terça-feira, 21 de setembro de 2010

BARÕES DO AGRONEGÓCIO ESTÃO POR TRÁS DE RITMOS BREGA-POULARESCOS DO INTERIOR



O breganejo, o forró-brega e até mesmo o tecnobrega são patrocinados pelo baronato do latifúndio e do agronegócio.

Não é preciso saber dos bastidores para chegar a essa conclusão, embora investigações de jornalistas e historiadores reforcem essa constatação com mais detalhes.

O breganejo, ou a suposta "música sertaneja", é historicamente ligada ao coronelismo desde as primeiras diluições comerciais da música caipira, feitas na mesma época da chamada "revolução verde", que era o ramo agrícola do projeto do "milagre brasileiro" da ditadura militar.

Na época, a música caipira era sufocada pelas pressões das elites conservadoras, que juntavam interesses provincianos com entreguistas. Daí as pressões da música brega de Waldick Soriano, de um lado, e dos Bee Gees, de outro.

Dessa forma, as primeiras diluições da música caipira estão ligadas à "revolução verde" que fortaleceu as estruturas coronelistas da ditadura militar, nos anos 70. Nos anos 80-90, o coronelismo patrocinou as primeiras formas diluídas de música caipira, sob o rótulo de "música sertaneja", que se tornou a expressão do fazendeiro "moderno". Mais recentemente, o "sertanejo universitário" tornou-se a expressão dos fazendeiros emergentes do agronegócio, fortalecidos durante a Era FHC.

Já o forró-brega (ou forró-eletrônico, oxente-music ou forró-calcinha), com seus chamados grupos-com-donos (liderados não pelos seus cantores-fetiches, mas por seus empresários), também é patrocinado pelo latifúndio tradicional e pelo agronegócio, assim como ritmos derivados como o tecnobrega, das quais as "aparelhagens" não são mais do que novas elites patrocinadas pelas oligarquias locais.

O vínculo é fácil de entender, quando as primeiras apresentações de breganejos em geral (dos "tradicionais" aos "universitários"), forrozeiros-bregas e tecnobregas ocorrem em festivais de agropecuária, feiras de agronegócio, vaquejadas, rodeios e eventos juninos patrocinados pelos barões regionais da aristocracia rural.

É evidente demais para ser coincidência, o fato de que os primeiros compromissos ao vivo desses cantores e conjuntos ocorrem sob o patrocínio mais do que explícito do latifúndio, do agronegócio e dos políticos a eles ligados!

Isso contradiz o fato de que tais estilos musicais são a expressão natural do homem do campo ou do povo da periferia, definitivamente. Da mesma forma que o acesso fácil demais que esses intérpretes têm à programação das FMs controladas por oligarquias regionais e, depois, na divulgação, em rede nacional, na Rede Globo e na Folha de São Paulo, veículos da grande mídia golpista.

A associação do breganejo, forró-brega, tecnobrega e outros estilos às oligarquias conservadoras - a axé-music e o sambrega também recebem o respaldo do coronelismo regional da Bahia e do Rio de Janeiro, respectivamente - é um ponto delicado que os intelectuais etnocêntricos se recusam até mesmo a cogitar. Coitados, eles pensam que ainda estão em Nova York.

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