quarta-feira, 18 de agosto de 2010

BREGA-POPULARESCO NÃO PODE SE DESVENCILHAR DA GRANDE MÍDIA


FORA DA MÍDIA? - Waldick Soriano ganhando o maior apoio de uma atriz global, Patrícia Pillar. Até o "esquecido" pioneiro dos brega-popularescos tem aval da grande mídia.

A vilã Flora deu um duro golpe na MPB. Patrícia Pillar, atriz global e mulher do tucano "arrependido" Ciro Gomes, dirigiu o tal documentário com Waldick Soriano. E dizem que ele é discriminado pela grande mídia, pode? Nem ele, nem qualquer outro.

O brega-popularesco, nos últimos anos, tenta usar um discurso que tente desvincular essa categoria musical da grande mídia.

Os ídolos bregas e neo-bregas - pode ser até aquele cantor de sambrega que tentou carreira no exterior, ou a "diva" da axé-music que lançou DVD de duetos (inclui o tal cantor sambrega) - , do vovô Waldick aos netinhos MC Créu, Gaby Amarantos e, claro, o Netinho da axé-music e o Netinho de Paula, todos eles de uma forma ou de outra se alimentaram do mercado da grande mídia e do empresariado patrocinador.

Mas os ideólogos do brega-popularesco tentam dizer que os ídolos inexistem para a mídia. Os caras recebem investimentos das oligarquias e do empresariado regional, são divulgados com entusiasmo pela grande mídia.

Grande mídia não só a que tem escritório na Avenida Paulista, é aquela que exerce poder, nem que seja na região metropolitana de Macapá, por exemplo.

Aí os ídolos gravam discos, aparecem na imprensa, fazem o maior sucesso, tornam-se os queridinhos da grande mídia. Mas aí passam uns anos e eles reclamam de barriga cheia, dizendo que sofrem preconceito, que são injustiçados, que estão fora da mídia etc. Ingratos, eles têm milhares de fãs em todo o Brasil, mas se irritam por que uns dois ou três intelectuais (intelectuais de verdade) reprovam o tipo de música que eles cantam.

Queria ver as caras vermelhas de vergonha dos Caros Amigos quando um blog lhes lembrou de que Mr. Catra tem todo o espaço nas Organizações Globo, a corporação das corporações da grande mídia.

Mas o Partido da Intelectualidade Golpista, que finge não estar ligada ao Partido da Imprensa Golpista, não quer saber. Claro, eles não veem TV, mas só veem Internet para pegar carona nos blogs progressistas que eles, no fundo, não apreciam muito a fundo, não.

O Partido da Intelectualidade Golpista, de parte de alguns de seus membros, não se diz de esquerda nem de direita. De outra parte, se diz de esquerda. Ambos os lados mentem.

A história da música brega e de todos os seus derivados - que consiste na música brega-popularesca que pode ser chamada também de Música de Cabresto Brasileira - mostra que seus ídolos sempre contaram com o apoio das elites conservadoras da época, sobretudo em momentos políticos conservadores.

Os primeiros ídolos cafonas fizeram sucesso durante a ditadura militar. E quem divulgava eles eram emissoras de rádio, mesmo as que operam com alto-falantes, cujos donos apoiavam abertamente a ditadura militar.

Diga o estilo de brega-popularesco e verá que ele sempre teve o apoio da grande mídia, das elites dominantes, dos cenários políticos conservadores. Até a axé-music, até o "funk carioca" (FAVELA BASS).

Mas como reclamar de barriga cheia virou moda, então todo mundo faz sucesso, faz fortuna, enche plateias, com todo o apoio da grande mídia, para depois dizerem que nada têm a ver com a grande mídia, que são injustiçados, que são discriminados etc.

E a intelectualidade simpatizante, que nunca viu a periferia senão pela televisão ou, quando muito, por raros passeios turísticos - sempre com um jeitão mal-disfarçado de Justo Veríssimo - , desperdiçando páginas, palavras, arquivos htm e doc, tentando dizer que o brega-popularesco que faz sucesso nas rádios é um "plano secreto de revolta popular". Há como acreditar numa lorota dessas?

A música brega-popularesca não pode se desvencilhar da grande mídia porque foi por esta que a outra fez sucesso. O Domingão do Faustão fez ampliar o raio de alcance desses ídolos popularescos, dessa suposta "canção popular" em seus vários "estilos". Não há como escapar. É como se o filho renegasse a própria mãe que o criou e o fez crescer.

O discurso de que os estilos da música brega-popularesca "não têm espaço na mídia", típico do marketing da rejeição ou da exclusão que o Partido da Intelectualidade Golpista tanto adora trabalhar, vai gerar um efeito negativo até mesmo para os próprios "artistas" de sucesso, como também para a própria intelectualidade que os defende.

A intelectualidade será afetada negativamente porque a cada dia está mais difícil esconder que ela aprecia o lixo cultural popularesco e possui uma visão paternalista da cultura popular, com preconceitos maiores e piores do que aqueles que essa intelectualidade diz combater.

Os ídolos popularescos serão afetados, porque, renegando a grande mídia, renega justamente aqueles que ajudaram no seu sucesso estrondoso. Acabam demonstrando arrogância pelo seu sucesso, ingratidão para a grande mídia e insegurança em não saber dos seus limites ideológicos e culturais.

Afinal, se os ídolos popularescos dependerem da revista Caros Amigos, do PDT, do PSOL, de cientistas sociais ou blogueiros que brincam de espinafrar a grande mídia (mas correm para a sala para ver o Domingão do Faustão com surpreendente tietagem), eles não vão salvar de forma alguma sua reputação.

Também não serão os talifãs que irão salvá-los, até porque estes são os pés-frios dos ídolos popularescos, pois, na medida em que tentam patrulhar quem fala mal desses ídolos, expõem sua irritabilidade fácil que acaba transferindo na má imagem dos ídolos popularescos, que se tornam marcados pelos fãs desequilibrados e esquentadinhos.

Será mais sincero que a música brega-popularesca se assumir como um produto de mídia, que é o que realmente é. E que seu vínculo com a grande mídia se afirma de todas as formas, até mesmo pelos referenciais que ajudaram a formar o perfil desses ídolos.

Essa é a realidade que ninguém pode negar. Essa história de "rebelião popular" não pegou, não.

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