quinta-feira, 30 de setembro de 2010

INTELECTUALIDADE BRASILEIRA NÃO QUER CULTURA POPULAR, QUER "CULTURA POP"



A intelectualidade brasileira, salvo exceções, não quer a volta da cultura popular.

Essa intelectualidade quer a implantação definitiva da "cultura pop" no Brasil.

Cultura popular gera conhecimento, valores sociais edificantes, dignifica o cidadão.

Mas cultura popular não gera muito dinheiro, não traz fortuna.

"Cultura pop", por sua vez, não gera conhecimento algum, nem valores sociais dignos, o cidadão é reduzido à uma coisa, a um mero fetiche ou alvo do consumo.

Mas a "cultura pop" gera muito, muito, muito dinheiro.

Só que no Brasil costuma-se dar o famoso "jeitinho brasileiro", e é muito comum pessoas usarem desculpas esfarrapadas para defender certas causas duvidosas.

Por isso essa intelectualidade enche todos os seus textos de engodo.

Em vez de dizer "eu gosto disso", "eu gosto daquilo", porque "é divertido", eles preferem enrolar a opinião pública.

Aí eles defendem, sem assumir, teses de Francis Fukuyama e princípios da reunião de Bretton Woods aplicadas à análise da cultura popular da periferia.

"A MPB acabou", é o "fim da história" da Música Popular Brasileira. Agora temos o circo do brega-popularesco, da auto-esculhambação, todo mundo brincando de Michael Jackson, de Beyoncé Knowles, de caubói e detetive norte-americano.

Aí se dissimulam essas teses com alusões pseud0-esquerdistas, delírios pós-modernos e falatório militante. Assim, ninguém desconfia que um Pedro Alexandre Sanches da vida é um dos grandes pupilos de Otávio Frias Filho.

Essa intelectualidade quer apenas o hit-parade brasileiro. Algo para mostrar para turistas norte-americanos. Só não é coisa para inglês ver porque, no Reino Unido, a cultura de verdade sobressai sobre algumas crias locais do hit-parade que vão voando rapidinho para os EUA.

Então, armam esse discurso tão doce e simpático, porque assim a plateia lê sem entender e, mesmo assim, sai aplaudindo feito foca de circo.

Alguém entende a baboseira que Pedro Alexandre Sanches escreveu no texto sobre o tecnobrega na revista Fórum?

Ninguém entendeu, mas só por ler o título bonitinho que tenta vender a Gaby Amarantos como a "síntese da cultura brasileira", ficou deslumbrado feito criança que viu o gerente de supermercado vestido de Papai Noel e pensou ser mesmo o lendário personagem natalino.

Claro, se o pessoal passou o tempo todo acreditando que coelho bota ovo na Páscoa, acredita que o medíocre tecnobrega bebeu nas fontes da antropofagia oswaldiana.

Todos então pensam estar zelando pela preservação do folclore brasileiro. Balelas.

Estão, na verdade, querendo que o Brasil tenha hit-parade, e não cultura popular.

Porque o consumo enriquece, fortalece o mercado, sustenta o empresariado do entretenimento.

A cultura popular autêntica, que NÃO é a dos meros lotadores de plateias, produz riquezas sociais, mas não necessariamente riqueza financeira.

Daí a intelectualidade vem com discurso enrolado, vem com demagogia.

Mas o discurso é "otimista", "positivo", "tudo de bom". A plateia lê, não entende e aplaude assim mesmo.

Aí o que Pedro Sanches, Rodrigo Faour, Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, Bia Abramo e similares defendem é exatamente a mesma coisa que aparece na Rede Globo, na Folha de São Paulo, na Caras e na Contigo.

Acabam defendendo o poderio da mídia golpista escondidos na trincheira adversária.

Ninguém entende, porque no nosso país abatido pelo terror psicológico da ditadura militar, as pessoas não sabem de coisa alguma e se conformam com cada absurdo imposto ao país.

E vão aplaudindo os propagandistas da mediocridade cultural travestidos de cientistas sociais ou críticos musicais.

Ou mesmo charlatões como Paulo César Araújo e seu festival de inverdades.

Isso até sofrer, anos depois, o tédio de ver a "cultura popular brasileira" reduzida a meros listões de "10 mais", "20 mais", "30 mais", "50 mais", "100 mais-mais".

Listões que não trarão dignidade para as populações pobres e de classe média baixa, que ficarão na mesma.

SERRA REPETE FHC E PERSEGUE OS VELHINHOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: José Serra está conservador demais para alguém que queria ser o "candidato do Brasil mais moderno", e que foi até líder estudantil de esquerda. E além disso quer criar restrições para o servidor público, principalmente na aposentadoria. Com Serra na Presidência, o Brasil correrá perigo. Certamente.

Serra repete FHC e persegue os velhinhos

Por Paulo Henrique Amorim - Blog Conversa Afiada

Saiu site do Globo:

Serra diz ser favorável a mudança na idade para aposentadoria do servidor público
- Toda a questão da Previdência eu quero refazer no Brasil de maneira realista, que funcione. Eu prefiro mexer muito mais na idade do que na remuneração – afirmou o tucano, ao ser perguntado sobre a manutenção da integralidade da remuneração para o funcionalismo.

Navalha

Quem chamou o aposentado de vagabundo ?

O FHC.

Quem é o filhote do FHC ?

O Serra.

TRILHA SONORA DE "ARAGUAIA": A MÚSICA CAIPIRA, SEGUNDO O PiG



Tudo beleza no campo da mídia golpista. Enquanto o desgaste de José Serra faz a mídia grande optar por Marina Silva, opção ecologicamente correta da direita brasileira, a trilha sonora da novela Araguaia mostra que o estremecimento de relações entre a música brega-popularesca e a mídia golpista foi momentâneo.

Nada como comemorar a guinada "verde" da direita com uma trilha sonora repleta de ídolos patrocinados pelas "modernas" oligarquias do agronegócio, não é mesmo?

A música brega-popularesca não iria mesmo viver do jabaculê acadêmico dos intelectuais etnocêntricos. Elogios e apologias não enchem a barriga, quem garante o poder da Música de Cabresto Brasileira é mesmo a Rede Globo, a Folha, a Caras e a Contigo.

Embora a sequência total da trilha sonora da nova novela das 18 horas não foi divulgada, sua produção adiantou que ela terá ídolos breganejos, sejam os "tradicionais", sejam os ditos "universitários", além de alguns cantores de axé-music.

Para manter as aparências, a trilha terá também algumas músicas de MPB autêntica, aquelas que a grande mídia permite liberar e que, futuramente, servirão para eventuais surtos de pedantismo dos medalhões popularescos (ou seja, quando eles sofrerem de esgotamento criativo e tapearem isso com covers ou duetos oportunistas).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

RURALISTAS INVESTEM PESADO NAS ELEIÇÕES



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A chapa demotucana tem o apoio forte e fiel dos ruralistas. E, da mesma forma que, no âmbito cultural, os ruralistas investem milhões na "música sertaneja" e nos "sertanejos universitários", na política eles também investem na defesa dos seus próprios interesses. Daí o coronelismo ser um grande e antiguíssimo desafio para as autoridades de nosso país, uma vez que a concentração de terras vem desde os tempos coloniais.

Ruralistas investem pesado nas eleições

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

O Portal Terra notícia hoje que a senadora Kátia Abreu, a demo que lidera os latifundiários, enviou oficio aos ruralistas pedindo doações para “senadores e deputados comprometidos com o setor”. Em anexo, também foi enviado boleto bancário para depósito na conta do Diretório Regional do DEM do Tocantins. A campanha financeira faz parte do movimento batizado de “Agricultura Forte”, que visa ampliar a bancada dos ruralistas no Congresso Nacional. O ofício garante que a verba arrecadada será totalmente destinada aos candidatos do setor, mas não cita quais.

Maracutaias e crimes eleitorais

Como observa o portal, a legislação eleitoral obriga a abertura de uma conta bancária específica para doações a candidatos e “proíbe que sejam feitas em contas preexistentes, como é o caso”. Na última sexta-feira (24), uma liminar expedida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Tocantins tirou do ar o site www.agriculturaforte.com.br, que também era usado para coletar doações. O TRE ainda pede o bloqueio de todos os recursos arrecadados pelo diretório do DEM e exige informações do partido sobre qual o volume de dinheiro arrecadado até o agora.

A liminar do TRE foi uma resposta a ação da coligação Força do Povo, que acusa a senadora de realizar “caixa dois”. Em nota pública, a coligação acusa a campanha “Agricultura Forte” de ser uma forma de arrecadar dinheiro para a candidatura para deputado federal de Irajá Abreu (filho de senadora). Na sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, entregue em setembro, Irajá declara que recebeu R$ 100 mil do DEM, de um total de R$ 710 mil já arrecadados.

Obstáculo à reforma agrária

Deixando de lado as possíveis maracutaias e ilegalidades desta campanha financeira, o que se nota no país todo é que as entidades ruralistas estão investindo pesado nestas eleições. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e integrante da coordenação de finanças de José Serra, a senadora teme que uma mudança na correlação de forças no Congresso acelere os debates sobre reforma agrária, proibição do trabalho escravo e infantil, defesa ambiental, entre outros itens satanizados pelos demos. Daí o forte empenho para ampliar a bancada do latifúndio.

O jornalista Mauro Zanatta, em reportagem do jornal Valor de 14 de setembro, observa que a “bancada ruralista deve crescer de tamanho e ter ainda mais peso nas decisões da Câmara e do Senado... O núcleo mais ativo do ruralismo na Câmara, composto por 30 deputados, deve ser quase todo reeleito em outubro e terá reforços influentes para compor uma frente suprapartidária estimada em 100 parlamentares. No Senado Federal, alguns ex-governadores ajudarão a dobrar o tamanho de um dos maiores grupos de pressão em ação no Congresso”.

A pauta prioritária dos latifundiários

Apesar do barulho e do atraso que representa, a bancada ruralista conta hoje com cerca de 80 deputados e 15 senadores. Para ampliá-la, as campanhas estão sendo “vitaminadas por doações de empresas e associações corporativas do setor rural”, relata a matéria. Na pauta dos ruralistas estão, ainda de acordo com a reportagem, “a alteração do Código Florestal Brasileiro, a revisão dos índices de produtividade usados na reforma agrária e a renegociação das dívidas rurais”.

O cientista político Edélcio Vigna, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), avalia que a bancada deve crescer na próxima legislatura, o que dificultará avanços nos campo. “Os ruralistas avançaram muito durante o governo Lula. Barraram a revisão dos índices da reforma agrária e a votação da PEC do trabalho escravo, e liberaram os transgênicos”, observa. No mesmo rumo, o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, também projeta que “os ruralistas virão mais fortes, com reeleições e caras novas”.

Elites não subestimam as eleições

Esta perspectiva sombria confirma que as classes dominantes, incluindo seu setor mais atrasado e reacionário, não subestimam as eleições. Os ruralistas estão investindo pesado nesta disputa. E os movimentos sociais do campo? Será que os que lutam pela reforma agrária não têm o que fazer no parlamento? Não seria mais correto combinar as lutas sociais e institucionais, visando avançar nas suas conquistas? A carência de parlamentares comprometidos, de fato, com os explorados do campo e com a luta pela reforma agrária indica a urgência de se repensar tais questões.

DINOSAUR JR. SE APRESENTOU NO BRASIL


Para alegria de Messias G.B. e outros alternativos baianos, Dinosaur Jr. conseguiu se apresentar na capital baiana.

