quarta-feira, 7 de julho de 2010

MORREU EZEQUIEL NEVES, O "MESTRE" DE CAZUZA



Ironicamente, na lembrança dos 20 anos de falecimento do cantor Cazuza, faleceu seu amigo Ezequiel Neves, produtor, jornalista, compositor e agitador cultural.

"Zeca Jagger", como era conhecido pela sua obsessão pelos Rolling Stones, tinha 74 anos e sofria de falência múltipla de órgãos. Participou ativamente dos áureos tempos do "desbunde" brasileiro, e, como jornalista, era adepto do new journalism, assim como seu estado de espírito era bem próximo da zoeira new left de Abbie Hoffmann, famoso por sua jovialidade fora de comum aliada a uma rebeldia bem humorada e provocativa.

Ezequiel era o co-produtor e "mentor" do Barão Vermelho, no sentido em que George Martin era "mentor" dos Beatles. Não era mentor no sentido de inventar bandas, mas de dar sugestões, fazer críticas, fazer uma "interferência" na banda sem afetar sua autonomia, mas estabelecendo um diálogo ao mesmo tempo cáustico e cúmplice.

Ezequiel escreveu em várias revistas, inclusive a primeira edição brasileira (mas não autorizada) da revista ianque Rolling Stone, entre 1971 e 1972. Foi ator de teatro, roteirista de cinema, trabalhou com nomes da MPB como Elizeth Cardoso e, como compositor, é co-autor de "Por que a Gente é Assim", "Exagerado" e "Codinome Beija-Flor".

Ele era natural de Belo Horizonte e era jornalista desde 1956. Não viveu para fazer 75 anos no final de novembro. Deixou uma trajetória rica, como se pode verificar aqui.

Além do mais, Ezequiel Neves, que escreveu com o jornalista Rodrigo Pinto e o músico do BV Guto Goffi o livro Barão Vermelho - Por que a Gente é Assim?, lançado em 2008, deixou uma lição de grande jovialidade, num Brasil em que os grandes "coroas" insistem numa cansativa e melancólica sisudez a pretexto do "requinte" e da "sofisticação".

Vai em paz, Zeca.

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