terça-feira, 31 de agosto de 2010

SESSÃO NINGUÉM MERECE: MULHER CLASSUDA CASADA



Já que o assunto é o fim do Jornal do Brasil, vamos lembrar também de um fato ocorrido há cerca de um ano, mas também causa tristeza em muitos: o casamento da maravilhosíssima jornalista Antônia Leite Barbosa, que escrevia para a revista Domingo JB.

Ninguém merece. Mais uma mulher fascinante casada. E o que sobra, em maioria, são as boazudas e marias-coitadas. Blah!

BIOGRAFIAS DE PRISCILA PIRES (OU ANAMARA, ETC.)?



Mal estar nos bastidores das Organizações Globo. O papel de Erika Mader no seriado Na Lama e Na Fama, do canal Multishow, teria sido copiado da personagem de Deborah Secco para a novela Insensato Coração, da Rede Globo, que irá ao ar em janeiro próximo.

Ambas as personagens são inspiradas em casos de moças ex-integrantes de riélites tipo Big Brother Brasil que tentam a todo custo se manter em evidência na mídia. O autor Gilberto Braga, no entanto, afirmou que vai manter o perfil de Natali, personagem de Deborah.

Mas a gente pergunta se realmente isso é um plágio ou é mera coincidência.

Afinal, é preocupante que personagens que simbolizam o vazio existencial humano, como Priscila Pires e Anamara, que são umas grandes nulidades, se mantenham na mídia de tal forma. Sobretudo Priscila Pires, que se afirma "jornalista", mas nem de longe fez uma atividade parecida com o ramo (e olha que eu disse uma atividade parecida com jornalismo).

Enquanto isso, a "Rosa do comercial da Ford" apareceu em vários comerciais e até no Telecurso 2010, e ninguém se preocupa em divulgar quem é ela e o que mais ela faz como atriz.

INTERNAUTAS DO R7 DÃO RECADO A EDUARDO MENGA



Repaginar é bom. O que é um homem de 57 anos ouvindo rock nacional, fazendo lipo no abdome, usando tênis e camisetas, fazendo zoeira com rapazes da idade de sua jovem esposa, dando gargalhadas nos momentos de lazer? Um crianção? Errado. Trata-se de um homem que não tem medo de viver.

Em 1968, Eduardo Menga era um adolescente de 15 anos quando titios como Abbie Hoffman, nos EUA, e Ezequiel Neves, no Brasil, não tinham medo de terem um espírito jovem. A máxima entre os jovens de então era a imaginação do poder, o ideal do Poder Jovem.

Lulu Santos também era um garotão de 15 anos, mas ele não é o tipo que espera que um Gabriel O Pensador lhe chame pelo vocativo de "senhor" para fazer uma parceria. Pelo contrário, os dois se entrosam como se fossem ainda dois colegas calouros da faculdade. E Serginho Groisman, em 1968, já havia entrado na maioridade. Não podia votar (vivíamos na ditadura militar), mas podia assumir certas responsabilidades na vida.

As coisas mudaram e, se a Contracultura não conseguiu transformar o mundo numa Woodstock Nation, pelo menos provocou vários abalos no modo de vida do homem adulto. Hoje não dá mais para pensar o homem de 40 ou 50 anos como há 40 ou 35 anos atrás (nos anos 70 a burguesia ainda resistia com sua caretice), aquele homem taciturno, sisudo, apegado a formalidades, obrigações e regras de etiqueta ou elegância rijas.

A votação dos internautas do R7 elegeu Bianca Rinaldi como atriz mais bela. Como ator mais belo, elegeram Reinaldo Giannechini. A edição do portal R7, aqui reproduzida, colocou lado a lado Bianca e Reinaldo, algo que poderia constranger o citado marido de Bianca, também pai de Vanessa Menga e outros trintões, além de duas gêmeas da relação atual.

Serginho Groisman, Carlos Alberto Riccelli (galã injustiçado, espécie de Giannechini dos anos 70, é surpreendentemente jovial aos 64 anos!), Kid Vinil, Lulu Santos, Evandro Mesquita e outros alertam para a gravidade da situação em que uma geração de empresários e profissionais liberais sisudos, nascidos entre 1950 e 1955, estão vivendo.

Estes, isolados num padrão de sisudez que eles entendem, erroneamente, como "comportamento maduro e sofisticado", a cada dia veem o fracasso desse padrão de vida, temperado por eventos formais e pelo uso de sapatos que lhes dõem nos pés mas aconchegam o ego nostálgico de antigas elegâncias, por uma personalidade que se estressa nas horas de lazer porque é apegada ao rigor das normas sociais mais caretas, moralistas e paranoicamente "profissionais". Nem a recente moda das camisas abotoadas para fora e do uso de calças jeans para "quebrar" a formalidade dos ternos consegue dar resultado, diante da obsessão, ainda, da elegância forçada e sisuda e do uso dos desconfortáveis e sem graça sapatos de couro ou de verniz.

Envergonhados, uns até fogem das colunas sociais, antes suas maiores vitrines midiáticas, em vez de se adaptarem para os novos tempos. A vida grita para eles só que eles, aos 50 e tantos anos, acham que não podem sofrer pressões na vida. Mas sofrem e sofrerão em dobro, sobretudo quando estão casados com moças bem mais jovens, o que exige a eles responsabilidades sociais que o padrão conservador de cinquentões não oferece. Mas que a realidade torna a cada dia muito, mas muito mais urgente.

Afinal, há mais de 50 anos, Norman Mailer havia escrito The White Negro, que fazia sérias críticas ao perfil submisso, careta e forçado do homem, que o autor batizou de square. Almir Ghiaroni, sisudo oftalmologista carioca e aspirante a romancista, afirmou ter lido Mailer, sem se dar conta que ele se enquadra perfeitamente no perfil square descrito pelo autor.

Roberto Justus teve que recorrer a um ex-integrante do Dominó e também publicitário para, pelo menos, se tornar bastante descontraído nos programas de TV. Certamente não tem a desenvoltura da jovialidade natural de Evandro Mesquita e Serginho Groisman, mas isso diz muito de como as pressões sociais agem e continuam agindo na vida.

Ingênuo é quem acredita que as pressões da vida terminam com a meia-idade. Se os presidentes da República, em sua maioria idosos, são os que mais são pressionados pela vida, mais do que qualquer cidadão comum, mesmo jovem.

E também é tolice dizer que o homem cinquentão não pode se tornar jovial pelo pretexto da "ditadura da eterna juventude". O ser humano amadurece e o corpo envelhece, é verdade. Mas a verdade é que é muito mais imaturo um homem de 55 anos querer parecer mais diferente do que ele mesmo era aos 22, como se "ele mesmo" aos 55 e 22 fossem pessoas diferentes e inimigas, do que um homem que permanece com sua personalidade jovial o tempo todo.

Não é à toa que, por mais que Almir Ghiaroni, Eduardo Menga e similares tentem carregar na sua sisudez "adulta" e "madura", Serginho Groisman sempre está na frente deles, seja na idade, seja, em contrapartida, no espírito naturalmente jovem e, por isso mesmo, verdadeiramente maduro.

CAMPANHA POR 'MANOS E MINAS' REÚNE OUTROS MANOS



É certo que o assunto é outro que não o brega-popularesco. Mas a campanha para a manutenção do programa Manos e Minas, na grade da TV Cultura, voltou a reunir verdadeiros brothers, legítimos manos da mídia neoliberal de São Paulo: o articulista da Folha, Gilberto Dimenstein, e o crítico musical Pedro Alexandre Sanches, por enquanto passeando pelas redações da mídia esquerdista.

A adesão conjunta dos dois dá esperança de que Pedro Sanches volte, feito um filho pródigo, para as páginas da Folha de São Paulo, sua grande escola de "jornalismo", lugar certo para ele falar bobagens como dizer que "Fábio Jr. é legal", "Calcinha Preta e Parangolé têm valor artístico" e "Tecnobrega aplica lições da antropofagia modernista (sic)".

Portanto, só Manos e Minas para promover a confraternização de antigos manos.

DEFESA DO BREGA-POPULARESCO ADOTA DISCURSO CONFUSO


OSWALD DE ANDRADE - Público de brega-popularesco nunca ouviu falar do escritor modernista, mas ideólogos mesmo assim o associam a seu universo.

O discurso que os intelectuais que defendem a música brega-popularesca é confuso. Desprovido da visão objetiva e analítica necessária à abordagem da cultura brasileira, todos os discursos apologéticos em prol de estilos como axé-music, "funk carioca", tecnobrega, brega dos anos 70 e outros, apelam para um engodo teórico claramente publicitário, mesmo sob a roupagem ou mesmo a condição formal de teses de pós-graduação e artigos acadêmicos.

Seria alongar demais mostrar uma por uma as provas desse discurso confuso, mas as fontes indicadas, quando lidas com muita atenção, sempre apontam para uma retórica confusa, em que o discurso faz verdadeiros malabarismos para se tornar mais convincente do que coerente. O que mostra o quanto nossa intelectualidade está em crise, porque a elite docente da pós-graduação brasileira, salvo exceções, é tão cheia de frescuras em vetar anteprojetos sérios porque "não são muito científicos", mas aceita publicar textos que não passam de verborragia publicitária.

Mas podemos dizer os textos, para nossos leitores pesquisarem. Tem o texto "Esses Pagodes Impertinentes..." do baiano Milton Moura, na revista Textos de Cultura e Comunicação, de 1996. Tem o texto de Bia Abramo, "O funk e a juventude pobre carioca". Tem o texto de divulgação do programa "Central da Periferia", de Hermano Vianna, disponível na Internet. Tem o texto de Pedro Alexandre Sanches sobre o tecnobrega, "A índia negra branca do Pará". Tem o livro História Sexual da MPB, de Rodrigo Faour, no capítulo sobre "funk carioca". Tem o livro Eu Não Sou Cachorro, Não, de Paulo César Araújo.

Algumas dessas fontes podem ser obtidas nas bibliotecas (inclusive as universitárias, como no caso do texto de Milton Moura, na da UFBA) e livrarias. Mas, é bom tomar muito cuidado: esses textos seduzem o leitor do começo ao fim.

Afinal, apesar da roupagem formalmente intelectual, esses textos NÃO SÃO textos científicos. São verdadeiras mensagens publicitárias. As argumentações neles contidas são desprovidas de sentido real e coerente. Afinal, como atribuir ao tecnobrega uma suposta antropofagia, como escreve delirantemente Pedro Alexandre Sanches no referido texto? O público do tecnobrega não conhece Oswald de Andrade, o pensador da antropofagia cultural. Seria preciso uma minissérie de verão da Rede Globo, para dar uma vaga noção do poeta modernista para o grande público que consome popularesco. Vaga, porque o pessoal, no fim de um dia de Big Brother Brasil, estará com muito sono para acompanhar a hipotética biografia de Oswald na Globo.

As abordagens em prol do brega-popularesco seguem um discurso apelativo. Em primeiro lugar, justificam o sucesso dos estilos brega-popularescos com a alegação de que é "a verdadeira cultura popular", tentando trabalhar a abordagem do hit-parade brasileiro como se fosse um "novo folclore", quando sabemos ser isso impossível, diante de inúmeros mecanismos de mercado que seria cansativo mencionar aqui, mas que já escrevi numa e noutra ocasião (como o texto sobre os donos da música brega-popularesca).

Em segundo lugar, há o recurso etnocêntrico que visa associar os ritmos popularescos (na prática produtos da grande mídia regional, depois difundidos pela mídia nacional de uma forma ou de outra) às tendências folclóricas similares, tal qual se associa um doce enlatado com sabor artificial à fruta que resultou desse produto. Como por exemplo creditar o porno-pagode baiano ao samba-de-roda do Recôncavo Baiano, no texto de Milton Moura, supra citado.

