sexta-feira, 9 de julho de 2010

O FUTEBOL DA CORRUPÇÃO



Há pelo menos 20 anos uma copa do mundo de futebol não consegue mais empolgar. Jogos cada vez medíocres, resultados cada vez mais tendenciosos, às vezes previsíveis, às vezes imprevisíveis. Em certos casos, a "zebra" torna-se comum demais, em outras os favoritos parecem alcançar vitórias fáceis demais.

A seleção da França venceu a copa de 1998 na roubalheira. A seleção do Brasil venceu a copa de 2002 da mesma forma. Jogos medíocres, tendenciosos, e na seleção brasileira o que se via era sempre a mesma ladainha: "sem jogo convincente, seleção vence partida por 1 a 0", "mesmo sem empolgação, seleção garante vitória em amistoso", "seleção, mesmo sem jogo confiável, vence partida contra tal adversário", "Mesmo com jogo inseguro e um jogador a menos, seleção garante vaga na final".

Sempre isso. Não é mais o futebol-arte, agora é o futebol-negócio, futebol-jabaculê. As jogadas são outras. A lama escorre tão solta no futebol brasileiro que, no caso da Bahia, o organismo de Mário Kertèsz, o ex-prefeito de Salvador transformado em dublê de radiojornalista, acabou confessando a podre corrupção do futebol baiano. Se o astro-rei da Rádio Metrópole não tivesse envolvido em corrupção, não teria passado mal com a descoberta de todo o esquema envolvendo radialistas e "cartolas" na capital baiana.

A podridão da mídia com o futebol é tanta que até a Aemização das FMs mostra uma empolgação além do normal. Assim como onde há fumaça, há fogo, quando a alegria é maior que a festa, o santo desconfia. Por isso a empolgação exagerada de certos radiófilos pelegos em relação às transmissões esportivas em rádio FM não se motiva por pretextos inocentes como "melhor qualidade de som", "mais jornalismo", "paixão nacional" e outras expressões bonitinhas. O motivo é exatamente este: LUCRAR COM A CORRUPÇÃO.

A realidade da manobra dos resultados existe no esporte e é mais comum do que se imagina. O que se fala nos bastidores da copa de 2010 quanto a manobras feitas nas copas anteriores e até nas que se fazem para 2014 é de assustar. Claro que essas manobras não são investigadas pela grande mídia. Isso acabaria com o negócio, com as negociatas, esvaziaria estádios com a torcida enfurecida com a roubalheira futebolista.

Mas, diante de um esporte que comprovadamente não contribui para a cidadania, nem para a fuga das drogas e da criminalidade, marcado pelos episódios estarrecedores do goleiro Bruno, do Flamengo, e da tendenciosa derrota da potente Alemanha na copa (num desempenho aquém do esperado), para evitar seu tetracampeonato (o que ameaçaria as vantagens políticas da CBF na FIFA), o lodo que cerca os bastidores do futebol é muito mais sujo que a inocente lama das "peladas" que a criançada joga nas suas tenras idades.

Se futebol é o esporte da "emoção", só se essa "emoção" significar decepção e raiva.

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