terça-feira, 17 de agosto de 2010

DUAS NOTAS SOBRE O CENTRO HISTÓRICO DE SALVADOR



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Mais uma tragédia aconteceu no Centro Histórico de Salvador (Bahia). Outro casarão no bairro do Comércio, no Centro Histórico, na madrugada chuvosa de hoje (como está chovendo em Salvador!!!!). Quatro pessoas morreram.

Na minha pesquisa sobre o assunto, me deparei com um texto, também de hoje, sobre os estudos para valorização do Centro Histórico na capital baiana, pelo IPHAN.

E eu fui reprovado no concurso do IPHAN, em Salvador, por conta de uma grevezinha de bosta dos bibliotecários da UFBA, que dificultaram a procura da bibliografia indicada. Se eu trabalhasse lá faz tempo, teria mexido com a instituição de forma brilhante. Afinal, preservar o patrimônio não deveria prescindir de intervenções, desde que elas sejam para recuperar o patrimônio histórico.

Não dá para tombar o patrimônio histórico nos dois sentidos, na preservação formal e na destruição material, e meu pai não cansa de dizer que, se for assim, melhor que tudo fosse demolido. Para mim, prefiro a preservação, mas tem que haver obras que restaurem e recuperem prédios históricos em vez de deixá-los à própria sorte.

Nem todo patrimônio histórico é igual ao da Grécia, uma das poucas exceções em que o patrimônio histórico têm seu sentido justamente nas ruínas. Há critérios de intervenção que não comprometem a preservação patrimonial, muito pelo contrário, podem ajudar na sua conservação.

Mas como não fui aprovado naquele concurso do IPHAN de 2005...

Primeiro vamos ao texto da tragédia, depois ao do "estudo".

Desabamento deixa quatro mortos no Comércio

Paula Pitta - A Tarde On Line - Com redação de Euzeni Daltro

Pelo menos quatro pessoas morreram, depois que um casarão desabou na Rua Conselheiro Lafaiete, no Comércio, por volta das 4h desta terça-feira. O imóvel onde as vítimas estavam desabou depois de ser atingindo pelo telhado do casarão vizinho. Equipes do Corpo de Bombeiros, Central das Telecomunicações das Polícias Civil e Militar (Centel) e Defesa Civil estão no local.

Dos quatro mortos, apenas dois foram identificados até agora. Alberto César Santos Silva, de 41 anos, conhecido como Buguela, e Bárbara Jéssica Garcia da Silva, 24 anos. Um homem e uma mulher ainda não foram identificados. O imóvel de quatro cômodos era ocupado por pessoas que trabalhavam com reciclagem. Entre elas, Cícera Patrícia da Silva, que foi retirada dos escombros pelos agentes do Corpo de Bombeiros. Raimundo Souza das Neves de Jesus e Jorge Almeida Santos Castro, que também residiam no imóvel, escaparam sem ferimentos.

O engenheiro da Defesa Civil, Aroaldo Rodrigues ainda não concluiu o laudo sobre o desabamento, mas informou que este, provavelmente, foi causado por construção irregular e falta de conservação.

Sobreviventes – Jorge Almeida Santos Castro lembra que, antes de ir deitar, o amigo Alberto César Santos Silva (Buguela), passou em seu quarto e lhe pediu um cigarro, despedindo-se em seguida. Ele conta que ouviu o estalo do telhado e só deu tempo de abrir a porta e sair, o que não foi conseguido por seu amigo.

O reconhecimento do corpo de Buguela foi feito por Marimar Couto Silva, mãe de três dos cinco filhos deixados por ele e com quem foi casado durante onze anos. Bastante abalada e chorando muito, ela conta que antes o imóvel que desabou era abrigado pela mãe de Buguela. Mas depois da morte dela, e como não tinha onde morar, Buguela passou a residir no imóvel.

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IPHAN analisa projetos de valorização do Centro Histórico

Por Roberto Macedo - Blog Seja Bem Informado

Já estão sendo analisados pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) dois projetos que nasceram nas reuniões que discutem o Centro Histórico, coordenadas pelo vice-prefeito Edvaldo Brito: a reforma do Teatro Gregório de Matos e a acessibilidade no Pelourinho.

Na reunião de ontem (16.08), na Fundação Casa de Jorge Amado, foram apresentadas as perspectivas de como ficarão a fachada do teatro, o calçadão em frente e as ruas do Pelourinho onde serão construídas as trilhas de acesso.

À frente dos projetos está a Fundação Mário Leal Ferreira, (FMLF), ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham), que já fez convênio com a Sucop para a conclusão da reforma do teatro.

Um corredor de vidro transparente ligará a entrada do teatro ao calçadão, respeitando o partido original da arquiteta Lina Bo Bardi, que fez intervenções o prédio, construindo inclusive a famosa escada de madeira.

A calçada terá um novo desenho, unindo o teatro com o Espaço Unibanco e o Espaço Cultural da Barroquinha.

Também está previsto para o local um estacionamento com entrada pela Avenida J. J. Seabra.

Será um prédio de quatro pavimentos com capacidade para 450 vagas, orçado em três milhões de reais. Por enquanto, buscam-se recursos para a construção do estacionamento, inclusive por parcerias.

Vilma Lage, presidente interina da Fundação Mário Leal Ferreira, convidou o vice-prefeito Edvaldo Brito para ver de perto a transformação por que passa o Teatro Gregório de Matos.

“Quando a obra for concluída, será um grande ganho para a cultura baiana e aqui estará um conjunto fabuloso, formado pelo Teatro Gregório de Matos, o Espaço Cultural Unibando e o Espaço Cultural da Barroquinha. E espero ainda poder construir o estacionamento para a obra ficar completa”, conclui Vilma Lage.

O projeto piloto de acessibilidade no Pelourinho vai contemplar as ruas Maciel de Baixo, Maciel de Cima, do Açouguinho e parte da Frei Vicente, além do Largo do Pelourinho.

Nesses endereços serão construídas trilhas a serem utilizadas não somente por portadores de deficiência em cadeiras de rodas, mas também por idosos e carrinhos de bebês.

“Nessas ruas estão localizadas muitas das atrações do Pelourinho, como museus e igrejas. É uma discussão antiga, necessária e segue a tendência mundial, em que cidades históricas estão criando soluções”, informa José Augusto Leal, subprefeito do Pelourinho.

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