Em terceiro lugar, há o recurso do marketing da exclusão, usando e abusando da ideia de "vítimas de preconceito", e a abordagem discursiva, em todas as fontes indicadas, é defendida da forma mais subjetivista possível, por vezes panfletária (como no livro de Paulo César Araújo), por vezes ofensiva, como na acusação jocosa e esnobe de Milton Moura, que atribuiu o rótulo de "elitista" a quem rejeita o porno-pagode baiano puxado pelo É O Tchan. Mas em uma passagem ou outra, seja no texto de Hermano Vianna, seja no de Bia Abramo, sempre tem uma choradeira contra o dito "preconceito" aos estilos popularescos, e nota-se facilmente um tom de irritação em certas passagens.

Em quarto lugar, é a vez de pincelar o discurso com alegações surreais. Como o tratamento "diferenciado" dado ao "funk carioca", que em várias de suas abordagens apologéticas, não só a de Bia Abramo como a de qualquer outro a falar bem do ritmo brega-popularesco carioca, foi tratado como se fosse uma mistura de Semana de Arte Moderna, Revolta de Canudos, movimento punk/new wave e Tropicalismo. As comparações podem não ser explícitas, mas no decorrer do discurso, são sutilmente trabalhadas, o que torna o discurso surreal, na medida em que a gente, quando toca um CD de "funk carioca", não vê um pingo sequer dessas referências tão ricas supostamente atribuídas ao dito "movimento".

Com essas quatro etapas, trabalhadas não necessariamente nessa ordem - elas dependem do sabor da abordagem feita por cada autor - , resta também certas mentiras, como creditar os estilos brega-popularescos como "discriminados pela grande mídia", quando eles ganham acesso na grande mídia até com extrema facilidade, com as portas escancaradas e tapete vermelho incluídos. É o caso do "funk carioca" e do tecnobrega, trabalhados retoricamente como se fossem "fenômenos sem-mídia", mas que tão rapidamente foram adotados pelas Organizações Globo como seus filhos adotivos tão queridos.

Infelizmente, a frase de Chacrinha - "vim para confundir, e não para explicar" - se aplica a esses defensores da Música de Cabresto Brasileira, na forma mais nociva. São retóricas que não esclarecem, apenas servem para persuadir a opinião pública. O que mostra o quanto muitos de nós se tornam indefesos diante de abordagens tão confusas, onde os argumentos não servem para buscar a verdade nem para resolver contradições. Antes essas retóricas reforçam as contradições, em vez de resolvê-las. As retóricas mais parecem discursos publicitários disfarçados de teses científicas, de reportagens ou manifestos culturais. Só servem para "vender o peixe com mais categoria".

Esses "cientistas sociais" e jornalistas que defendem o brega-popularesco podem ser ruins de fazer teses com honesta objetividade. Mas pelo menos já passaram do teste para, quem sabe, fazer um novo comercial de sabão.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MÍDIA GOLPISTA CONDICIONOU GOSTO MUSICAL DO POVO POBRE


DANIEL, com Guilherme & Santiago em Barreiros - A "música popular brasileira", na visão dos barões da grande mídia e das oligarquias associadas.

A música brega-popularesca atingiu uma projeção dominante no gosto popular que muitos de nós nos acostumamos a isso. Sem se darem conta da realidade que está por trás, intelectuais com visão claramente etnocêntrica (embora não admitam isso) acham que essa categoria musical é a "verdadeira cultura popular", pelo simples motivo que seus ídolos lotam plateias.

Com claro ódio em relação aos artistas da MPB autêntica dos anos 60 e 70, essa intelectualidade vendida ao jabaculê popularesco - se você acha que também falo de Pedro Alexandre Sanches, acertou - , talvez por algum impulso populista ou visando algum lugar ao sol na grande mídia, exalta a Música de Cabresto Brasileira com todo artifício retórico a que se acham de direito.

Mas por trás disso tudo estão interesses do empresariado do entretenimento, que envolvem de donos de bordéis até mesmo empresários de redes de atacado e varejo, do latifúndio, dos políticos conservadores, dos barões da grande mídia, em promover uma "cultura popular" estereotipada, domesticada e claramente voltada para os interesses neoliberais que acabam por destruir identidades regionais e tentar "recomeçar" a cultura popular do "ponto zero" da música brega de Waldick Soriano e companhia.

Neste blog, questionamos, em primeiríssima mão, todas as alegações falsamente militantes, falsamente modernistas, falsamente antropológicas e falsamente sociológicas dos ideólogos da música brega-popularesca, que nem podem se achar no direito de dizer que ela é desprovida de espaço na grande mídia. Mas acham. Só que os ídolos popularescos aparecem em rede nacional no palco do Domingão do Faustão, e, não fosse a omissão dessa intelectualidade etnocêntrica, esta ficaria num clima de saia justa com a opinião pública. Aí, preferem mudar de assunto, e ficar na sua opinião ranheta que é, isso sim, desprovida de sentido real e coerente.

A mídia golpista inventou a ideologia brega. Até a professora Carmen Lúcia José sabe disso. Segundo ela, a indústria cultural adaptou elementos manjados da cultura popular e referenciais difusos que o povo absorveu da mídia, adaptando para os padrões de mercado. E podemos inferir que, a partir daí, as oligarquias e os barões da grande mídia investiram no crescimento da música brega e na criação de seus derivados, em todo o país, uns mais grosseiros, outros falsamente sofisticados, como plano de domesticar o povo pobre de todo o Brasil através da estereotipação, da diluição e da descaraterização da cultura popular.

Essa realidade é algo que nenhuma alegação intelectualóide ou pseudo-engajada - que chega a se apropriar da imprópria alusão à antropofagia de Oswald de Andrade - consegue desmentir. A mídia golpista estabeleceu as condições para que se desenvolvesse e efetivasse, no gosto musical das classes populares, os estilos estereotipados, apátridas e mercantilistas da música brega-popularesca, do brega original ao "funk", da axé-music ao tecnobrega.

Historicamente, a música brega-popularesca sempre esteve associada a uma visão das elites sobre o que é "cultura popular". Isso é batata. Note a disparidade que temos entre os artistas surgidos nas classes pobres e que se tornaram conhecidos nos anos 40 e 50, gente humilde que fazia música de excelente qualidade, com os ídolos brega-popularescos associados às classes pobres (mas uns originários de classe média), com sua mediocridade artística gritante, de hoje. A música popular autêntica não tinha padrinhos, já a música brega-popularesca de hoje sempre contou com padrinhos ligados às mais ricas famílias que controlam há tempos o poderio político, econômico e midiático em toda parte do Brasil.

É ouvindo os discos, um hábito que poucas pessoas possuem de fato - o pessoal só "escuta" os CDs se distraindo com outras coisas, sem prestar atenção ao que é tocado - , que se conhece a qualidade de uma música. Não adianta cantar junto, porque a voz do ouvinte sufoca o som que é ouvido. Chega desse negócio de dizer que a funqueira tal foi lavadeira, o cantor de sambrega passou fome, a dupla breganeja plantou milho no cafezal mineiro de Goiânia etc, porque se eles fazem música ruim, isso nada justifica.

Ninguém se empenha em investigar quem patrocinou ou patrocina os ídolos popularescos. Se investigasse, se assustaria com o envolvimento das oligarquias regionais, dos barões da grande mídia, dos grandes empresários do varejo e atacado, o que derrubaria de vez a tese de que é "a verdadeira música popular".

Mas a omissão e a ignorância desse aspecto faz com que, por outro lado, intelectuais preguem, da forma mais delirante possível, uma série de lorotas em torno da música brega-popularesca. Fulano lota plateias, está nas TVs e rádios FM de maior audiência, enriquece, aparece até nas colunas sociais, mas o intelectual tal diz que fulano está fora da mídia.

Pior de tudo é que o circo de mentiras bem elaboradas num discurso intelectualóide já começa a apostar em absurdos como falar em duplas "sertanejas" sem espaço na grande mídia. Os caras mal lançam seu primeiro CD em um rincão de Goiás e, só porque eles não apareceram no Domingão do Faustão, não significa que eles sejam discriminados pela grande mídia. E, mesmo que nunca venham a visitar o Faustão, a filosofia de trabalho desses intérpretes é sempre de acordo com os padrões da grande mídia. Se a grande mídia não lhe oferece divulgação, mesmo assim lhe oferece a ideologia, a filosofia de pensamento.

O marco histórico da ampliação da música brega-popularesca para os níveis dominantes que deixam os incautos e os intelectualóides desprevenidos é a farra de concessões de rádios promovida pelo então presidente da República, José Sarney, e por seu ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães.

Não é preciso dizer que Sarney e ACM chefiaram poderosas oligarquias regionais, tendo fortalecido seus poderes durante a ditadura militar e cuja supremacia política foi trabalhada também no desenvolvimento da grande mídia regional.

Além disso, a farra de concessões de rádio promovida pelos dois, entre 1985 e 1987, fez impulsionar, em todo o país, rádios ditas "populares", cujo repertório musical é justamente essa música que intelectuais etnocêntricos como Pedro Alexandre Sanches e Hermano Vianna creditam como "a verdadeira música popular".

Foi o crescimento dessas rádios que fez a "música popular" de hoje ser o que é: domesticada, estereotipada, apátrida, artisticamente medíocre, sem qualquer identidade real para o povo. Quando muito, só existem meros "sabores" regionais: axé-music, oxente-music, tchê-music, "funk carioca", tecnobrega, breganejo, etc. Mas são apenas variações de uma grande mesmice, a música brega-popularesca, ou Música de Cabresto Brasileira, que não significam produção de conhecimento nem de valores sociais, portanto não podem ser consideradas cultura popular de verdade.

Trata-se tão somente de "música popular de mercado", que os barões da grande mídia tanto investiram dentro do projeto ideológico de transformar as classes populares numa massa submissa, patética e domesticada, para assim estabelecer o controle social que garante o sossego das elites, com a redução das tensões sociais que ameaçariam o cenário de privilégios de poder político e econômico das elites dominantes em toda parte do Brasil.

NÃO VAMOS APOSTAR NO CLIMA DE "JÁ PERDEU, SERRA"



Temos que deixar claros que estamos apenas a um mês das eleições. E já tem gente comemorando a vitória da petista Dilma Rousseff antes da hora, só porque aumentou a vantagem dela sobre o principal rival, o demotucano José Serra, nas pesquisas eleitorais, incluindo a Datafolha, tradicionalmente sectária ao demotucanato.

Sei que há um carnaval fora de época - ou melhor, fora das eleições - , gente em clima de "Já perdeu, Serra", com papéis picados virtuais jogados pela rede, com figura de cachorro morto simbolizando o candidato tucano, com uma série de piadas ou de sarcasmos que parecem crer na derrota definitiva de José Serra.

É animador ver um candidato desses, sem carisma, estar em desvantagem nas pesquisas? Claro que sim. É animador ver um candidato que se demonstrou antipático, cínico, sem programa político consistente, estar em queda nas pesquisas de voto? Sem dúvida!

Mas como a verdadeira pesquisa, a mais autêntica, a mais definitiva e a mais concreta, está no voto eleitoral, é bom que esperemos, antes de mais nada. Antes que comemoremos vitória de fulano, derrota de sicrano, ou vice-versa.

É bom também saber que, no Chile, a então presidente Michelle Bachelet foi considerada a favorita das pesquisas de voto, mas a vitória eleitoral acabou sendo para o empresário Sebastián Piñera, que já mostrou a que veio, entregando a sua emissora de TV aberta para um poderoso grupo empresarial dos EUA. A turma do RCTV da Venezuela deve estar animada, com o exemplo da Chilevisión.

Ninguém quer ser surpreendido se caso José Serra ganhe, não é mesmo? Portanto, antes de comemorarmos a derrota dele, tenhamos cautela e paremos para pensar.

GATAS AMBIENTALISTAS



O que são mulheres inteligentes. Recentemente, dois exemplos de belas jornalistas com naturais preocupações ambientais vieram à tona.

