sábado, 31 de julho de 2010

LULA PROPÕE ASILO PARA IRANIANA CONDENADA POR ADULTÉRIO



O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, propôs ao governo do Ira! que o país sul-americano conceda asilo para a mulher iraniana condenada ao apedrejamento público devido a suposto assédio com dois homens, depois de se tornar viúva. A declaração foi dada quando Lula participava do comício de sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff, em Curitiba. Lula afirmou que é preciso respeitar a soberania de cada país, mas acrescentou também que nenhum Estado têm o direito de tirar a vida de alguém.

Sakineh Mohammadi Ashtiani é uma mulher de 43 anos, viúva, com dois filhos. Ela está presa desde 2006 por acusação de adultério, por ter se envolvido sexualmente com dois homens depois da viuvez. Inicialmente condenada a 99 chibatadas, Sakineh depois foi condenada ao apedrejamento.

Lula havia feito negociações com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a respeito do arsenal nuclear. Na semana passada, o ministro das relações exteriores do Brasil, Celso Amorim, solicitou por telefone ao colega do Irã, Manouchehr Mottaki, para que o Irã suspendesse a condenação.

O drama de Sakineh provoca protestos de diversas entidades de defesa dos direitos humanos e da comunidade internacional. A situação ainda é muito delicada, pois, apesar da sentença de apedrejamento estar temporariamente suspensa, Sakineh pode ainda ter a condenação trocada pela de enforcamento.

A CRISE DA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA


SE UMBERTO ECO FOSSE BRASILEIRO, TERIA SIDO BARRADO NAS INSCRIÇÕES PARA O MESTRADO E NENHUM LIVRO SEU TERIA SIDO PUBLICADO.

A intelectualidade brasileira está em crise. E essa crise é muito, muito séria. Fechada em seu narcisismo acadêmico, em sua compreensão paternalista da sociedade, a intelectualidade brasileira não deixa de produzir trabalhos nem de exercer suas atividades mas os intelectuais brasileiros, salvo honradas exceções, se situam num isolamento presunçoso, que os faz ficarem até mesmo surdos a críticas, ocupados em suas abordagens de assuntos de seu interesse.

A geração de intelectuais brasileiros atuais tornou-se assim uma geração decepcionante, pelo contexto histórico-social de seus integrantes. São intelectuais nascidos entre o final dos anos 30 e o começo dos anos 60 - mas, às vezes, há um Fernando Henrique Cardoso nascido em 1931 e um Pedro Alexandre Sanches nascido na virada dos anos 60 para os 70 - , que a princípio lutou contra a ditadura militar e pela modernidade cultural brasileira, além de defender os princípios da democracia e do humanismo, e de questionar, de certa maneira, o caráter subdesenvolvido de nosso país.

A decepção se deu ao longo dos anos 90 quando, efetivada a redemocratização, a intelectualidade se acomodou. Sobretudo na USP, que então se tornou celeiro de uma mentalidade neoliberal que se tornou padrão - ou "paradigma", no jargão intelectual - para a intelectualidade de todo o país.

No âmbito das ciências sociais, nota-se o abandono da antiga solidariedade aos verdadeiros interesses sociais da intelectualidade dominante. No âmbito político, a "nata" da USP fundou o PSDB para reagir ao trabalhismo do PT. No âmbito cultural, a adesão foi ao circo brega-popularesco que se ascendia na grande mídia.

Em ambos os lados, o povo foi deixado de lado, transformado em "gado" dos interesses privados de pensadores neoliberais, tecnocratas, burocratas acadêmicos. Ao mesmo tempo em que essa geração de intelectuais, cuja maioria nasceu entre 1939 e 1963, passou também a defender uma abordagem "oficial" da cultura popular determinada pelos meios de comunicação.

Não há mais senso crítico, pois os interesses agora envolvem vantagens pessoais. As parcas verbas para pesquisas, vistas como um mal necessário, tornam engessado o trabalho dos intelectuais. E cria mecanismos ao mesmo tempo tendenciosos, restritivos, narcisistas e anti-sociais que transformam a intelectualidade de um país emergente numa intelectualidade ainda presa no subdesenvolvimento social.

Dessa forma, é criado um padrão meramente formalista de trabalhos acadêmicos, que transformam nossas monografias num engodo em que o jogo das aparências é corretamente cumprido: o rigor da metodologia, incluindo justificativas, objetivos, referências bibliográficas, enquanto a análise crítica é praticamente inexpressiva, quase estéril.

A monografia do intelectual brasileiro médio, bem ao gosto de seus mestres e orientadores, segue então um padrão que torna o texto difícil de ser lido pelo leitor comum. O intelectual estabelece uma divagação de argumentos que se limita à descrição do tema estudado e ao desfile de ideias relacionadas descritas pelos autores da bibliografia selecionada. Essa divagação percorre todo o texto e não dá ideia de que postura crítica tem o autor da monografia, que só apresenta um parecer no final do texto, e mesmo assim sem qualquer análise crítica, ou mesmo sem a produção social de conhecimento.

Enquanto isso, intelectuais que possuem senso crítico são barrados logo na seleção de inscrição dos cursos de mestrado, por três motivos: incômodos para o sistema de bolsas de pesquisa, arriscados para os padrões acadêmicos dominantes e perigosos para a reputação e vaidade do corpo docente.

São incômodos para o sistema de bolsas de pesquisa, porque o senso crítico de intelectuais brasileiros que pensassem como Noam Chomsky e Umberto Eco não se adequa aos padrões "comedidos" da pesquisa acadêmica exigidos pelas instituições de pesquisa. Ter senso crítico ainda é visto como descumprimento da objetividade intelectual e confundido, erroneamente, com a ideia de "ensaio opinativo".

São arriscados para os padrões acadêmicos dominantes porque sempre que um intelectual aponta erro em algum fenômeno, desestabiliza as estruturas fenomenológicas do objeto estudado. Sim, porque a classe acadêmica sente um mal estar quando algum fenômeno não é simplesmente estudado, mas contestado. Aqui também vale a confusão que a burocracia acadêmica faz entre senso crítico e ensaio opinativo.

São perigosos para a reputação e vaidade do corpo docente porque, além de existir a instabilidade trabalhista que pode demitir professores veteranos, o senso crítico agudo dos aspirantes a mestrandos vai contra a vaidade de certos professores-orientadores, que rejeitam a concorrência de iniciantes no mesmo nível de pensamento e dedicação acadêmica.

Só esses três motivos transformam a intelectualidade brasileira num ente ao mesmo tempo mastodôntico e adormecido. Evitam que a intelectualidade do país seja renovada com novas ideias e com abordagem cada vez mais crítica. Ter senso critico não deve ser confundido com ter opinião, mas em compensação a análise meramente descritiva e às vezes apologética dos fenômenos sociais chega ao nível da propaganda, apenas travestida de um discurso que reúne clichês pós-modernos do discurso sociológico, antropológico ou simplesmente panfletário. O que é o texto "Esses pagodes impertinentes..." do professor baiano Milton Moura senão uma mera propaganda narrada como se fosse um manifesto pós-moderno, além disso pouco sutil nas suas cafajestices de abordagem?

