sábado, 10 de julho de 2010

GLEE NÃO É TÃO LOSER ASSIM



Alguns fenômenos de mídia se tornam, de certa forma, um hype, que a gente, sem querer rejeitá-los, desconfia.

Foi assim com o seriado Seinfield, nos anos 90, e hoje a "bola" da vez é o seriado musical Glee, aparentemente um High School Musical para losers.

Mas quando um seriado associado a losers se torna badalado pela mídia mainstream, é bom estranhar. Não estou aqui tirando os méritos de Glee, como não tiro os méritos de Seinfield (embora o seriado fosse menos genial do que muitos dizem) nem de Beavis and Butthead, apesar deste ser muito escatológico e cínico demais e não deveria ter se levado muito a sério.

O que peca em Glee é que o repertório musical tornou-se qualquer nota. Supostamente Glee parece um seriado para nerds e High School Musical para mauricinhos e patricinhas. Mas não é bem assim.

Talvez High School Musical não seja um seriado para nerds, embora abrisse as portas para um cenário teen de musas realmente cultuadas por nerds (como Emily Osment e Demi Lovato, por exemplo). Mas se em Glee seu elenco canta até Madonna e Lady Gaga, então o seriado nada tem de loser. Mais parece um Grease menos glamurizado.

Pior é que o ator que faz o personagem nerd do seriado - falei personagem nerd, e não 'seriado de nerd' - , ao chegar ao Brasil para divulgar o seriado, disse que gostaria de incluir Ivete Sangalo no repertório do programa. Aí, nada menos nerd!!

Glee é apenas uma comédia musical, com suas pessoas "desajeitadas" e simples. Não vai mudar o mundo e não vai levantar bandeira alguma do ideal loser ou nerd. Seu sucesso é até merecido, como uma atração nova de entretenimento. Mas daí para dizer que a atração é revolucionária, é um grande exagero.

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