quarta-feira, 14 de julho de 2010

"APARELHAGENS" DE BELÉM: CORONELISMO, ELITES E LOBBY POLÍTICO



O tecnobrega aprendeu com o "funk carioca" a respeito de sua retórica demagógica.

Vende-se como fenômeno dos "sem-mídia", mesmo com o apoio mais do que explícito e com entusiasmo além da conta dos barões da grande mídia.

Seu mercado é comandado por uma elite enrustida, mas claramente detentora do poder econômico. No "funk", são os empresários-DJs das equipes de som, dos quais o DJ Marlboro é o mais famoso. No tecnobrega de Belém do Pará, são as chamadas "aparelhagens", como se denomina a elite dos empresários e DJs que são proprietários de casas noturnas e de gravadoras supostamente pequenas.

Há todo um esquema mafioso que envolve emissoras de rádio FM, oficiais ou comunitárias, ligadas a grupos oligárquicos e políticos.

E há, também, toda uma aliança com grupos latifundiários locais, que investem no mercado de entretenimento regional, esquema que deveria ser investigado. Recentemente, um DJ das "aparelhagens" foi morto depois de uma discussão.

Como é que o tecnobrega, sustentado pelas "aparelhagens", usam muita tecnologia, além de todo um cenário de muita iluminação, muita coreografia e muitos figurinos e maquiagens, pode ser considerado um fenômeno "pobre", ligado a "pequenas mídias", supostamente ignorado pelas corporações da grande mídia (enquanto, na prática, acontece o contrário).

Será que existe muita gente bitolada no nosso país? E nossos intelectuais, será que eles se limitarão a fazer mera propaganda travestida em palavreado "sociológico-etnográfico"?

Também ninguém desconfiou das elites que investiram nos alto-falantes que tocavam os primeiros ídolos da música brega. Isso em regiões comandadas pelo latifúndio. Fica a impressão de que os empresários que investem em música brega no interior do Brasil são pessoas que não têm dinheiro para comprar um sítio, mas investem em tecnologia de som, no empresariamento de cantores e conjuntos e em todo o esquema de superprodução desses "artistas". Acreditar nisso é pura falta de coerência.

Enquanto ninguém faz um questionamento sério, dois Parás convivem lado a lado. O Pará sofredor, vítima da violência e da prepotência coronelista, e o Pará animadinho, alegrinho, dos jovens pobres que vão que nem gado para as danceterias de subúrbio, para consumirem valores e referenciais "artístico-culturais" que as rádios FM, a TV aberta e a imprensa populista-fofoqueira, sob influência dos detentores do poder econômico, determinam para o povo.

Ninguém ainda fez um questionamento profundo sobre a manipulação do povo pobre pelo entretenimento, a não ser este blog. Qual será o outro voluntário para tal iniciativa?

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