quinta-feira, 15 de julho de 2010

JORNAL DO BRASIL PODE PERDER EDIÇÃO IMPRESSA EM SETEMBRO


Edição do Jornal do Brasil de 14.12.1968, noticiando o anúncio do AI-5 da ditadura militar.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Nelson Tanure, dono do JB, tentou disfarçar, dizendo que o jornal "sai do papel para entrar na modernidade", mas nas redações o clima é de tensão, diante do risco de demissões.

O tradicional Jornal do Brasil havia pertencido à família aristocrata Pereira Carneiro e depois pelos Nascimento Brito, devido ao genro da condessa Pereira Carneiro. O periódico estava sob propriedade de Tanure há cerca de dez anos, e a crise já fez o jornal diminuir seu formato, do padrão standard (comprido) para o formato berlinense (com o tamanho de um tablóide).

O JB se destacou sobretudo pelas reações irônicas ao AI-5 da ditadura, publicando receitas de bolo e poemas de Luís de Camões em espaços de notícias censuradas, e na manchete do anúncio do AI-5, mostrou Costa e Silva em pose autoritária mas na ponta dos pés, sugerindo a pretensão de grandeza de um general "pequeno".

Realmente discordamos que a extinção da edição impressa de um jornal e sua limitação de publicação à Internet seja sinônimo de "modernidade". O papel é um produto atemporal. Além do mais, isso é desculpa para economizar custos.

O maior problema é que o fim da versão impressa do Jornal do Brasil irá enfraquecer a imprensa fluminense, com uma publicação concorrente a menos. Pior para o leitor de jornal, porque o JB tinha uma linha editorial mais sofisticada que os concorrentes O Globo e O Dia.

A não ser que haja uma reação para a manutenção da versão impressa, o JB deixa a imprensa escrita daqui a cerca de dois meses. A não ser que os brasileiros decidam comprar mais o JB ao longo destes dias. Com o aumento das vendas, quem sabe Tanure volte atrás, não é mesmo?

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