A revista Caros Amigos também é outro sintoma disso. Uma intelectualidade mais preocupada em discutir os problemas do exterior, mas sem prestar atenção aos problemas daqui. Mal sabem eles que Pedro Alexandre Sanches faz uma abordagem neoliberal para a cultura popular. Mas consomem as ideias de Sanches como se fossem "ativismo intelectual-popular de esquerda", sem saber o quê de Roberto Campos, de Francis Fukuyama e até de Instituto Millenium tem o recheio ideológico da "Paçoca" de Caros Amigos.

Os intelectuais não veem sua própria crise. Se alertados, tapam os ouvidos, fecham os olhos, suas bocas mudas resmungam o silêncio de quem se recusa a ter autocrítica. Se fecham nas suas preocupações rigorosas, nos seus interesses específicos, e O Kylocyclo e outros veículos críticos continuam ignorados por essa intelectualidade narcisista, sem autocrítica e sem vergonha de si mesma.

Mal sabe essa intelectualidade engessada, estéril e acomodada, que ela é criticada até mesmo pela canção dos tempos em que Gilberto Gil e Caetano Veloso não compactuavam com o lixo sócio-político-cultural da atualidade: "Mas as pessoas a falar de jantar / São ocupadas em nascer / E morrer" ("Panis Et Circensis", gravada em 1968 pelos Mutantes).

sexta-feira, 30 de julho de 2010

NOAM CHOMSKY: A ÚNICA COISA QUE MUDOU COM OBAMA FOI A RETÓRICA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Anos atrás, os chamados "líderes de opinião", a ala festiva, porém acomodada, dos jornalistas e blogueiros, acreditavam que Barack Obama, por ser negro, traria o socialismo para a Casa Branca. Quanta ingenuidade. Claro que Obama sempre foi um político direitista, apenas de uma corrente moderada, que é do mesmo Partido Democrata de John Kennedy e de Bill Clinton.

Quem entende das coisas, portanto, nunca teve ilusões com a política do atual presidente dos EUA. Como eu, você, caro leitor, e pessoas como o conceituado professor Noam Chomsky.

Chomsky: A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

O intelectual estadunidense, pai da linguística e polêmico ativista por suas posturas contra o intervencionismo militar dos Estados Unidos, visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Departamento de Cauca. Confira a entrevista dada a Luis Angel Murcia, do jornal Semana.com.

Extraído do Portal Vermelho - Também reproduzido no portal da Revista Fórum

O morro El Bosque, um pedaço de vida natural ameaçado pela riqueza aurífera que se esconde em suas entranhas, desde a semana passada tem uma importância de ordem internacional. Essa reserva, localizada no centro da cidade de Cauca, muito próxima ao Maciço colombiano, é o cordão umbilical que hoje mantêm aos indígenas da região conectados com um dos intelectuais e ativistas da esquerda democrática mais prestigiados do planeta.

Noam Chomsky. Quem o conhece assegura que é o ser humano vivo cujas obras, livros ou reflexões, são as mais lidas depois da Bíblia. Sem dúvida, Chomsky, com 81 anos de idade, é uma autoridade em geopolítica e Direitos Humanos.

Sua condição de cidadão estadunidense lhe dá autoridade moral para ser considerado um dos mais recalcitrantes críticos da política expansionista e militar que os EUA aplica no hemisfério. No seu país e na Europa é ouvido e lido com muito respeito, já ganhou todos os prêmios e reconhecimentos como ativista político e suas obras, tanto em linguística como em análise política, foram premiadas.

Sua passagem discreta pela Colômbia não era para proferir as laureadas palestras, mas para receber uma homenagem especial da comunidade indígena que vive no Departamento de Cauca. O morro El Bosque foi rebatizado como Carolina, que é o mesmo nome de sua esposa, a mulher que durante quase toda sua vida o acompanhou. Ela faleceu em dezembro de 2008.

Em sua agenda, coordenada pela CUT e pela Defensoria do Povo do Vale, o Senhor Chomsky dedicou alguns minutos para responder exclusivamente a Semana.com e conversar sobre tudo.

- Que significado tem para o senhor esta homenagem?

Estou muito emocionado; principalmente por ver que pessoas pobres que não possuem riquezas se prestem a fazer esse tipo de elogios, enquanto que pessoas mais ricas não dão atenção para esse tipo de coisa.

- Seus três filhos sabem da homenagem?

Todos sabem disso e de El Bosque. Uma filha que trabalha na Colômbia contra as companhias internacionais de mineração também está sabendo.

- Nesta etapa da sua vida o que o apaixona mais: a linguística ou seu ativismo político?

Tenho estado completamente esquizofrênico desde que eu era jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios no cérebro.

- Por conta desse ativismo teve problemas com alguns governos, um deles e o mais recente foi com Israel, que o impediu de entrar nas terras da palestina para dar uma palestra.

É verdade, não pude viajar, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestina, mas me deparei com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse para Israel, teriam me deixado passar.

- Essa censura tem a ver com um de seus livros intitulado "Guerra ou Paz no Oriente Médio"?

É por causa dos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

- Como qualifica o que se passa no Oriente Médio?

Desde 1967, o território palestino foi ocupado e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão ao ar livre do mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

- Chegou a se iludir com as novas posturas do presidente Barack Obama?

Eu já tinha escrito que é muito semelhante a George Bush. Ele fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

- Quando Obama foi galardoado com o prêmio Nobel de Paz, o quê o senhor pensou?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa me perguntou o que eu pensava do assunto e respondi: “Levando em conta o seu recorde, este não foi a pior nomeação”. O Nobel da Paz é uma piada.

- Os EUA continuam a repetir seus erros de intervencionismo?

Eles tem tido muito êxito. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde o intervencionismo militar dos EUA.

- Qual é a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que os Estados Unidos apregoam?

Não existe esse conceito, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que se assemelha ao que os nazistas fizeram. Se aplicarmos essa mesma regra, Bush, Blair e Aznar teriam de ser enforcados, mas a força é aplicada aos mais fracos.

- O que acontecerá com o Irã?

Hoje existe uma grande força naval e aérea ameaçando o Irã e, somente a Europa e os EUA pensam que isso está certo. O resto do mundo acredita que o Irã tem o direito de enriquecer urânio. No Oriente Médio três países (Israel, Paquistão e Índia) desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram nenhum tratado.

- O senhor acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha feito mais mal do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você faz contra nós e não o que nós fazemos a você.

- Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima, entretanto eles entraram na guerra muito tarde.

