sexta-feira, 30 de julho de 2010

KEVIN SUMBA IRÁ LONGE


O ESTUDANTE DE MEDICINA KEVIN SUMBA E O CINEASTA MILES ROSTON

Um dos brilhantes exemplos de ativismo social autêntico se encontra no Quênia, e tem como causa ajudar a diminuir o avanço e os malefícios da AIDS e de outros problemas enfrentados pela população africana.

Um desses ativistas é o jovem negro Kevin Sumba. Ele mesmo vivenciou sua tragédia, pois, ainda criança, ficou órfão de pai e mãe, ambos mortos por consequência da AIDS. Morava em condições miseráveis com outros adultos, numa comunidade pobre de Kisimu - terceira maior cidade do Quênia - e se alimentava sobretudo à base de um cozido que incluiu tomate e repolho, e que era chamado de "estica-semana" porque alimentava o organismo por mais tempo.

Kevin, vendo-se órfão, passou a frequentar, escondido, uma escola dirigida por um centro católico local, entrando na sala de aula depois que era feita a chamada. A presença de Kevin era ilegal, porque ele não podia pagar a escola, mas o menino sempre fazia questão de frequentar as aulas, porque isso ele se sentia feliz e esquecia o doloroso passado dos pais doentes.

Era assim que o cineasta norte-americano Miles Roston encontrou Kevin, quando pesquisava as comunidades quenianas para um documentário. Miles se surpreendia quando o menino afirmava seu desejo de tornar-se médico especializado em ajudar doentes de AIDS.

Depois que completou, em 2002, o documentário 14 Million Dreams, sobre os órfãos da AIDS, crianças africanas que perderam seus pais em virtude da doença, Miles voltou para rever Kevin. O cineasta havia investido dinheiro para a melhoria de vida do jovem, principalmente na educação.

Miles tornou-se praticamente um tutor de Kevin, e o levou para a Austrália para a divulgação do documentário. Aos poucos, Kevin Sumba se tornava conhecido e o jovem era convidado para realizar palestras e falar com autoridades. Seu desejo de cursar Medicina só se aperfeiçoava, criando nele uma desenvoltura nos estudos.

Kevin Sumba só teve problemas com alguns líderes católicos, que preferiam rezar e promover a abstinência sexual a apoiar o uso de preservativos. E olha que Kevin é católico, mas vê o interesse social acima dos dogmas religiosos.

O estudante então passou a visitar também outras pessoas pobres que de alguma forma sofrem as consequências da AIDS, direta ou indiretamente. Visitou cemitérios de várias vítimas, inclusive muito jovens. Kevin sente medo da AIDS, mas se encoraja de querer estudar e trabalhar para erradicar a doença. E nos últimos anos estabeleceu contatos também com instituições dedicadas a combater a doença, e em toda palestra que ele faz, é aplaudido com entusiasmo e tratado com respeito e admiração por autoridades e especialistas.

Hoje ele é universitário, e tem 22 anos. Por enquanto, ele está no começo de sua luta. Mas, pelo seu sonho, pela sua natural vocação e pela perseverança, Kevin Sumba irá bem longe, e certamente o futuro dr. Sumba trará grandes benefícios para o povo no mundo inteiro, e se tornará um respeitado médico e um dos importantes ativistas sociais do planeta.

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