Minha ex-colega da UFBA, Rosana Jatobá, hoje na Rede Globo, criou na semana passada um blog sobre meio ambiente. No primeiro texto, ela explicou que sua preocupação ambiental foi estimulada pela experiência com as previsões do tempo nos telejornais. Ela já havia feito uma longa reportagem sobre sustentabilidade e seu blog, no portal G1, será dedicado sobretudo aos problemas enfrentados por todo o planeta, como os relacionados ao efeito estufa.

Já Mariana Ferrão, que chegou a ver pessoalmente um tornado quando estava nos EUA e era repórter da TV Bandeirantes, também está atualmente na TV Globo de São Paulo, fez ontem uma longa reportagem no Fantástico sobre o avanço das águas marinhas no litoral brasileiro. A reportagem mostra graves preocupações, sobretudo em várias praias do país, cuja faixa de areia reduziu e cuja ação do mar já derrubou casas que ficavam à beira.

São dois exemplos de como duas mulheres dedicadas, com notável consciência crítica do mundo em que vivemos, podem fazer em prol da informação. E são duas mulheres lindíssimas, excelentes profissionais, que deveriam servir de exemplo para o país.

Infelizmente, por outro lado, as boazudas, quando o assunto é meio ambiente, se limitam tão somente a ir à praia para mostrar sua "boa forma" (maneira de dizer para seus corpos exagerados), não como as mulheres normalmente fazem e têm direito a fazer, mas como a única coisa que as boazudas sabem fazer e que serve de apelação para a única coisa que elas trabalham na carreira: o corpo.

Cadê a "jornalista" Priscila Pires para dar o seu parecer sobre os riscos do meio ambiente no planeta e pelo derretimento do gelo nas zonas polares? Ela foi curtir suas noitadas (só isso que ela faz) na arena brega-popularesca de Barretos, cuja principal atração é a tortura animal diante de plateias sádicas. Também é inútil Nana Gouveia dizer, infantilmente, "vamos preservar a natureza". Isso é insuficiente.

A cada vez mais mulheres dotadas de inteligência se destacam muito mais que as boazudas que só mostram o corpo. Até porque as mulheres inteligentes são até fisicamente mais atraentes. Mas também são as que ficam mais comprometidas. Mariana Ferrão e Rosana Jatobá são duas mulheres casadas.

MACARTISMO EM ISRAEL



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Relembrando o falecido senador estadunidense Joseph McCarthy (foto), de lamentável memória histórica por fazer campanha para denunciar compatriotas supostamente ligados ao comunismo, bem à maneira das "caças às bruxas" da Idade Média, o artigo nos alerta da campanha direitista feita para perseguir e calar as vozes oposicionistas à supremacia fundamentalista no Oriente Médio, que causa sofrimentos pela multidão em volta, sobretudo o povo palestino.

Macartismo em Israel

Por Jerrold Kessel e Pierre Klochendler[27 de agosto de 2010 - Envolverde/IPS]
Reproduzido do blog Blogueiros Progressistas

Grupos de direita em Israel, apoiados financeiramente por setores judeus e cristãos fundamentalistas no exterior, realizam uma campanha para sufocar a liberdade de pensamento nas universidades. Paralelamente, partidos direitistas no parlamento fazem esforços para limitar a liberdade de ação de organizações não governamentais.

Sob a aparência de buscar “apenas o equilíbrio”, os direitistas pressionam por medidas drásticas contra professores e conferencistas, aos quais acusam de ter uma “inclinação antissionista”. O primeiro objetivo foi a Universidade de Tel Aviv, que conta com o maior número de estudantes do país. O Instituto de Estratégias Sionistas exigiu que essa casa de estudos revisasse o material apresentado por vários conferencistas sobre sociologia e os “equilibrasse” com a opinião de outros analistas conservadores.

Para o Instituto, as mais destacadas universidades israelenses mostram uma “inclinação pós-sionista” em seus departamentos de sociologia, história e ciência política. A organização define “pós-sionista” como “a pretensão de socavar os fundamentos do sionismo e uma afinidade com o sonho radial esquerdista”.

Outro grupo de ultradireita, Im Tirtzu, dirigiu suas baterias contra a Universidade Ben Gurión, com sede na cidade de Beersheba. A organização enviou uma carta à presidente da instituição, Rivka Karmi, acusando-a de “inclinação antissionista” e ameaçou convencer seus doadores locais e estrangeiros a suspenderem as contribuições.

O grupo deu prazo de um mês à Universidade para atender suas demandas. Se não o fizerem, exortará inclusive os estudantes a boicotar a instituição. O presidente da Im Tirtzu, Ronen Shoval, disse em sua carta a Rivka que nove de 11 membros permanentes da Faculdade de Ciências Políticas estavam envolvidos em “atividades políticas esquerdistas radicais”, como exortar os jovens a não integrarem o exército israelense.

Rivka manteve-se firme, e anunciou que não cederia às pressões. “Por uma questão de princípios não respondo a ameaças nem extorsões e nem, como neste caso, a caças às bruxas”, afirmou. Entretanto, alarmados pela campanha direitista – que alguns comparam com a cruzada anticomunista dos anos 50 nos Estados Unidos liderada pelo senador Joseph McCarthy –, os reitores das sete principais universidades de Israel condenaram “esta perigosa tentativa de querer criar uma polícia do pensamento”.

“Nenhuma universidade israelense tem o dever de demonstrar perante organização alguma o amor de seu pessoal à pátria”, afirmaram em uma declaração conjunta. “Própria de um país democrático ilustrado, a academia israelense não é um organismo político, e seus membros são escolhidos somente pelo objetivo critério da excelência na pesquisa e no ensino”, acrescentaram.

O que particularmente desagrada muitos acadêmicos é o apoio do ministro da Educação, Gideon Sa’ar, à campanha direitista. No começo deste ano, o ministro deu seu apoio aos pedidos feitos por alguns setores no sentido de demitir Neve Gordon, presidente de um dos departamentos da Universidade Ben Gurión, que havia proposto um “boicote social, econômico e político” contra o Estado, com o objetivo de pôr fim à ocupação dos territórios palestinos.

Yossi Sarid, ex-ministro da Educação durante os chamados “governos de paz” dos anos 90, fustigou Gideon por aderir à campanha da Im Tirzu e ajudar os que promovem a “polícia do pensamento”. “Devemos estar atentos para esta tendência preocupante”, escreveu Yossi em sua coluna no jornal liberal Haaretz.

O presidente da Universidade de Tel Aviv, Joseph Klafter, consultado sobre se a liberdade acadêmica em Israel está ameaçada, respondeu de forma categórica que “houve algumas tentativas aterradoras para atingi-la. Espero que ainda seja possível conter este fenômeno. Qualquer um que acuse nossas universidades de não se preocuparem com os valores sionistas não entende que a manutenção de um ambiente pluralista é a pedra fundamental da visão sionista e democrática sobre a qual foi fundado o Estado”.

Por sua vez, legisladores direitistas realizam uma campanha para atar as mãos das organizações não governamentais liberais israelenses. Um projeto de lei exigindo que todos os grupos civis israelenses informem cada doação que receberem do governo ou de qualquer outra fonte foi aprovado pelo Comitê de Lei e Justiça do parlamento. Segundo a iniciativa, qualquer destas organizações que deixar de informar as doações poderá receber multa de até US$ 8 mil.

Zeev Elkin, do Partido Likud, que lidera a coalizão direitista governante, explicou que a nova legislação tem o objetivo de “prevenir o surgimento de um novo Informe Goldstone (que acusou Israel e o movimento islâmico Hamas de cometerem crimes de guerra) com material fornecido por organizações israelenses financiadas por outros Estados, que, em geral, cooperam com elementos estrangeiros que as usam para obter mensagens ou realizar atos contrários aos interesses nacionais israelenses básicos”, acrescentou.

Críticos acreditam que o projeto de lei não servirá para supervisionar as organizações não governamentais e acabará sendo apenas um “mal-estar burocrático”, mas partidos esquerdistas alertam que se trata de uma iniciativa “macartista” claramente destinada a intimidar a sociedade civil que tenha posturas opostas à coalizão governante de direita.

domingo, 29 de agosto de 2010

RODRIGO VIANNA: BLOGUES ASSUMEM A CONTRA-INFORMAÇÃO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Rodrigo Vianna, um dos membros do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé e autor do blog O Escrevinhador, concedeu entrevista para a Radioagência Notícias do Planalto, afirmando que a atual blogosfera representa uma expressão alternativa à informação dominante que meia-dúzia de empresários da grande mídia impõe e que nem sempre corresponde a uma visão honesta e coerente da realidade humana.

Blogues assumem a contra-informação

Da Radioagência Notícias do Planalto - reproduzido também no Blog do Miro

323 jornalistas e comunicadores se juntaram para discutir o poder e o alcance dos blogues e debater a comunicação – de maneira geral – em São Paulo (SP), durante o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. O encontro ocorrido entre os dias 20 e 22 de agosto aproximou uma rede em expansão na internet de blogueiros conhecidos por fazerem o contraponto jornalístico dos fatos e opiniões da grande mídia.

Os jornalistas se classificam como independentes e ativistas dos movimentos sociais. O uso do blog foi a maneira que encontraram para driblar o bloqueio midiático a determinados assuntos e combater a concentração dos veículos de comunicação no Brasil.

A Radioagência NP conversou sobre o Encontro de Blogueiros com um dos organizadores do evento, o jornalista Rodrigo Vianna. Rodrigo também é diretor de Comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que articulou o fórum:

Rodrigo, a partir do encontro, os blogueiros se dispuseram a fazer reuniões em pelo menos 19 estados brasileiros. Você considera que esse primeiro encontro foi um marco da comunicação social no Brasil?

Sim, foi um marco da comunicação no Brasil, inclusive isso acabou entrando até na agenda da campanha eleitoral. Um dos candidatos que está meio nervoso nas últimas semanas chegou a fazer uma declaração desqualificando os blogues. Mas, na verdade, passou um recibo da importância relativa que os blogues já tem no debate em comunicação no Brasil. Em muitas cidades há dezenas de blogueiros que conseguem ser um contraponto à imprensa escrita tradicional, ou seja, a velha imprensa brasileira que é controlada por meia dúzia de famílias. Então é um marco porque ele colocou frente a frente as pessoas que estão fazendo esse contraponto e essa rede dos blogueiros, que já é forte, vai ficar mais forte ainda a partir do Encontro.

O que seria o Partido da Imprensa Golpista (PIG)?

Olha esse termo PIG, que é um termo bem-humorado para se referir a esse Partido da Imprensa Golpista, surgiu a partir de um discurso de um deputado federal Fernando Ferro (PT/PE). Ele estava fazendo justamente a análise da grande imprensa brasileira, no momento específico de 2005 e 2006, e isso criou uma onda que aparentemente queria derrubar o governo federal. E a partir disso o jornalista Paulo Henrique Amorim cunhou esse termo PIG e a gente usa esse termo nos blogues para se referir a essa velha imprensa, que tem tido um papel no mínimo complicado nos últimos anos no Brasil.

Como a afirmação de Serra sobre os “blogues sujos” foi recebido pelos Blogueiros Progressistas?

Foi tratado na base da galhofa que é como merece ser tratado um candidato se referir dessa maneira aos blogues, ele que tem uma relação tão próxima com a velha imprensa. Ele na verdade fez o porta-voz da velha imprensa. A gente já não sabe mais se a imprensa que é porta-voz desse candidato ou se ele é porta-voz da velha imprensa. Então foi tratado assim na base da galhofa porque não dá pra levar a sério um negócio desse.

O blog Cloaca News vai pedir explicações de Serra na Justiça sobre o que seria "os blogues", é isso?