- Essa guerra por recursos naturais no Oriente Médio pode vir a se repetir na América Latina?

É diferente. O que os EUA tem feito na América Latina é, tradicionalmente, impor brutais ditaduras militares que não são contestados pelo poder da propaganda.

- A América Latina é realmente importante para os Estados Unidos?

Nixon afirmou: “Se não podemos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo?”.

- A Colômbia tem algum papel nessa geopolítica ianque?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. A partir de 1990, este país tem sido o principal destinatário da ajuda militar estadunidense e, desde essa mesma data tem os maiores registros de violação dos Direitos Humanos no hemisfério. Antes o recorde pertencia a El Salvador que, curiosamente também recebia ajuda militar.

- O senhor sugere que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo acadêmico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e violência nos países que a recebem.

- Qual é sua opinião sobre as bases militares gringas que há na Colômbia?

Não são nenhuma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a permitir a sua instalação. Enquanto a Colômbia continuar fazendo o que os EUA pedir que faça, eles nunca vão derrubar o governo.

- Está dizendo que os EUA derruba governos na América Latina?

Nesta década, eles apoiaram dois golpes. No fracassado golpe militar da Venezuela em 2002 e, em 2004, seqüestraram o presidente eleito do Haiti e o enviaram para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latinoamericano que apoiou o golpe em Honduras.

- Tem algo a dizer sobre as tensões atuais entre Colômbia, Venezuela e Equador?

A Colômbia invadiu o Equador e não conheço nenhum país que tenha apoiado isso, salvo os EUA. E sobre as relações com a Venezuela, são muito complicadas, mas espero que melhorem.

- A América Latina continua sendo uma região de caudilhos?

Tem sido uma tradição muito ruim, mas, nesse sentido, a América Latina progrediu e, pela primeira vez, o cone sul do continente está a avançando rumo a uma integração para superar seus paradoxos, como, por exemplo, ser uma região muito rica, mas com uma grande pobreza.

- O narcotráfico é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine que a Colômbia decida fumigar a Carolina do Norte e o Kentucky, onde se cultiva tabaco, o qual provoca mais mortes do que a cocaína.

Fonte original: Agência de Notícias Nova Colômbia. Original em http://www.semana.com/noticias-mundo/parte-colombia-robada-roosevelt/142043.aspx.

FACEBOOK PROÍBE TERMO "PALESTINIAN" EM SUAS PÁGINAS


COMENTÁRIO DESTE BLOG: O povo palestino não tem pátria, não tem território, e nem pode ter verbete no Facebook. Que mal tem a palavra "palestino"? Que implicância têm os donos do Facebook com essa palavra? É um absurdo que um povo, dotado de sua própria cultura e suas tradições, seja discriminado de tal forma, não bastasse a opressão política e a violência que dizima vários de seus indivíduos.

Denúncia séria: Facebook PROÍBE termo "Palestinian" em suas páginas [Update]
Tradução feita por Rafael Garcia (Tsavkko - Blog do Angry Brazilian) do post de Jillian C York, autora do Global Voices Online, "Facebook: No Palestinian Pages":

Fiquei surpresa, mas um pouco cética, esta manhã, quando li um post afirmando que o Facebook está bloqueando a palavra "Palestinian" [Palestina/o] de suas páginas. Afinal, uma pesquisa por "palestinian" traz de volta um número de páginas já criadas. Aqui está o que o blogueiro escreveu:

I thought it might be a good idea to make a Facebook page for Palestinian Refugee ResearchNet—a straight-forward thing to do, right? Apparently not, since it seems the very word Palestinian may “violate o[u]r page guidelines or contain a word or phrase that is blocked”……A mistake, perhaps? Well, Afghan Refugee ResearchNet is OK. So too is DR Congo RefugeeResearchNet. No threats to innocent Facebook users lurking in those terms, it seems…
…Are Palestinians the only group so banned? Well, not really… after a little fiddling around, I discovered that al-Qaida Refugee ResearchNet and Nazi Refugee ResearchNet are banned too.
It does seem a bit odd, however, that a population of up to 12 million people, receiving more than a billion dollars in international aid, recognized by the UN, and enjoying a degree of formal diplomatic recognition from the United States—is placed in the same banned category as Nazis and al-Qaida.

Eu pensei que poderia ser uma boa idéia fazer uma página no Facebook para a Palestinian Refugee ResearchNet - uma coisa simples e direta de fazer, certo? Aparentemente não, pois parece que a palavra "palestinian" pode "violar nossas orientações de páginas ou conter uma palavra ou frase que está bloqueada" ... ... Um erro, talvez? Bem, a Afghan Refugee ResearchNet está OK. Assim também é com a DR Congo RefugeeResearchNet . Nenhuma ameaça para os usuários inocentes do Facebook espreitando nesses termos, parece...
... São os palestinos o único grupo banido? Bem, não realmente ... depois de mexer um pouco ao redor, eu descobri que a al-Qaida Refugee ResearchNet e Nazi Refugee ResearchNet são proibidos também.

Parece um pouco estranho, porém, que uma população de até 12 milhões de pessoas, que recebem mais de um bilhão de dólares em ajuda internacional, reconhecida pelas Nações Unidas, e desfrutando de um nível de reconhecimento diplomático formal dos Estados Unidos seja colocada em mesma categoria de proibidos como os nazistas e a al-Qaida.


De fato, estranho... Eu decidi tentar por mim mesma, com os termos "Palestinian Refugee ResearchNet,” “Palestinian Folklore,” e “Palestinian Music". Nada.

Claro, “Israeli Music,” “Israeli Folklore” e “Israeli Refugee ResearchNet” foram criados sem problema.O que o Facebook está tentando conseguir com a eliminação da criação de páginas para uma população marginalizada? Eu diria que eles estavam tentando impedir o abuso de algum tipo (por exemplo, as páginas criadas para rebaixar um determinado grupo), mas não posso imaginar que tipo de abuso poderia afetar os palestinos, e não, por exemplo, os israelenses.Em todo caso, como de costume, o Facebook ainda não tem uma equipe forte de apoio do cliente para lidar com reclamações sobre isso, nem parece se importar. Afinal, esta foi a sua resposta ao blogueiro que primeiro documentou o caso:

Unfortunately, we cannot process this request. Your Page name must comply with the following standards:

* Accurately and concisely represent a musician, public figure, business or other organization
* Not contain terms or phrases that may be abusive
* Not be excessively long
* Not contain variations of “Facebook”

If you believe your Page name fits within these guidelines, please respond to this email and we will re-evaluate your request.

Infelizmente não podemos processar seu pedido. O nome de sua página deve respeitar as seguintes normas:

* Representar precisa e concisamente um músico, figura pública, empresa ou outra organização
* Não conter termos e frases que possam ser abusivas
* Não ser excessivamente longo
* Não conter veriações de "Facebook"

Se você acredita que sua página se encaixa nestas regras, por favor responda este e-mail e nos iremos reavaliar seu pedido.


