sábado, 21 de agosto de 2010

BOAZUDAS NÃO ESTIMULAM O DESEJO HUMANO


"CARNE DE RUA" - Boazudas mostram tanto o corpo, por sinal exagerado em busto, glúteos e em grosseiros piercings no umbigo, que não há espaço para o desejo nem prazer humanos.
As boazudas não estimulam o prazer nem o desejo humanos. Só em quem é muito bruto e muito tarado, desses que ejaculam até quando estão nos estádios de futebol no momento do gol, e sentem tesão até em poste, dependendo do contexto.

Mas não estamos falando nessa patota de irracionais, movidas pelo mais baixo instinto animal. Estamos falando de seres humanos, dotados de capacidade de raciocinar. Sim, antes que a juventude reacionária me pergunte "que planeta vc vive? se nóis num somos intelijentes, intão f***u", inteligência é a capacidade de processar e expressar o raciocínio, o que não tem a ver com mandar "abraços pra galera" nem escrever em internetês.

Querendo ser quase filosófico, eu escrevo aqui uma reflexão a respeito do sexo, já influenciado pelo espírito da Contracultura que reencontro no livro Nova Consciência, de 1973, livro de Luiz Carlos Maciel que recomecei a ler.

Tenho uma cópia xerocada do livro inteiro, encadernado em espiral, pois o livro está há muito fora de catálogo e, em se tratando de Luiz Carlos Maciel (ex-editor da revista Rolling Stone fase 1971-1972, ex-Pasquim, diretor teatral, jornalista e pensador da Contracultura), ler seus textos (o livro é uma coletânea do que ele escreveu na imprensa alternativa), é muito gratificante.

Nos tempos da Contracultura, até o sexo era politizado. Influência de Simone de Beauvoir, de Herbert Marcuse, ou mesmo do rock'n'roll e do blues. Ou de Brigitte Bardot, entre outras musas que marcaram os anos 60. Havia a sexualidade da nação Woodstock. E, no Brasil, havia a deliciosa ousadia da saudosa Leila Diniz.

A Contracultura foi um movimento diversificado de rebeldia dos diversos setores da sociedade, entre jovens em geral, entre estudantes, proletários, mulheres, negros e homossexuais, todos, mesmo com suas diferenças, tendo em comum o descontentamento com a caretice da sociedade tecnocrática, que transformava o ser humano num patético cidadão obediente a tudo, apegado à formalidade e às normas de etiqueta, ao conformismo político, ao espírito submisso às instituições.

A sociedade tecnocrática, no Brasil, pelo menos aproveitou o isolamento dos hippies brasileiros pelo AI-5 - foram todos acampar em retiros rurais ou em frequentar locais como a praia de Arembepe, em Camaçari (Bahia) - para resgatar os valores da sociedade adulta, branca, sisuda, tecnocrática e conservadora que, naquela primeira metade dos anos 70, faziam os olhos dos outrora meninos Roberto Justus, Almir Ghiaroni e companhia brilharem. Todos sonhando com um modelo de homem maduro que juntasse num só corpo, blindado de ternos pretos e sapatos de verniz bem engraxados, os trejeitos de Paul Newman, James Stewart e Ricardo Montalban (que tinha uma boa trajetória antes de ser o senhor Hoarke da Ilha da Fantasia).

A Contracultura brasileira foi para o mato, e a garotada hippie achou isso um barato, porque lembrava Woodstock, lembrava Easy Rider, lembrava Crosby Stills & Nash, Mamas & The Papas, Bob Dylan, Rolling Stones em Altamont, vida ao ar livre.

E aí o sexo, que era um instrumento político de contestação do moralismo retrógrado da sociedade puritana, deixou de ser conhecido pelo grande público brasileiro da forma como foi apresentado pela Contracultura, com Simone de Beauvoir, Marcuse, Stones e tudo. Pelo contrário, tornou-se totalmente desconhecido.

O que veio no Brasil como "liberdade sexual" foi a farsa que os barões da grande mídia empurraram para o Brasil, diante da crise sócio-institucional da Era Médici, surpreendida pela Crise do Petróleo do Oriente Médio, que afetou a economia mundial.

Essa "liberdade sexual" nada tinha nem tem a ver com o uso político da liberação sexual, porque não tem a menor consciência política da coisa. É tão somente um desfile de glúteos, palavrões, frases de duplo sentido, que fazem parte de todo um pacote brega-popularesco que a mídia golpista empurrava para transformar o povo pobre, à beira de uma nova revolta lá pelos idos de 1973-1974, numa massa de patéticos domesticados.

