quarta-feira, 29 de setembro de 2010

DINOSAUR JR. SE APRESENTOU NO BRASIL


Para alegria de Messias G.B. e outros alternativos baianos, Dinosaur Jr. conseguiu se apresentar na capital baiana.

Dinosaur Jr. é uma das grandes bandas de noisy rock do mundo. Surgido nos anos 80, é contemporâneo do Sonic Youth e o grupo tem também influência de Neil Young. Também é famoso por uma versão hilária de "Show Me The Way", do grande Peter Frampton, mas numa releitura caoticamente "preguiçosa".

Atenção, marias-coitadas: eu gosto do Dinosaur Jr.. Apesar do "sobrenome" parecido, não há o menor parentesco entre o grupo e o pai do Fiuk. Portanto, qualquer hipótese de eu ao menos sair com uma maria-coitada está descartada. Dinosaur Jr. é puro barulho, mas com um forte recheio de melodias.

E também gosto do Sebadoh, banda na qual o baixista do Dinosaur Jr., Lou Barlow, é também vocalista, e também segue a boa linha do noisy rock melodioso que até Bob Mould, ex-Hüsker Dü, adora fazer.

O grupo veio ao Brasil por conta da boa produção do festival independente No Ar Coquetel Molotov que, por sorte, abriu também edição em Salvador, local muito difícil para boas apresentações musicais, seja por causa do violento lobby da axé-music, seja pela mentalidade míope de boa parte dos produtores culturais de lá.

O amigo Messias Guimarães Bandeira, o Messias GB do brincando de deus (nome com minúsculas, mesmo) que é a identidade secreta do professor universitário especializado em cibercultura, deve ter adorado, e muito, a notícia. Creio que ele deve ter aparecido para vibrar na plateia ao som da banda do Estado de Massachusetts, EUA.

Não chega a ser curioso Dinosaur Jr. ter tocado em Salvador. J Mascis (isso mesmo, apenas a letra "J", sem ponto), guitarrista e cantor do grupo (em outras ocasiões ele atuou como multiinstrumentista), é considerado "muito frio" para ser um astro pop. Suas performances no palco são, digamos, econômicas. Em várias apresentações, ele se limita a dizer "muito obrigado" (thank you).

Mas isso é muito positivo porque o grupo apresenta o prato principal, que é a música. Afinal, em Salvador, os jovens alternativos sentem repugnância pelos astros da axé-music que fazem apresentações superproduzidas, com milhares de dançarinos, com muita palavra de ordem (repararam que, na axé-music, quase toda música, antes do refrão, vem com uma palavra de ordem tipo "quero ouvir" ou "comigo"), e no porno-pagode os tolos cantores com suas vozes de pato ficam enrolando a plateia com coisas tipo "cê tá de camisa?", "os meninos vão de banda, as meninas vão de bandinha".

Com J Mascis não tem essa frescura. O grupo toca suas músicas, e pronto. Como o grupo fez em Recife, Salvador e ontem em São Paulo, cidade que terá sua última chance para ver o trio (o Dinosaur Jr. ainda tem Murph na bateria) na noite de hoje. Anteontem, no Espaço Mais Soma, na Vila Madalena, em São Paulo, Lou Barlow fez uma apresentação acústica, e no repertório ele incluiu várias canções do Sebadoh, além de composições da carreira solo.

Dinosaur Jr. fez uma apresentação de repertório pequeno, num evento frequentado por skatistas (skate é um dos esportes favoritos de J Mascis), mas que realmente expressa interação entre grupo e plateia, uma interação que não se faz com pretensas palavras de ordem ou conversa mole, mas que de fato se realiza pelo canal comunicativo que envolve artistas e público: a música, que flui naturalmente, mesmo diante de amplificadores barulhentos e guitarras distorcidas.

Dinosaur Jr. havia voltado à estrada há cinco anos, depois de ter encerrado suas atividades em 1997.

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