quinta-feira, 16 de setembro de 2010

BREGA-POPULARESCO E A CRISE DA MÍDIA GOLPISTA



Não custa batermos na mesma tecla.

O barco da mídia golpista e da política demotucana estão afundando.

Quando os tutores estão a perigo, os tutelados têm que ser salvos, jogados nos primeiros botes salva-vidas que encontrarem.

A música brega-popularesca, a Música de Cabresto Brasileira ou, se preferirem, a Música do PiG Brasileira, que rola adoidado nas rádios FM "populares" de todo o país, é essa cria da mídia demotucana que tenta ser salva.

Desde 2002 a Música do PiG Brasileira anda ameaçada. Seu desgaste é inevitável.

Por isso veio um multirão de defesa dessa música descartável.

Manadas de talifãs que rastreiam comentários negativos contra esses ídolos bregas e neo-bregas, para lançar respostas violentas e ofensivas. Qualquer semelhança com o Comando de Caça aos Comunistas de outrora, não é mera coincidência. Estes fizeram escola para a conduta jocoso-terrorista daqueles.

Publicitários cortejam os ídolos do brega-popularesco nos seus comerciais. Claro, a mídia golpista tinha que adotá-los como artífices da perpetuação da mediocridade cultural reinante.

Cineastas foram chamados para filmas biografias sobre breganejos ou documentários sobre funqueiros, como teste para o mercado da cinematografia pró-popularesca. Mas isso o IPES-IBAD também fizeram para veicular suas mensagens neoliberais, há quase 50 anos.

Cientistas sociais foram chamados às pressas, para escrever textos escalafobéticos falando sobre tendências brega-popularescas, uma mistureba retórica que mistura conceitos neoliberais aplicados à cultura popular com alegações pretensamente esquerdistas, tipo definir o fenômeno É O Tchan como se fosse um caleidoscópio multimídia concreto-tropicalista-bolivariano.

E tudo isso dando a impressão que tais cientistas sociais nada têm a ver com a mídia.

Junto a eles, críticos musicais com experiência na Folha de São Paulo passaram a fazer o mesmo que os cientistas sociais acima citados, uns com a cara-de-pau de se infiltrarem na imprensa esquerdista.

A mídia golpista tenta se desvencilhar da mediocridade cultural que cultivou, criou, irrigou, fez crescer, multiplicar-se e distribuir à multidão durante décadas.

E a mediocridade cultural que domina as rádios FM e a TV aberta têm que se desvencilhar da mídia golpista que tanto a cuidou com carinho, apreço e dedicação.

Quem os críticos musicais da Barão de Limeira e os etnólogos de condomínios paulistanos pensam que são para dizer o que é cultura da periferia?

Se observarmos bem, essa "verdadeira (sic) cultura popular" é financiada até pelos grãos-senhores do agronegócio!!

A Música de Cabresto Brasileira passou 46 anos se alimentando de jabaculê, e agora quer desmentir tudo, até a associação mais explícita com o baronato da grande mídia!!

Assim não dá!! Mas como filhotes do golpismo político, o golpismo cultural também tem seus zés-da-baixaria.

Ou melhor, os zezés, belos, chitões, xanddys, créus, popozudas da baixaria.

Também andam com medo de derrota, como o famigerado Zé da Baixaria.

Agora choram dizendo que são a "cultura da periferia", a "verdadeira cultura do povo", que lotam plateias com facilidade, que passaram fome alguma vez na vida.

Essa choradeira não nos convence. Como não convence os artigos prolixos que tentam até transformar funqueiros em militantes bolivarianos e breganejos em inconfidentes modernos, de tão cheios de lorotas que são.

O barco da mídia golpista quer lançar sua última herança, a mesma "cultura popular" que aparece no Domingão, no Caldeirão, no Fantástico, mas que é relançada com delirantes textos modernosos nas páginas de Caros Amigos e até na revista Fórum e Le Monde Diplomatique.

É a última cartada da mídia neoliberal, que há tempos transformou a cultura do povo numa sub-disneylândia de estradas de barro, feita de lixo e do sub-luxo do brega.

E agora diz que isso nada tem a ver, e a mídia golpista já arrumou outras vozes para seu canto de cisne cultural.

Pois são os sanches, sakamotos, patolinos, raggis, hermanos viannas, ronaldos lemos, miltons mouras, tantos outros, que falam a voz do PiG, a voz dos barões da grande mídia, feito bonecos ventríloquos que tentam ocultar seus donos.

Mas vemos o contraste dos movimentos sociais autênticos mundo afora e mesmo no Brasil, com os "movimentos sociais" supostamente atribuídos ao "funk", ao tecnobrega e similares.

E vemos a semelhança total entre os estilos musicais defendidos por uma "paçoca de caros amigos" com o que a mídia golpista nos serve sob o rótulo de "verdadeira cultura popular".

O barco afunda e todo o acervo brega-popularesco tenta ser salvo. O mesmo brega-popularesco patrocinado pelas mesmas forças políticas que apoiaram Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel, José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso (*).

Portanto, não adianta renegar o passado. O seu passado, música brega-popularesca, não nega. Como não nega o passado dos valores do brega-popularesco, sempre ligados à domesticação das classes populares, seja com breganejos e sambregas milionários, seja com tecnobregas emergentes ou antigos ídolos cafonas esquecidos.

Todos se alimentaram do conservadorismo político, dos interesses das grandes oligarquias. Dizer que sua festa não aconteceu, depois que ela fez tanto barulho, não dá mesmo.

Assumam as consequências, ídolos bregas, neo-bregas e seus simpatizantes.

(*) No governo João Figueiredo prevaleceu o Rock Brasil nas rádios e o governo Itamar Franco representou uma tentativa de revitalização da MPB autêntica.

4 comentários:

Lucas Rocha disse...

Porque João Figueiredo, que foi o último dos cinco presidentes-generais da ditadura militar, não apoiou o brega-popularesco?

O Kylocyclo disse...

Bom, talvez houvesse apoio secreto ao brega-popularesco, mas como em todo cenário político de esperança, pois o governo Figueiredo foi marcado pela garantia de redemocratização - foi o governo da anistia, da volta ao pluripartidarismo e da volta das eleições para cargos como governador de Estado - e por isso predominam tendências musicais de qualidade, como foi a marcante geração do Rock Brasil dos anos 80.

Lucas Rocha disse...

Como foi a situação do brega-popularesco durante a Era Figueiredo? Será que surgiu alguma coisa brega sem ser Abelhudos, Balão Mágico, palhaço Bozão, axé tropicar(o)lista, Chitãozinho & Xororó e quejandos?

O Kylocyclo disse...

Bom, Lucas, o brega sempre teve seu curso, desde os primeiros ídolos cafonas. Como toda música comercial, seu objetivo é sempre o lucro, por isso insiste na sua sobrevida de qualquer maneira, mas eventualmente encontra períodos de sucesso mais fracos.

Acontece é que, durante a Era Figueiredo e durante o governo Itamar Franco, os bregas apenas se limitaram a um público mais rasteiro, enquanto o mainstream se servia de música de qualidade.