sábado, 28 de agosto de 2010

CAROS AMIGOS: DESINFORMAÇÃO SOBRE MÚSICA BRASILEIRA É PREOCUPANTE



É preocupante a desinformação que, pela segunda vez, se manifestou sobre a música brasileira nas páginas de Caros Amigos.

Mais preocupante ainda é a omissão dos leitores, e mesmo dos blogueiros que difundem a revista - o que coloca este blog na margem da busca pelo termo "Caros Amigos" no Google - , diante da postura de certos articulistas em prol da música brega-popularesca, tão conhecida pelas suas relações explícitas com o poderio da grande mídia.

O primeiro episódio foi o comentário constrangedor, publicado numa reportagem sobre o "discriminado funk carioca", a respeito do Mr. Catra. Numa declaração arrogante e desinformada, o texto afirmava que o funqueiro "segue invisível às corporações da grande mídia".

Pois, já na época dessa reportagem, no ano passado, Mr. Catra já era quase que um queridinho das Organizações Globo, aparecendo com facilidade no portal Ego, na Quem Acontece, no Multishow e no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

Na edição deste mês (agosto de 2010), Pedro Alexandre Sanches cometeu outra desinformação. No seu texto sobre o documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, Sanches afirmou que os nomes da MPB dos anos 60 hoje se limitam a aparecer na mídia de celebridades e de fofocas (que Sanches credita como se fosse uma só: mas sabemos que, enquanto Contigo é uma revista de fofocas, Caras é uma coluna social em forma de revista, com perfis bem distintos).

Diz Sanches, em seu artigo-reportagem: "(...)os artistas da dita MPB não são mais funcionários assalariados das TVs e não cumprem tabela sorridente como cumpriam então - ou cumprem, mas em veículos de "celebridades" como TV Fama e/ou a revista Caras.

A desinformação do colunista se mostra gritante, uma vez que quem aparece mesmo na TV Fama ou na revista Caras são os medalhões da axé-music, do sambrega e do breganejo, que aparecem no Domingão do Faustão toda semana e recebem tratamento vip em todos os especiais transmitidos pela Rede Globo de Televisão.

Afinal, não são os hoje sumidos ou injustiçados nomes da MPB jovem dos anos 60, hoje idosos, como Edu Lobo, Marília Medalha e Sérgio Ricardo, a aparecer na TV Fama ou nas páginas de Caras. E sim os cantores de "pagode romântico", "música sertaneja", as "divas" da axé-music, que dão as caras em Caras.

Essa é a verdade que certos "caros amigos" se recusam a saber. E que pode deixar em saia justa com a opinião pública um dos mais influentes veículos da imprensa de esquerda do Brasil.

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