segunda-feira, 9 de agosto de 2010

NÃO FAZ SENTIDO APOIAR O BREGA-POPULARESCO E ATACAR A GRANDE MÍDIA


CALCINHA PRETA NA REDE GLOBO - Só os "caros amigos" não veem.

Nos últimos anos um tipo de hipocrisia continua prevalecendo em nosso país. É o de intelectuais, jornalistas e outros que se simpatizam com a música brega-popularesca falarem mal da grande mídia, ou mesmo insistirem na absurda tese de que ela não tem acesso algum na mídia, chegando reagir com irritação quando lhe alertamos o contrário.

Pois a música brega-popularesca é essa "música popular" de mercado, caricata, apátrida e domesticada, que faz muito sucesso nas rádios que lideramo ranking do Ibope. E aparecem com muita facilidade nos principais programas da TV aberta, nas revistas de entretenimento com maior tiragem e lotam plateias com muita facilidade.

Como é que então essa música está "sem qualquer acesso na grande mídia"? Em que planeta vive essa intelectualidade, que se gaba em ser "de esquerda" mas avalia a cultura popular brasileira da mesma forma que os produtores da Rede Globo de Televisão?

Já vimos o caso de Eugênio Raggi, elogiando os ídolos brega-popularescos que apareciam no Domingão do Faustão para depois "malhar" a Rede Globo. Mas parece que, veiculadas as broncas deste blog (e na sua versão no Twitter), Raggi se envergonhou e hoje até participa de fóruns de programas esportivos da emissora dos Marinho.

Há tantos outros casos, que se tornam até risíveis. Da blogosfera ao Orkut. Gente que diz que a Rede Globo "aliena e manipula", mas fala de Calcinha Preta e Banda Calypso como se fossem produtores do TV Xuxa. Isso sem falar do caso da moda, o de Pedro Alexandre Sanches com sua interpretação neoliberal (sim, isso mesmo: neoliberal) da Música Popular Brasileira, contrastando com os enfoques políticos da revista esquerdista Caros Amigos.

Realmente não faz sentido algum essas pessoas elogiarem as tendências brega-popularescas e depois baixarem a lenha na grande mídia, ou dizer que o brega-popularesco - que eles entendem não como esse nome, mas como a "verdadeira (sic) MPB" dos lotadores de plateias - não conta com espaço algum na mídia. Alguém por acaso viu a lista das mais tocadas das rádios, segundo os índices de pesquisa? Alguém viu os CDs mais vendidos nas lojas?

Se observarmos TODAS as tendências da música brega-popularesca, ela sempre floresceu com o apoio da mídia. O problema é que o mercado é concorrido e apertado, não tem lugar para todo mundo nem para todos os ritmos ao mesmo tempo. Daí para surgir malandros que fazem o ritmo do momento mas, por não terem conseguido fazer sucesso, dizem que "não tem espaço na mídia", é cair no ridículo.

Pois a música brega-popularesca, do vovô Waldick Soriano aos netinhos MC Créu e Gaby Amarantos, sempre esteve no mainstream da mídia, mesmo se ela for apenas a regional. Sempre estiveram no establishment, sempre compactuaram com o "sistema", sempre sonharam com a grande mídia, sua filosofia de trabalho, produção, divulgação etc, sempre é de acordo com a grande mídia. E vendo o máximo de legitimidade a Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de São Paulo e o resto do baronato nacional ou regional da grande mídia.

Tudo isso sem falar que as elites conservadoras regionais sempre apoiaram de alguma forma as tendências brega-popularescas. Se certos ídolos não aparecem na grande mídia, é porque a concorrência está apertada, não tem lugar para todo mundo, ou então porque esses ídolos estão no comecinho da carreira.

Além disso, NUNCA devemos nos esquecer que o sucesso dos ritmos brega-popularescos cresceu vertiginosamente graças à aliança de Antônio Carlos Magalhães e José Sarney na concessão de rádios para grupos políticos. A maioria das "rádios mais populares" de hoje é consequente dessa politicagem. E se tem até deputado estadual controlando rádio comunitária, como é que o pessoal vai falar de "anti-mídia" ou "mídia alternativa", quando o negócio é brega-popularesco.

Até Gaby Amarantos tem uma formação sócio-cultural que inclui Rede Globo, Xuxa, rádios politiqueiras. Por isso é que ela, na verdade, é um produto em conformidade com os interesses da grande mídia, não o contrário.

Por isso, quem acha que essa suposta "música popular" não está na grande mídia, deveria lavar a boca com sabão, daquele amarelo, de lavar roupa, que dá um gosto bem amargo na boca.

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