É de dar pena que os ideólogos que defendem o brega-popularesco, tão afeitos em procurar cabelo em ovo, tentam nos confundir creditando a "liberdade sexual" de Gretchen, Rita Cadillac e quejandas como se fosse a mesma liberdade sexual de Brigitte Bardot. E servem essa "paçoca" para os caros amigos da esquerda sem despertar desconfiança de que tal manobra pró-brega é do agrado dos justos-veríssimos do Instituto Millenium.

Por isso esses ideólogos só fazem confundir as coisas em vez de esclarecê-las. Claro, porque eles lucram com a gororobização da cultura popular. Misturar alhos com bugalhos, fazer toda uma discurseria na mídia, usar a choradeira do "preconceito" para ludibriar as massas e tudo o mais.

Mas a realidade está acima de pregações persuasivas, que só fazem a ficção ganhar adeptos, mas não a fazem substituir a realidade. Enquanto a imaginação fértil desses "intelectuais de paçoca" tenta dizer que as boazudas estão em alta e que elas representam a ousadia feminista que apavora os moralistas, a realidade, mais nua e crua que qualquer sessão com essas boazudas na Playboy, diz que elas estão em baixa e que não representam ruptura alguma com qualquer status quo midiático, sócio-moralista nem político-econômico.

"PRATO FEITO" - As boazudas perdem totalmente a graça porque parecem "prato feito", mostram tanto o corpo que não permite qualquer expressão do nosso desejo. Por isso elas se tornam desejadas apenas para homens brutos, grosseiros, tarados doentios que ejaculam até quando espirram.

Mas para quem quer expressar o desejo, a emoção, de forma espontânea e gradual, as popozudas são totalmente inúteis. Além do mais, as formas físicas delas são tão exageradas, com seus glúteos enormes e inchados, que até dá nojo ver seus corpos grosseiros que insistem em se exibir feito carne de rua.

Em primeira instância, elas não nos dão chance de trabalhar o desejo sexual espontaneamente, porque elas, ostentando seus corpos a toda hora, tiram todo o caráter de surpresa, de mistério, de segredo a ser revelado. E um dos princípios do prazer está nisso, no jogo de mistério e segredo, que estimula a imaginação, a fantasia, o sonho, o querer gostar, e gostar mesmo.

Em segunda instância, elas reprimem nosso desejo porque são fisicamente grosseiras, exageradas nos glúteos, nos seios e também nos piercings que botam nos umbigos, que só elas acham chiques mas que são bregas e grosseiros. A mulher classuda pode usar piercing, mas ele é mais discreto e usado eventualmente. Piercing não é cadeado de umbigo, e a mulher classuda, na maioria das vezes, prefere deixar o umbigo nu.

As boazudas não nos permitem desenvolver o desejo. Até porque elas, pelo que elas representam de grotesco e vulgar, simplesmente reprimem nosso desejo. Nos fazem fugir delas, rejeitá-las, criticá-las. Mostram tanto seus corpos que enjoam. E não há como considerá-las "feministas", até porque o vazio de personalidade delas não sugere feminismo algum, além de ser evidente que elas, na verdade, estão a serviço do machismo mais rasteiro.

Numa época em que os homens cada vez mais valorizam a mulher pela personalidade, pelo charme, pela discrição, que tenha formosura física sem exageros, que reserve o corpo para ocasiões especiais e contextos discretos de sedução, as boazudas reprimem o desejo humano. O homem quer que a mulher seja discreta e sutil na sedução, que a mulher mostre seu corpo, sim, mas sem a ostentação bruta das supostas "gostosas" que aparecem na mídia.

É por isso que as boazudas andam encalhadas, porque sobram apenas os brutamontes e apenas alguns homens que as admiram, mas poucas os aceitam. Arrogantes, elas não sabem por que estão em baixa, quando o exibicionismo vulgar de seus glúteos e seios siliconados dá o recado. Cada vez mais o machismo enrustido que produz essas boazudas decai, embora insista em dizer que elas estão em alta. Não estão.

A reputação das boazudas murchou faz tempo. Só certos "caros amigos" da "paçoca" e os "egos" inflados da Globo.Com não reconhecem isso.

Um comentário:

M.V "Shogun" disse...

Meu amigo este texto aqui abaixo vai de encontro a tudo que você vem dizendo.

http://thiagomendanha.com.br/2010/08/analise-feminina-sobre-critica-masculina-ao-corpo-de-cleo-pires/

Divirta-se