lamentáveis. Vai de Xuxa às cantoras de axé-music, passando pelas dançarinas de pagode e mulheres-frutas. Com referenciais assim, não há como um homem como eu arrumar conversa com moças assim. De jeito nenhum. Conversar, para quê? Só para falar dos buracos das ruas, das marcas de sabão em pó e da diferença de qualidade de um pão numa padaria e em outra?

A mídia golpista dos anos 80 fez essa pedagogia que, se não conseguiu freiar as conquistas evidentemente significativas das mulheres, minimizou o impacto dessas conquistas. Por isso as multidões de marias-coitadas, marias-bobeiras, mulheres-frutas, miseravonas e outras de personalidade piegas ou grotesca, e com uma media etária entre 25 e 35 anos, são um resultado da péssima educação que elas receberam pelo popularesco da grande mídia, há mais de 25 anos atrás.

Só que a enorme quantidade dessas moças, no "mercado" da vida amorosa, conforme se vê até no Orkut (sobretudo nas comunidades de moças solteiras) acaba fazendo os homens em geral fugirem. Como "frankesteins", as mulheres "jecas" tornaram-se incômodas até para o machismo que as formou.

As multidões de Solange Gomes e Priscila Pires que aparecem diante de poucas Leandra Leal e Leona Cavalli que surgem, as tietes que cantam junto com cantores sambrega e breganejos nos seus discos ao vivo, em quantidade infinitamente superior às moças que vão para uma biblioteca ler um livro de História ou ouvir um disco de Bossa Nova, mostram o quanto isso é preocupante.

Qual a ex-BBB que escreveria um livro como o de Liz Gilbert? Que não falasse apenas de noitadas, de praia, de comidas e bebidas, mas que falasse até de tudo isso de forma mais inteligente e menos fetichista. Quem escreveria? Qual a boazuda que escreveria um livro que, ao falar de uma boate, prefere descrever as caraterísticas do local do que o fetiche vazio de encontrar a "galera toda" lá dentro?

O progresso econômico do Brasil exige uma mudança no perfil das mulheres. As boazudas, cada vez mais decadentes, ainda são empurradas pela mídia golpista como se ainda estivessem "em alta". Mas não estão. Que legal seria que essas boazudas sumissem, casadas com fazendeiros, até para aproveitar que já ingressam nos 30 anos e se desgastam na superexposição de mídia. Mas, infelizmente, até "titias" como Gretchen e Rita Cadillac, pelo contrário, tornam-se encalhadas, para desespero de qualquer homem simples que têm que andar pelas ruas com a Lei 10224 no caderninho para o caso do assédio de alguma moça "jeca" qualquer, da maria-coitada à mulher-fruta.

Enquanto nada se resolve, nós, homens de bem, sonhamos com as moças legais. Fantasiamos conversas substanciais com elas. E, temporariamente, esquecemos que elas vivem casadas com outros homens, bem menos simples e mais poderosos do que nós.

Oh, dia, oh, céus...

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

Será que, daqui a dez anos, as boazudas já vão ter voltado para o anonimato? A essas alturas, elas já estarão casadas com empresários e cheias de filhos.

Leonardo Ivo disse...

Alexandre,
No começo eu achava estranho suas colocações sobre as mulheres, porém hoje eu lhe dou toda razão ao que você escreve aqui, não só sobre isso, mas a tudo que o Kylocyclo aborda. Eu sou completamente antu-machista e tive a sorte de me casar com uma mulher com o perfil que você tanto quer, mesmo ela sendo completamente diferente de mim, mas só o fato de ela ser tudo aquilo que você fala que uma mulher deve ser ja basta para mim. Foi uma questão de sorte. Agora como anti-machista, tudo isso que você fala que uma mulher não deve ser eu vejo la na universidade onde estudo, que funciona dentro de um colégio de normalistas. E confesso que fico extremamente decepcionado com isso, pois sempre alimentava a esperança de que as mulheres de gerações posteriores a minha ( sou de 1981) fossem mais evoluidas e com personalidades tendendo para o alfa, o que lamentávelmente não é verdade. Elas me parecem ainda mais machistas, com auto-estima mais baixas e com um nível de pieguice e subordinação pior do que as da minha geração ou anteriores, por incrível que pareça. O mesmo vejo nos rapazes que continuam cada vez mais machistas como nunca, e isso se traduz nas atitudes de ambos. Certa vez, eu cheguei a conversar este assunto com dois amigos meus de universidade e eles me disseram que isso pode ter a ver com a classe social que estes jóvens ocupam e que em classes mais abastadas e este quadro seria um pouco diferente. Será que é verdade? Sonho um dia ver as mulheres se comportando como nós homens, porém adaptados a realidade delas no sentido pscológico delas e não cultural. Não quero fazer delas sapatões em termos de comportamento, mas meu sonho é ver mulheres tendo comportamentos de liderança, sendo bem sucedidas da mesma forma que nós e nos paquerando e conquistando da mesma forma que nós fazemos com elas. Sei que muitos rapazes não estão nem um pouco preparados para lhe dar com este tipo de mulher. Principalmente, se esta ao invés de escolher parceiros que os ataquem, ela escolhe um cara que ela está afim e ela vai atacar ele, ou seja, ela conheceu um cara e ao gostar dele passa a ataca-lo. E se esta mulher for bem sucedida e tiver um carro, poderá oferecer carona a este cara e pagar o restaurante ou motel para ambos, como ele faria se fosse o contrário. Tal situação, um homem e principalmente boa parte das mulheres não estão preparados para isso, e no caso dos homens isso atinge em cheio a sua auto-estima e orgulho, pois ele se sente inferioriozado. Resumindo, na lei e no mercado de trabalho, a mulher conquistou igualdade com o homem, mas em termos culturais e sociais ela ainda continua dependente dos homens mesmo tendo dinheiro e independecia fnanceira, porém dependente cultura, emocional e psicológicamente dos homens, o que é um grande absurdo nos dias de hoje. Muitas mulheres das faixas dos 30 aos 50 anos e mesmo de faixas etárias dos 15 aos 30 ainda acham que precisam de um homem para se auto afirmar como seres humanos, por incrivel que pareça. Tal fenomeno negativo não ocorre em paises europeus e nos EUA, mas ocorrem em paises como o Japão por mais evoluido que este pais seja. Isso tem que mudar, mas depende delas e de homens conscientes como n´so que não aceita a exploração de um ser humano por outro em qualquer escala social. E só!