É, vai pedir que ele nomeie, pois ele fez uma referência genérica. Aí o Cloaca News - que é um blog que mistura investigação com bom humor - disse que vai interpelar o Serra judicialmente, para que o candidato diga quem são esses blogues que ele considera “blogues sujos”. E o Paulo Henrique Amorim, durante o Encontro de Blogueiros, propôs que a gente desse um prêmio ao Serra de twittero cascão por disseminar sujeiras em certos momentos pela rede de computadores.

Como você avalia o papel dos blogues nesta eleição?

Aquilo que a gente faz é um contraponto, eles já não falam sozinhos. De 2005 para cá, os jornais e as revistas - que eu chamo de velha imprensa - caminharam de um lado só. Todos passaram a fazer oposição ao governo federal. Não que o governo não mereça críticas, há muitos temas em que a crítica deve ser feita e quando há corrupção o jornalista tem que mostrar, mas foi uma coisa unilateral. A tal ponto que a presidenta da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, que é também diretora da Folha de S. Paulo, disse que dada a fragilidade da oposição partidária a imprensa passava a fazer o papel de oposição. Eles dizem que são isentos, mas não existe essa história de isenção completa na imprensa. Eu acho que a pessoa pode ter um lado, mas deve se prender a verdade factual. Por isso que os blogues crescem tanto, por culpa também do péssimo serviço de informação que a velha imprensa brasileira faz em nosso país.

Durante o encontro vocês também deixaram claro o apoio à Ação Direta de Inscontitucionalidade (Adin), que o jurista Fábio Konder Comparato entrou no Supremo Tribunal Federal. Essa ADIN é para regulamentar artigos da Constituição sobre comunicação?

O professor Fábio Konder Comparato vai ingressar, ele ainda não ingressou. Ele vai ingressar em nome de entidades na área de comunicação, com apoio de centrais sindicais e sindicatos e dos blogueiros do Encontro Nacional dos Blogueiros. É uma ação pedindo que o Estado faça cumprir o que está na Constituição. Há vários artigos da área de comunicação que não são cumpridos, por exemplo, o que diz que não pode existir oligopólio e propriedade cruzada dos meios de comunicação. [Hoje] uma única família é dona do rádio, da televisão, do jornal, da internet, da TV a cabo. Não dá. É muito poder concentrado e a Constituição veda isso. Mas o Brasil não coloca isso em prática por causa do poder dessas famílias. Então o Brasil tem que questionar o poder dessa meia dúzia de famílias que ainda mandam na comunicação brasileira.

EMIR SADER: ESFERA PÚBLICA VERSUS ESFERA MERCANTIL



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Na abertura do Encontro dos Blogueiros Progressistas, o sociólogo Emir Sader foi solicitado pelos organizadores do evento para escrever um texto a respeito do neoliberalismo. Resultou no texto que reproduzimos abaixo.

ESFERA PÚBLICA X ESFERA MERCANTIL

Por Emir Sader - Blog do Emir - Reproduzido também no Viomundo e Blog do Miro

O neoliberalismo é a realização máxima do capitalismo: transformar tudo em mercadoria. Foi assim que o capitalismo nasceu: transformando a força de trabalho (com o fim da escravidão) e as terras em mercadorias. Sua história foi a crescente mercantilização do mundo.

A crise de 1929 – de que o liberalismo foi unanimemente considerado o responsável – gerou contratendências, todas antineoliberais: o fascismo (com forte capitalismo de Estado), o modelo soviético (com eliminação da propriedade privada dos meios de produção) e o keynesianismo (com o Estado assumindo responsabilidades fundamentais na economia e nos direitos sociais).

O capitalismo viveu seu ciclo longo mais importante do segundo posguerra até os anos 70. Quando foi menos liberal, foi menos injusto. Vários países – europeus, mas também a Argentina – tiveram pleno emprego, os direitos sociais foram gradualmente estendidos no que se convencionou chamar de Estado de bem-estar-social.

Esgotado esse ciclo, o diagnóstico neoliberal triunfou, voltando de longo refluxo: dizia que o que tinha levado a economia à recessão era a excessiva regulamentação. O neoliberalismo se propôs a desregulamentar, isto é, a deixar circular livremente o capital. Privatizações, abertura de mercados, “flexibilização laboral” – tudo se resume a desregulamentações.

Promoveu-se o maior processo de mercantilização que a história conheceu. Zonas do mundo não atingidas ainda pela economia de mercado (como o ex-campo socialista e a China) e objetos de que ainda usávamos como exemplos de coisas com valor de uso e sem valor de troca (como a água, agora tornada mercadoria) – foram incorporadas à economia de mercado.

A hegemonia neoliberal se traduziu, no campo teórico, na imposição da polarização estatal/privado como o eixo das alternativas. Como se sabe, quem parte e reparte fica com a melhor parte – privado – e esconde o que lhe interessa abolir – a esfera pública. Porque o eixo real que preside o período neoliberal se articula em torno de outro eixo: esfera pública/esfera mercantil.

Porque a esfera do neoliberalismo não é a privada. A esfera privada é a esfera da vida individual, da família, das opções de cada um – clube de futebol, música, religião, casa, família, etc.. Quando se privatiza uma empresa, não se colocam as ações nas mãos dos indivíduos – os trabalhadores da empresa, por exemplo -, se jogam no mercado, para quem possa comprar. Se mercantiliza o que era um patrimônio público.

O ideal neoliberal é construir uma sociedade em que tudo se vende, tudo se compra, tudo sem preço. Ao estilo shopping center. Ou do modo de vida norteamericano, em que a ambição de todos seria ascender como consumidor, competindo no mercado, uns contra os outros.

O neoliberalismo mercantilizou e concentrou renda, excluiu de direitos a milhões de pessoas – a começar os trabalhadores, a maioria dos quais deixou de ter carteira de trabalho, de ser cidadão, sujeito de direitos -, promoveu a educação privada em detrimento da publica, a saúde privada em detrimento da pública, a imprensa privada em detrimento da pública.

O próprio Estado se deixou mercantilizar. Passou a arrecadar para, prioritariamente, pagar suas dívidas, transferindo recursos do setor produtivo ao especulativo. O capital especulativo, com a desregulamentação, passou a ser o hegemônico na sociedade. Sem regras, o capital – que não é feito para produzir, mas para acumular – se transferiu maciçamente do setor produtivo ao financeiro, sob a forma especulativa, isto é, não para financiar a produção, a pesquisa, o consumo, mas para viver de vender e comprar papéis – de Estados endividados ou de grandes empresas -, sem produzir nem bens, nem empregos. É o pior tipo de capital. O próprio Estado se financeirizou.

O neoliberalismo destruiu as funções sociais do Estado e depois nos jogou como alternativa ao mercado: se quiserem, defendam o Estado que eu destruí, tornando-o indefensável; ou venham somar-se à esfera privada, na verdade o mercado disfarçado.

Mas se a esfera neoliberal é a esfera mercantil, a esfera alternativa não é a estatal. Porque há Estados privatizados, isto é, mercantilizados, financeirizados; e há Estados centrados na esfera pública. A esfera pública é centrada na universalização dos direitos. Democratizar, diante da obra neoliberal, é desmercantilizar, colocar na esfera dos direitos o que o neoliberalismo colocou na esfera do mercado. Uma sociedade democrática, posneoliberal, é uma sociedade fundada nos direitos, na igualdade dos cidadãos. Um cidadão é sujeito de direitos. O mercado não reconhece direitos, só poder de comprar, é composta por consumidores.

Na esfera da informação, houve até aqui predomínio absoluto da esfera mercantil. Para emitir noticias era necessário dispor de recursos suficientes para instalar condições de ter um jornal, um rádio, uma TV. A internet abriu espaços inéditos para a democratização da informação.

A democratização da mídia, isto é, sua desmercantilização, a afirmação do direito a expressar e receber informações pluralistas, tem que combinar diferentes formas de expressão e de mídia. A velha mídia é uma mídia mercantil, composta de empresas financiadas pela publicidade, hoje aderida ao pensamento único. Uma mídia composta por empresas dirigidas por oligarquias familiares, sem democracia nem sequer nas redações e nas pautas dos meios que a compõem.

A nova mídia, por sua vez, é uma mídia barata nos seus custos, pluralista, crítica. O novo espaço criado pelos blogueiros progressistas faz parte da esfera pública, promove os direitos de todos, a democracia econômica, política, social e cultural. A esfera pública tem expressões estatais, não-estatais, comunitárias. Todas comprometidas com os direitos de todos e não com a seletividade e a exclusão mercantil.

São definições a ser discutidas, precisadas, de forma democrática, aberta, pluralista, de um fenômeno novo, que prenuncia uma sociedade justa, solidária, soberana. A possibilidade com que estão comprometidos Dilma e Lula de uma Constituinte autônoma permite que se possa discutir e levar adiante processos de democratização do Estado, de sua reforma em torno das distintas formas de esfera pública, desmercantilizando e desfinanceirizando o Estado brasileiro.

RABINO DECLARA ÓDIO MORTAL A PALESTINOS



Num comentário tipicamente fascista, o rabino Ovadia Yosef, de 89 anos, líder espiritual do partido religioso israelense Shas, disse que os palestinos e seus líderes políticos deveriam morrer. A declaração foi feita num sermão bastante violento que Ovadia fez pouco antes das negociações de acordo de paz entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o líder palestino Mahmoud Abbas.

Segundo Ovadia, Deus deveria enviar uma praga contra os palestinos e eliminá-los. O líder espiritual do Shas deu outras declarações semelhantes, sobretudo dizendo que era proibido sentir piedade dos palestinos. Foi uma vez, em 2001. A repercussão negativa fez Ovadia dizer que se referia apenas a "terroristas".

Mas as declarações dadas por ele são suficientes para aumentar o ódio aos palestinos, que tanto castigam os inocentes que nada têm a ver com os conflitos que acontecem no Oriente Médio. São pessoas sem ter onde morar, sem ter uma nação própria apesar de contar com seus próprios valores culturais, com suas crenças, rituais e costumes próprios. O que diz muito da crueldade da política israelense, apoiada pelo imperialismo dos EUA.

A DESUNIVERSIDADE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A União Européia quer unificar os sistemas universitários dos países-membros. Parece bom, mas não é. Além de dissolver as identidades peculiares das universidades de cada país - não devemos nos esquecer que uma universidade tem como princípio maior a expressão da identidade sócio-cultural de seu lugar - , padronizará o ensino para os moldes mercantilistas, extinguindo várias instituições universitárias supostamente ineficazes, reduzindo os professores a meros proletários e comprometendo a produção livre e criativa de conhecimento entre docentes e discentes.

A desuniversidade

Por Boaventura de Sousa Santos - Agência Carta Maior

O projeto de reforma da universidade européia corre o risco de virar uma contra-reforma. Caso isso ocorra, os critérios de mercantilização reduzirão o valor das áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.

O processo de Bolonha — a unificação dos sistemas universitários europeus com vista a criar uma área europeia de educação superior — tem sido visto como a grande oportunidade para realizar a reforma da universidade europeia. Penso, no entanto, que os universitários europeus terão de enfrentar a seguinte questão: o processo de Bolonha é uma reforma ou uma contra-reforma? A reforma é a transformação da universidade que a
prepare para responder criativamente aos desafios do século XXI, em cuja definição ela ativamente participa. A contra-reforma é a imposição à universidade de desafios que legitimam a sua total descaracterização, sob o pretexto da reforma. A questão não tem, por agora, resposta, pois está tudo em aberto. Há, no entanto, sinais perturbadores de que as forças da contra-reforma podem vir a prevalecer. Se tal acontecer, o cenário distópico terá os seguintes contornos.