Dinosaur Jr. é uma das grandes bandas de noisy rock do mundo. Surgido nos anos 80, é contemporâneo do Sonic Youth e o grupo tem também influência de Neil Young. Também é famoso por uma versão hilária de "Show Me The Way", do grande Peter Frampton, mas numa releitura caoticamente "preguiçosa".

Atenção, marias-coitadas: eu gosto do Dinosaur Jr.. Apesar do "sobrenome" parecido, não há o menor parentesco entre o grupo e o pai do Fiuk. Portanto, qualquer hipótese de eu ao menos sair com uma maria-coitada está descartada. Dinosaur Jr. é puro barulho, mas com um forte recheio de melodias.

E também gosto do Sebadoh, banda na qual o baixista do Dinosaur Jr., Lou Barlow, é também vocalista, e também segue a boa linha do noisy rock melodioso que até Bob Mould, ex-Hüsker Dü, adora fazer.

O grupo veio ao Brasil por conta da boa produção do festival independente No Ar Coquetel Molotov que, por sorte, abriu também edição em Salvador, local muito difícil para boas apresentações musicais, seja por causa do violento lobby da axé-music, seja pela mentalidade míope de boa parte dos produtores culturais de lá.

O amigo Messias Guimarães Bandeira, o Messias GB do brincando de deus (nome com minúsculas, mesmo) que é a identidade secreta do professor universitário especializado em cibercultura, deve ter adorado, e muito, a notícia. Creio que ele deve ter aparecido para vibrar na plateia ao som da banda do Estado de Massachusetts, EUA.

Não chega a ser curioso Dinosaur Jr. ter tocado em Salvador. J Mascis (isso mesmo, apenas a letra "J", sem ponto), guitarrista e cantor do grupo (em outras ocasiões ele atuou como multiinstrumentista), é considerado "muito frio" para ser um astro pop. Suas performances no palco são, digamos, econômicas. Em várias apresentações, ele se limita a dizer "muito obrigado" (thank you).

Mas isso é muito positivo porque o grupo apresenta o prato principal, que é a música. Afinal, em Salvador, os jovens alternativos sentem repugnância pelos astros da axé-music que fazem apresentações superproduzidas, com milhares de dançarinos, com muita palavra de ordem (repararam que, na axé-music, quase toda música, antes do refrão, vem com uma palavra de ordem tipo "quero ouvir" ou "comigo"), e no porno-pagode os tolos cantores com suas vozes de pato ficam enrolando a plateia com coisas tipo "cê tá de camisa?", "os meninos vão de banda, as meninas vão de bandinha".

Com J Mascis não tem essa frescura. O grupo toca suas músicas, e pronto. Como o grupo fez em Recife, Salvador e ontem em São Paulo, cidade que terá sua última chance para ver o trio (o Dinosaur Jr. ainda tem Murph na bateria) na noite de hoje. Anteontem, no Espaço Mais Soma, na Vila Madalena, em São Paulo, Lou Barlow fez uma apresentação acústica, e no repertório ele incluiu várias canções do Sebadoh, além de composições da carreira solo.

Dinosaur Jr. fez uma apresentação de repertório pequeno, num evento frequentado por skatistas (skate é um dos esportes favoritos de J Mascis), mas que realmente expressa interação entre grupo e plateia, uma interação que não se faz com pretensas palavras de ordem ou conversa mole, mas que de fato se realiza pelo canal comunicativo que envolve artistas e público: a música, que flui naturalmente, mesmo diante de amplificadores barulhentos e guitarras distorcidas.

Dinosaur Jr. havia voltado à estrada há cinco anos, depois de ter encerrado suas atividades em 1997.

A HERANÇA CAFONA DO PODER DA GRANDE MÍDIA



A velha mídia dominante naufraga, e por isso quer livrar parte do seu peso para outros barcos.

A herança cultural da mídia golpista, coronelista, latifundiária, cúmplice do imperialismo, tem que ser transmitida, para garantir a fortuna de seus barões.

A cafonice dominante, tão defendida por coronéis do latifúndio, especuladores, oligarcas, aristocratas, barões da grande mídia, ditadores, já corria o risco de desaparecer do gosto e dos referenciais das populações pobres.

Daí que veio aquela história digna da Carochinha, de que a cafonice e a mediocridade cultural são "vítimas de preconceito" e "boicotadas" pela mídia.

Como boicotadas, se aparecem na Globo, na Folha, na Contigo, a grande mídia, a mais poderosa, a mais rica, dá todos os seus microfones para ídolos bregas e neo-bregas?

A intelectualidade etnocêntrica, com seu discurso complicado mas temperado com açúcar, aplaudida pelas focas de circo que não entendem bulhufas do que leem, acaba agindo mais contra do que a favor das populações pobres.

Acabam dizendo que o povo é "melhor" naquilo que é ruim deles.

A ideologia brega, que condenou o povo ao subemprego, ao alcoolismo, à prostituição, à subordinação social, se perpetua através desse discurso intelectualóide, que, apesar de se dizer do lado do povo, age contra ele.

Tem medo de que a cultura de verdade refloresça nas favelas, roças e sertões.

Amarram uma "MPB de classe média" nas trilhas de novela e colocam seus artistas como coadjuvantes ou figurantes do circo brega-popularesco só para dizer que "ainda dão espaço para a MPB de qualidade", que "não a discriminam".

Mas é a mesma MPB pasteurizada que essa intelectualidade fala mal. E que hoje vive sob a camisa-de-força das trilhas de novelas da Globo.

O grande medo da mídia e seus asseclas de ver essa cultura de cabresto naufragar, depois de gerar um mercado milionário, é muito grande.

Talvez até na surdina a grande mídia financie esses intelectuais e vá para a imprensa de esquerda enganar o povo.

Afinal, essa intelectualidade etnocêntrica muitas vezes é usada como moeda de troca para a DINAP, do Grupo Abril, distribuir os jornais esquerdistas, ou para o UOL, do Grupo Abril e Grupo Folha, hospedarem os sites desta mesma imprensa.

O resto fica por conta das paçocas com sabor de jabá.

Que vendem como "vanguarda" hoje o que vai aparecer tranquilamente no Domingão do Faustão.

E, aparecendo no Domingão do Faustão, chegam sakamotos, patolinos e outros lunáticos dizer que os ídolos brega-popularescos foram lá para destruir a grande mídia.

Tese que não faz o menor sentido, tamanha a felicidade dos ídolos brega-popularescos em visitar o Faustão.

Nos últimos oito anos, sem o apoio tucano no Planalto Central, a ideologia brega-popularesca teve que vender a falsa ideia de "verdadeira cultura popular" para sobreviver.

Tenta justificar o rótulo pela ação dos lotadores de plateias. A "verdadeira cultura" não é mais a que produz conhecimento nem valores sociais, mas aquela que lota plateias com muita rapidez e facilidade.

Quanta mentira, quanta lorota.

Mas a intelectualidade etnocêntrica adota um discurso macio. Como lobos em peles de cordeiros, falam até que o "mau gosto" do pobre tem que levar consideração, numa visão claramente elitista e paternalista, mas docilmente transmitida. Daí os aplausos.

Para a intelectualidade, o povo não presta e seu valor reside nisso. O povo é bom quando dança o "rebolation", quando vai para o clube noturno da periferia consumir os "sucessos do povão". Quando o povo pobre faz passeatas ou fecha rodovias, aí que o povo é abominável.

Sem sabermos, a intelectualidade impõe ao povo pobre a manutenção do papel subordinado, subserviente. Chega de novos Ataulfos, Gonzagões, Marinês. O povo pobre agora só pode brincar de pop norte-americano.

Agora só pode brincar de Michael Jackson, de Beyoncé, de caubói, de detetive, não tem o que comer, mas pode vestir roupas espalhafatosas. Não tem o que dizer, porque não sabe, não recebeu educação. Por isso a grande mídia lhe dá o microfone.

O povo pobre não pode mais criar sambas nem baiões, porque estes agora só podem ser criados em oficinas das escolas de música e dos conservatórios.

O povo pobre não pode produzir conhecimento. Só precisa se arrumar para aparecer bonzinho no Domingão do Faustão. E que se vire nos trinta segundos que lhe deem 15 minutos de fama.

A velha mídia fica grata aos intelectuais etnocêntricos. Estes, que fingem que não gostam da grande mídia, mas lá estão eles assistindo ao Faustão e ao Luciano Huck bem felizes.

Tudo para dizer que os "sucessos do povão" que lá aparecem "não estão" na grande mídia.

Cegos, querem que compartilhemos com sua cegueira, como se fosse a maior lucidez.

Essa intelectualidade só viu a periferia em documentários estrangeiros transmitidos pela TV paga, e escrevem para agradar ao porteiro do prédio, à faxineira, à empregada. Mas que, no fundo, tenta tratar eles como tolos, por não compartilharem da cegueira tecnocrática deles.

Essa intelectualidade acaba sendo herdeira da grande mídia, na divulgação da cafonice dominante.

Afinal, intelectual e elitista da cultura, Otávio Frias Filho, sócio do Instituto Millenium, barão da grande mídia, está por trás dessa pregação que pedros sanches, ronaldos lemos, rodrigos faours, miltons mouras, sakamotos, patolinos, que, dentro de uma retórica intelectualóide, quer reafirmar o império dos "sucessos do povão".

Tudo para manter o povo pobre sempre à margem do grande debate nacional em torno das questões da mídia e da política nacionais.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

BOAZUDAS EM NOITADAS: ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR ISSO?



Dá uma grande diferença entre famosos que vão para eventos noturnos mas que se envolvem em outras atividades e, quando dão entrevistas, não falam tão somente de si mesmos nem de sua "galera" e nem de frivolidades fúteis, e pessoas que só vão para eventos noturnos, só falam de si mesmos e de sua "galera" e só falam de frivolidades fúteis.

O grande problema está sobretudo no circo do entretenimento movido pela mídia popularesca - tão ou mais perversa que a mídia política, porque entretenimento também é política, por envolver a sociedade em que vivemos - , sobretudo pela obsessão de noitadas, de praia e do puro culto ao corpo que as boazudas, sejam elas mulheres-frutas, ex-BBB's, paniquetes, dançarinas de porno-pagode e tudo o mais, se limitam a desempenhar.

Aparentemente, elas nada fazem de mais irem às noitadas. O problema é que elas desempenham um papel político nisso tudo. Poderiam muito bem ir às boates no mais puro ostracismo. Mas exibem, ostentam suas noitadas, por pura vaidade. Aí está o grave problema.

As boazudas querem se impor como os modelos a serem seguidos pelas mulheres brasileiras. Ou, quando muito, criar uma polarização com as mulheres-coitadas, estas mais caseiras, mais recatadas e fisicamente menos apelativas.

Pois, de um lado, estão as boazudas que exibem seus corpos "turbinados" nas noitadas, trabalhando uma forma grotesca de sensualidade e desempenhando um estilo cafona de curtição e glamour, e, de outro, estão as marias-coitadas no lar, ouvindo música brega-popularesca, rezando até para não desmanchar o esmalte nas unhas, num culto exagerado de pieguice voltada sobretudo para cantores-galãs do brega, ou mesmo para mauricinhos "sertanejos" com chapéu de caubói ou mulatos sambregas com cabelos falsamente louros.

De um lado, as boazudas impõem a "afirmação feminina" pela exploração do corpo e do espetáculo mercantil das noitadas, vaquejadas, "bailes funk", micaretas etc. De outro, as marias-coitadas impõem o moralismo intimidador da pieguice extrema, da religiosidade exagerada, da personalidade infantilizada, da escravidão do lar.

