sexta-feira, 23 de julho de 2010

QUANDO PAÇOCA É SINÔNIMO DE GOROROBA



Na edição deste mês da revista Caros Amigos, o estranho no ninho Pedro Alexandre Sanches tenta disfarçar a defesa do brega-popularesco e despeja um texto aparentemente correto sobre as grandes compositoras da música brasileira.

O grande problema é que ele enfia Gaby Amarantos junto, sempre para puxar a brasa para a sardinha popularesca que, mesmo com todo o discurso pseudo-vanguardista e pseudo-esquerdista - Sanches chega a falar em "Reforma Agrária no Ar", pode? - , rapidamente ganha acesso na mídia golpista, já que a música brega-popularesca tem um quê de apátrida, domesticada e caricata, bem do agrado dos barões da grande mídia.

Em apelo marqueteiro, Pedro Alexandre Sanches é o Hermano Vianna da vez. Que foi o Paulo César Araújo da hora. A "Paçoca", a gororoba cultural de Caros Amigos, é a "Central da Periferia" da vez, que foi o Eu Não Sou Cachorro Não (o livro) reembalado para a TV. Gaby Amarantos é a Tati Quebra-Barraco da vez, que por sua vez foi o Waldick Soriano da hora. Sempre as mesmas alegações, a mesma choradeira de "vítimas de preconceito", a suposta discriminação da mídia (que, na verdade, apoia completamente esta categoria musical em todos os seus estilos). Mas ninguém percebe isso.

Fico imaginando como é que ficariam os leitores de Caros Amigos diante de um fraudulento conjunto musical palestino empresariado pelos barões de Israel. Será que o pessoal vai fazer a mesma apologia "etnográfica", "pós-moderna" e outras manobras intelectualóides?

É um perigo haver uma pregação dessas em Caros Amigos, porque o risco de Pedro Sanches relançar o É O Tchan como se fosse um caleidoscópio multimídia pós-moderno é muito grande. Pedro Alexandre Sanches faz muito mais pela mídia golpista do que qualquer cronista político mal-humorado que faça ponto no Instituto Millenium.

Eu escrevo isto e os caros amigos, coitados, não ouvem. Nem querem ouvir.

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