Agora que a crise financeira permitiu ver os perigos de criar uma moeda única sem unificar as políticas públicas, a política fiscal e os orçamentos do Estado, pode suceder que, a prazo, o processo de Bolonha se transforme no euro das universidades europeias. As consequências previsíveis serão estas: abandonam-se os princípios do internacionalismo universitário solidário e do respeito pela diversidade cultural e institucional em nome da eficiência do mercado universitário europeu e da competitividade; as universidades mais débeis (concentradas nos países mais débeis) são lançadas pelas agências de rating universitário no caixote do lixo do ranking, tão supostamente rigoroso quanto realmente arbitrário e subjetivo, e sofrerão as consequências do desinvestimento público acelerado; muitas universidades encerrarão e, tal como já está a acontecer a outros níveis de ensino, os estudantes e seus pais vaguearão pelos países em busca da melhor ratio qualidade/preço, tal como já fazem nos
centros comerciais em que as universidades entretanto se terão
transformado.

O impacto interno será avassalador: a relação investigação/docência, tão proclamada por Bolonha, será o paraíso para as universidades no topo do ranking (uma pequeníssima minoria) e o inferno para a esmagadora maioria das universidades e universitários. Os critérios de mercantilização reduzirão o valor das diferentes áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o
latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.

Os gestores universitários serão os primeiros a interiorizar a orgia classificatória, objetivomaníaca e indicemaníaca; tornar-se-ão exímios em criar receitas próprias por expropriação das famílias ou pilhagem do descanso e da vida pessoal dos docentes, exercendo toda a sua criatividade na destruição da criatividade e da diversidade universitárias, normalizando tudo o que é normalizável e destruindo tudo o que o não é.

Os professores serão proletarizados por aquilo de que supostamente são donos — o ensino, a avaliação e a investigação — zombies de formulários, objetivos, avaliações impecáveis no rigor formal e necessariamente fraudulentas na substância, workpackages, deliverables, milestones, negócios de citação recíproca para melhorar os índices, comparações entre o publicas-onde-não-me-interessa-o-quê, carreiras imaginadas como exaltantes e sempre paradas nos andares de baixo. Os estudantes serão donos da sua aprendizagem e do seu endividamento para o resto da vida, em permanente deslize da cultura estudantil para cultura do consumo estudantil, autônomos nas escolhas de que não conhecem a lógica nem os limites, personalizadamente orientados para as saídas do desemprego profissional.

O serviço da educação terciária estará finalmente liberalizado e conforme às regras da Organização Mundial do Comércio. Nada disto tem de acontecer, mas para que não aconteça é necessário que os universitários e as forças políticas para quem esta nova normalidade é uma monstruosidade definam o que tem de ser feito e se organizem eficazmente para que seja feito. Será o tema da próxima crônica.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

sábado, 28 de agosto de 2010

FLÁVIA FREIRE PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



Por que será que não há uma moça comum no Brasil que se vista dessa forma discretamente sensual como a da belíssima Flávia Freire?

CAROS AMIGOS: DESINFORMAÇÃO SOBRE MÚSICA BRASILEIRA É PREOCUPANTE



É preocupante a desinformação que, pela segunda vez, se manifestou sobre a música brasileira nas páginas de Caros Amigos.

Mais preocupante ainda é a omissão dos leitores, e mesmo dos blogueiros que difundem a revista - o que coloca este blog na margem da busca pelo termo "Caros Amigos" no Google - , diante da postura de certos articulistas em prol da música brega-popularesca, tão conhecida pelas suas relações explícitas com o poderio da grande mídia.

O primeiro episódio foi o comentário constrangedor, publicado numa reportagem sobre o "discriminado funk carioca", a respeito do Mr. Catra. Numa declaração arrogante e desinformada, o texto afirmava que o funqueiro "segue invisível às corporações da grande mídia".

Pois, já na época dessa reportagem, no ano passado, Mr. Catra já era quase que um queridinho das Organizações Globo, aparecendo com facilidade no portal Ego, na Quem Acontece, no Multishow e no programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo.

Na edição deste mês (agosto de 2010), Pedro Alexandre Sanches cometeu outra desinformação. No seu texto sobre o documentário Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, Sanches afirmou que os nomes da MPB dos anos 60 hoje se limitam a aparecer na mídia de celebridades e de fofocas (que Sanches credita como se fosse uma só: mas sabemos que, enquanto Contigo é uma revista de fofocas, Caras é uma coluna social em forma de revista, com perfis bem distintos).

Diz Sanches, em seu artigo-reportagem: "(...)os artistas da dita MPB não são mais funcionários assalariados das TVs e não cumprem tabela sorridente como cumpriam então - ou cumprem, mas em veículos de "celebridades" como TV Fama e/ou a revista Caras.

A desinformação do colunista se mostra gritante, uma vez que quem aparece mesmo na TV Fama ou na revista Caras são os medalhões da axé-music, do sambrega e do breganejo, que aparecem no Domingão do Faustão toda semana e recebem tratamento vip em todos os especiais transmitidos pela Rede Globo de Televisão.

Afinal, não são os hoje sumidos ou injustiçados nomes da MPB jovem dos anos 60, hoje idosos, como Edu Lobo, Marília Medalha e Sérgio Ricardo, a aparecer na TV Fama ou nas páginas de Caras. E sim os cantores de "pagode romântico", "música sertaneja", as "divas" da axé-music, que dão as caras em Caras.

Essa é a verdade que certos "caros amigos" se recusam a saber. E que pode deixar em saia justa com a opinião pública um dos mais influentes veículos da imprensa de esquerda do Brasil.

TICIANA VILLAS-BOAS E HILARY DUFF USARAM A MESMA GRIFE DE VESTIDO NUPCIAL



Não bastasse os casamentos da jornalista Ticiana Villas-Boas e da atriz Hilary Duff provocarem um clima de luto nos homens diferenciados (que não são rudes como jogadores de hóquei nem sisudos como os economistas), as duas tiveram ainda outro ponto em comum: usaram a mesma grife de vestido nupcial, a grife da estilista Vera Wang.

A nação nerd, sobretudo, mostra seus homens derramando em tempestades de prantos, afinal não é qualquer mulher que adota o jeito meigo das duas.

A meiguice de Ticiana, por exemplo, é peculiar, qual panicat, por exemplo, seria capaz de movimentar-se de um lado a outro num cenário de TV, com a graciosidade e a voz doce da jornalista baiana da Band? Qual ex-BBB gostará prioritariamente dos Smiths e da carreira-solo de Morrissey, como a Hilary Duff, e terá o mesmo olhar suavemente sexy da atriz de Lizzy McGuire?

Vale lembrar que uma coisa é gostar prioritariamente de música de qualidade, seja Tom Jobim, Smiths, Flávio Venturini, outra coisa é "também gostar deles", o que rebaixa os melhores artistas para segundo plano, como as marias-coitadas fazem, pois, apesar de aparentemente "receptivas" (mas nem tanto assim quanto parece) à música de qualidade, dão prioridade explícita à pieguice viscosa e enjoada dos brega-popularescos mais românticos, como os grandes ídolos do sambrega e do breganejo.

Qual das boazudas terá a graciosidade docemente sexy de Ticiana e Hilary? Nenhuma, oras! Infelizmente as boazudas, que é o que mais sobra de mulher sozinha neste país, depois das pieguíssimas marias-coitadas, são matéria bruta. Não são graciosas, são tolas. Não dão sequer para começo de conversa.

Vai uma Priscila Pires fazer a previsão do tempo como faz a doce Ticiana Villas-Boas. Impossível!! A ex-BBB tem voz de dondoca com sono (deve ser a overdose de noitadas da moça), e seus gestos são puramente insossos.

Vai uma Pamela Anderson (que seria definitivamente hasbeen, não fosse o Photoshop que ainda faz ela parecer "atraente" para muitos internautas) fazer um filme tipo Lizzy McGuire e será um desastre.

Sal de frutas, por favor!!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DISCOGRAFIA DE CHICO BUARQUE ESTÁ À VENDA NAS BANCAS...DO SUL E DE SP



A discografia de 20 CDs do cantor e compositor Chico Buarque, um dos mais polêmicos da Música Popular Brasileira - sobretudo pelos sentimentos de amor e ódio que os ideólogos do brega-popularesco têm pelo compositor - está à venda nas bancas de jornais e revistas...de São Paulo e dos Estados da região Sul do Brasil: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os CDs vêm acompanhados de livretos contando a história do artista e depoimentos dele e de outros artistas, como Caetano Veloso, Toquinho e a irmã do músico, a cantora Miúcha. Os livretos também incluem informações relacionadas às músicas de cada disco.

O primeiro disco da série é Chico Buarque 1978, que inclui as músicas "Apesar de Você" (dedicada a Emílio Garrastazu Médici), Cálice (cujo título é um trocadilho com a expressão "cale-se") e "Pedaço de Mim". Os volumes serão lançados semanalmente.

Os CDs serão vendidos separadamente, como se fazem com fascículos. Mas é lamentável que sua comercialização se limite tão somente para São Paulo e para o Sul do país, enquanto as demais regiões sofrem uma grande carência da MPB autêntica, que, esnobada pelos ideólogos da música brega-popularesca, é discriminada por eles e praticamente desconhecida do grande público, sobretudo nas áreas pobres do país.

O que é um grande problema que não se resolve com a regravação de sucessos de Chico Buarque por intermédio de duplas breganejas nem por cantores e grupos de sambrega ou cantoras de axé-music. Até porque a qualidade artística nunca será a mesma da excelente música do notável compositor.

BRASIL É REFÉM DA MEDIOCRIDADE


HÁ 50 ANOS, BRASILEIROS PREFERIRAM O ESPETÁCULO DA MEDIOCRIDADE POLÍTICA EM VEZ DE CONTINUAR O DESENVOLVIMENTISMO.

Parece até filme de Luís Buñuel sobre transporte coletivo. Uma empresa de ônibus da Baixada Fluminense é conhecida pelo seu péssimo serviço, pela sua má administração e sua frota tão velha que representa risco para a vida de passageiros e rodoviários.

Enquanto todos reclamavam da empresa pelas costas, tudo reinava na santa paz. Mas, quando alguém, no caso eu, passou a reivindicar uma solução drástica para encerrar os anos de muito sofrimento de passageiros e rodoviários, surgem pessoas defendendo a empresa, usando desculpas insólitas e até arriscadas, quando a questão não passa além das questões vividas pelos passageiros.

De repente, os passageiros passaram a ser apenas um mero detalhe insignificante, enquanto até fictícias questões de disputas empresariais, ou mesmo a alusão da antiga história dessa empresa de ônibus, são citadas. Criou-se um mal estar pior do que qualquer indignação contra as irregularidades da empresa, que é a Turismo Trans1000 (ou Transmil), de Mesquita (RJ), irregularidades essas que nunca foram inventadas de minha mente, mas colhidas de veículos da imprensa carioca que relatavam também as apreensões dos ônibus da empresa pelo DETRO, órgão fiscalizador de ônibus intermunicipais.

Este é o exemplo do que é a ditadura da mediocridade no nosso país. De repente lutar pela qualidade de vida virou crime, enquanto somos forçados a esperar que medidas irregulares se "aperfeiçoem" não se sabe quando, e eu colho informações da imprensa especializada - a verdadeira "culpada" pela campanha contra a Transmil - e sou culpado. Como passageiro, me sinto humilhado por rodar em ônibus inseguros, com pneus carecas, e de repente tornei-me vilão da busologia por causa disso.

Me lembra um caso que eu tive relacionado ao radialismo rock. Houve uma rádio no Grande Rio que explorava o segmento rock da forma mais incompetente e arrogante, a Rádio Cidade. Eu escrevia textos, em alguns sites meus sobre rádio, baseados nos conceitos de rádio de rock de Luiz Antônio Mello, José Roberto Mahr, Kid Vinil, Fernando Naporano e Leopoldo Rey, e fui espinafrado pela suposta "nação roqueira" da Rádio Cidade e sua congênere paulista, a 89 FM, gente que parecia ter saído dos quartos sombrios do Comando de Caça aos Comunistas, tal o seu reacionarismo.