Novamente, ativistas, eu os recomendo que parem de usar o Facebook.

Mais esclarecimentos para vocês "skimmers":
1) Isso afeta PAGES, e não GRUPOS.2) O termo que está bloqueado é "Palestinian", não "Palestine".3) Há 1.200 grupos existentes com "Palestinian", sugerindo que a palavra foi posta recentemente na lsita de banidas.


* Traduzido por Raphael Tsavkko
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Update:
Aparentemente o bloqueio acontece apenas com o termo em inglês, em português criei uma página e uma comunidade como exeplo e o termo "Palestina" foi aceito, vejam aqui e aqui.
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Update 2:
A parte final do post da Jillian, chamando para que todos parem de usar o Facebook não corresponde à minha opinião. Apenas para deixar claro, pois muitos me questionaram no Twitter ou mesmo aqui no blog.

Eu acredito que a melhor forma de luta é a que enfrentamos o inimigo e não a que fugimos. Não vejo como seria bom abandonar uma plataforma de alcance tão amplo sem lutar, pressionar e encher o saco dos responsáveis, floodando, abrindo comunidades, pressionando e militando pelas causas em que acreditamos.

O FB não pode vencer a todos. Devemos usar todas as armas, mesmo as dos inimigos, em nossa causa.
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Update 3: Mais screenshots feitos pela Jillian em diferentes horários, para comprovar o bloqueio.

Postado por Raphael Tsavkko Garcia às 12:36

KEVIN SUMBA IRÁ LONGE


O ESTUDANTE DE MEDICINA KEVIN SUMBA E O CINEASTA MILES ROSTON

Um dos brilhantes exemplos de ativismo social autêntico se encontra no Quênia, e tem como causa ajudar a diminuir o avanço e os malefícios da AIDS e de outros problemas enfrentados pela população africana.

Um desses ativistas é o jovem negro Kevin Sumba. Ele mesmo vivenciou sua tragédia, pois, ainda criança, ficou órfão de pai e mãe, ambos mortos por consequência da AIDS. Morava em condições miseráveis com outros adultos, numa comunidade pobre de Kisimu - terceira maior cidade do Quênia - e se alimentava sobretudo à base de um cozido que incluiu tomate e repolho, e que era chamado de "estica-semana" porque alimentava o organismo por mais tempo.

Kevin, vendo-se órfão, passou a frequentar, escondido, uma escola dirigida por um centro católico local, entrando na sala de aula depois que era feita a chamada. A presença de Kevin era ilegal, porque ele não podia pagar a escola, mas o menino sempre fazia questão de frequentar as aulas, porque isso ele se sentia feliz e esquecia o doloroso passado dos pais doentes.

Era assim que o cineasta norte-americano Miles Roston encontrou Kevin, quando pesquisava as comunidades quenianas para um documentário. Miles se surpreendia quando o menino afirmava seu desejo de tornar-se médico especializado em ajudar doentes de AIDS.

Depois que completou, em 2002, o documentário 14 Million Dreams, sobre os órfãos da AIDS, crianças africanas que perderam seus pais em virtude da doença, Miles voltou para rever Kevin. O cineasta havia investido dinheiro para a melhoria de vida do jovem, principalmente na educação.

Miles tornou-se praticamente um tutor de Kevin, e o levou para a Austrália para a divulgação do documentário. Aos poucos, Kevin Sumba se tornava conhecido e o jovem era convidado para realizar palestras e falar com autoridades. Seu desejo de cursar Medicina só se aperfeiçoava, criando nele uma desenvoltura nos estudos.

Kevin Sumba só teve problemas com alguns líderes católicos, que preferiam rezar e promover a abstinência sexual a apoiar o uso de preservativos. E olha que Kevin é católico, mas vê o interesse social acima dos dogmas religiosos.

O estudante então passou a visitar também outras pessoas pobres que de alguma forma sofrem as consequências da AIDS, direta ou indiretamente. Visitou cemitérios de várias vítimas, inclusive muito jovens. Kevin sente medo da AIDS, mas se encoraja de querer estudar e trabalhar para erradicar a doença. E nos últimos anos estabeleceu contatos também com instituições dedicadas a combater a doença, e em toda palestra que ele faz, é aplaudido com entusiasmo e tratado com respeito e admiração por autoridades e especialistas.

Hoje ele é universitário, e tem 22 anos. Por enquanto, ele está no começo de sua luta. Mas, pelo seu sonho, pela sua natural vocação e pela perseverança, Kevin Sumba irá bem longe, e certamente o futuro dr. Sumba trará grandes benefícios para o povo no mundo inteiro, e se tornará um respeitado médico e um dos importantes ativistas sociais do planeta.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

EMPREGADOS DA INFRAERO CONSIDERAM DECLARAÇÕES DE SERRA MENTIROSAS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Independente de qualquer posição minha em relação a Lula ou Dilma, essa nota me interessa, na medida em que eu, um dos 15 aprovados no concurso da Infraero, aguardo convocação. E, em solidariedade aos meus futuros colegas, também mostro minha indignação quanto às declarações desrespeitosas do candidato à presidência pelo PSDB, José Serra.

Eis o texto abaixo que publico, em apoio, admiração e respeito que eu tenho à Infraero.

Empregados da Infraero consideram declarações de Serra MENTIROSAS

Do Blog Amigos da Presidente Dilma

A ANEI (Associação Nacional dos Empregados da Infraero) emitiu nota contra as declarações de José Serra (PSDB/SP). Segue a íntegra:

A ANEI além de lamentar a atitude antiética do presidenciável José Serra na sua campanha "política", REPUDIA as declarações MENTIROSAS e DESRESPEITOSAS do candidato. O que necessita esclarecer é se o candidato é MAL INFORMADO ou MAL INTENCIONADO...

A ANEI lamenta que um candidato à Presidência da República fale sobre o setor de infraestrutura aeroportuária, principalmente sobre a estatal 100% brasileira - INFRAERO, 2ª maior empresa operadora de aeroportos do mundo, que há 37 anos administra os principais aeroportos do país, sem um mínimo de coerência em seu discurso. Afirmar que a Infraero está toda loteada politicamente é faltar com a verdade, é desrespeitoso ao corpo gerencial da empresa, à sociedade brasileira, além de revelar despreparo do aspirante que seja.