As boazudas e as marias-coitadas, no entanto, são igualmente servis ao machismo eletrônico da mídia golpista. As primeiras, escravas dos recreios sexuais dos machistas, as segundas escravas do trabalho doméstico e da proteção espiritual das religiões.

Ambas atendem apenas aos desejos e necessidades básicas dos machistas, não passando de mulheres coisificadas, que em nenhum momento podem ser consideradas feministas, mesmo no contexto atual em que elas podem ter empregos próprios. Porque têm sua própria renda e, em certos casos, nem maridos ou namorados possuem, mas são incapazes de pensar a vida de forma crítica e espontânea.

A realidade que essas mulheres compreendem é através do filtro da imprensa populista, da mídia de celebridades. Revistas sobre famosos e granfinos, jornais policialescos em suas sessões "culturais", sites e revistas de fofocas, toda essa mídia, cujo poder manipulador é subestimado por nossos críticos da grande mídia, condiciona as mulheres das classes populares ou mesmo da classe média a optar por esses dois papéis impostos pelo machismo, ou então seguir até o híbrido papel das mulheres-bobeiras.

As mulheres-bobeiras, ou marias-bobeiras, são aquelas que se inclinam ao exibicionismo corporal das boazudas, mas ao celibato viciado e masoquista das marias-coitadas. Recusam até sósias de Eduardo Guedes e Rodrigo Faro, que tenham fazendas, empresas, tudo, que as peçam em casamento nas festas de vaquejadas, agronegócio etc. São traiçoeiras como as boazudas, mas adotam também a pieguice das marias-coitadas.

A mídia golpista, com tudo isso, tenta minimizar os efeitos da transformação social das mulheres pelas conquistas trazidas pelo feminismo. Se não pode impedir as mulheres de se ingressarem no mercado de trabalho, que dificulte sua emancipação social através da manutenção de valores originários do machismo.

Até quando as "atraentes" boazudas e as "românticas" marias-coitadas serão vendidas pela grande mídia como "modelo" para as classes populares não se sabe. A mídia golpista, quando quer empurrar seus valores, não vê limites. E a gente tem que aguentar esse espetáculo do vazio, que vai contra as necessidades naturais das mulheres de nosso país.

A DEFESA DO BREGA-POPULARESCO SÓ TEM UM PROPÓSITO



A defesa da intelectualidade etnocêntrica, não só da hegemonia da música brega-popularesca e de seus valores associados da domesticação do povo pobre, como da sua inclusão no panteão da Música Popular Brasileira, não tem outro propósito.

Seu propósito é de reservar, no salão das elites, um canto para a expressão do "mau gosto" no espetáculo chique da alta sociedade.

O que, em outras palavras, significa, para essa intelectualidade, reservar um cantinho de fezes de cachorro no salão do apartamento da madame.

GRANDE MÍDIA AINDA QUER CONTROLE SOCIAL PELO BREGA-POPULARESCO


PARANGOLÉ NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO - O controle social da grande mídia através da domesticação do povo pobre.

A mídia golpista quer controlar a cultura do povo pobre.

Mas com o tiroteio político-midiático do momento, fica difícil manter a trilha sonora brega-popularesca.

A mídia grande continua divulgando, mas reduziu a frequência.

Os observadores estão mais atentos. A coisa vai ficar visada.

O desejo dos ídolos brega-popularescos em ingressar na MPB, sem esforço nem mérito, está cada vez mais distante.

O crescimento sócio-econômico do Brasil requer a volta da cultura de verdade.

Mas aí será demais para a mídia golpista: a volta de CPC's, o apareciemento de novos Ataulfos, Cartolas, Joões do Vale, Sidneys Millers, Sérgios Ricardos, Elzas Soares...

Já basta que eles têm que engolir a crise demotucana.

E o mercado milionário do brega-popularesco pode perder muito dinheiro.

Latifundiários envolvidos terão até que vender suas casas noturnas, porque perder terras eles não querem mesmo.

O empresariado do espetáculo também não quer abrir mão do poder econômico.

E os ídolos lotadores de plateias? Num dia lotando vaquejadas, micaretas, "bailes funk", "aparelhagens", feiras de agropecuária, noutro vão para o ostracismo! A mediocridade cultivada há décadas, reduzida a pó! Os poderosos não querem!!

E o povo poderá crescer se for recuperada a cultura popular de verdade.

Uma cultura que não se define por lotadores de plateias nem pelo império do mau gosto, mas uma cultura que produz conhecimentos, valores sociais e não trata o povo como uma multidão domesticada e abobalhada.

Isso poderá ser um perigo para os donos do poder.

Vem aí o curso de MPB nas escolas públicas.

E agora? Favelado tocando como Jacob do Bandolim, favelada cantando como Sílvia Telles...

É demais para o baronato da grande mídia e para a aristocracia do entretenimento.

Por isso, paguem-se intelectuais para apoiar a ditabranda do mau gosto.

Com seus discursos rebuscados, escalafobéticos, mas sentimentais o suficiente para atrair suas focas de circo a aplaudir felizes sem saber por quê.

O temor de que a verdadeira cultura popular - a verdadeira, não a "verdadeira cultura popular" dos meros lotadores de plateias - volte a dominar no gosto das populações pobres faz com que o circo golpista do entretenimento não meça esforços para manter seus interesses.

Porque o que está em jogo para a direita é evitar que o povo pobre se fortaleça culturalmente e substitua os "sucessos do povão" e sua "cultura do cabresto e do consumo" por expressões mais dignas, mais relevantes.

Mas mal sabem que associar o mau gosto às classes populares é um grave preconceito contra o povo.

Mal sabem que terão que ceder um dia, até porque a "cultura" brega-popularesca sempre floresceu em períodos políticos conservadores.

Agora que a política conservadora começa a entrar em declínio, sua trilha sonora cai junto.

É o que os poderosos não querem. Mas é o que eles terão que aceitar.

Afinal, a busca de qualidade de vida também significa a busca da superação das camisas-de-força culturais impostas pelos detentores do poder político e econômico.

Qualidade de vida do povo significa superar sua imagem de "idiota", superar toda a "cultura" do mau gosto, superar sua situação grotesca, patética, domesticada, subordinada.

A melhoria cultural do povo assusta as elites. E muito. Por isso as elites ainda querem o controle social do brega-popularesco. Cabe reagirmos para acabar com isso.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PETIÇÃO PODE BARRAR UNIFORMIZAÇÃO VISUAL NOS ÔNIBUS DO RJ



Diante do projeto arbitrário do prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes em fardar os ônibus, como medida para seu projeto tecnocrático para o transporte coletivo, a reação torna-se necessária.

Eu mesmo fiz uma petição pela Internet que se dá neste endereço:

http://www.petitiononline.com/alexfig2/petition.html

Muitas das petições deram resultado, porque a adesão foi grande e expressiva. Por isso todos que leem este texto estão convidados a participar, porque o que está em jogo não é apenas a beleza estética dos ônibus, mas o risco que os passageiros do Grande Rio terão para pegar os ônibus errados, principalmente a população pobre.

Vale lembrar que o risco de pegar ônibus errados, neste caso, pode trazer até consequências trágicas.

Por isso, não custa dedicar uns pouquíssimos minutos para assinar a petição. A lista de comentários é requerida. Quem não quiser comentar muito, escreva apenas "Eu apoio".

IRÃ CONDENA SAKINEH À FORCA POR HOMICÍDIO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Dois pesos, duas medidas, um mesmo sistema de valores. Enquanto no Irã é mantida a condenação mortal de Sakineh Ashtiani, por enforcamento pela participação no assassinato de seu marido, os homens que, no Brasil, se envolvem no mesmo crime, numa inversão conjugal, chegam a ser soltos, sem qualquer chance de voltar para a cadeia. Em ambos os casos, a prisão perpétua, com atividades laboriais de dentro da cadeia, seriam a solução. Mas a sociedade machista, seja no Irã, seja no Brasil, ainda mostra seu poder retrógrado, em pleno século XXI.

Irã condena Sakineh à forca por homicídio

Caso de iraniana causou comoção pelo temor de que ela fosse apedrejada

Do Portal R7

O procurador-geral do Irã, Gholam Hussein Mohseni Ejei, anunciou nesta segunda-feira (27) que Sakineh Mohamadi Ashtiani, a mulher iraniana acusada de adultério e cumplicidade no assassinato de seu marido, foi condenada à morte por enforcamento pelo segundo crime.

Em declarações divulgadas nesta segunda-feira pela agência de notícias local Mehr, Mohseni Ejei explicou que, "de acordo com a decisão do tribunal, Sakineh foi acusada de assassinato e condenada por este delito".

O caso de Sakineh causou comoção mundial porque ela havia sido, anteriormente, condenada à morte por apedrejamento.

No início de setembro, o Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que a Justiça do país iria rever o caso de adultério contra Sakineh Mohammadi Ashtiani, que levou à sua condenação por esse polêmico método.

Mas um porta-voz afirmou que a acusação de cumplicidade de Sakineh no assassinato do marido - pela qual ela havia sido condenada à forca - permanecia "em andamento".

Assassinato, adultério, estupro, assalto a mão armada, apostasia (renegar a religião) e tráfico de drogas são crimes punidos com a pena de morte pela lei islâmica da Sharia, em vigor no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

Justiça chegou a adiar a pena três vezes

A Justiça do Irã chegou a adiar três vezes o pronunciamento sobre a execução de Sakineh, após uma intensa pressão internacional - tanto de governos quanto de entidades - contra a pena.

Em comunicado no dia 29 de agosto, o escritório de direitos humanos da Justiça do Irã informou que a sentença de morte contra Sakineh tinha sido concluída, mas que a execução ainda dependia de procedimentos internos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo à iraniana, aproveitando-se da boa relação que o Brasil mantém com o Irã. Mas o governo iraniano recusou, dando a entender que Lula não estava suficientemente bem informado sobre o caso e que Sakineh era uma criminosa comum.

VERÍSSIMO: NÓS, OBSOLETOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Reproduzo este excelente texto de Luiz Fernando Veríssimo que, apesar de ser colunista de O Globo e Estadão, está do lado dos blogueiros progressistas, sendo integrante do Centro de Estudos Barão de Itararé. Aqui ele fala de outra coisa do agrado deste blog, que são os discos de vinil, durante anos banido da indústria fonográfica até que a pirataria dos CDs a devolvesse à realidade.

Nós, obsoletos

Luiz Fernando Veríssimo - Publicado no jornal O Globo - 26.09.2010

Nenhuma notícia me animou tanto, nos últimos tempos, quanto a da volta do disco de vinil. O vinil tinha sido declarado morto, definitivamente acabado, com a chegada do CD. Continuava à venda em nichos obscuros das lojas de disco, apenas para colecionadores de antiguidades e outros tipos esquisitos. Mas aconteceu o seguinte: descobriram que as gravações em vinil eram superiores, em matéria de fidelidade sonora, às gravações digitais. Algo a ver com a reprodução dos harmônicos, não me peça detalhes. E mais: concluíram que a desvantagem mais evidente do vinil em comparação com o CD, o ruído de superfície, o chiado da agulha no sulco, na verdade é uma vantagem, faz parte do seu charme. As pessoas não sabiam bem o que estava faltando no CD e de repente se deram conta: faltava o chiado. Faltavam o poc da sujeira no disco e o crec-crec do arranhão. Dizem que já se chegou ao cúmulo de acrescentar um chiado em gravações em CD, para simular o ruído de uma agulha lavrando um sulco inexistente. Não sei.