Eram pessoas que, em fóruns diversos da Internet, se diziam "roqueiros rebeldes" só porque falavam palavram e xingavam impropérios. Mas quando falavam em política, pediam o fechamento do Congresso Nacional, uma solução bem golpista. Condenavam a leitura de livros, e de cinema só aceitavam os filmes de pancadaria e terror, aceitando apenas aqueles com temática relacionada ao rock, por uma simples formalidade.

Hoje o pessoal da Rádio Cidade e 89, com o colapso da cultura rock no Brasil, migrou para o "funk carioca" e o "sertanejo", respectivamente. Desfilam seu reacionarismo sob as bênçãos da mídia golpista, através da Beat 98 (Organizações Globo) e Nativa FM paulista (dos mesmos donos da 89, cujo pai foi filiado da ARENA).

São dois exemplos de como a mediocridade faz do Brasil seu refém. Mas não são os mais típicos. Há o machismo que, por diversas vias, empurra a mediocridade social dos executivos e profissionais liberais sisudos, ótimos profissionais mas chatíssimos no lazer e no convívio familiar; o machismo sanguinário dos criminosos passionais, medíocres no trato e na tentativa de (re)conquistar uma mulher; no machismo das boazudas, com seus corpos exagerados, mulheres medíocres sem personalidade, por vezes brutas, por outras tolas, mas sempre burras e vulgares.

Há a mediocridade política, em que todos parecem defender igualmente a cidadania e o bem-estar social, mas ninguém faz por onde. Há a mediocridade educacional, dos analfabetos funcionais. Há a mediocridade cultural, do brega-popularesco. Há a mediocridade que faz as pessoas abandonarem seus ideais, seus princípios e sua ética em prol de vantagens fáceis e imediatas.

Há a mediocridade de pessoas burras e estúpidas que se dizem "inteligentes" por razão nenhuma. E mesmo assim se acham donos da verdade e, quando são criticados, partem para a ofensiva, com palavras jocosas, violentas, chantagistas, irônicas, como que numa prática de bullying verbal, ou numa espécie de versões textuais do Comando de Caça aos Comunistas, um dos maiores símbolos de reacionarismo juvenil da história recente de nosso país.

O Brasil tornou-se refém da mediocridade e o pior é que, em pleno século XXI, há quem nos aconselhe a ficar calados e há quem deseje e se empenhe em ver o Brasil se modernizar dentro das estruturas podres do atraso.

Há sempre aquele papo, "não é aquela maravilha, mas é melhor que nada", "sei que isso está uma m..., mas deixe estar, vamos esperar que isso vai acabar", "não é 100%, mas é cem por cento". Em todo caso, todos têm medo de lutar pela qualidade de vida e, se alguém luta por elas, é espinafrado. "Ah, você quer ver as coisas perfeitinhas, né?", "Você é um banana quando luta por coisas assim" ("coisas assim" é o que esses reacionários chamam de melhorias de verdade).

É através dessas mediocridades que figuras sórdidas do meio político, por exemplo, sempre estão em vantagens plenas. Fernando Collor, José Sarney, ou mesmo Paulo Maluf, apesar das punições recentes da Justiça. Ou a mediocridade do futebol brasileiro, mais próximo do futebol de várzea, tido como a "única alegria do povo". Argumentação esta tipicamente medíocre, pois o medíocre é que vem com esse papo de "única alegria", sua baixa auto-estima é justificada por mil desculpas, a incapacidade de buscar outras alegrias, de buscar coisas melhores.

Aliás, a busca de coisas boas e melhores, de valores edificantes, de qualidade de vida, é condenada pelos arautos da mediocridade, urubus fantasiados de canários, falando mansinho quando as circunstâncias permitem. Quando são contrariados, partem para xingações, desaforos, ou mesmo mensagens de e-mail que, falsamente amistosas, escondem um perigoso vírus de computador. São tão reacionários que, por mais que usem mil disfarces (que variam do visual de surfista aos bótons com a imagem de Che Guevara), não podem nem conseguem desmentir seu reacionário digno dos direitistas da Universidade Mackenzie naquele sangrento conflito da Rua Maria Antônia, em Sampa, 1968. Bóris Casoy que o diga.

Você chega a ser obrigado a abrir mão até do prazer e do direito de escolha. Se você é homem e a moça que está a fim de você é sósia de Tati Quebra-Barraco e você não a quer, as pessoas lhe ridicularizam, lhe chamando de "preconceituoso". Você não gosta, mas tem que aderir, em nome da "inclusão social", da "superação (?!) das diferenças" ou mesmo da "magia do amor". Se o homem não gosta de mulheres assim, ou nem mesmo de uma Priscila Pires, porque não se afina a elas, para os outros isso não importa, o cara tem que aceitar de qualquer maneira, senão a humilhação é certa.

E se você é mulher e o homem que lhe assediou é rico mas cometeu um crime passional antes, você é obrigada a aceitar pela pressão interesseira da sociedade. Se a mulher não aceita, ela viverá em pleno risco ou, na melhor das hipóteses, será vista como idiota pelas amigas.

Para os defensores da mediocridade reinante, temos que perder o preconceito de tudo, menos do nosso próprio prazer. Nosso pecado acaba sendo o do desejo e do direito de escolha. Temos que esperar que algo ruim seja apenas "um pouco menos" ruim do que agora, mesmo que estejamos à sorte de eventuais malefícios ou restrições. E mesmo que essa espera seja por tempo indeterminado.

São fantasmas de 1964 rondando o país. Gente que não quer lutar pela qualidade de vida. Gente que, demagogicamente, diz "o país está perdido mesmo, vamos nos agarrar a uma causa ou um fenômeno (medíocre), que é a única coisa que devemos fazer". Gente metida a humanista, a pragmática, a todo pretexto supostamente elevado, mas sempre desejando o pior para o país e seus indivíduos. Ou, pelo menos, o "menos pior" (sic).

É gente que não quer melhorias, quer apenas que o circo das desigualdades sociais seja tolerado com alguns paliativos. Gente que quer remendar os problemas, e não resolvê-los. Gente que se ofende quando outro pede soluções melhores, mas que não são esperadas pelo status quo da mediocridade. Gente que se irrita quando os totens da mediocridade cultural são criticados, mesmo de forma construtiva, como é o caso de cantores de sambrega e breganejo cujos defensores ganharam o apelido de talifãs tal a sua fúria intolerante e reacionária.

Fico triste com isso. Parece que há miniaturas de AI-5 (ou AÊ-5, conforme o colóquio da "galera"?) em vários setores da sociedade. Os fantasmas de 1964 renascem neles que, quando são jovens, se passam por "progressistas" mesmo com ideias reacionárias. Afinal, o filhote não nasce longe do ninho: as forças que defenderam o golpe militar de 1964 e a ditadura militar falavam em "democracia" e "liberdade", ideias que na prática combateram até com certa energia e crueldade.

Mas jutando isso a um lamentável passado histórico de nosso país, dominado por latifundiários desde o período colonial, pouco depois do país ter nascido como um "depósito de lixo" de Portugal (que despejava degredados - como se chamavam bandidos, arruaceiros e loucos naqueles tempos pós-medievais - no novo continente), uma trajetória de sub-desenvolvimento social por conta da hegemonia capitalista primeiro do Reino Unido e depois dos EUA, e que num passado recente, há 50 anos, fez o povo brasileiro jogar fora todo um processo de desenvolvimento sócio-econômico promovido por Juscelino Kubitschek, só porque seu candidato à sucessão era um marechal aparentemente sisudo e sem carisma, que foi o nacionalista Henrique Lott.

O povo preferiu escolher Jânio Quadros, que mais parecia um primo pobre de Groucho Marx com trejeitos dos Três Patetas. Jânio tinha um projeto político esquizofrênico, que misturava uma política interna de direita com política de relações exteriores de esquerda. Fez uma política de arrocho salarial violenta, mas condecorou Ernesto Che Guevara (o mesmo bajulado pela juventude reaça enrustida de hoje).

Resultado: o país perdeu a cabeça e as forças reacionárias que se deslumbraram feito crianças mimadas com a visita de Franklin Roosevelt ao Brasil - raiz de toda uma mentalidade neoliberal que ainda hoje tenta fazer barulho no país - , em 1941, e que lutaram contra as conquistas nacionalistas de nosso país, aproveitaram para pedir o golpe já em 1961, conseguindo o feito em 1964 e, de forma ainda mais cruel, em 1968.

Para piorar, essas forças reacionárias se fragmentaram. Tentam se camuflar numa falsa diversidade de versões, com algumas abordagens inseridas equivocadamente nos espaços de expressão esquerdista, como é o fato da defesa da música brega-popularesca (historicamente associada às velhas oligarquias).

Afinal, a defesa da mediocridade tenta assumir um verniz "progressista", mas é a mesma mania de querer que o Brasil sempre progrida sob as bases apodrecidas do atraso, que nos obrigarão a aceitar ônibus caindo aos pedaços, músicos sem talento verdadeiro, mulheres-frutas, pseudo-radiojornalistas baianos, políticos corruptos "arrependidos", machistas sanguinários posando de coitadinhos, rádios pseudo-roqueiras, jovens reacionários pseudo-rebeldes, programas de TV imbecis, e por aí vai.

Como dizem os mais velhos, é por isso que o Brasil não vai para a frente. Porque sempre tem alguém puxando para trás. Em todos os setores da sociedade.

LÚCIO FLÁVIO PINTO ATACA O TECNOBREGA


GABY AMARANTOS NO DOMINGÃO DO FAUSTÃO - Tecnobrega ingressa na mídia golpista pela porta da frente.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Mais goteira na Casa Amarela, encharcando a paçoca folhista de Pedro Alexandre Sanches. E susto nos blogueiros pseudo-esquerdistas que acham que o tecnobrega é a "revolta popular das periferias". A cada vez mais o tecnobrega se mostra tão ligado ao poderio da grande mídia, entrando fácil nos espaços da mídia golpista, seja na Rede Globo, na revista Época e na Folha de São Paulo, enquanto o poderio das "aparelhagens" desmente qualquer tese delirante de que o ritmo brega-popularesco está desvinculado a esquemas de poder midiático.

Pois Lúcio Flávio Pinto, que divulgou uma carta denunciando o poderio da mídia paraense (que segue invisível aos olhos de pretensos "caros amigos" que se infiltram na Casa Amarela), através das perseguições que ele sofre dos barões locais de O Liberal, maior jornal paraense, escreveu um texto lúcido contra o tecnobrega, enquanto os defensores ainda ficam fazendo um mesmo discurso publicitário que acreditam vingar na mídia de esquerda, mesmo estranhamente assimilada pela mídia golpista.

Reproduzimos o texto do portal Troppos que inclui o texto do jornalista do Jornal Pessoal (corajoso veículo de oposição paraense), e também o comentário que o blogueiro do portal fez em relação ao texto de Lúcio.

Tecnobrega: lixo em forma de música

Do portal Troppos - inclui texto de Lúcio Flávio Pinto do Jornal Pessoal - janeiro de 2009.

Já houve criação humana mais horrorosa em matéria de música do que o tecnobrega? Eu não conheço. A rigor, esse gênero nem pode ser enquadrado na condição de música. Não tem harmonia nem melodia. O ritmo é tão pobre quanto o de um bate-estaca. Uma voz esganiçada geme como se tivesse dado uma topada. Uma voz eletrônica interrompe o – digamos assim – cantante para anunciar qualquer coisa. Ao fundo, um ruído eletrônico remete o ouvinte à cacofonia do inferno. Quem submete seu ouvido a essa monocórdia repetição de um cantochão primal jamais virá a saber o que é música.

Servir de cenário para o surgimento dessa monstruosidade antimusical não consagra de vez o Pará como a terra do barulho e Belém como a sua lídima capital? De fato, o paraense tem uma propensão natural para ouvir música, cantar e dançar. A vertente verdadeiramente musical dessa tradição fecundou compositores, músicos e cantores em atividade como Nilson Chaves, Vital Lima, Alcyr Guimarães, Sebastião Tapajós, Nego Nelson, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Andréa Pinheiro e muitos outros.

