domingo, 25 de julho de 2010

MULHERES LEGAIS SÃO ARTIGO DE LUXO NO BRASIL



Ser um homem legal certamente é um fardo no Brasil. Chega a parecer um pecado mortal.

Os homens legais ficam à mercê do assédio fútil e "fácil demais" das mulheres vulgares, que, não obstante, escondem um passado amoroso tenebroso com ex-namorados com experiências sociais tão suspeitas que nem é bom falar.

Para piorar, ainda prevalece o ditado "cavalo dado não se olha os dentes" e se um homem legal rejeita o assédio de uma mulher vulgar, é mal-visto. Se fala mal da "boazuda" de plantão, é visto como "preconceituoso". Se não quer se envolver com ela porque o ex-namorado dela é da pesada e pode ameaçar, é visto como "medroso". Se diz que não está a fim dela, é visto como "homossexual". Ou seja, o homem legal também sofre de bullying, e é obrigado a aceitar as mulheres que sobraram "no mercado" para "provar que é homem".

Péssima realidade do país machista que promoveu a péssima educação de nossas mulheres. Para uma Leandra Leal que aparece dando o ar de sua graça, há milhares de Priscila Pires causando constrangimento até nos perfis do Orkut.

Enquanto no mundo adulto dos anos 80 explodiam os crimes passionais, já que a impunidade dos mesmos inspirava outros crimes semelhantes, as menininhas da época - as tais Priscila Pires que existem aos montes em todo o Brasil - eram desprezadas pelos pais e consumiam a TV aberta e o rádio FM que os barões da mídia ditatorial já reservavam para suas babás de origem pobre consumirem.

Ou seja, não bastassem saírem de cena, nos anos 80, jovens moças dotadas de algum referencial decente de moral, cultura e ética, dizimadas pelos seus "companheiros" que num dia se esqueceram de amá-las e mesmo assim não queriam perdê-las, veio a compensação apenas quantitativa de mocinhas que, no começo do século XIX, se tornaram infantilizadas aos cerca de 25 anos de idade.

Duplo desserviço de um machismo que dizimou umas mulheres e emburreceu outras tantas. Isso faz uma diferença negativa, já que a personalidade por vezes fútil, por outras piegas, das brasileiras "jecas", faz elas ficarem sozinhas até mesmo em regiões onde há explícita maioria de homens em relação às mulheres na população, como nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Da noite para o dia, apareceram moças solteiras aos montes nessas regiões, quando, em outros tempos, uma Priscila Pires da vida que ainda morasse no Mato Grosso do Sul não passaria de uma recatada esposa de um fazendeiro dez anos mais velho que ela e criador de gado e cavalos. De repente, em Goiás, Amapá, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, apareceram moças "encalhadas", mesmo com uma significativa maioria masculina na população desses Estados.

Para agravar, esse "encalhe" se efetiva através de todo o repertório da música brega-popularesca, com seus sucessos avacalhando as relações amorosas, sempre falando de traições, de solidão, promovendo a péssima imagem do homem para as mulheres que ouvem essas FMs, complementando a exploração dos noticiários policialescos, que praticamente transformam a figura masculina no "bicho-papão" que assusta as marmanjonas "jecas".

Por outro lado, moças legais, que demonstram ser mais que corpos bonitos, que têm classe, inteligência, personalidade e não precisam "provar o tempo todo" que são gostosas, elas são disputadas a toda hora pelos homens. Elas dificilmente ficam sem namorados por muito tempo, e várias delas são até casadas. No Primeiro Mundo, elas são mais fáceis de encontrar, mas no Brasil, uma mulher dessas, que daria uma convivência ao mesmo tempo útil e agradável, não é fácil de encontrar.

Isso é de fazer arrancar os cabelos. O que um homem legal vai fazer com uma mulher que só quer mostrar o corpo e ir para noitadas, sejam elas raves techno ou vaquejadas, festivais gospel ou "bailes funk"? O que uma mulher dessas vai acrescentar para os homens legais? Nada, simplesmente. Nada.

E, agora que Eliza Samudio torna-se o símbolo trágico das "boazudas" que ainda se envolvem com machistas, a situação dessas mulheres torna-se mais confusa ainda. E Priscila Pires levando fora de Léo Santana do Parangolé, o mesmo que a Mulher Moranguinho definiu como "inacessível" aos desejos amorosos desta.

Dá a impressão de que o "mercado" da vida amorosa no Brasil mais parece um mercado de varejo em falência e em processo terminal de liquidação. Só sobra quem não presta. É tão fácil de pegar que uma Priscila Pires sai de graça até para um desempregado. Mas, como diz o ditado, "quando a esmola é tanta...".

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