O que interessa a nós, obsoletos, no resgate do vinil é a perspectiva que ele nos traz do desagravo. Eu já tinha me resignado à obsolescência. Como o disco de vinil, existia apenas como objeto de curiosidade e comiseração: sem telefone celular, sem nada nos bolsos que me informe instantaneamente as cotações na bolsa de Tóquio, a temperatura em Moscou e a raiz quadrada de 117 enquanto toca uma música e me faz uma massagem, sem nenhum outro uso para meu laptop além de escrever estes textos, mandar e receber e-mails e, vá lá, colar do Google, um homem, enfim, com saudade das pequenas cerimônias humanas do passado, como a de levar um rolinho de filme para ser revelado na loja. E agora surge esse exemplo de regeneração para a nossa espécie, a dos relegados pela técnica. Ainda voltaremos ao convívio dos nossos contemporâneos sem precisar esconder que não temos tuiter.

Os discos de vinil saíram do seu nicho e hoje ocupam espaços respeitáveis, em contraste com os CDs, que perdem espaço. Também podemos sair do pequeno espaço da nossa resistência e proclamar que os anúncios do nosso fim foram prematuros e ainda temos alguma utilidade.
É só nos explicarem algumas coisas. O que quer dizer a tecla “Num Lock” no computador, por exemplo?

ARMADILHAS DA MÍDIA



A opinião pública, no Brasil, ainda está caminhando. A mídia progressista existe, mas ainda começa a se formar um público para ela, porque até agora muita gente ainda mantém os preconceitos e pontos de vista mais próximos de uma mídia conservadora menos badalada, como Isto É e Bandeirantes ou mesmo quando a Folha de São Paulo era considerada "mídia boazinha", lá pelos anos 90.

Na busca de uma mídia mais democrática, mas aliado ao desejo de pragmatismo e de visibilidade, muitos procuravam vestígios de esquerdismo nos porões da mídia conservadora, em veículos que exerciam rivalidade com aqueles claramente reacionários. Durante a ditadura militar, a mídia claramente reacionária, por incrível que pareça, eram tão somente as Organizações Globo e o Estadão.

Os grupos Folha e Abril também faziam das suas, mas contratavam jornalistas de esquerda em seus quadros e Veja surgiu como um periódico tão "inocente" quanto Isto É até algum tempo atrás (e olha que a Isto É, apesar de ter absorvido a histórica revista Senhor, não herdou o charme e o vigor jornalístico deste lendário periódico).

Nesse caminho esburacado, a opinião pública encontrou em seu caminho várias armadilhas da mídia, armadilhas que não correspondem necessariamente àquelas feitas pela mídia claramente conservadora e reacionária. Pelo contrário, elas partem justamente da mídia concorrente, sobretudo pelos valores que essa mídia difunde, que na ocasião são superestimados por um público incauto, ávido por ver florescer no Brasil uma modernidade que não existe.

Nos anos 90, a própria Folha de São Paulo tinha sua reputação elevadíssima sobre o público de classe média. Não era raro ver brasileiros comprando, com sorriso orgulhoso, um exemplar da Folha, ou recebê-la do porteiro, se caso foi assinante, para lê-lo com uma vaidade ímpar, até caprichando no cruzamento de pernas durante o desjejum.

Mas também vários personagens de outrora, como o ex-guerrilheiro e jornalista Fernando Gabeira, os humoristas do Casseta & Planeta, o cineasta Arnaldo Jabor, o poeta Ferreira Gullar, a atriz Patrícia Pillar (ultrasedutora com aquele penteado do estilo da Madonna de Like a Virgin), hoje fazem parte de um elenco de pessoas duramente contestadas e com a reputação em xeque. Até mesmo José Serra, entre 1979 e 1984, era um insuspeito ex-líder estudantil e bastante querido pelos universitários.

MÍDIA FOFA

O que se destaca nesse caminho todo é o fenômeno da "mídia boazinha", ou "mídia fofa", como comparação à ação perversa da chamada "mídia gorda". É uma facção da grande mídia, igualmente conservadora, mas que atua de forma mais sutil, com um certo profissionalismo, com uma certa postura que, embora mantenha posições claramente conservadoras, é capaz de falar ou escrever sobre Ernesto Che Guevara sem fazer uma xingação ou desaforo contra o guerrilheiro e político latino-americano.

A "mídia fofa" geralmente é concorrente da "mídia gorda", daí preferir não agir com a crueldade explícita desta. Situada numa posição semi-marginal de mercado, se comparado à suas concorrentes em domínio, a "mídia fofa" tenta até mesmo encampar, de forma sutilmente tendenciosa, causas "cidadãs" mais como um meio de passar uma rasteira no veículo dominante do que em defender uma comunicação eminentemente democrática.

Nós não falamos de certos profissionais humanistas que estão nesses veículos da "mídia fofa". A atuação deles é individual, e são exceção até mesmo diante do conjunto geral da "mídia fofa", que é cordialmente tendenciosa na sua corrida ao topo da corrida midiática.

Isso pega muita gente desprevenida. Superestimando as ações da "mídia fofa", muitos leitores, ouvintes e telespectadores são surpreendidos depois por um surto reacionário da "mídia boazinha" que passaram a admirar a ponto de exagerar seu papel aparentemente democrático.

Desse modo, muitos se sentiram traídos quando a Folha de São Paulo, a partir de cerca de dez anos atrás, passou a adotar uma postura claramente reacionária, contradizendo com a postura supostamente moderna que o jornal assumiu em 1984. A postura colocou o jornal dos Frias numa posição reacionária tal que até o ultraconservador concorrente, O Estado de São Paulo, pelo menos conduz de forma mais elegante sua postura retrógrada. Sem falar que o conservadorismo dos Mesquita têm mais história e façanhas do que o conservadorismo dos Frias.

Na Bahia, há que destacar o caso da Rádio Metrópole, do cafajeste político Mário Kertész, espécie de sósia cafona do Allen Ginsberg idoso, mas que se equipara a um genérico mais provinciano e boêmio de Bóris Casoy. Superestimada como um veículo "moderno" da mídia baiana, mais ou menos como a Folha de São Paulo dos anos 90, com um "canto de sereia" que deixou boquiabertos até certos jornalistas de esquerda (mesmo os fundadores do Jornal da Bahia, destruído por Kertész quando tornou-se seu interventor), a Rádio Metrópole era endeusada como uma suposta rival da Rede Bahia, paradigma da mídia abertamente conservadora no Estado.

Com campanhas tendenciosas supostamente defensoras da cidadania, a Metrópole, com seu (sub) jornalismo que, na pessoa de seu astro-rei, faz da emissora uma espécie de "CBN de porre", seduziu a esquerda baiana para depois apunhalá-la pelas costas. A dupla Emiliano José e Oldack Miranda, em seus blogs, chegaram a elogiar Kertèsz, mas foram espinafrados por ele no ar, na própria Metrópole, cuja postura direitista tornou-se clara nos últimos anos, quando o veículo-irmão da rádio, o jornal (ex-revista) Metrópole, baixou a lenha em tudo quanto é esquerda, do PT ao PSTU, podendo sobrar farpas até para o PCO (mantenha-se alerta, Antônio Eduardo).

Era como se, numa comparação, Altamiro Borges e Emir Sader fossem apoiar Paulo Maluf. Mas os dois eminentes jornalistas têm lucidez suficiente para não caírem em dadas armadilhas, sobretudo quando, nos últimos cinco anos, o direitista convicto de São Paulo passou a adotar uma postura estranhamente "pró-esquerda" e uma falsa pose de vítima que transforma o antigo colaborador do IPES e ex-rival de Tancredo Neves nas eleições indiretas para a Presidência da República num "Waldick Soriano da política brasileira".

Mas Emiliano, colaborador de Carta Capital, e Oldack, responsável pelo blog Bahia de Fato, perderam a boa chance de projeção nacional diante do apoio a Mário Kertész (conhecido figurão da direita baiana desde os tempos da ditadura, quando o então engenheiro lançou-se na política sob as bênçãos da ARENA e de Antônio Carlos Magalhães), desnecessário mas adotado pelo desespero em obter visibilidade num Estado em falência, preso a um provincianismo autista que contribui para a estagnação social na capital baiana e em cidades do interior que parecem ainda viver no século XIX. Dessa forma, Bahia de Fato passou a figurar, de forma apagada e tímida, na blogosfera de esquerda, mal podendo representar regionalmente a mentalidade esquerdista regional.

Mas, no âmbito nacional, há também que se destacar o caso da revista Isto É, cujo papel de oposicionista à Veja - cuja rabugice editorial é mais do que explícita - foi também superestimado, até episódios como o apoio a Fernando Collor na sua campanha para o Senado, em 2006, e a momentânea conversão para o demotucanato, pouco tempo atrás, dissolveu nossas ilusões.

ENTRETENIMENTO

Mas o âmbito do entretenimento também mostra muitas ilusões que são depois desfeitas. É o caso da ideologia brega-popularesca que, apesar de apostar numa evidente domesticação do povo pobre, logo no declinar da Era FHC passou a promover uma falsa imagem de "cultura genuinamente popular", num discurso claramente etnocêntrico proveniente da burocracia intelectual acadêmica, mas que tornou-se verossímil, convencendo a todos pelo aspecto emocional de evocar a "expressão do povo das comunidades pobres".

Essa ilusão se deu sobretudo pelo discurso relacionado ao "funk carioca" e ao tecnobrega, meros fenômenos comerciais artisticamente tão tolos quanto o twist e até artisticamente bastante inferiores e superficiais, mas que foram promovidos sobre a falsíssima imagem de "ativismo sócio-cultural", favorecendo mais o lobby político-empresarial que estava por trás. O discurso era verossímil, mas não tardou de mostrar suas contradições, como por exemplo seu acesso fácil à grande mídia, mesmo quando seu discurso insistia no contrário.

A queda desse discurso, cujos efeitos ainda serão sentidos de forma mais evidente em breve, se expressa pela contradição entre um discurso rico e sofisticado e uma práxis restrita unicamente ao consumo e à repetição de valores difundidos pela grande mídia. Afinal, como creditar a uma suposta rebelião popular a produção de meros "sucessos do povão" dentro das regras do mercado, numa clara referência ao neoliberalismo aplicado à música, e seu público se limita apenas a consumi-los nos cenários lúdicos como o mercado de camelôs e as casas noturnas de subúrbio?

As armadilhas, nos últimos anos, foram grandes. Rádios de hit-parade que, sob o rótulo de "rádios rock", se fantasiavam de "rádios alternativas" numa postura estranhamente alienada, acomodada, superficial e até burra. Atores, cartunistas e escritores que eram ligados a movimentos culturais modernos e pós-modernos que passavam a adotar posturas direitistas retrógradas. Fórmulas antes relacionadas à televisão de vanguarda - como misturar jornalismo e besteirol - transformadas na mais banal das banalidades anti-vanguardistas.

A recente armadilha envolve o cinema e ainda pega muita gente de surpresa. O sistema TeleCine, de canais da TV paga dedicados a exibir filmes, fez uma pegadinha nas gerações mais recentes, transformando um canal de filmes antigos, TeleCine Classic, no pretensioso nome de TeleCine Cult.