Mas outra vertente foi progressivamente empobrecendo uma matriz que já era limitada. A música paraense de raiz é monótona, repetitiva, dominada pela marcação do ritmo, que cada vez mais sufoca as outras partes (mais relevantes) da composição. Ouve-se com deleite três números de carimbó. A partir daí, a exaustão vem rápido. Um disco inteiro de carimbó demarca na audição a exigência de quem ouve. Uma festa só de brega é passaporte para o rebaixamento do gosto. Uma única música de tecnnobrega é tortura auditiva. Com o som estourando o registro dos decibéis, é poluição humana certa.

A cidade é tomada todos os dias e inundada nos fins de semana por essa agressão de barulho, que também dá sua contribuição à violência geral. Contando, para a consumação do crime, com o disfarce da cultura popular. A tolerância geral para esse tipo de maneirismo não minimiza a gravidade da agressão. Só a torna menos perceptível. E, justamente por isso, mais letal. Corrói aos poucos, aniquila a sensibilidade, deforma o gosto.

Lúcio Flávio Pinto [Jornal Pessoal - janeiro de 2009]

Não só concordo com o Lúcio, como também acrescento outros argumentos que sustentam a tese de que tecnobrega é um lixo. Ultimamente a criatividade dos “compositores” ou “plagiadores” está em declínio. Se antes tínhamos as letras sem sentido, agora temos letras de músicas de outros estilos, como forró, sertanejo, rock e até música gospel. Fazer versões de música gospel é um verdadeiro sacrilégio para alguns, imagine uma música que fala de Jesus tocando em um ambiente onde as pessoas consomem bebidas alcóolicas e até drogas ilícitas. É uma confusão de valores. Além de copiarem a música na íntegra, ainda desvirtuam a mensagem.

A maioria das festas de tecnobrega ocorrem na periferia da cidade e abusam do volume, além de atrair mais violência, já que é comum alguns “frequentadores” delinquentes roubarem para consumir os “baldes” de cerveja, não é a toa que os crimes aumentam justamente nos finais de semana. Assim como ocorre nas favelas cariocas, os traficantes também atuam na contratação dessas festas, uma forma de lavar dinheiro “sujo” e também como co-patrocinadores para impulsionar a venda de entorpecentes aos viciados que vão a esse tipo de festa.

Em Belém houve uma tentativa de atrair um público diferenciado para as aparelhagens, o público da classe média, que consome muito e gera bastante lucro para os empresários da noite, mas a moda não pegou, já que o tecnobrega é estigmatizado. Basta sair a noite e ver quantos lugares frequentados pelos “baladeiros” tocam brega: nenhum!

Na música brasileira e mundial há muita porcaria, cabe a nós colocarmos um filtro em nossos ouvidos e selecionar o que é e o que não é música de verdade.

EXISTEM MULHERES DE BIQUÍNI...E "MULHERES DE BIQUÍNI"



Vamos comparar aqui duas mulheres usando biquíni.

Na esquerda vimos a toda belíssima (e recém-casada, vale avisar) jornalista Ticiana Villas Boas, da TV Bandeirantes, famosa por combinar um rosto sensual e um jeitinho meigo, com uma graciosidade peculiar.

Na direita vemos a "jornalista" Priscila Pires (que está com um affair, o popular "paquerinha"), que dispensa comentários, mas não lamentações. Uma ex-BBB que não disse a que veio a respeito de sua suposta profissão, já que a única coisa que ela fez foi bancar a mulher-fruta de luxo nas boates e praias da hora.

Veja o que é a diferença quando mulheres legais como Ticiana usam biquíni na praia. Além do corpo formoso sem exageros da jornalista, sem apelar para tatuagens nem piercings grosseiros, Ticiana é a verdadeira ninfa quando vai à praia (mas desta vez terá ao seu lado o déficit social em pessoa, que é seu marido). Ticiana exibe beleza, graça, doçura, mesmo com suas sobrancelhas grossas a moça é a primavera em forma de mulher.

Enquanto isso, Priscila Pires, que mesmo com a recente lipoaspiração, não conseguiu se desfazer de seus glúteos exageradíssimos, não tem graciosidade alguma. Sua voz não tem beleza, ela não tem charme, nem delicadeza, e ainda por cima é muito enjoada e tem um gosto musical de fazer sirene de ambulância parecer música relaxante.

E ainda tem uns idiotas que não gostam quando a gente fala mal de boazudas. Como ainda tem machista nesse país escravo do atraso. É a mediocridade afinal, como previu Edgard Scandurra há 25 anos diante do seu grupo paralelo Smack.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

JENNIFER LOVE HEWITT PÕE A CAMISA PRA DENTRO DA CALÇA



E vai crescendo o clube de moças que usam camisa pra dentro da calça (ou de bermudas e saias), desta vez com a maravilhosa Jennifer Love Hewitt esbanjando charme e encanto.

Até agora, a moda ainda não pegou no Brasil, a não ser nas jornalistas, aeromoças, secretárias e algumas atrizes de renome, ou então algumas mulheres no cotidiano. Infelizmente predomina a regra de que mulher não precisa ser charmosa, fazendo com que as ditas "mulheres mais desejadas" estejam desprovidas de elegância, enquanto a outra parte do bolo machista, os "homens mais influentes" (sobretudo empresários e profissionais liberais) abusam tanto da elegância que se tornam completamente sem graça de tão forçados.

A propósito, alguém viu uma ex-BBB ou uma panicat vestida dessa forma como vemos nesta foto da belíssima Jenny?

MORADORES DO BUMBA REALIZARAM PROTESTO EM NITERÓI



Desabrigados da tragédia do Morro do Bumba fizeram passeata ontem e anteontem aqui em Niterói. Pude ouvir as vozes dos manifestantes perto de casa, e eles têm toda a razão e mérito para realizar esse protesto desesperado.

Afinal, são quase cinco meses sem que alguma solução real seja feita para esses moradores, que perderam muitas coisas, além de entes queridos. E, o que é grave, até agora os manifestantes não possuem uma nova moradia, e, para piorar, a Prefeitura de Niterói resolveu apelar para uma medida insólita que irrita os antigos moradores: a construção de uma praça, supostamente em memória aos mortos do Morro do Bumba, no local onde havia casas.

Não bastasse isso, as obras de recuperação estão muito lentas e as promessas de construção de novas moradias não sai do papel. Ou então, atropela os interesses de outros povos carentes, como é o caso da construção de casas populares em Várzea das Moças, bairro vizinho a Maricá e São Gonçalo, feita para os desabrigados do Bumba, mas não para os moradores carentes da própria região do bairro fronteiriço, que também necessitam de casas.

É lamentável que as autoridades não vejam as moradias populares como prioridade. Fingem que veem, anunciam projetos com alarde, que no entanto demoram a se efetivar. Quando se efetivam, é de forma parcial e injusta.

Essas ações é que deveriam ser prioritárias, bem mais do que (equivocadamente) fechar avenidas, ou embelezar praças à maneira das cidades espanholas. Isso porque a população pobre é muito grande, e a exclusão habitacional atinge índices preocupantes em todas as cidades de nosso país.

O povo precisa muito de moradia. São famílias há muito tempo reclamando em prol de habitações dignas para o bem-estar de todos.

A (I)MATURIDADE DOS COROAS GRANFINOS




Os homens que nasceram na primeira metade dos anos 50 estão num impasse muito delicado em suas vidas.

Eles terão que mudar completamente seu modo de ser, o que não é muito fácil devido à educação social que tiveram, principalmente na década de 70.

Quando eles estavam entre os 18 e os 24 anos, sonhavam com um tipo de homem maduro que eles viam nas revistas e nos enlatados da TV, quase sempre um quarentão grisalho alternando smokings com terno e com trajes casuais que no entanto sempre mantenham os bicudos e desconfortáveis sapatos de verniz.

Sonhavam com uma vida restrita a festas de gala, almoços formais e a passeios familiares, convescotes, idas à praia, naquele padrão norte-americano que eles viam nos programas de tevê, nos anos 70.

Eles eram jovens naqueles idos de 1972 a 1974, quando tais valores eram difundidos. E eles sempre ouviram os mais velhos, que os desviaram de qualquer ímpeto contracultural que lhes pudesse transformar em rebeldes engajados. Afinal, estávamos na ditadura militar, em plena vigência do AI-5.

Só que passaram mais de 35 anos e, quando aqueles meninos de 1972-1974 tornaram-se os coroas de hoje, aqueles valores que eles tanto acreditaram ficaram caducos.

Não adiantou eles se casarem com moças mais jovens, porque eles se mostraram impermeáveis aos valores joviais de suas esposas, só adotando pequenas mudanças conforme as exigências do seu meio. Sempre as exigências, sempre a etiqueta.

Eles pegaram a lição pela metade. Aprenderam a respeitar os mais velhos, e hoje se esqueceram de respeitar os mais jovens.

Sisudos, contraditoriamente assumem trabalhos relacionados à fama, como escrever livros e dirigir elencos de televisão, mas agora fogem de medo das colunas sociais, na medida em que elas trocaram empresários e profissionais liberais engravatados por jovens atores de bermudão e tênis.

Se isolam no seu mundinho granfino e sisudo, passeiam no shopping com cara amarrada, se acham cansados para qualquer mudança de suas personalidades. Antigos galãs, antigos mauricinhos, eles deixam a barriga crescer, o cabelo ficar branco, a alma ficar depressiva, a personalidade estressada.

A ideia de maturidade que eles tanto acreditavam ser superior hoje é antiquada. Até mesmo os heróis da infância desses coroas de hoje já morreram. E mesmo muitos referenciais dos anos 40 e 50 - décadas cobiçadas pelo pedantismo doentemente saudosista desses coroas - são apagados de suas mentes depois de sucessivas sessões de trabalho nos consultórios ou escritórios. Ainda se lembram de Frank Sinatra, mas uns já nem fazem mais a diferença entre Montgomery Clift e Humphrey Bogart.

Até suas empresas, seus consultórios médicos, suas consultorias, seus escritórios de engenharia e advocacia, passam por transformações profundas. A tecnologia, as relações sócio-profissionais, mesmo a relação entre trabalho e lazer, nada mais é como era em 1973.

Mas para esses coroas sisudos, basta "quebrar" o terno com uma calça jeans desbotada que mal consegue quebrar a sisudez incômoda e irritante de paletós e sapatos de verniz. Usam um vocabulário coloquial que mal disfarça suas ideias antiquadas, seu semplante paternal.

Suas esposas se rejuvenescem que é uma beleza. Dá gosto vê-las. Mas dá pena elas serem casadas por homens que não querem saber do universo jovial delas. Um casal deve viver em integração de vidas pessoais. Deve haver um equilíbrio entre as diferenças de ambos, dentro de um denominador comum.

Mas esse denominador comum não há, sobretudo por culpa desses maridos "maduros". O que há neles é apenas uma vaidade egoística em terem moças mais jovens e inteligentes, moças modernas mas cujos referenciais eles não querem absorver. Eles se isolam naquele modelo antiquado de maturidade.

Eles acham que são superiores assim, acham que, por terem mais de 50 anos, não podem mudar suas personalidades nem modernizar seus hábitos, valores e crenças. Acham que as pressões da vida só servem para meninotes de até 21 anos. Que eles não podem ser pressionados na vida, porque é "falta de respeito". Acham ainda que sua sisudez é expressão de "requinte", "bom gosto" e "personalidade moderada amante das boas coisas da vida". Balelas!!

Que problema tem um empresário ou profissional liberal de mais de 55 anos, casado com uma mulher de 35, fazer-se ouvir os filhos de também 30 e poucos anos, praticar esportes radicais, manter a forma, ir a eventos de rock, ler histórias em quadrinhos e despir-se de preconceitos puramente patriarcais? Em vez disso, o empresário ou profissional liberal insistem numa personalidade ao mesmo tempo patriarcal, granfina, sisuda, sedentária, fechada no seu mundo a ponto de, se preciso, se isolar até da sociedade, desde que mantenha o estilo "sofisticado" que ele aprendeu em 1973.