A INFRAERO é uma Empresa Pública de direito privado, dotada de patrimônio próprio, autonomia administrativa e financeira, vinculada ao Ministério da Defesa, atua na construção, implantação, administração, operação e exploração industrial e comercial de aeroportos, apoiando a navegação aérea e realizando atividades correlatas atribuídas pelo Governo Federal. Assim, no intuito de atualizar as informações para os candidatos e para os críticos, pontuamos o seguinte:

Primeiro:

O Estatuto da INFRAERO admite contratos, a termo e demissíveis "ad nutum", profissionais para exercerem funções de assessoramento totalizando um limite máximo de doze Assessores. Desta forma, a estatal NÃO possui um Diretor sequer, um Superintendente sequer, um Gerente sequer que não sejam orgânicos. Portanto, a infeliz declaração do candidato não espelha a verdade sobre uma gigante empresa que tem dado bastante orgulho aos brasileiros.

Ademais, os cerca de 11.500 empregados concursados (não apadrinhados ou eleitos), que ao longo de quase quatro décadas, ajudaram no desenvolvimento sustentável do país com a infraestrutura aeroportuária - transformando uma empresa PÚBLICA brasileira na 2ª maior operadora de aeroportos do mundo em passageiros e 3ª em número de terminais, dos quais há previsão de investimento para ampliação e modernização na cifra dos bilhões para os próximos anos, dignam-se o respeito e consideração dos falaciosos.

O Brasil continua sendo considerado SEGURO para voar, porque a INFRAERO tem honrado todas as Recomendações de excelência em SEGURANÇA AEROPORTUÁRIA e NAVEGAÇÃO AÉREA ao longo de anos com a OACI (Organização da Aviação Civil Internacional). Caso não haja esse comprometimento e fiel cumprimento das Recomendações, o Brasil a qualquer tempo pode ser desconsiderado como país seguro para voar e, consequentemente, dezenas de Cias Aéreas poderiam(ão) deixar de operar no país. Isso significaria desemprego e retrocesso para a aviação.

Incrível que nos últimos anos os "especialistas" do Brasil só apontam críticas negativas à Infraero, mas a ICAO e a TSA (norte americana) apenas elogios.

Segundo:

A ANEI tem acompanhado o debate de perto sobre o tema privatização/concessão e a insistência de alguns "especialistas" no modelo único de aeroportos como solução para os problemas de um país continental que agoniza há décadas por falta de gestão pública continuada, melhores estradas, portos, hidrovias, trens, metrôs e outros modais, para darem melhor fluidez a passageiros e cargas.

Afirmar que o TAV em São Paulo não saiu do papel por culpa da Infraero, beira ao delírio e não merece comentários por inconsistência e quiçá seria o mesmo discurso de que o Rio de Janeiro poderia não sediar as Olimpíadas por culpa do Aeroporto do Galeão... mesmo o Rio perdendo feio para as outras candidatas em quesitos como metrô, hotelaria, infraestrutura urbana e etc.

Para se ter uma ideia, em 31 anos de existência o metrô do Rio tem apenas 42 km de extensão e com 36 anos em São Paulo são 62,3 km; em Londres são 408 km, em Paris são 213 km e em Moscou são 276 km... Enfim, não executaram ainda o TAV por outros motivos menos por culpa da Infraero, uma vez inclusive, que por décadas os governos têm se mostrado ineficientes para ampliar significativamente a extensão dos metrôs de nossas capitais.

Terceiro:

Apesar de técnicos verdadeiramente especializados e empresários brasileiros que lidam dia a dia no macroprocesso da aviação se posicionarem contrários a privatização/concessão - por ser um modelo muito mais caro e malsucedido em diversos países, têm nos causado estranheza a forma agressiva e predatória como alguns "especialistas" têm proposto o tema se de fato a maioria dos mais importantes aeroportos da Europa e dos EUA não são privados.

Insinuar que os técnicos da Infraero, uma empresa pública com status, respeitabilidade e história internacional, não possuem capacidade para modernizar e ampliar os aeroportos é jogar em vala comum um trabalho de excelência e comprometimento de décadas no desenvolvimento sustentável do país. Infelizmente o histórico brasileiro não pode validar a declaração do candidato sobre multa ou perda de concessões...

Para finalizar, soa como contradição que os "aeroportos" administrados pelo governo do estado de São Paulo – DAESP não são privatizados.

Apenas para constar, se privado fosse sinônimo de milagre, os Tribunais de Justiça de todo o país não registrariam ex-estatais, hoje empresa privatizada, no rol das mais reclamadas. ISTO É FATO!

- INFRAERO, uma empresa que precisa ser respeitada nacionalmente -
Porque o Brasil não precisa voar mais alto, precisa continuar voando bem.

Pela transparência e ética,
Diretoria Executiva da ANEI

UNESCO CONDENA CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Engole, essa, Rede Globo!! Logo a UNESCO, que estabelece parcerias com a rede no projeto Criança Esperança, que por sinal comemora 25 anos, deu um puxão de orelhas na grande mídia, sobretudo na corporação dos irmãos Marinho, tão famosa entre nós nos episódios de concentração de poder, desde o apoio à ditadura militar, a eleição de Collor, a participação na Aemização das FMs, sua atuação mafiosa nos bastidores do futebol, a defesa da música brega-popularesca e a desmoralização dos movimentos sociais.

Unesco condena concentração da mídia

Agência Câmara - Agência Carta Maior - Também reproduzido no Blog do Miro

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), lancou o estudo “Indicadores de desenvolvimento da mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação”. Segundo o documento da Unesco o Estado deve impedir a concentração indevida no setor de mídia e assegurar a pluralidade. “Os governos podem adotar regras para limitar a influência que um único grupo pode ter em um ou mais setores”, diz o estudo.

A organização afirma que os responsáveis pelas leis antimonopólio precisam atuar livres de pressões políticas. “As autoridades devem ter, por exemplo, o poder de desfazer operações de mídia em que a pluralidade está ameaçada”, destaca.

O estudo recomenda ainda a divisão equitativa das frequências de rádio e televisão entre as emissoras públicas, privadas e comunitárias, e entre as estações nacionais, regionais e locais.

Para a Unesco, a distribuição de concessões deve ser transparente e aberta ao público. “O processo deve ser supervisionado por órgão isento de interferência política ou interesses particulares”, afirma.

Na primeira categoria de indicadores proposta para avaliar a mídia de um país, a Unesco questiona se a liberdade de expressão e o direito à informação são garantidos por lei e respeitados na prática.

A publicação ressalta ainda a importância de se preservar a independência editorial e o sigilo das fontes jornalísticas. Além disso, conforme o texto, é preciso averiguar se a população e as organizações da sociedade civil participam da formulação de políticas públicas relativas à mídia.

A Unesco recomenda que o Estado não imponha restrições legais injustificadas à mídia e que as leis sobre crimes contra com a honra (como a difamação) imponham restrições o mais específicas possível para proteger a reputação dos indivíduos.

“Restrições à liberdade de expressão, o discurso do ódio, a privacidade, o desacato a tribunal e a obscenidade têm de ser definidas com clareza na lei e devem ser justificáveis em uma sociedade democrática”, diz o estudo.