Claro, as gerações mais recentes, com menos de 35 anos de idade, e que mal conseguem discernir a soul music dos anos 60 da disco music e que acha que música cubana instrumental também é "jazz clássico" (por razões óbvias, ela seria, no máximo, jazz fusion), não acompanhou as polêmicas raivosas que, na década de 50, existia na intelectualidade em torno do cinema norte-americano.

Naquela época, a intelectualidade contestava energicamente a fábrica de ilusões do cinema dos EUA. Nem os filmes de bangue-bangue, hoje "cultuados" mais pelo intermédio das produções italianas dos anos 60, escaparam. Mas quem assistiu aos desenhos do Pica Pau sabe que até Walter Lantz achava faroeste uma subcultura, vide uma alusão em um episódio, quando a mesmice da televisão era sempre associada a uma cena com caubóis correndo e dando tiros de revólver, cena repetida a cada mudança de canal.

As críticas, existentes desde o pós-guerra, resultaram no desenvolvimento de uma mentalidade cinematográfica que reagiu à ilusão da fase áurea de Hollywood. Foi aí que movimentos como o neo-realismo italiano, a nouvelle vague francesa ou os filmes de Akira Kurosawa, além do nosso Cinema Novo, surgiram. Daí que, a uma análise mais aprofundada, chamar o cinema de Hollywood, por mais bem feito que fosse, de "cult" ou "alternativo", é tratar o cinéfilo como se fosse um retardado, um idiota desinformado.

Só que a garotada pós-1978 chegava a fazer desculpas hoje para essa malandragem do TeleCine Cult, achando que, por causa da queda de qualidade do cinema de hoje, a denominação de "alternativo" para o cinema comercial norte-americano tem validade. Isso é contraditório, porque, primeiro, muitas comédias românticas atuais são apenas formas atualizadas dos filmes de 50 a 65 anos atrás. E, segundo, porque barbaridades como Robocop e filmes com o hoje roliço Steven Seagal passaram no TeleCine Cult.

OS MAIS VELHOS TÊM OS PÉS NO CHÃO

Nota-se que a experiência faz o sábio, e enquanto pessoas mais jovens são vulneráveis às ilusões aprontadas pela mídia, os jornalistas veteranos não se iludem em relação às armadilhas feitas até mesmo pela mais "boazinha" da grande mídia.

É só perceber a ingenuidade dos mais novos, que chegam até mesmo a creditar a revista Isto É como "imprensa de esquerda" ou se iludir com o Grupo Bandeirantes de Comunicação, ou mesmo com a Folha de São Paulo, por causa da atuação dessas duas corporações de mídia na campanha pela volta das eleições diretas feita em 1984.

Por isso, blogueiros como Altamiro Borges e Emir Sader, mais experientes, mantém-se os pés no chão e não confundem "mídia boazinha" com mídia de esquerda. Uma coisa é ocasionalmente haver um cruzamento de interesses entre a "mídia fofa" e a mídia esquerdista, mas outra é dizer que aquela e esta são a mesma coisa.

Os mais experientes já vivenciaram ou conhecem, através do relato de seus mestres, os caminhos e descaminhos da imprensa. E sabem que a "mídia fofa" dos anos 50/60, por exemplo, era constituída de Diário Carioca, Gazeta de Notícias, Correio da Manhã e que mesmo os Diários Associados e o Sistema JB, hoje alinhados com a "mídia boa", adotaram posturas golpistas no apogeu da crise institucional durante o governo João Goulart, já em 1963.

Da mesma forma, nenhum veterano se iludiria com a farsa da "cultura popular" do brega-popularesco, que aposta numa visão domesticada do povo pobre. José Arbex Jr. não se ilude, por exemplo, com o "funk carioca", como Lúcio Flávio Pinto não se ilude com o tecnobrega. E até o pessoal do Pasquim, independente do rumo político que seus jornalistas tomaram, à direita ou à esquerda, está careca de saber sobre o conservadorismo direitista de Waldick Soriano.

Um exemplo é quando os mais novos analistas da mídia comemoram quando o grupo empresarial O Dia entra em conflito com a cúpula da ANJ ou quando a Isto É rompe com o apoio a José Serra. Com a animação maior do que a festa, eles não imaginam que são situações ocasionais de diferença, e acham que a "mídia boazinha" representada por esses grupos empresariais está do lado da esquerda. Os mais experientes analistas, todavia, adotam uma postura bastante cautelosa.

Não haveria também ilusões sobre os próprios rumos que a intelectualidade pós-moderna adotaria depois. Preferem tomar cautela do que festejar diante de falsos aliados, diante de modernices sem sentido. Preferem se comportar como a Cassandra de Tróia, quando avisou que dentro do lindo cavalo de madeira, havia soldados que iriam render e capturar o povo.

Só a experiência para comprovar os sucessivos avisos de Cassandra e seus semelhantes ao longo dos séculos.

HALLE BERRY TAMBÉM PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



Já escrevi. Usar camisa para dentro da calça é uma atitude de mulheres charmosas, que combinam elegância e sensualidade e não fazem apelação.

Pois Halle Berry, uma das mulheres mais quentes do mundo, atriz talentosa, mulher fascinante e inteligente, também é sócia deste clube, que dá medo nas musas vulgares metidas a "moderninhas".

Esta foto é de 2007, mas Halle nada mudou de lá para cá. Só mudou o penteado. Continua esplendorosa, como sempre foi. E como sempre será.

SHARON STONE PÕE A CAMISA PARA DENTRO DA CALÇA



A deliciosa Sharon Stone, como toda mulher charmosa e lindíssima, usa também a camisa para dentro da calça, um traje que é visto como "recatado demais" para muitas mulheres consideradas "atraentes" no Brasil, que ainda preferem usar a "blusa do afilhado", camisas abotoadas tão curtas que parecem terem sido lavadas com água sanitária mais poderosa.

Mas as mulheres de verdade mostram que não há necessidade de mostrar o corpo na marra, com tops usados e abusados até em dia de frio, com barrigas expostas ao vento sem qualquer contexto. Mostrar o corpo é legal, mas é preciso ter habilidade, sutileza e contexto. E beldades como Sharon Stone sabem mostrar o corpo na ocasião certa.

domingo, 26 de setembro de 2010

ESTA SEMANA TERMINO DE LER "COMER, REZAR, AMAR"


CAPA DA EDIÇÃO ORIGINAL DO LIVRO DE LIZ GILBERT.

Esta semana termino de ler o livro Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert. Justamente na semana em que a versão cinematográfica do livro estreia, com Julia Roberts no papel da autora (que, por sua vez, tem 41 anos e é casada com um brasileiro).

Foi um grande desafio para mim ler um best seller como este. Não sou daqueles que ficam fissurados em livros campeões de vendas, até tenho um pé atrás com eles. Mas Comer, Rezar, Amar me atraiu por ser um livro ligado ao universo das mulheres modernas, ao mesmo tempo inteligentes e sensíveis.

É um livro tipicamente feminino, com uma temática de interesse especial para as mulheres em geral. Mas tomei uma atitude de homem de verdade, ao decidir ler esse livro, porque quero conhecer a fundo esse universo feminino, porque são mulheres assim que desejo para minha vida amorosa.

Ando muito carente de mulheres legais. Mulher legal, sabemos, não é aquela que topa qualquer parada, e eu, francamente, não meço o valor da generosidade feminina pela proporção inversa do tamanho do shortinho que uma mulher usar. Até porque ando muito fulo da vida com as mulheres vulgares ou "jecas", como os leitores que acompanham este blog entendem muito bem.

Eu quero uma mulher para conversar, trocar ideias, divertir juntos, encarar a trajetória da vida, sermos parceiros em nossas atividades e valores. Não sou um tarado nem um machista gluteófilo, e fiquei constrangido quando, em Salvador, mulheres de extrema vulgaridade e grosseria me paqueravam como se eu já estivesse prometido para elas. Felizmente não moro mais na capital baiana, uma bela cidade mas que vive uma séria crise de valores sociais.




Comer, Rezar, Amar é um testemunho da mulher moderna que a própria autora, Liz Gilbert, é. Um perfil delicioso, de mulheres que ao mesmo tempo são dotadas de independência sócio-econômica e profissional, de admirável senso de humor e de uma sensibilidade emocional ímpar. É o que especialistas chamam de mulher-alfa.

Liz Gilbert narra sua experiência a partir de uma crise no seu casamento, no envolvimento amoroso com outro homem, até que ela decidiu viajar para a Itália passar uma temporada por lá. Depois de experimentar muito a gastronomia italiana e os prazeres das cidades italianas, Liz foi para a Índia e para a Indonésia, buscar o equilíbrio espiritual através das religiões orientais. Na Indonésia, conheceu seu atual marido, um brasileiro que trabalha com joalheria.

Aliás, mulheres assim dotadas de uma personalidade independente, que reúne razão e sensibilidade, são muito disputadas pelos homens. São como jóias raras, sobretudo no Brasil onde o machismo, mesmo agonizante feito um leão ferido, resiste sob urros ainda barulhentos.

O machismo brasileiro fez das suas, e sobretudo no interior do país, educou muito mal as mulheres das classes populares e até mesmo da classe média baixa que, mesmo tendo seu próprio trabalho, sua própria renda e sua própria casa, sofrem da subordinação funcional, que é o equivalente do feminismo ao analfabetismo funcional.

São mulheres que, embora profissionalmente independentes, não têm a personalidade capaz de discernir a realidade da vida. São moças piegas, que preferem ver Domingão do Faustão, reality shows, programetes do SBT e da Rede Record, ouvem música brega-popularesca, adotam um comportamento infantilizado e tolo.

Os modelos de mulheres que elas seguem são até lamentáveis. Vai de Xuxa às cantoras de axé-music, passando pelas dançarinas de pagode e mulheres-frutas. Com referenciais assim, não há como um homem como eu arrumar conversa com moças assim. De jeito nenhum. Conversar, para quê? Só para falar dos buracos das ruas, das marcas de sabão em pó e da diferença de qualidade de um pão numa padaria e em outra?

A mídia golpista dos anos 80 fez essa pedagogia que, se não conseguiu freiar as conquistas evidentemente significativas das mulheres, minimizou o impacto dessas conquistas. Por isso as multidões de marias-coitadas, marias-bobeiras, mulheres-frutas, miseravonas e outras de personalidade piegas ou grotesca, e com uma media etária entre 25 e 35 anos, são um resultado da péssima educação que elas receberam pelo popularesco da grande mídia, há mais de 25 anos atrás.

Só que a enorme quantidade dessas moças, no "mercado" da vida amorosa, conforme se vê até no Orkut (sobretudo nas comunidades de moças solteiras) acaba fazendo os homens em geral fugirem. Como "frankesteins", as mulheres "jecas" tornaram-se incômodas até para o machismo que as formou.

As multidões de Solange Gomes e Priscila Pires que aparecem diante de poucas Leandra Leal e Leona Cavalli que surgem, as tietes que cantam junto com cantores sambrega e breganejos nos seus discos ao vivo, em quantidade infinitamente superior às moças que vão para uma biblioteca ler um livro de História ou ouvir um disco de Bossa Nova, mostram o quanto isso é preocupante.

Qual a ex-BBB que escreveria um livro como o de Liz Gilbert? Que não falasse apenas de noitadas, de praia, de comidas e bebidas, mas que falasse até de tudo isso de forma mais inteligente e menos fetichista. Quem escreveria? Qual a boazuda que escreveria um livro que, ao falar de uma boate, prefere descrever as caraterísticas do local do que o fetiche vazio de encontrar a "galera toda" lá dentro?

