domingo, 19 de setembro de 2010

CARTA MAIOR JÁ AVISOU: EDUARDO PAES É CONSERVADOR


COMENTÁRIO DESTE BLOG: A agência Carta Maior, um dos maiores portais do pensamento crítico de esquerda do Brasil, já avisou, há dois anos atrás, da figura ultra-conservadora do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, então vitorioso na campanha eleitoral para o atual cargo.

O jornalista Antônio Augusto, em artigo lançado em 13 de outubro de 2008, se dedicava a analisar o perfil direitista de Fernando Gabeira e Eduardo Paes. Paes é descrito como integrante da banda mais conservadora do PMDB, cria e hoje desafeto de César Maia, e até mesmo defensor de "milícias". E, como subprefeito da Barra da Tijuca, Maia trabalhou pelos interesses das elites, contrariando os interesses populares.

Retiramos aqui o trecho referente a Eduardo Paes. Sobre Gabeira, convidamos os leitores a clicar no link do parágrafo anterior, para entender a luta "ecológica" do ex-querdista em prol da preservação dos tucanos no Planalto Central.

Paes, o defensor de milícias

Por Antônio Augusto - Agência Carta Maior - 13/10/2008

O melhor colocado na fase inicial da eleição, Eduardo Paes, com cerca de 32% dos votos válidos, é uma cria política do prefeito César Maia. Iniciou sua vida pública como subprefeito da região da Barra da Tijuca, com atuação benéfica à especulação imobiliária e oposta às comunidades pobres da área.

Hoje Maia e ele se detestam, o que não impediu que diversos vereadores ligados ao DEM já o apoiassem desde o primeiro turno. Os partidos não contam para Paes. Em dezesseis anos de vida pública, já trocou de siglas seis vezes, passou pelo PV, PFL, PSDB, PTB e agora está no PMDB. Considera os partidos um detalhe, a ponto de no seu “site” de campanha não haver sequer menção ao PMDB, mas apenas ao número 15, só porque imprescindível ao voto do eleitor.

É o candidato da despolitização, tudo se resume à gerência de demandas locais, atendidas de maneira clientelista. Apresenta-se numa embalagem ao gosto conservador, em que sisudez se confunde com “seriedade” e gestão pública com administração empresarial.

Mas Paes não se resume à aparência de bom-moço inodoro. Em entrevista ao RJ-TV, da Rede Globo, defendeu a ação de milícias, isto é, de grupos de extermínio: “como forma do Estado recuperar sua soberania, a polícia mineira trouxe tranqüilidade para a população”, disse enfático.

Na questão da segurança, Paes tem, portanto, identidade com o governador Sérgio Cabral, seu atual mentor e cabo eleitoral, promotor da criminalização da pobreza. É a política do “caveirão”, veículo policial blindado semelhante ao usado pelo “apartheid” na África do Sul. Estudo divulgado em setembro pela ONU aponta a polícia do Rio como a que mais mata no mundo, adepta da violência indiscriminada contra a população carente.

Apesar de defender execuções sumárias, Paes recebeu apoio oficioso e eficiente da hierarquia da Igreja Católica contra o senador Crivella, do PRB, coligado ao PR (ex-PL), mas de fato candidato de uma organização religiosa, a Igreja Universal, que chegou em terceiro, com aproximadamente 19% dos votos válidos. Na campanha do candidato de Cabral participam também grupos obscurantistas da Igreja Católica, como o Opus Christi.

O vice de Paes é um ex-militante de esquerda, com passagem pela luta armada, Carlos Alberto Muniz, há muito representante do ex-governador Moreira Franco no PMDB.

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