sexta-feira, 27 de agosto de 2010

LÚCIO FLÁVIO PINTO ATACA O TECNOBREGA


GABY AMARANTOS NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO - Tecnobrega ingressa na mídia golpista pela porta da frente.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Mais goteira na Casa Amarela, encharcando a paçoca folhista de Pedro Alexandre Sanches. E susto nos blogueiros pseudo-esquerdistas que acham que o tecnobrega é a "revolta popular das periferias". A cada vez mais o tecnobrega se mostra tão ligado ao poderio da grande mídia, entrando fácil nos espaços da mídia golpista, seja na Rede Globo, na revista Época e na Folha de São Paulo, enquanto o poderio das "aparelhagens" desmente qualquer tese delirante de que o ritmo brega-popularesco está desvinculado a esquemas de poder midiático.

Pois Lúcio Flávio Pinto, que divulgou uma carta denunciando o poderio da mídia paraense (que segue invisível aos olhos de pretensos "caros amigos" que se infiltram na Casa Amarela), através das perseguições que ele sofre dos barões locais de O Liberal, maior jornal paraense, escreveu um texto lúcido contra o tecnobrega, enquanto os defensores ainda ficam fazendo um mesmo discurso publicitário que acreditam vingar na mídia de esquerda, mesmo estranhamente assimilada pela mídia golpista.

Reproduzimos o texto do portal Troppos que inclui o texto do jornalista do Jornal Pessoal (corajoso veículo de oposição paraense), e também o comentário que o blogueiro do portal fez em relação ao texto de Lúcio.

Tecnobrega: lixo em forma de música

Do portal Troppos - inclui texto de Lúcio Flávio Pinto do Jornal Pessoal - janeiro de 2009.

Já houve criação humana mais horrorosa em matéria de música do que o tecnobrega? Eu não conheço. A rigor, esse gênero nem pode ser enquadrado na condição de música. Não tem harmonia nem melodia. O ritmo é tão pobre quanto o de um bate-estaca. Uma voz esganiçada geme como se tivesse dado uma topada. Uma voz eletrônica interrompe o – digamos assim – cantante para anunciar qualquer coisa. Ao fundo, um ruído eletrônico remete o ouvinte à cacofonia do inferno. Quem submete seu ouvido a essa monocórdia repetição de um cantochão primal jamais virá a saber o que é música.

Servir de cenário para o surgimento dessa monstruosidade antimusical não consagra de vez o Pará como a terra do barulho e Belém como a sua lídima capital? De fato, o paraense tem uma propensão natural para ouvir música, cantar e dançar. A vertente verdadeiramente musical dessa tradição fecundou compositores, músicos e cantores em atividade como Nilson Chaves, Vital Lima, Alcyr Guimarães, Sebastião Tapajós, Nego Nelson, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Andréa Pinheiro e muitos outros.

Mas outra vertente foi progressivamente empobrecendo uma matriz que já era limitada. A música paraense de raiz é monótona, repetitiva, dominada pela marcação do ritmo, que cada vez mais sufoca as outras partes (mais relevantes) da composição. Ouve-se com deleite três números de carimbó. A partir daí, a exaustão vem rápido. Um disco inteiro de carimbó demarca na audição a exigência de quem ouve. Uma festa só de brega é passaporte para o rebaixamento do gosto. Uma única música de tecnnobrega é tortura auditiva. Com o som estourando o registro dos decibéis, é poluição humana certa.

A cidade é tomada todos os dias e inundada nos fins de semana por essa agressão de barulho, que também dá sua contribuição à violência geral. Contando, para a consumação do crime, com o disfarce da cultura popular. A tolerância geral para esse tipo de maneirismo não minimiza a gravidade da agressão. Só a torna menos perceptível. E, justamente por isso, mais letal. Corrói aos poucos, aniquila a sensibilidade, deforma o gosto.

Lúcio Flávio Pinto [Jornal Pessoal - janeiro de 2009]

Não só concordo com o Lúcio, como também acrescento outros argumentos que sustentam a tese de que tecnobrega é um lixo. Ultimamente a criatividade dos “compositores” ou “plagiadores” está em declínio. Se antes tínhamos as letras sem sentido, agora temos letras de músicas de outros estilos, como forró, sertanejo, rock e até música gospel. Fazer versões de música gospel é um verdadeiro sacrilégio para alguns, imagine uma música que fala de Jesus tocando em um ambiente onde as pessoas consomem bebidas alcóolicas e até drogas ilícitas. É uma confusão de valores. Além de copiarem a música na íntegra, ainda desvirtuam a mensagem.

A maioria das festas de tecnobrega ocorrem na periferia da cidade e abusam do volume, além de atrair mais violência, já que é comum alguns “frequentadores” delinquentes roubarem para consumir os “baldes” de cerveja, não é a toa que os crimes aumentam justamente nos finais de semana. Assim como ocorre nas favelas cariocas, os traficantes também atuam na contratação dessas festas, uma forma de lavar dinheiro “sujo” e também como co-patrocinadores para impulsionar a venda de entorpecentes aos viciados que vão a esse tipo de festa.

Em Belém houve uma tentativa de atrair um público diferenciado para as aparelhagens, o público da classe média, que consome muito e gera bastante lucro para os empresários da noite, mas a moda não pegou, já que o tecnobrega é estigmatizado. Basta sair a noite e ver quantos lugares frequentados pelos “baladeiros” tocam brega: nenhum!

Na música brasileira e mundial há muita porcaria, cabe a nós colocarmos um filtro em nossos ouvidos e selecionar o que é e o que não é música de verdade.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Se o tecnobrega entrar em decadência já em 2015, será que Edson Cordeiro vai voltar a fazer sucesso ou o projeto MPB Nas Escolas já vai ter avançado (e muito)?