quinta-feira, 22 de julho de 2010

NINGUÉM É PERFEITO!


COMENTÁRIO DESTE BLOG: O amigo Marcos Niemeyer escreveu um texto sobre o pesquisador musical Ricardo Cravo Alvim, idealizador do programa educacional MPB nas Escolas, a ser implantado no próximo ano em todo o Brasil.

Ele tem inegáveis conhecimentos sobre a história da música brasileira, mas peca pela condescendência, já descrita aqui, nas tendências brega-popularescas, no que se refere à suposta "música sertaneja" (que ele credita ter repercutido a partir da novela Pantanal, da TV Manchete, e não da farra eleitoral do conservador Fernando Collor de Mello em 1989).

Marcos faz críticas aos elogios que Alvim faz a Ivete Sangalo e DJ Marlboro, e aí pode estar uma grande armadiha para o projeto MPB nas Escolas da qual só o desenvolvimento de uma consciência crítica dos alunos pode prevenir.

Ninguém é perfeito!

Por Marcos Niemeyer - Blog Cacarejadas & Ejaculadas

O respeitado pesquisador musical Ricardo Cravo Albin (foto), 70 anos, é uma figura das mais notórias em sua área de atuação. O conjunto de sua obra inclui a fundação do Museu da Imagem e do Som (MIS), inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente em várias capitais brasileiras.

Albin acaba de lançar uma reedição, parcialmente ampliada, do Dicionário Cravo Albin da MPB, a mais completa fonte de pesquisa sobre cantores e músicos do País, editado em parceria com o Instituto Antônio Houaiss.

Nascido na terra de Caymmi e João Gilberto, ele disse em entrevista ao jornal a Tarde, de Salvador, que se sente orgulhoso por conta dos mais de cinco mil verbetes e do maravilhoso conjunto de caricaturas que enfeitam as páginas do dicionário.

Musicólogo por definição, guarda, na memória, verdadeira antologia da música popular. Ao longo de sua trajetória, conheceu e se tornou amigo de ícones, de Sílvio Caldas a Tom Jobim, e presenciou grandes momentos da MPB contemporânea. Cravo Albin está lançando um trabalho inédito em parceria com a Secretaria da Educação do Rio de Janeiro, para ensinar a história da música popular.

“São seis cortes históricos: formação da MPB, choro, samba, música regional, bossa nova e a evolução da MPB até a atualidade. É uma introdução, não uma enciclopédia como o Dicionário Cravo Albin. Mas mescla a possibilidade de conhecer gente interessante, criativa, sem censura, sem preconceitos, chamando atenção para a miscigenação brasileira. Tem cartazes, DVDs, tudo encadernado. Isso pode atrair os alunos, além, naturalmente, da chance de conhecer quem foi Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa, Ary Barroso. Porque atualmente não sabem nem quem é Chico Buarque. Só conhecem Ivete Sangalo, que é ótima, Tati Quebra-Barraco, MV Bill e o DJ Marlboro, que também são”.

Conforme é percebível, a porção negativa de Albin acaba de transparecer diante do avesso do avesso. Ao elogiar uma representante da indigesta axé music – que, segundo afirma, tem fundamento – e outra do funk carioca, ao mesmo tempo em que fala sobre o resgate da verdadeira MPB, o especialista assina um autêntico atestado de insensatez.

Se o mais honrado pesquisador musical brasileiro joga confete na podridão sonora, o que podemos esperar da mídia em benefício dos ouvidos mais sensíveis? Ninguém é perfeito.

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