O progresso econômico do Brasil exige uma mudança no perfil das mulheres. As boazudas, cada vez mais decadentes, ainda são empurradas pela mídia golpista como se ainda estivessem "em alta". Mas não estão. Que legal seria que essas boazudas sumissem, casadas com fazendeiros, até para aproveitar que já ingressam nos 30 anos e se desgastam na superexposição de mídia. Mas, infelizmente, até "titias" como Gretchen e Rita Cadillac, pelo contrário, tornam-se encalhadas, para desespero de qualquer homem simples que têm que andar pelas ruas com a Lei 10224 no caderninho para o caso do assédio de alguma moça "jeca" qualquer, da maria-coitada à mulher-fruta.

Enquanto nada se resolve, nós, homens de bem, sonhamos com as moças legais. Fantasiamos conversas substanciais com elas. E, temporariamente, esquecemos que elas vivem casadas com outros homens, bem menos simples e mais poderosos do que nós.

Oh, dia, oh, céus...

FRESNO E BON JOVI, TUDO A VER



O Brasil vive uma grande comédia de erros. Um dos episódios mais hilários é o protesto de fãs do grupo farofeiro Bon Jovi contra a inclusão da banda emo Fresno na abertura das apresentações do grupo de Nova Jersey no Brasil.

A revolta é tanta que existem até abaixo-assinados para isso.

É de cair na gargalhada. Afinal, Bon Jovi também não é essa maravilha toda, pois a "cultura da memória curta", no nosso país, desconhece que o grupo é historicamente reconhecido como um dos mais piegas ícones do poser metal, ou metal-farofa, diluição do rock pesado para os padrões piegas do hit-parade.

E quem eram os grupos dessa tendência, marcada por muita pose, muita maquiagem, muitos escândalos, muitas músicas melosas e nenhuma essência rock'n'roll? Grupos hoje considerados "respeitáveis", como Bon Jovi, Guns N'Roses, Mötley Crüe e Poison, que nos anos 80 eram considerados tão ridículos quanto Menudo.

Além do mais, o próprio poser metal é considerado, pelos maiores conhecedores da história do rock, o equivalente do heavy metal ao emo para o punk rock. As queixas que se fazia, nos anos 80, a respeito do metal-farofa, são literalmente as mesmas, sem tirar nem pôr, às que são feitas hoje a respeito das bandas emo. Por isso Bon Jovi e Fresno têm tudo a ver um com o outro.

Vale lembrar que boa parte do público dito "roqueiro" no Brasil, sobretudo de 33 anos de idade para menos, foi educado por Xuxa e Gugu Liberato na infância, e nos anos 90 se converteu em nada mais do que uma multidão de mauricinhos e patricinhas junkie, suficientemente mal-educados e reacionários para serem vistos pelos incautos como "rebeldes radicalmente roqueiros". Só que roqueiros ao mesmo tempo caricatos e violentos.

Exemplo disso foi a lamentável geração de filhotes do Cabo Anselmo que constituiu na "nação roqueira" de adeptos das patéticas Rádio Cidade (RJ) e 89 FM (SP), que abordavam a cultura rock sob o ponto de vista de um delegado do DOI-CODI.

Daí esse pessoal não ter moral para dizer que Bon Jovi, Guns N'Roses e companhia farofeira - no fundo equivalentes ianques dos nossos breganejos e sambregas (Zezé Di Camargo & Luciano têm muito de Bon Jovi e os pagodeiros-mauricinhos são tão "pegadores" quanto os posers - Pamela Anderson e Solange Gomes que o digam) - são "rock clássico".

Isso porque a história do rock já mostra uma infinidade de grupos de rock pesado bem mais relevante que os posers. Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Blue Cheer, Steppenwolf, Ronnie James Dio, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, AC/DC, Sepultura, Rainbow, Blue Oyster Cult... O próprio Jimi Hendrix tem muito de rock pesado no seu som, como muitos clássicos que não nos deixam mentir, como "Fire", "Purple Haze", "Foxy Lady" e outros.

É muito fácil o mauricinho e patricinha metido a roqueiro reagir mandando mensagem irritadinha e mal-criada para o titio aqui, mas é bom o pessoal ficar sabendo que não faz sentido algum dizer que poser metal é "rock clássico" porque isso soa preguiçoso, infantil e tolo, muito tolo.

Só quem acredita em tolices como achar que personalidade dos anos 80 é o palhaço Bozo é que teria coragem para insistir nessa ideia absurda de que poser metal é "rock de verdade".

"PANELINHAS": QUANDO A MINORIA SE ACHA A MAIORIA



No advento da Internet, um fenômeno insólito surgiu para desafiar toda análise a respeito da opinião pública. Grupos minoritários ou particulares, ligados a causas específicas, espécie de "maçonarias digitais", defendem procedimentos, conceitos ou ideias que, mesmo não sendo de interesse nem em benefício da maioria da sociedade em geral, parecem à primeira vista majoritários.

Causas que não correspondem aos interesses da maioria da sociedade, mas que, dentro dos grupos específicos situados sobretudo em fóruns de Internet, comunidades do Orkut e outras redes sócio-digitais, são apoiadas pela maioria de seus integrantes.

Sendo eu um radiófilo e um busólogo, pude verificar grupos assim, particulares e minoritários, que no entanto falam como se fossem a maioria da sociedade, sendo apenas majoritários dentro do grupinho privativo deles.

No rádio, há o caso daqueles que defendem a Aemização das FMs, e na busologia, há quem defende o sistema de "pool" nos ônibus. É evidente que existe muita gente reprovando esses fenômenos da "racionalidade" tecnocrática, que eu defino como futilitaristas (porque são defendidas com alegações "utilitárias" na prática supérfluas), mas há aqueles grupos que parecem organizados para defender a causa como se fossem "as causas do povo".

Claro que, num período delicado como o de hoje, quando a grande imprensa não se contenta em perder o posto de "dona da opinião pública" (ela mesma querendo vender os interesses privados como se fossem públicos), existem pessoas que defendem seus interesses particulares usando todo tipo de argumento que dê a impressão que ele defende interesses públicos.

Na verdade, essas "maçonarias virtuais" contam com "panelinhas" formadas quando duas ou três pessoas defendem determinada ideia mediante intensa argumentação, nem sempre coerente, mas verossímil e insistente, com seus textos longos, com seu pedantismo, com sua intransigência e seu empenho em contraargumentar quem quer que fosse discordar de suas teses.

Na Internet, nota-se que essa "panelinha" acaba tendo um poder decisório e um tráfico de influência que contradiz muitas vezes com seu sentido impopular. Muitas vezes quem tem maior visibilidade pode agir contra o interesse da maioria, e mesmo assim sua ação acaba prevalecendo. Como a meia-dúzia de legisladores ou juristas que, muitas vezes, decidem sentenças ou projetos impopulares, mas o interesse deles acaba prevalecendo.

A fragilidade do senso crítico da maior parte dos brasileiros permite que "panelinhas" assim se formem, e em várias situações pude ver posturas tão constrangedoramente minoritárias, mas "majoritariamente" defendidas dentro de um grupo.

Quando eu participava de espaços de mensagem para sites sobre rádio, uma vez espinafrei as ditas "rádios rock" 89 e Rádio Cidade porque elas eram feitas por quem não entendia de rock. De repente uns idiotas escreveram que "não precisa entender de rock, tem que ser bom profissional", e outros incautos seguiram, como se apoiassem a tão "imparcial" posição.

Esta postura, no entanto, vai até contra as próprias normas naturais de qualquer profissão, uma vez que um bom profissional tem que gostar e entender daquilo em que trabalha. Se ele não entende, não há como ser bom profissional, por mais jogo de cintura que tenha. Com o tempo, a posição da "panelinha" radiofônica perdeu força, e hoje nenhuma das duas "rádios rock" existe mais, com seus produtores hoje trabalhando com "funk carioca", sambrega e breganejo, estilos que eles mesmos "rogavam morte" há dez anos atrás.

Há vários outros exemplos, o que demonstra que o Brasil começa a viver sua crise de representatividade. A própria grande mídia, ligada a interesses privados, não consegue mais bancar a "proprietária" da opinião pública. O mundo não passa na televisão, nem no rádio FM, nem nos jornais impressos de grande circulação. A blogosfera mostra um mundo mais real e mais abrangente que a grande mídia, mesmo a "boazinha", não consegue mostrar.

A crise de representatividade ainda vai mostrar mais coisas. Radiófilos que fingem defender os interesses dos ouvintes, mas apenas os usam como pretexto para defender projetos que interessam mais aos donos de rádio. Busólogos que fingem defender os interesses de passageiros, dentro de uma retórica desesperada de seus textos longos, paranoicamente persuasivos, que no entanto demonstram mais ligação aos interesses dos grandes donos. Eo outros interesses, de demagogos, pelegos, reacionários e outros grupos particulares que querem que seus interesses privados sobressaiam sobre a maioria da população.

É esperar para ver.

sábado, 25 de setembro de 2010

DÁ UMA AJUDINHA AÍ, PORTAL EGO, JORNAL MEIA HORA ETC.



Puxa, pessoal do Portal Ego, do jornal Meia Hora, do Terra Diversão, dá uma ajudinha aí.

Vê se publica umas notas "bacanas" com a procuradora Sandra Cureau indo à praia, à badalação, patati-patatá!

Ela está tão famosa quanto uma ex-BBB. Merece até capa de Caras, cuja editora está no lado dela.

BREGA-POPULARESCO E GRANDE MÍDIA, CRISE EM CONJUNTO E EM SEPARADO



Brega-popularesco - Desculpe, grande mídia, que tanto foi responsável pelo meu sustento, pelo meu crescimento e pela transformação dos "sucessos do povão" num fenômeno tão dominante que nem a MPB de tempos atrás consegue mais conter. Nós estamos em crise, mal podemos ficar juntos nessa situação tão difícil!...

Grande mídia - Por que será? Por que será? Éramos tão felizes durante mais de 40 anos! Os políticos conservadores estavam do meu lado e do seu. Por que será? Era tão fácil a grande mídia mostrar as mulheres-frutas como exemplo de "feminismo"... Tão fácil mostrar cantores de pagode romântico e música sertaneja no Domingão do Faustão, na primeira página de Ilustrada, na capa da Contigo... Por quê? Por quê? Por quê?

Brega-popularesco - Está tão difícil agora... Mas éramos tão unidos e vivíamos felizes e juntos, até a Era FHC, não lembra?

Grande mídia - Grandes momentos.

Brega-popularesco - Podíamos promover juntos micaretas em Porto Alegre e Belo Horizonte, íamos realizar vaquejadas até no litoral paulista, na Barra da Tijuca, quem sabe?

Grande mídia - Eu sei. Mas os ataques que eu sofro da mídia esquerdista, dessa blogosfera suja, nos deixa num impasse. Desculpe.

Brega-popularesco - Aí eu entendo. A minha associação a ti poderia me botar para perder. Ai, ai. Tenho que sobreviver com meus ídolos sendo tocados nas FMs que restam, nas lojas de eletrodomésticos, supermercados, nas Lojas Americanas...

Grande mídia - Desculpe se o Faustão não ter aberto as portas para seus cantores e grupos com frequência. A coisa está feia. Já estão dizendo que os humoristas do Casseta & Planeta são tucanos, quanto mais se algum cantor de pagode romântico aparece na Globo um dia desses? Já não basta que um deu o maior xabu porque cantou para o George W. Bush?