Isso ocorre sem problemas, até que as pressões da vida sobre esses coroas aumentem, para desespero de seus cinquenta e tantos anos, surpreendendo-lhes na preguiçosa fragilidade de sua sisudez, hospedeira do estresse e da depressão, cujos efeitos tornam-se cada vez mais claros, cada vez mais evidentes e cada vez mais cruéis, na medida em que esses coroas se envelhecem.

O drama só se mostrará claro quando suas jovens mulheres, enjoadas da personalidade superficial e elegantemente bruta de seus maridos, pedem a conta com um divórcio surpreendentemente chocante. E elas vão tentar nova vida com garotões mais joviais.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TICIANA VILLAS BOAS SE CASOU! BUÁÁÁÁ!!!!



A jornalista da TV Bandeirantes, Ticiana Villas Boas, 30, se casou com o economista Fábio Malheiros, da mesma idade que este humilde blogueiro que lhes escreve, 39 (mas certamente já vivendo como um quarentão, como reza o estilo de vida sisudo dos profissionais liberais - enquanto eu, com os mesmos 39 anos, ainda moro com meus pais e tenho um estilo de vida bem mais jovem).

É outra jornalista baiana que se casa, sabendo que Rosana Jatobá, da Rede Globo, e ex-coleguinha deste mesmo blogueiro que lhes escreve, casada com um empresário de 42 anos, espera uma dupla de gêmeos. E Elaine Bast sumiu, porque agora vive com os filhos e o marido...economista.

Ticiana e seu lycky bastard - legal, estou indo no clima do Popoholic - foram viajar para Grécia, Turquia e Itália na sua lua-de-mel.

Enquanto isso, a "jornalista" Priscila Pires se limita a dizer que está com um affair (que a mídia de celebridades pronuncia como se fosse namorico sem importância).

Alguém tem uma dica de skate rock para eu ouvir no YouTube?

A CARTA DE LÚCIO FLÁVIO PINTO AOS BLOGUEIROS


JORNAL O LIBERAL, EXPRESSÃO DAS OLIGARQUIAS DO PARÁ

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não dá para acreditar em dois Parás, o "Pará-paraíso" do tecnobrega e o Pará explosivo dos conflitos sociais. Os dois não passam de um só, porque o entretenimento do brega-popularesco é financiado claramente pelas elites. Mas isso é uma outra história, que no entanto faz parte do contexto de poder midiático e oligárquico do Estado nortista, conforme denúncia de Lúcio Flávio Pinto em carta enviada para o Encontro dos Blogueiros Progressistas. A leitura da carta recebeu aplausos entusiasmados da plateia solidária.

A carta de Lúcio Flávio Pinto aos blogueiros #blogprog

Do blog Viomundo

O jornalista Lúcio Flávio Pinto, de Belém (PA), é ganhador dos principais prêmios de Jornalismo no Brasil. É um exemplo de ética, coragem, competência e dignidade para todos nós que atuamos na imprensa.

Por falar a verdade contra os poderosos do Pará, responde a vários processos. Desde que eles começaram, Lúcio Flávio procurou oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou defendê-lo.

A sua participação estava prevista no 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressitas. No entanto, não pode comparecer, pois na segunda-feira teve de apresentar agravo a um dos processos.

Para representá-lo, veio o filho Angelim Pinto. Em nome de Lúcio Flávio, leu esta mensagem aos participantes do encontro. Palmas da plateia interromperam-na várias vezes (Conceição Lemes):

"Caros amigos blogueiros Sinto-me muito honrado pelo convite, que devo ao Azenha e à Conceição Lemes, para participar deste encontro. É uma iniciativa generosa e gentil para com um analfabeto digital, como eu. Garanto que sou capaz de ligar e desligar um computador, de enviar e receber mensagens. Não garanto nada a partir daí.

Como, então, estou aqui? Sou – digamos assim – um blogueiro avant la léttre. Não podendo ser um tigre, posto que sou Pinto, fui precursor na condição de blogueiro de papel – e no papel. Às vezes, por necessidade, também um tigre in fólios – e nada mais do que isso.

Em 1987, eu tinha 38 anos de idade e 22 de profissão e me vi diante de um dilema.

Numa vertente, a carreira profissional bem assentada em O Estado de S. Paulo, então com 16 anos de “casa”, e também no grupo Liberal, a maior corporação de comunicação do norte do país, no qual tinha 14 anos, com um rompimento pelo meio, quando tentaram me censurar, logo superado pelo restabelecimento da minha liberdade de expressão.

Na outra vertente, uma matéria pronta, importante, mas que não encontrava quem a quisesse publicar. Era o desvendamento do assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles, por morte de encomenda, executada na área metropolitana de Belém, o primeiro crime político em muitos anos na capital do Pará. O Estadão publicara todas as matérias que eu escrevera até então sobre o tema. Mas aquela, que arrematava três meses de dedicação quase exclusiva ao assunto, era, segundo o editor, longa demais.

Já O Liberal a considerava impublicável porque ela apontava como envolvidos ou coniventes com a organização criminosa alguns dos homens mais poderosos da terra, dois deles listados entre os mais ricos. Eram importantes anunciantes. Ao invés de me submeter, decidi ir em frente.

Aí, há 23 anos nascia o Jornal Pessoal, sem anunciantes, feito unicamente por mim, assemelhando-se aos blogs de hoje. Um blog impresso no papel, que exerceu na plenitude o direito de proclamar a verdade, sobretudo as mais incômodas aos poderosos.

Em janeiro de 2005, depois de muitas ameaças por conta desse compromisso, fui espancado por Ronaldo Maiorana, um dos donos do grupo do grupo Liberal, que na época era simplesmente o presidente da comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará. Eu estava almoçando ao lado de amigos em restaurante situado num parque público de Belém, quando agressor me atacou pelas costas, contando com a cobertura de dois policiais militares, que usava – e continua a usar – como seus seguranças particulares.

Qual a causa da brutalidade? Um artigo que publiquei dias antes sobre o império de comunicação do agressor. O texto não continha inverdades, não era ofensivo, nem invadia a privacidade dos personagens. Mas desagradava aos senhores da comunicação. Embora tendo a emissora de televisão de maior audiência do Estado, afiliada à Rede Globo, o jornal que ainda era o líder do segmento (já não é mais) e estações de rádio, não usaram seus veículos para me contraditar ou mesmo atacar com o produto que constitui seu negócio, a informação.

O que resultou dessa agressão? Da minha parte, a comunicação do fato à polícia, que enquadrou o criminoso na forma da lei. Mas o agressor fez acordo com o Ministério Público do Estado, entregou cestas básicas a instituições de caridade (uma delas ligada à família Maiorana) e permaneceu solto, com sua primariedade criminal intacta. Já o agressor, com a cumplicidade do irmão mais velho e mais poderoso, ajuizou contra mim 14 ações na justiça, nove delas penais, com base na Lei de Imprensa da ditadura militar, e cinco de indenização.

O objetivo era óbvio: inverter os pólos, fazendo-me passar da condição de vítima para a de réu. Em quatro das ações eu era acusado de ofender os irmãos e sua empresa por ter dito que fui espancado, quando, segundo eles, eu fui “apenas” agredido. Mais um dentre vários absurdos aviltantes, aos quais a justiça paraense se tem prestado – e não apenas aos Maiorana, já que me condenou por ter chamado de pirata fundiário o maior grileiro de terras do Pará e do universo, condição provada pela própria justiça, que demitiu por justa causa todos os funcionários do cartório imobiliário de Altamira, onde a fraude foi consumada, colocando ao alcance do grileiro pretensão sobre “apenas” cinco milhões de hectares.

Os poderosos, que tanto se incomodam com o que publico no Jornal Pessoal, descobriram a maneira de me atingir com eficiência. Já tentaram me desqualificar, já me ameaçaram de morte, já saíram para o debate público e não me abateram nem interromperam a trajetória do meu jornal. Porque em todos os momentos provei a verdade do que escrevi. Todos sabem que só publico o que posso provar. Com documentos, de preferência oficiais ou corporativos. Nunca fui desmentido sobre fatos, o essencial dos temas, inclusive quando os abordo pioneiramente, ou como o único a registrá-los. Não temo a divergência e a contradita. Desde então, os Maiorana já me processaram 19 vezes.

Nenhuma das sentenças que me foram impostas transitou em julgado porque tenho recorrido de todas elas e respondido a todas as movimentações processuais, sem perder prazo, sem deixar passar o recurso cabível, reagindo com peças substanciais. O que significa um trabalho enorme, profundamente desgastante.

Desde 1992, quando a família Maiorana propôs a primeira ação, procurei oito escritórios de advocacia de Belém. Nenhum aceitou. Os motivos apresentados foram vários, mas a razão verdadeira uma só: eles tinham medo de desagradar os poderosos Maiorana. Não queriam entrar no seu índex. Pretendiam continuar a brilhar em suas colunas sociais, merecer seus afagos e ficar à distância da sua eventual vendetta. Contei apenas com dois amigos, que se sucederam na minha defesa até o limite de suas resistências, de um tio, que morreu no exercício do meu patrocínio, e, agora, com uma prima, filha dele.

Apesar de tantas decisões contrárias, ainda sustento minha primariedade. Logo, não posso ser colocado atrás das grades, objeto maior do emprenho dos meus perseguidores. Eles recorrem ao seu cinto de mil utilidades para me isolar e me enfraquecer.

Não posso contar nem mesmo com o compromisso da Ordem dos Advogados do Brasil. Seu atual presidente nacional, o paraense Ophir Cavalcante Júnior, quando presidente estadual da entidade, firmou o entendimento de que sou perseguido e agredido não por exercer a liberdade de imprensa, o direito de dizer o que sei e o que penso, mas por “rixa familiar”.

No entanto, dos sete filhos de Romulo Maiorana, criador do império de comunicações, só três me atacam, com palavras e punhos. Dos meus sete irmãos, só eu estou na arena. Nunca falei da vida privada dos Maiorana. Só me refiro aos que, na família, têm atuação pública. E o que me interessa é o que fazem para a sociedade, inclusive no usufruto de concessão pública de canal de televisão e rádio. E fazem muito mal a ela, como tenho mostrado – e eles nunca contraditam.

Crêem que, me matando em vida, proibindo qualquer referência a mim e meus parentes, e silenciando sobre tudo que fazem contra mim na permissiva e conivente justiça local, a história dessa iniqüidade jamais será escrita porque o que não está nos seus veículos de comunicação não está no mundo. Não chegaria ao mundo porque o controlam, a ponto tal que tem sido vão meu esforço de fazer a Unesco, que tem parceria com a Associação Nacional de Jornais, incluir meu caso na relação nacional de violação da liberdade de imprensa.

O argumento? Não se trata de liberdade de imprensa e sim de “rixa familiar”. O grupo Liberal, por mera coincidência, é um dos seis financiadores do portal Unesco/ANJ.
Após os Maiorana, o dilúvio. A maior glória do Jornal Pessoal é nunca ter sido derrotado no terreno que importa à história: o da verdade. Enquanto for possível, as páginas do Jornal Pessoal continuarão a ser preenchidas com o que o jornalismo é capaz de apurar e divulgar, mesmo que, como um Prometeu de papel, o seu ventre seja todo extirpado pelos abutres.

Eles são fortes, mas, olhando em torno, vejo que há mais gente do outro lado, gente que escreve o que pensa, apura sobre o que vai escrever e não depende de ninguém para se expressar, mesmo em condição de solidão, de individualidade, como os blogueiros, que hoje, generosamente, me acolhem nesta cidade que fiz minha e que tanto amo, como se estivesse na minha querida Amazônia."