Segundo o documento, a mídia não pode estar sujeita à censura prévia – ou seja, qualquer violação às regras para o conteúdo da mídia deve ser punida apenas após sua publicação ou divulgação.

Além disso, o Estado não deve tentar bloquear ou filtrar conteúdo da internet considerado sensível ou prejudicial. “Os provedores, sites, blogs e empresas de mídia na internet não têm a obrigação de registrar-se em um órgão público ou obter uma permissão dele”, informa.

Com relação ao sistema de rádio e televisão, a Unesco recomenda que haja às emissoras garantias legais de independência editorial contra interesses partidários e comerciais. O órgão regulador do setor também deve ser composto por integrantes escolhidos em processo transparente e democrático, e deve prestar contas à população.

Na terceira categoria de indicadores prevista no documento, a Unesco questiona se o conteúdo da mídia – seja ela pública, privada ou comunitária – reflete a diversidade de opiniões na sociedade, inclusive de grupos marginalizados.

A Unesco também considera essencial para o fortalecimento da democracia o desenvolvimento da mídia comunitária; a capacitação dos profissionais da área; e o avanço da infraestrutura de comunicação, para recepção da radiodifusão, acesso a telefones e à internet.

ENCONTRO DE BLOGUEIROS TERÁ ATÉ LUÍS NASSIF COMO MÚSICO


SIM, LUÍS NASSIF, ALÉM DE FAZER PALESTRAS, MOSTRARÁ BOA MÚSICA.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: O Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, promovido pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que acontecerá em agosto, até no preço mostra um custo benefício muito maior do que aquele encontro do Instituto Millenium.

O encontro do IM custou R$ 500 e durou só um dia. O do Centro Barão de Itararé, com taxa de R$ 100, será em dois dias, mais palestras, terá desconto para quem for de avião para o local (detalhes no texto abaixo) e crê-se que até as refeições serão bem melhores que a do encontro burguês do Millenium, que além de tudo aconteceu num grande hotel que bancou todas as despesas para aquela rapaziada direitista.

Além do mais, o encontro do Centro Barão de Itararé terá apresentação musical de Luís Nassif. Isso mesmo. Nassif, além de jornalista econômico, é músico e estudioso de música brasileira. E mostrará seu talento de brinde para quem estiver lá. Já no encontro do IE, nem para contar piada o Marcelo Madureira serviu, pois ele estava muito mal-humorado no evento.

Portanto, o evento dos blogueiros progressistas é um grande presente que Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e seus colegas dão para o público que os prestigia.

Infelizmente não poderei ir, mas fica para a próxima.

Show de Nassif abre encontro de blogueiros

Conceição Lemes - Blog Viomundo

É definitivo. O 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas será em São Paulo nos dias 21 (sábado) e 22 (domingo) de agosto no Sindicato dos Engenheiros, à rua Genebra, 25, ao lado da Câmara Municipal da capital.

Na sexta à noite (20), Luis Nassif, seu bandolim e grupo fazem show de boas vindas no Sindicato dos Bancários**. Será regado a chorinho, samba, MPB e cerveja caseira (haverá outras) feita especialmente por Hans Bintje (querido leitor) para celebrar esse encontro histórico. Nassif aguarda sugestões para o repertório.

Já estão inscritos 152 blogueiros de 15 unidades da Federação: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Passagem aérea e hospedagem solidária

Um acordo fechado com a Gol barateará as passagens. Para saber quanto custará o bilhete, verifique a menor tarifa do seu trecho. Aplique 20% de desconto sobre o valor. É quanto custará.

O objetivo da comissão organizadora é garantir hospedagem gratuita ao maior número possível de participantes de outros estados e do interior de São Paulo.

Aliás, vários leitores já se ofereceram para hospedar em casa blogueiros de fora de São Paulo, capital. Obrigadíssima. Precisamos de mais hospedagem solidária.

Quem puder, por favor,envie e-mail para contato@baraodeitarare.org.br ou telefone para (011)3054-1829. Fale com Daniele Penha, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, uma das entidades apoiadoras do encontro. Apóiam-no institucionalmente também a Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) e o Movimento dos Sem Mídia (MSM).

Daniele Penha informará também sobre inscrições e passagens aéreas. As inscrições custam 100 reais. Estudantes pagarão 20 reais.

Já são 14 amigos da blogosfera

A campanha Amigos da Blogosfera, lançada há duas semanas, está a todo vapor. Ela ajudará a custear parte das despesas de blogueiros que virão de outros estados.

São 20 cotas de 3 mil reais. Estas 14 estão confirmadas:

Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)

CUT (Central Única dos Trabalhadores) nacional

CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo***

Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)

Federação dos Químicos de São Paulo

Café Azul***

Carta Capital

Conversa Afiada

Revista Fórum***

Seja Dita a Verdade

Viomundo

Importante: no início da próxima semana, divulgaremos a programação completa.


* Comissão Organizadora: Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Altamiro Borges, Conceição Lemes, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Rodrigo Vianna e Diego Casaes.

** O Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo fica na rua Genebra, 25. É onde ocorrerão os trabalhos dos dias 21 e 22 de agosto. O show do Luis Nassif será na Regional Paulista do Sindicato dos Bancários: rua Carlos Sampaio, 305.

*** Essas cotas vão ser pagas, respectivamente, com locação, produção de logomarca, banner para web e hotsite e confecção e impressão de cartazes.

HANS ZIMMER FAZ PARCERIA COM JOHNNY MARR NA TRILHA DE "A ORIGEM"


JOHNNY MARR - A "GALERA IRADA" QUE SÓ OUVIU ROCK ONTEM O DESPREZA.

O tecladista alemão Hans Zimmer, que tocou com os Buggles (da música "Video Killed The Radio Star") e Ultravox (de Midge Ure, co-autor de "Do They Know It's Christmas?" junto a Bob Geldof), é responsável pela trilha sonora do filme A Origem, de Christopher Nolan, estrelado por Leonardo di Caprio e Marion Cotillard.

A trilha alterna melodias eruditas e eletrônicas, que é o estilo de Zimmer, mas a novidade é que aqui o músico faz uma parceria com o guitarrista Johnny Marr. Para os mais jovens, Johnny Marr parece um músico "complicado" como outro qualquer, mas quem foi adolescente nos anos 80 pôde conferir seu trabalho como músico e compositor através de sua admirável trajetória no grupo inglês The Smiths. Eu mesmo sou fã assumido do grupo, marcado também pela poesia e pela voz de Morrissey, hoje em carreira solo.

Johnny Marr teve o infortúnio de ser guitarrista numa época em que o pop era marcado pelo sintetizador. E, como espetáculo, a música pop precisava menos de grandes canções do que de de coreografia, luzes e escândalos. Lá na Grã-Bretanha, ele tem sua reputação, pois até quem era criança nos anos 80 sabe bem mais dos Smiths do que seu similar brasileiro sabe da Legião Urbana. Mas, se no Brasil há quem não se interesse em saber quem é o Led Zeppelin, quanto mais os Smiths.

