segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DEFENSORES DO BREGA-POPULARESCO SÃO NEOLIBERAIS



Não adianta os defensores do brega-popularesco falarem em movimentos sociais, falar em pequenas mídias, se autoproclamarem esquerdistas porque dizem gostar do povo pobre (desde que sob os filtros midiáticos da televisão), porque todos eles, até mesmo o Pedro Alexandre Sanches, colunista (ou COLONISTA?) de Caros Amigos, adotam uma lógica literalmente típica do neoliberalismo.

Querem uma prova?

Vamos lá. A maior argumentação deles sobre a música brega-popularesca - a Música de Cabresto Brasileira - é que ela é a "verdadeira cultura popular" porque lota facilmente plateias de eventos públicos (rodeios, micaretas, "bailes funk") e contribuem para o sucesso de programas de rádio e TV aberta.

O que isso quer dizer? Que o sucesso da música brega-popularesca tem seu valor nos aspectos quantitativos: encher plateias, atrair audiências, faturar dinheiro com facilidade e rapidez.

O que é isso senão uma aplicação da ideia neoliberal de lucro financeiro? Isso é batata!! A "cultura popular" de hoje é vista tão somente em torno dos lotadores de plateias que fazem sucesso em todo o país, seja em caráter nacional ou regional (mas de alguma forma difundidos pela grande mídia golpista, sem que desperte grande desconfiança, a não ser de blogs como este).

A qualidade artística não importa. Não importam mais a força das melodias, a integridade artística, a produção de conhecimento, os valores sócio-culturais. Importa agora é o marketing, os modismos, a badalação da mídia. A "autenticidade" dos ídolos popularescos vêm da exploração "biográfica" em reportagens de TV, jornais, revistas e sites. A qualidade artística é um detalhe, o povo "faz o que sabe fazer", num claro julgamento etnocêntrico.

Hoje o povo pobre não faz mais um baião autêntico, agora faz um engodo que mistura restos de disco music, country e ritmos caribenhos, com som de sanfona gaúcha e bota o rótulo de "forró".

Mas "é que o povo sabe fazer". É "o que a maioria gosta". E essa intelectualidade pró-brega ainda fala mal das antigas madames que condenavam a roda de samba. Não vejo diferença alguma entre a madame que sentia horror às rodas de samba de 100 anos atrás e antropólogos, sociólogos e jornalistas que sentem pavor de ver o povo pobre voltar a produzir baiões autênticos em vez de forró-brega, ou sambas autênticos em vez de sambrega (que é outro engodo, uma imitação barata da soul music dos EUA com instrumentos de samba).

Só que o preconceito de antropólogos, sociólogos e jornalistas, que preferem ver o povo pobre e as periferias em documentários na TV paga do que conhecê-los in loco, vem embalado como uma suposta solidariedade para o povo pobre. E, apesar de reembalado como "pensamento social de esquerda", é caraterizado por preconceitos puramente neoliberais.

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