Brega-popularesco - É, e a diva da axé-music que participou do Cansei, que fez aquela música que mais parece o tema do Instituto Millenium... "Não me conte seus problemaaaaaa...".

Grande mídia - É, um caminho perigoso. Temos que ficar separados. Não sei se vai colar. A galera está toda desconfiada. Eu estou caindo a cada dia e, quanto mais reajo, mais surra eu levo. A blogosfera está fogo.

Brega-popularesco - Quando terminou a Era FHC, paguei a intelectualidade para falar bem de meus ídolos, para espalhar essa história de "vítimas de preconceito", vendo que nossos anos felizes poderiam terminar.

Grande mídia - Mas nesses oito anos de Era Lula nós ainda poderíamos viver felizes juntos. Até evento comemorativo de São Paulo teve duplas sertanejas.

Brega-popularesco - Mas tínhamos que costurar parcerias com entidades filantrópicas, para dar um tom social e disfarçar nosso casamento. Até uma ONG surgida numa favela carioca teve que entrar para promover nossos artistas como se fossem ativistas sociais.

Grande mídia - Foi uma trabalheira a gente promover o "funk carioca" logo depois que Tim Lopes foi morto. Foi algo estranhíssimo de explicar.

Brega-popularesco - É verdade. E enquanto você dava o maior espaço para os funkeiros, eu pagava a intelectualidade para dizer que eles não tinham acesso na mídia.

Grande mídia - E o povo convenceu?

Brega-popularesco - Em parte. Mas veio uma multidão questionando tudo isso e aí a campanha pró-funkeiros foi por água abaixo. Todos viram a ligação de nós dois nesta campanha. E nós, que fingimos estarmos separados, fomos apanhados em nova lua-de-mel.

Grande mídia - E o que você fez, mesmo, não me lembro?

Brega-popularesco - Aí deixamos os funkeiros com seus empresários-DJs e políticos associados, e aí trabalhamos a mesma campanha para o tecnobrega do Pará.

Grande mídia - Ah, sim! E logo senti que a história ia se repetir. Nós fingindo que nos separamos, para sermos pegos em flagrante, na verdadeira lua-de-mel com as aparelhagens de Belém do Pará.

Brega-popularesco - É difícil explicar por que o tecnobrega já está no Domingão do Faustão. É preciso apelar para o festival de mentiras, mesmo. Intelectual mentiroso tem mais credibilidade. Mente com categoria. Aí temos que dizer que o tecnobrega está fora do controle de você, que só fez sucesso graças à Internet...

Grande mídia - Graças a redes sociais que não tem mais de dez mil seguidores por mês, boa parte deles de heterônimos das mesmas pessoas.

Brega-popularesco - Pois é. Não dá para lotar final de Copa do Mundo. Mas a mentira foi aí, acho que pelo menos a visibilidade garantiu o sucesso da mentira.

Grande mídia - É, mas gostaria que tivéssemos um tucano no poder, para podermos voltar aos tempos felizes quando mídia, política e entretenimento andavam pelo mesmo lado.

Brega-popularesco - Estou cansado de pedir apoio da esquerda. Só uns políticos fisiológicos e uns intelectuais de visão etnocêntrica, bem Avenida Paulista mesmo, conseguem me dar apoio. Têm visibilidade, mas já começam a ser desmascarados.

Grande mídia - Até eles. Por enquanto, eles têm a plateia animada ao seu lado.

Brega-popularesco - E se não tiver? José Serra também foi um Deus há uns 25 anos atrás.

Grande mídia - Tudo que a gente tem que fazer agora é chorar.

Brega-popularesco - Para mim não é problema. Tenho a música sertaneja e o pagode romântico para derramar lágrimas.

Grande mídia - A gente se vê depois do fim da tempestade. Beijos.

Brega-popularesco - Beijos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

NA BUSOLOGIA DIREITISTA, HÁ MAIS GENTE!!





A busologia de direita ainda mostra mais políticos comprometidos com o projeto tecnocrático de transporte coletivo, sempre agindo contra os interesses do povo e mais favoráveis aos interesses de grupos empresariais mais poderosos (embora tentem provar o contrário).

CÉSAR MAIA - Tentou a uniformização visual dos ônibus, no início dos anos 90. Foi comunista há muito, muito tempo, mas hoje está bem situado na direita e ainda tem filho mais reacionário ainda, Rodrigo Maia. Mas ambos são demotucanos de carteirinha do mesmo jeito.

LUIZ PAULO CONDE - Ligado a César Maia, ele tentou um projeto de "curitibanização" dos ônibus cariocas em 1998, o "Rio Bus", planejado pelos tecnocratas do COPPE da UFRJ. O projeto era tão antipopular - acabaria, por exemplo, com as linhas de ligação Zona Norte e Zona Sul, obrigando uma baldeação que não traria conforto para os passageiros, apesar da passagem única em várias delas - que os técnicos do COPPE foram chamados de INCOPPETENTES. O projeto não saiu do papel, mas os tecnocratas ainda reclamaram, arrogantes, achando que o projeto "era perfeito".

CIRO GOMES - Tucano enrustido, apesar de estar filiado ao PSB, é tão "esquerdista" quanto o Fernando Gabeira de hoje. Ou seja, seu espírito direitista não consegue enganar sequer os politicamente mais desavisados. Implantou o regime tecnocrático nos ônibus de Fortaleza, incluindo uniformização visual.

Ah, mas o pessoal busólogo nem deve saber, mas sabe quem é que também está no lado deles, tendo defendido a tecnocracia busóloga e a uniformização visual dos ônibus?

JOSÉ SERRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

VERUSKA DONATO



E aí, Priscila Pires, vai encarar fazer uma reportagem dessas, sobre a Bienal de Arte Moderna, e sem pronunciar as enjoadíssimas palavras "galera" e "balada" que são mais ao gosto das patricinhas que só vivem mascando chiclete de bola?

Veruska Donato é uma das gatas mais quentes do telejornalismo. Sei que trabalha na Rede Globo, mas ela demonstra ser inteligente e bacana para adotar uma postura independente, mesmo numa mídia conservadora. Além disso, ela é extremamente bela, mulher de todos os sonhos.

JORNALISTAS DE DIREITA MANEIRAM NO SEU TRABALHO



Da mesma forma que certos animais selvagens, em alguns momentos, parecem quase tão dóceis quanto animais domésticos, certos figurões da grande mídia às vezes até parecem admiráveis em raros momentos em que não compactuam com o establishment da política e do entretenimento do PiG.

Arnaldo Jabor, o mau humorado cronista da mídia golpista, volta aos seus bons tempos de cineasta com o filme A Suprema Felicidade, lançado esta semana, com um elenco que vai desde Jaime Matarazzo (o jovem fantasma da novela Escrito Nas Estrelas, que termina hoje) até Marco Nanini. Pela sinopse do filme, deve ser um trabalho delicioso, e há quem diga que o filme é uma espécie de equivalente de Jabor ao Amarcord de Federico Fellini. Enfim, o cineasta Arnaldo Jabor se sobressai ao decadente colunista de comentários ranzinzas que ele se tornou hoje.

Pedro Alexandre Sanches, que, apesar de publicar coluna em Caros Amigos, é cria da Folha de São Paulo, também deu folga na sua propaganda ao brega-popularesco, seja pelos comentários exaltados sobre o tecnobrega, seja no desejo de ver os astros da mídia gorda Fábio Jr., Calcinha Preta e Parangolé "reconhecidos artisticamente" pela MPB, Na coluna Paçoca deste mês, Sanches escreve sobre o que ele realmente entende, de música moderna urbana brasileira, e, embora o título "Música para Crianças" pareça assustador, felizmente não há citações de Xuxa e derivados, e Sanches apenas fala de Pato Fu e da MPB para crianças (Saltimbancos e Arca de Noé). Pelo menos aqui o jornalista não apela pelo pretensiosismo de bancar o juiz da cultura da periferia.

Enfim, às vezes a calmaria atinge até mesmo as bancadas da mídia grande.

PADRONIZAÇÃO VISUAL DOS ÔNIBUS: PROJETO VINCULADO À DIREITA POLÍTICA


A DIREITA BOTA FARDA NOS ÔNIBUS - Indo para a direita, acima e abaixo, Jaime Lerner (PR), Olavo Setúbal (SP), Francelino Pereira (MG), Marcos Medrado (BA), José Roberto Arruda (DF) e Eduardo Paes (RJ).

Historicamente, a padronização visual dos ônibus e todo um conjunto de medidas que envolve diminuição de frotas de ônibus em circulação, sistema de pool, consórcios e outros paliativos, está sempre associada a contextos políticos de direita, voltados aos interesses conservadores e contrários à vontade do povo.

Sabemos que o transporte coletivo de Curitiba, tão tido como "moderno" e "futurista", foi adotado durante o auge da ditadura militar, em 1974, implantado pelo prefeito "biônico" Jaime Lerner, filiado pela ARENA.

Mas de um modo ou de outro, a implantação dessas medidas, dentro de uma suposta racionalidade relativa ao transporte coletivo, sempre se relaciona com grupos políticos conservadores, tradicionalmente vinculados à direita, por mais que Jaime Lerner e o ex-secretário de transporte de Salvador, Marcos Medrado, se escondam, com cínico oportunismo, em partidos de centro-esquerda.

Aqui vamos listar os figurões das fotos mostradas no topo deste tópico:

JAIME LERNER - Considerado o maior tecnocrata do transporte coletivo, hoje trabalha como consultor. Pioneiro na adoção de medidas paliativas, com uma modernidade de fachada, que adaptam o sistema de ônibus a conceitos e procedimentos neoliberais. Virou símbolo de uma mentalidade falsamente progressista relacionada ao transporte coletivo, defendendo um modelo tecnocrático que, na teoria, soa perfeito, mas que já começa a mostrar seu dramático desgaste já na sua cidade de origem, Curitiba, capital do Paraná, onde o projeto de Lerner foi implantado em 1974. Historicamente filiado à ARENA, Lerner tentou uma passagem no PDT, depois voltou à direita pelo DEM e hoje está no PSB, partido que hoje mais parece um engodo ideológico situado entre o PMDB e o PPS.

OLAVO SETÚBAL - Banqueiro dono do Itaú, falecido há dois anos, Setúbal foi historicamente ligado à ARENA e ao hoje demotucano Paulo Egydio Martins, ex-governador de São Paulo, político conservador paulista que conseguiu desviar a União Nacional dos Estudantes para a direita, em 1951. Egydio, que também foi ministro da ditadura militar, o indicou para ser prefeito da capital paulista. No cargo, Setúbal implantou o padrão atual de transporte coletivo de São Paulo, baseado na uniformização visual, nos consórcios e no método tecnocrático de gerenciamento do sistema pelo Estado, com investimentos da iniciativa privada.

FRANCELINO PEREIRA - Ligado à ARENA e hoje no DEM, ele foi governador de Minas Gerais quando surgiu o Metrobel (atual BHTrans), que adotou a metodologia tecnocrática do transporte coletivo da Grande Belo Horizonte, nos anos 80.