Pior disso tudo é que há o cacoete do jovem brasileiro de achar que rock dos anos 80 é o ridículo, patético, risível, incompetente e desprezível poser metal. Para o boyzinho médio que ouvia Xuxa e Trem da Alegria nos anos 80 e passou a ouvir rock (ou pelo menos, algo parecido com rock) a partir de 1995, certamente seu herói não seria Johnny Marr, mas Slash, Richie Sambora, o guitarrista do Motley Crue (que o boyzinho, tão tolo, desconhece ser o tal Mick Mars) e outros guitarristinhas de vaquejada que poderiam muito bem tocar com Zezé Di Camargo & Luciano.

Pena, porque Johnny Marr é um dos maiores guitarristas do mundo. Hans Zimmer afirmou que o talento do ex-Smiths é único. Quem ouve músicas como "The Queen is Dead" dos Smiths sabe da agilidade do grande músico inglês, capaz de acordes vigorosos, mas também de acordes melodiosos de alta sensibilidade, como por exemplo em outra dos Smiths, "Back To The Old House". Johnny também é inspirado pianista e excelente gaitista, além de ser brilhante até no bandolim ("Please Please Please Let Me Get What I Want"). E ainda dá conta do recado fazendo bases de teclado no Electronic, junto ao parceiro Bernard Sumner (Joy Division, New Order, Bad Lieutennant).

Ou seja, Johnny é um músico completo. A ponto de ser convidado por um músico e arranjador alemão conceituado. Só a "galera irada" do Brasilzinho medíocre de hoje não sabe, não quer saber e tem até raiva de quem sabe da trajetória de grandes figuras como a do genial guitarrista de compositor Johnny Marr.

DIOGO MAINARDI DEIXA O BRASIL



Quando o sujeito é muito, muito reacionário, possui uma postura direitista ferrenha e um fascínio doentio pelo capitalismo, se ele é brasileiro ele certamente sairá do país.

Há um bom tempo o medieval Olavo de Carvalho vive fora do Brasil. Agora seu equivalente pop, colunista de Veja Diogo Mainardi, que já estava mais para fora do Brasil do que para dentro do país, vai definitivamente deixar a nação, sem qualquer chance de estabelecer sequer uma segunda moradia por aqui.

Diogo, conhecido como o pit-bull da sujíssima Veja, se esforçava em fazer textos provocativos e até caluniadores, chegando a golpear moralmente o jornalista Paulo Henrique Amorim, que, de forma sensata e oportuna, lançou processo judicial contra o grotesco colunista. Desmoralizado, Mainardi pretende passar mais tempo no exterior, até porque no Brasil ele era praticamente um estrangeiro, parecia mais um enfezado caçador de borboletas de Washington.

Mas outros jornalistas também decidem viver fora do país. Os chamados intelectuais etnocêntricos, que falam mil maravilhas do "rebolation" (REBOLEJO), "funk carioca" (FAVELA BASS), da axé-music, do tecnobrega, da tchê-music, do forró-brega e até do "brega de raiz", também vivem fora do Brasil.

Estes deslumbrados vivem sonhando com Santiago do Chile, e tentam procurar um Victor Jara nos cafundós de Caetité. Encontram Waldick Soriano e eles fingem que ele é o nosso Victor Jara. Vivem sonhando com o punk rock de Londres, com o hip-hop dos subúrbios de Nova York, procuram algo igual na Baixada Fluminense e só encontram o "funk carioca". E fazem de conta que sua cena é uma mistura dos subúrbios punk londrinos com o Bronx e o Brooklyn nova-iorquino.

Eles sonham com o underground paulistano dos anos 80 e tentam encontrar algo parecido no cenário brega de Belém do Pará. Não encontram, mas fazem de conta que o tecnobrega é o seu equivalente, e que aquelas gravadoras que, embora pequenas, são controladas por latifundiários, são "as Baratos Afins paraenses".

Esses etnocêntricos podem não ter a veia elitista-reacionária de Diogo Mainardi. E seu discurso, em vez de fel, tem mel, o que deixa muitos leitores desprevenidos. Mas esses intelectuais vivem fora do Brasil, pensam na periferia paradisíaca, sem problemas, sem conflitos. Ah, se os dirigentes israelenses pudessem pensar numa Palestina domesticada e adocicada, uma Palestina que não existisse como território, mas como cenário virtual midiático. Talvez nossos ingênuos caros amigos sintam menos ódio de Benjamin Netanyahu e do Departamento de Estado dos EUA.

Em ambos os casos, porém, o povo brasileiro se torna desamparado. Seja com o rancor anti-social de Diogo Mainardi, seja com o delírio brega-popularesco dos intelectuais etnocêntricos. Nenhum deles está aí para socorrer o povo sofrido pela opressão política-econômica e pelas desigualdades sociais, o primeiro porque despreza o povo pobre, os segundos porque se ocupam a sonhar com uma periferia de contos-de-fadas.

Quanto à saída de Diogo Mainardi do país, logo dizemos: já vai tarde.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

AS MÚLTIPLAS FACES DO PRECONCEITO


Os sapatos de dona Maria José foram considerados inapropriados para o exame prático de merendeira

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este preconceito que se fala não é o "preconceito" brega-popularesco que aqui conhecemos. É a sociedade pobre com seus dramas sem a maquiagem generosa dos intelectuais paternalistas. Não é esconder a sujeira da rejeição elitista sob os "bondosos" tapetes funqueiros, tecnobregas, sambregas etc, mas mostrar o drama real que os pobres sofrem, por culpa de critérios injustos de rejeição social.

As múltiplas faces do preconceito

De Brizola Neto - Blog Tijolaço

O preconceito contra o pobre se expressa de várias maneiras. Uma típica é aquele olhar de cima a baixo que as elites dirigem à gente mais simples como se os trajes revelassem o que uma pessoa verdadeiramente é. Uma veste mais modesta é ridicularizada e tachada pejorativamente de cafona como se houvesse alternativas de bom gosto a quem pouco tem para vestir.

Numa sociedade consumista, o ter ganha total relevância sobre o ser. A roupa certa, o comportamento padrão sufocam o talento e a autenticidade das pessoas. Essa ditadura leva a situações discriminatórias e absolutamente ridículas como a da mulher que foi proibida de fazer concurso para merendeira da prefeitura de Igaraçu do Tietê, em São Paulo, por causa do sapato simples que usava. A matéria está em O Globo.

O primeiro absurdo da história era o edital do concurso que exigia que os candidatos usassem sapato fechado e sem salto para a prova prática. O que tem a preparação da merenda das crianças com o calçado usado por quem as prepara? E se a candidata não tivesse um calçado como o exigido? Seria eliminada mesmo capaz de fazer o trabalho com carinho e habilidade?

