segunda-feira, 9 de agosto de 2010

BOMBA: TV CULTURA VAI CORTAR PROGRAMAS E DEMITIR ATÉ 1.400


JOÃO SAYAD, O ATUAL PRESIDENTE DA TV CULTURA.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: A TV Cultura começou a marcar minha vida quando eu, na minha infância (1972-1975), assistia ao programa Vila Sésamo, feito em parceria com a Rede Globo. A TV Cultura, que curiosamente surgiu há 50 anos como uma emissora dos Diários Associados, foi assumida em 1969 pela Fundação Padre Anchieta (entidade privada sem fins lucrativos), com o compromisso de desenvolver uma programação educativa.

A TV Cultura se empenhou em transmitir cultura e conhecimento, em sua programação. É claro que eventualmente descambou para o popularesco, mas não deu para esquecer um Marcelo Tas constrangido que, no programa Vitrine, apresentava a dupla breganeja Zezé Di Camargo & Luciano. Mas, na maioria das vezes, sempre primou em mostrar valores realmente culturais de nosso país.

Via programas como Metrópole, Vitrine, Musikaos, Jornal da Cultura, X Tudo e Roda Viva, e em tantos momentos pude admirar musas como Lorena Calábria, Maria Cristina Poli e Valéria Grillo. Curiosamente, sempre que posso vejo a nova versão de Vila Sésamo, que não fica a dever à versão que eu vi na minha tenra infância.

Pena que a TV Cultura atravessa uma crise e que isso influirá na programação. Segue aqui o texto do blog de Daniel Castro, descrevendo o triste destino da emissora educativa.

Bomba: TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400

Do Blog de Daniel Castro - Portal R7

Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.

Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.

Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um "pepino", um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.

Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.

O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e mais bem produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

Corte de receitas

A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.

Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.

Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões que ela recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.

Demissões em massa

O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.

Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser "demitidos" a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.

Outro lado

O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.

As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.

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