quarta-feira, 14 de julho de 2010

OLHE SÓ QUEM FALA!!



Pedro Alexandre Sanches, o crítico musical que invadiu a imprensa de esquerda para defender a mesma música brega-popularesca patrocinada pelos barões da grande mídia nacional e regional, parece se incomodar com o estigma de crítico musical na grande imprensa.

Ele diz que rejeita a ideia de crítico musical como mero propagandista, mas certamente ele não olha para o seu próprio caso, quando ele mesmo faz propaganda de ritmos popularescos que só ele e uns poucos assemelhados - Hermano Vianna é um deles - pensam que são ritmos "emergentes". Vejam a linda teoria dele, que não corresponde à prática, quando ele foi um dos primeiros a fazer propaganda do tecnobrega, com aquele discurso "intelectual pós-moderno", que só abriu caminho para a entrada triunfal do ritmo nos veículos das Organizações Globo.

Ele não questiona as armadilhas da mídia, mas aprecia os modismos popularescos de forma descritiva e apologética, o que são caraterísticas de propaganda. É como se ele recebesse um relise do tecnobrega, por exemplo, e recheasse o texto publicitário com divagações intelectualóides. É tapear propaganda com texto supostamente sociológico ou etnográfico.

Ele critica a abordagem cor-de-rosa dos demais críticos musicais, mas não observa o próprio caso, que define o cenário do brega-popularesco como um mundo cor-de-rosa, em que o povo pobre vai que nem gado para os clubes de subúrbio dançar uma música que as rádios definem que o povo deva curtir e Pedro credita como se fosse um "mundo feliz" da periferia, como se o povo, sendo ingênuo, fosse mais bonzinho. Nada mais cor-de-rosa do que isso.

Vejam a "pérola" que PAS disse na entrevista para o blog Klaxons BC, a respeito da ideia de "crítico musical".

"Pois é, que encrenca, não? O termo ultimamente me aflige, porque, com a configuração cada vez mais agressiva da cultura como indústria cultural, “crítico” também ficou cada vez mais parecido com um eufemismo para “divulgador”. Pode até ser um divulgador ao contrário, que divulga botando defeito no que divulga, mas não deixa de ser, mesmo assim, um divulgador. O que não tem nada de mau a princípio, mas é realmente estranho pensar que um jornalista, na função de “crítico”, recebe um determinado salário de seu patrão para fazer propaganda dos empregados de outros patrões. Não parece haver algo errado nesse percurso? Eu acho que tem, tanto é que, na minha opinião, a coisa não tem andado muito bem. Porque as coisas vão perdendo a graça (ou então ficam cínicas demais) conforme o sentido da palavra “crítico” se deforma, seja na exasperação do sentido negativo do conceito “crítico” (que credibilidade pode ter alguém que só encontra os “defeitos” dos objetos que admira, supostamente, por amor?), seja na entrega total ao sentido positivo, explicitamente propagandista, do conceito (quem pode acreditar para valer nas opiniões de alguém que propagandeia que tudo está o tempo inteiro cor-de-rosa?). Dá vontade de voltar à idade da pedra polida, ou viajar para algum tempo simbólico em que “criticar” fosse meramente refletir, analisar, pensar junto – o que, evidentemente, não tem (ou não deveria ter) nada a ver com a tiragem do jornal, a necessidade diária de sensacionalismo nas bancas e assim por diante".

Um comentário:

O Kylocyclo disse...

Pedro Alexandre Sanches é o Hermano Vianna da vez. E sua coluna Paçoca, de Caros Amigos, é a Central da Periferia da hora. Misturando alhos com bugalhos, na verdade é a mesma abordagem de Francis Fukuyama aplicada à música brasileira: a MPB autêntica produzida, até meados dos anos 70, pelos morros e sertões, tem seu valor, mas ela "terminou", e hoje a história da música brasileira, segundo este discurso, se faz agora com a "cultura de massa" dos ídolos do brega-popularesco.