quarta-feira, 21 de julho de 2010

BLOGUEIRO DEFENDE "CULTURA" BREGA-POPULARESCA


O POVO POBRE AGORA É PROIBIDO DE APRECIAR E PRODUZIR UMA MÚSICA VIGOROSA COMO A DE LUIZ GONZAGA, DE ORIGEM TAMBÉM HUMILDE.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: O texto em questão questiona a política do Vale-Cultura do Governo Federal, mas o blogueiro Leonardo Sakamoto assume uma posição condescendente à música brega-popularesca.

Sakamoto chega até mesmo a não ver sentido de preservação do patrimônio cultural com o povo voltando a ouvir cateretê, samba de raiz e baião, ritmos originalmente surgidos no seio das classes populares. No entanto, o blogueiro prefere que o povo ouça música brega-popularesca de tecnobrega, breganejo (o blogueiro diz "duplas sertanejas") e "funk carioca". A posição - embora use o pretexto da valorização da cultura popular - soa etnocêntrico na medida em que avalia a cultura das classes populares pelo que ela tem de pior, embora faça-se crer que isso é maravilhoso.

Respondi ao blog com o seguinte texto, até o momento inédito porque a publicação depende da aprovação do blogueiro.

Desculpe, Sakamoto, mas o povo não pode curtir baião tradicional? Isso é que é comentário preconceituoso, elitista, "catequizador". Você quer defender essa "música popular" que rola nas rádios, mas nem sabe quem é que apoia essas rádios que tocam tecnobrega, "funk", "sertanejos", "pagodeiros", axezeiros, forró-calcinha, ídolos bregas "de raiz" etc.

Você desconhece as alianças que José Sarney e Antônio Carlos Magalhães fizeram com políticos e empresários simpatizantes ao presenteá-los com rádios FM, que se tornaram justamente as mais ouvidas do "povão" em suas regiões? E que essas rádios FM, controlada por verdadeiros "coronéis", são responsáveis pela dita "verdadeira cultura popular" que você, ingenuamente, defende?


E a Rede Globo, cujo Domingão do Faustão amplia ainda mais o raio de alcance dessa suposta música popular, mesmo aquela supostamente discriminada pela mídia, como é o tecnobrega. Gaby Amarantos apareceu no Faustão. Mr Catra apareceu no Caldeirão do Huck. O documentário de Waldick Soriano foi dirigido e idealizado por uma atriz da Rede Globo. Vai ignorar isso?


Será que é elitismo pedir que o povo curta sambas de raiz, música caipira de raiz, baiões tradicionais? Será que é elitismo isso? Não creio. Isso é tão somente devolver ao povo o que a ditadura com sua mídia golpista e brega-popularesca lhe tirou.

Porque a música que as populações pobres produziu antes de 1964 era de altíssimo nível, não era tola nem patética como são os bregas e neo-bregas de hoje.
Você é que acaba sendo elitista, porque sua avaliação sobre música popular sugere que o povo só faz música medíocre, e nós temos que fingir crer que isso é maravilhoso. É uma música apátrida, sem cara, sem pé, nem cabeça, uma colcha de retalhos que reúne a gororoba das rádios, e que nenhuma produção de conhecimento nem de valores sociais efetivos realiza para nosso país.

Essa "música popular" que rola nas rádios e que posa de "injustiçada" é, sim, a MÚSICA DE CABRESTO BRASILEIRA, porque se baseia na cultura do cabresto aplicada à música popular. Seu valor é unicamente de lotar plateias com facilidade, o que parece hoje natural e espontâneo, mas foi trabalhado há mais de 20 anos com muito, muito marketing, que ninguém percebeu.


A Música de Cabresto Brasileira se usa dessa choradeira de "vítima de preconceito" para iludir a intelectualidade. Mas preconceituosos, na verdade, são aqueles que apoiam essa suposta música popular, e não aqueles que, vendo sua evidente mediocridade, a rejeitam. Porque quem apoia quer adotar uma "solidariedade" hipócrita ou paternal, com o povo pobre, mas sempre julgando o povo pelo que há de pior e de abjeto, mas fingindo que tudo isso é maravilhoso.

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