terça-feira, 31 de agosto de 2010

INTERNAUTAS DO R7 DÃO RECADO A EDUARDO MENGA



Repaginar é bom. O que é um homem de 57 anos ouvindo rock nacional, fazendo lipo no abdome, usando tênis e camisetas, fazendo zoeira com rapazes da idade de sua jovem esposa, dando gargalhadas nos momentos de lazer? Um crianção? Errado. Trata-se de um homem que não tem medo de viver.

Em 1968, Eduardo Menga era um adolescente de 15 anos quando titios como Abbie Hoffman, nos EUA, e Ezequiel Neves, no Brasil, não tinham medo de terem um espírito jovem. A máxima entre os jovens de então era a imaginação do poder, o ideal do Poder Jovem.

Lulu Santos também era um garotão de 15 anos, mas ele não é o tipo que espera que um Gabriel O Pensador lhe chame pelo vocativo de "senhor" para fazer uma parceria. Pelo contrário, os dois se entrosam como se fossem ainda dois colegas calouros da faculdade. E Serginho Groisman, em 1968, já havia entrado na maioridade. Não podia votar (vivíamos na ditadura militar), mas podia assumir certas responsabilidades na vida.

As coisas mudaram e, se a Contracultura não conseguiu transformar o mundo numa Woodstock Nation, pelo menos provocou vários abalos no modo de vida do homem adulto. Hoje não dá mais para pensar o homem de 40 ou 50 anos como há 40 ou 35 anos atrás (nos anos 70 a burguesia ainda resistia com sua caretice), aquele homem taciturno, sisudo, apegado a formalidades, obrigações e regras de etiqueta ou elegância rijas.

A votação dos internautas do R7 elegeu Bianca Rinaldi como atriz mais bela. Como ator mais belo, elegeram Reinaldo Giannechini. A edição do portal R7, aqui reproduzida, colocou lado a lado Bianca e Reinaldo, algo que poderia constranger o citado marido de Bianca, também pai de Vanessa Menga e outros trintões, além de duas gêmeas da relação atual.

Serginho Groisman, Carlos Alberto Riccelli (galã injustiçado, espécie de Giannechini dos anos 70, é surpreendentemente jovial aos 64 anos!), Kid Vinil, Lulu Santos, Evandro Mesquita e outros alertam para a gravidade da situação em que uma geração de empresários e profissionais liberais sisudos, nascidos entre 1950 e 1955, estão vivendo.

Estes, isolados num padrão de sisudez que eles entendem, erroneamente, como "comportamento maduro e sofisticado", a cada dia veem o fracasso desse padrão de vida, temperado por eventos formais e pelo uso de sapatos que lhes dõem nos pés mas aconchegam o ego nostálgico de antigas elegâncias, por uma personalidade que se estressa nas horas de lazer porque é apegada ao rigor das normas sociais mais caretas, moralistas e paranoicamente "profissionais". Nem a recente moda das camisas abotoadas para fora e do uso de calças jeans para "quebrar" a formalidade dos ternos consegue dar resultado, diante da obsessão, ainda, da elegância forçada e sisuda e do uso dos desconfortáveis e sem graça sapatos de couro ou de verniz.

Envergonhados, uns até fogem das colunas sociais, antes suas maiores vitrines midiáticas, em vez de se adaptarem para os novos tempos. A vida grita para eles só que eles, aos 50 e tantos anos, acham que não podem sofrer pressões na vida. Mas sofrem e sofrerão em dobro, sobretudo quando estão casados com moças bem mais jovens, o que exige a eles responsabilidades sociais que o padrão conservador de cinquentões não oferece. Mas que a realidade torna a cada dia muito, mas muito mais urgente.

Afinal, há mais de 50 anos, Norman Mailer havia escrito The White Negro, que fazia sérias críticas ao perfil submisso, careta e forçado do homem, que o autor batizou de square. Almir Ghiaroni, sisudo oftalmologista carioca e aspirante a romancista, afirmou ter lido Mailer, sem se dar conta que ele se enquadra perfeitamente no perfil square descrito pelo autor.

Roberto Justus teve que recorrer a um ex-integrante do Dominó e também publicitário para, pelo menos, se tornar bastante descontraído nos programas de TV. Certamente não tem a desenvoltura da jovialidade natural de Evandro Mesquita e Serginho Groisman, mas isso diz muito de como as pressões sociais agem e continuam agindo na vida.

Ingênuo é quem acredita que as pressões da vida terminam com a meia-idade. Se os presidentes da República, em sua maioria idosos, são os que mais são pressionados pela vida, mais do que qualquer cidadão comum, mesmo jovem.

E também é tolice dizer que o homem cinquentão não pode se tornar jovial pelo pretexto da "ditadura da eterna juventude". O ser humano amadurece e o corpo envelhece, é verdade. Mas a verdade é que é muito mais imaturo um homem de 55 anos querer parecer mais diferente do que ele mesmo era aos 22, como se "ele mesmo" aos 55 e 22 fossem pessoas diferentes e inimigas, do que um homem que permanece com sua personalidade jovial o tempo todo.

Não é à toa que, por mais que Almir Ghiaroni, Eduardo Menga e similares tentem carregar na sua sisudez "adulta" e "madura", Serginho Groisman sempre está na frente deles, seja na idade, seja, em contrapartida, no espírito naturalmente jovem e, por isso mesmo, verdadeiramente maduro.

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