quinta-feira, 29 de julho de 2010

DIOGO MAINARDI DEIXA O BRASIL



Quando o sujeito é muito, muito reacionário, possui uma postura direitista ferrenha e um fascínio doentio pelo capitalismo, se ele é brasileiro ele certamente sairá do país.

Há um bom tempo o medieval Olavo de Carvalho vive fora do Brasil. Agora seu equivalente pop, colunista de Veja Diogo Mainardi, que já estava mais para fora do Brasil do que para dentro do país, vai definitivamente deixar a nação, sem qualquer chance de estabelecer sequer uma segunda moradia por aqui.

Diogo, conhecido como o pit-bull da sujíssima Veja, se esforçava em fazer textos provocativos e até caluniadores, chegando a golpear moralmente o jornalista Paulo Henrique Amorim, que, de forma sensata e oportuna, lançou processo judicial contra o grotesco colunista. Desmoralizado, Mainardi pretende passar mais tempo no exterior, até porque no Brasil ele era praticamente um estrangeiro, parecia mais um enfezado caçador de borboletas de Washington.

Mas outros jornalistas também decidem viver fora do país. Os chamados intelectuais etnocêntricos, que falam mil maravilhas do "rebolation" (REBOLEJO), "funk carioca" (FAVELA BASS), da axé-music, do tecnobrega, da tchê-music, do forró-brega e até do "brega de raiz", também vivem fora do Brasil.

Estes deslumbrados vivem sonhando com Santiago do Chile, e tentam procurar um Victor Jara nos cafundós de Caetité. Encontram Waldick Soriano e eles fingem que ele é o nosso Victor Jara. Vivem sonhando com o punk rock de Londres, com o hip-hop dos subúrbios de Nova York, procuram algo igual na Baixada Fluminense e só encontram o "funk carioca". E fazem de conta que sua cena é uma mistura dos subúrbios punk londrinos com o Bronx e o Brooklyn nova-iorquino.

Eles sonham com o underground paulistano dos anos 80 e tentam encontrar algo parecido no cenário brega de Belém do Pará. Não encontram, mas fazem de conta que o tecnobrega é o seu equivalente, e que aquelas gravadoras que, embora pequenas, são controladas por latifundiários, são "as Baratos Afins paraenses".

Esses etnocêntricos podem não ter a veia elitista-reacionária de Diogo Mainardi. E seu discurso, em vez de fel, tem mel, o que deixa muitos leitores desprevenidos. Mas esses intelectuais vivem fora do Brasil, pensam na periferia paradisíaca, sem problemas, sem conflitos. Ah, se os dirigentes israelenses pudessem pensar numa Palestina domesticada e adocicada, uma Palestina que não existisse como território, mas como cenário virtual midiático. Talvez nossos ingênuos caros amigos sintam menos ódio de Benjamin Netanyahu e do Departamento de Estado dos EUA.

Em ambos os casos, porém, o povo brasileiro se torna desamparado. Seja com o rancor anti-social de Diogo Mainardi, seja com o delírio brega-popularesco dos intelectuais etnocêntricos. Nenhum deles está aí para socorrer o povo sofrido pela opressão política-econômica e pelas desigualdades sociais, o primeiro porque despreza o povo pobre, os segundos porque se ocupam a sonhar com uma periferia de contos-de-fadas.

Quanto à saída de Diogo Mainardi do país, logo dizemos: já vai tarde.

2 comentários:

Marcelo Delfino disse...

Não há de se falar aqui em Diogo Mainardi fugindo de perseguição política ou coisa parecida. Porque Diogo é tão extremista que fica à direita de todo mundo. Até do DEM (ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena e ex-UDN). É do tipo de gente que se põe à direita de Hitler, e considera esquerdistas todas as vozes discordantes.

Tonam disse...

Diogo Mainardi não existe.
É um personagem criado por uma certa revista semanal que se presta a servir aos interesses do PSDB, DEM, etc. na verdade, serve a quem pagar mais.
Faz tempo que o jornalista Diogo Mainardi deixou de ser alguém que pensa, e serve aos seus patrões de forma subserviente dizendo as maiores inverdades com ares de intelectualidade.
Fora do Brasil ele poderá se alinhar, de forma definitiva, a outros interesses poderosos vendendo o que lhe resta de inteligência a qualquer fascista que se disponha a contratá-lo.
Ver o país crescer incomoda a estes porcos que refocilam na lama criada por eles mesmos.