MARCOS MEDRADO - Um dos afilhados políticos de Antônio Carlos Magalhães, Marcos Medrado é uma das figuras do conservadorismo político de Salvador, Bahia. Figura da direita política brasileira,foi presidente regional do PDC, mantendo-se no cargo depois da fusão do partido com o PDS malufista, virando PPB (atual PP). Como secretário de Transportes de Antônio Imbassahy (então também ligado ao carlismo baiano), Marcos Medrado reimplantou o esquema de pool nos ônibus (que tinha sido dissolvido pela prefeita Lídice da Mata, na gestão anterior), fortaleceu a corrupta medida das "frotas reguladoras", diminuiu as frotas em circulação, agrupou empresas em consórcios e bagunçou a distribuição de linhas nos bairros, sem critérios definidos de área. Além disso, permitiu a "padronização" de visual branco-básico da maioria das empresas de ônibus. Marcos Medrado está filiado ao PDT porque seu grupo político de dissidentes carlistas migrou para o partido, quando o atual prefeito João Henrique, ainda na sua primeira gestão e hoje no PMDB, estava então filiado.

JOSÉ ROBERTO ARRUDA - Quando assumiu o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda retomou a uniformização visual dos ônibus, que começava a ser dissolvida por algumas empresas de Brasília. Então filiado ao DEM, José Roberto Arruda, que é ligado a Joaquim Roriz, tradicional figura da direita política brasiliense, espécie de versão candango de Paulo Maluf, foi personagem de destaque no noticiário nacional por conta do esquema de corrupção montado por ele e que se tornou conhecido como "mensalão do DEM". O escândalo custou seu cargo político. Arruda chegou a ser preso, mas foi beneficiado pelo habeas corpus que garante a impunidade dos ricos e poderosos.

EDUARDO PAES - Afilhado político de César Maia - ex-comunista há muito integrado à direita política carioca - , Eduardo Paes integra a ala ultraconservadora do PMDB. Como subprefeito da Barra da Tijuca, realizou medidas anti-populares, sempre a favor dos interesses das classes mais ricas. Passou por outros partidos e sua candidatura à prefeitura do Rio de Janeiro, seu atual cargo, teve o apoio de vários políticos do DEM, apesar do rompimento com seu padrinho político. Estabeleceu, recentemente, conchavos com dirigentes olímpicos, fazendo o lobby para que o Rio de Janeiro, mesmo sem condições reais de realização, fosse escolhido sede das Olimpíadas de 2016. Recentemente, Eduardo Paes decidiu implantar outras medidas impopulares, como o fechamento de um longo trecho da Av. Rio Branco (claramente de acordo com os interesses das classes ricas e conservadoras), que pode provocar violentos engarrafamentos na cidade, e a padronização visual do sistema de ônibus carioca, que irá confundir os passageiros, principalmente nas classes populares. Seu atual padrinho, Sérgio Cabral, tem afinidades na postura conservadora e anti-popular.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NEM ÁLVARO DIAS AGUENTA MAIS JOSÉ SERRA



Quem diria. A arrogância de José Serra, que já causa descontentamento em Aécio Neves, causa incômodo em Tasso Jereissati e causa mal-estar em Álvaro Dias.

O tucanato já não está tão unido como antes. Num tempo em que até a "cultura" brega-popularesca que rola na maioria das rádios de nosso país está evitando, com medo, a grande mídia, mesmo com suas associações mais do que evidentes (o Domingão do Faustão não está aí para mentir), o demotucanato anda perdendo a cabeça com a continuidade da baixa reputação de José Serra nas pesquisas de intenção de voto.

E, enquanto a pauta demotucana mais recente é o apelo às religiões tradicionalistas para agirem em socorro a José Serra - lembrando os velhos "rosários" do padre Patrick Peyton que animaram a "ecumênica" Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, no Vale do Anhangabaú, em Sampa, em 19 de março de 1964 - , sobretudo através do presidente do (ironia!) PTB, Roberto Jefferson (sim, o PTB hoje é demotucano, o partido que um dia foi presidido por João Goulart que chefiava o Executivo naquele mesmo 64).

Ah, e há também a choradeira dos barões e dos viscondes da grande mídia no Clube Militar, revivendo o que seus papais e vovôs passaram nos idos de março de 1964.

Voltando a Álvaro Dias, ele afirmou que o PSDB paranaense abandonou José Serra e que ele decidiu seguir a solidariedade familiar e apoiar a candidatura, para o governo do Paraná, do irmão Osmar Dias, que é do PDT e integra a chapa de apoio da petista Dilma Rousseff.

Álvaro, no entanto, não parece ter revisto sua posição radicalmente anti-petista de antes. Mas sua mágoa com José Serra mostra o quanto a dupla PSDB/DEM irá enfrentar na sua grave crise.

A ÚLTIMA LUTA CONTRA A DITADURA



Este é o palco do seminário Arte e Vanguarda na internet - Blogosfera: A Imprensa Alternativa do Século 21@, no Centro Cultural Banco do Brasil.



Esta, a plateia do seminário. Fotos de autoria de Bruno Monteiro.

No detalhe da foto da plateia, o rapazote de óculos e camisa de gola verde é o responsável por este blog.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este manifesto foi distribuído pelo pessoal do movimento Rio Blog Prog, na noite de anteontem, no Centro Cultural Banco do Brasil, no evento que contou com a participação de Luiz Carlos Azenha e Mauro Santayana, e que teve a presença de um nerd meio esquisito de camisa de gola verde com listas. Esse era eu.

O seminário foi bem bacana e muito esclarecedor. E mostra o quanto Luiz Carlos Azenha e seus amigos do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé se tornaram a bússola e o farol da moderna blogosfera brasileira.

O manifesto, mesmo impresso, também é disponível na Internet, no próprio Óleo do Diabo, blog do referido autor, Miguel do Rosário (o sobrenome, obviamente, não tem relação alguma com os rosários do Padre Peyton tão queridos do PiG nos anos 60).

A última luta contra a ditadura

Por Miguel do Rosário - Blog Óleo do Diabo

A julgar pelos editoriais, a imprensa brasileira se acha uma vítima trêmula e indefesa, pronta para ser devorada pelo bicho papão totalitário. Claro que há o constrangimento de ter apoiado a ditadura, contra o mesmo bicho papão, mas se ele (o papão) não existia antes e mesmo assim justificou-se um golpe de Estado, não é tão difícil inventar novamente o mesmo inimigo; dessa vez não exatamente para dar um golpe, mas algo mais fácil, como queimar um candidato e eleger outro. Considerando que esses jornais transformaram-se em poderosos conglomerados econômicos à sombra do regime militar, pode-se especular que nossa batalha contra os desmandos desses grupos consiste na última luta dos brasileiros contra o fascismo que pendurou nossa liberdade e nossas esperanças, por vinte longos anos, num pau de arara.

Como empresas privadas, os jornais têm liberdade para defender ou atacar seja quem for, mas a Constituição ficaria grata se evitassem desrespeitar o direito dos indivíduos à honra e à privacidade e, sobretudo, se se esforçassem em conter seus ódios pessoais e tratassem as instituições democráticas e seus representantes com um mínimo de decoro e respeito. Não pedimos isenção. Ao contrário, pedimos honestidade em declarar sua preferência partidária, como fazem os jornais norte-americanos, o que ajudaria os leitores a separar notícia de opinião e entender melhor o que estão lendo.

Conhecemos a imprensa de outros países e francamente não observamos em lugar nenhum do mundo (com exceção dos EUA, onde imprensa deixa bem claro de que lado está) um engajamento partidário tão enlouquecido e agressivo como vemos no Brasil.

A imprensa de fato tornou-se um quarto poder, mas à diferença dos outros poderes, goza de uma liberdade quase selvagem. Pode incentivar as pessoas a tomarem remédios que não precisam, espalhar informações falsas sobre partidos, destruir a reputação de inocentes, pressionar juízes a emitir ordens de prisão (ou de habeas corpus), desestabilizar governos… E quando setores da sociedade, como as associações de medicina, por exemplo, iniciam debates para criar leis que regulamentem o uso de informações sobre saúde, os grupos de mídia não apenas se recusam a dialogar como lançam pesadas acusações contra os que desejam o debate. Eles se pretendem intocáveis. A liberdade de imprensa converte-se, portanto, em objeto de luxo de uso exclusivo de meia dúzia de proprietários de jornais e tv.

Não temos ilusão quanto aos defeitos de nossa classe política e seus representantes, mas também não nos iludimos quanto à perseguição seletiva praticada por uma imprensa desde sempre identificada com ideais conservadores – e portanto com os partidos afinados com esses ideais.

Protestamos, em suma, contra hábitos sinistros que estão se arraigando em nossa imprensa, como fazer acusações sem provas e prejulgar pessoas e instituições de maneira açodada, desrespeitando o princípio da presunção da inocência. Com seu poder, a mídia consegue intimidar inclusive juízes, produzindo outra aberração contra a democracia, que é obstruir o direito de todo cidadão ou empresa de ter um julgamento isento e livre, longe das paixões políticas.



Protestamos, principalmente, contra a tentativa de interferir no processo eleitoral, através da criação de factóides que vão parar diretamente, às vezes no mesmo dia, na página de alguns candidatos. Denúncias devem ser feitas, claro, mas embasadas num mínimo de provas e fundamentos lógicos. Os escândalos que pipocam não nascem da intenção louvável de aprimorar o funcionamento da máquina pública, e sim do desejo mal disfarçado de produzir estragos políticos no adversário da vez.



Enfim, quando vemos a mídia engajada em campanhas partidárias, e ainda lançando suspeitas de que há forças querendo censurá-la ou silenciá-la (o que é mentira); e, para culminar, participando de seminários no Clube Militar, como o que deverá acontecer dia 23 de setembro deste ano, intitulado “Democracia Ameaçada”, muitos cidadãos começam a se questionar, preocupados, se haveria alguém imaginando um golpe, seja um violento, com uso de armas, seja um “pacífico”, como fizeram em Honduras no ano passado, onde o presidente eleito, após decisão do Supremo Tribunal Federal (convertido assim num poder quase monárquico, acima da soberania popular), foi preso pelo exército e conduzido para fora do país. Todos, incluindo o golpe contra Chávez, em 2002, tem algo em comum: a cumplicidade entre oposição conservadora e corporações midiáticas.

Falamos apenas dos jornais. Quanto à mídia televisiva, os fatos são muito mais graves, porque são concessionárias de serviço público, e há leis que proibem a veiculação de material entendido como propaganda partidária.

Quando chamamos a imprensa de golpista, portanto, referimo-nos não só a seu papel fundamental na preparação do golpe de 64 e na consolidação política do regime militar, como também no esforço constante, até hoje, para derrubar ou eleger governantes a partir de artifícios nada éticos de manipulação da notícia.

Reiteramos nosso apreço pela liberdade de imprensa e de expressão, mas observamos que estas liberdades não são direitos exclusivos dos donos de jornal: elas também valem para o leitor, que não deve ser enganado; e para o jornalista, que deve ter direito a trabalhar sem se submeter aos caprichos ideológicos do patrão.

Por fim, convidamos a todos a se libertarem do vício triste de pensar com a cabeça alheia, e a conhecerem a blogosfera política, onde se trata a informação com muito mais profundidade: ela é verificada, checada, conferida novamente, revirada de todos os lados, discutida, rechaçada, e de novo aceita; e onde, principalmente, respeita-se a inteligência do leitor e procura-se fazer com que ele a use efetivamente, pensando politicamente por si mesmo.

Somos os representantes da edição fluminense de uma articulação nacional, os Blogueiros Progressistas, ou seja, de esquerda, e nossa luta mais importante, nas últimas semanas, tem sido desmontar as manipulações midiáticas que visam confundir e influenciar o eleitorado, deturpando a vontade popular.

Data: 23 de setembro, 19 horas

Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).

Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, FS, CTB, CGTB, MST e UNE e de blogueiros progressistas.