A prefeitura poderia exigir um determinado tipo de calçado e provê-los depois que as merendeiras fossem aprovadas. Exigir isso antes foi um processo discriminatório que só pode ter saído de uma cabeça distante da realidade do país e do próprio município.

Igaraçu do Tietê, a 281 km da capital paulista, aparecia em 2002 como um dos municípios mais carentes em riqueza e com indicadores de longevidade e escolaridade inferiores aos observados para a média do Estado, segundo o Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

A candidata Maria José de Oliveira, que já tinha passado pela prova escrita, contou que só tinha aquele sapato e estava sem condições de comprar outro. Ela disse ter certeza de que poderia ter feito todas as receitas que eram pedidas e passar no concurso que oferecia salário de R$ 600. Dona Maria José entrou na Justiça por danos morais.

O mais grave é que o advogado da empresa que organizou o concurso, a Triani Assessoria e Treinamento Educacional, reafirmou que a “vestimenta” não estava de acordo com o exigido no edital. A empresa diz em seu site ter longa experiência educacional e uma equipe pedagógica que a credenciou no mercado. Se a insensibilidade demonstrada no concurso for parte da pedagogia da Triani, coitados dos seus clientes.

FRACASSOU A NEGOCIAÇÃO ENTRE FM O DIA E GRUPO RECORD



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Segue a informação que recebi há pouco de William Marques, blogueiro do Rádio Corredor. Os fãs de brega-popularesco continuarão com três FMs dedicadas ao brega-popularesco em geral, até segunda ordem. Mas o jabaculê "universitário" dos intelectuais etnocêntricos continua como opção para o empresariado da Música de Cabresto Brasileira.

Envio este para passar as últimas informações. A... Envio este para passar as últimas informações.

A negociação melou entre as emissoras O DIA e o Grupo Record.

O motivo foi divergencias foi quanto a entrega do canal. O Grupo O Dia só queria entregar em janeiro
o a adm da IURD, da universal, queria a emissora agora em setembro. As informações são
de um diretor do grupo IURD de SP. Ainda segundo o diretor, a IURD vai buscar nova emissora pois que
uma emissora para formar rede nacional com programação popular. Estratégicamente, o grupo
quer uma rede popular em FM. As negociações não estavam passando pelo Rio, como comentado em blogs.
A adm do grupo no Rio não foi informada sobre as negociações.

Willian Marques,
do blog RadioCorredor.ning.com, que está sendo reformulado.

FIM DA RÁDIO O DIA FM COMPLICA MERCADO DO BREGA-POPULARESCO


FIM DA FM O DIA: BOA NOTÍCIA, MAS AINDA NÃO É MOTIVO DE COMEMORAÇÃO.

O rádio carioca vive, nos últimos cinco anos, uma verdadeira dança das cadeiras, resultante do verdadeiro "cassino" que se tornou o dial FM, entregue à ciranda dos barões da mídia radiofônica. Para o bem e para o mal, emissoras tradicionais ou relativamente veteranas são dizimadas.

Com a moda das "rádios AM em FM" - feitas mais para a concentração político-financeira dos empresários, porque, do contrário que as propagandas alardeiam, rádios como a "Tupi AM" e "Globo AM" amargam fracasso de audiência no dial FM e a Band News Fluminense nunca sai dos mesmos índices de audiência que derrubaram a antiga "Maldita" em 1994 - , a crueldade do mercado não poupa sequer o filão fácil e aparentemente certeiro da música brega-popularesca.

A música brega-popularesca era tida como o pretexto para a proposta da Aemização das FMs, defendida até por veículos da imprensa conservadora como Veja, em reportagem de 1984. Havia promessas, muitas delas delirantes, de que se houvesse notícias, debates, falatório e jornadas esportivas em FM, a "música ruim" e o jabaculê seriam extintos.

O que se viu, na verdade, foi o contrário. A música de qualidade desapareceu praticamente do dial FM, salvo uns raros espaços. E o jabaculê deixou de ser vinculado à música, com maior volume de propinas invadindo noticiários radiofônicos e, acima de tudo, as jornadas esportivas, que se tornaram o maior mercado de jabaculê do rádio, superando, de longe, a música. É tanto jabaculê que os barões da grande mídia são obrigados a fazer eufemismo, transformando a palavra no inofensivo sinônimo de mershandising, tamanha a lavagem financeira que acontece entre dirigentes esportivos e diretores de FM, e que quase matou, em 2008, o ex-prefeito de Salvador Mário Kertèsz, astro-rei da Rádio Metrópole FM e corrupto e demagogo histórico da Bahia.

Pois o fim da emissora de FM carioca, O Dia FM, para dar lugar a uma repetidora da Rádio Record AM já transmitida na Amplitude Modulada do Grande Rio, trará sem dúvida uma boa e uma má notícia.

Vamos, primeiro, à boa. Será uma a menos entre as atuais três emissoras dedicadas à música brega-popularesca, a suposta "música popular" de mercado complica sua situação no rádio e terá que se contentar com a Beat 98 e a Nativa FM, como emissoras dedicadas ao brega-popularesco geral, ou respaldar o atual lobby de intelectuais simpatizantes ao brega-popularesco (que se estende à coluna "Paçoca" da Caros Amigos) no programa "Noite Preta" da MPB FM (isso se o programa não sair do ar; o programa, ruim, é praticamente um programa dos amigos de Preta Gil).

Daí que vem, por isso mesmo, a má notícia. Com as restrições cada vez mais crescentes à programação musical no dial FM - cada vez mais substituída por um falatório que se prova cada vez mais supérfluo, pedante e maçante, por mais "informativo" e "cidadão" que tente parecer - , a música brega-popularesca, que há muito tempo havia trocado em parte o jabaculê radiofônico (aqui o conhecido sentido de subornar programadores de rádio) pelo jabaculê acadêmico (subornando intelectuais, sejam críticos musicais ou cientistas sociais, para fazer um discurso intelectualóide sobre as tendências brega-popularescas), tentará reforçar esse atual esquema.

Numa época em que até tendências recentes do brega-popularesco, como o tecnobrega, vendem uma falsa imagem de "movimentos à margem da grande mídia" mesmo depois de apadrinhados pela Rede Globo de Televisão, é de se preocupar quanto aos rumos da música brasileira, mesmo com o fim da FM O Dia.

Certamente o fim da FM O Dia foi bom. É um castigo tardio para uma rádio que foi chamada para tirar do ar a RPC FM, rádio de pop dançante extinta para não atrapalhar a reserva de mercado da Jovem Pan 2, que então havia desalojado a Fluminense FM e havia "sugerido" para as concorrentes Rádio Cidade e Transamérica migrarem para o segmento rock (cujo desempenho de ambas foi risível de tão desastroso). Poderá inspirar até mesmo a futura extinção da Nativa FM, como castigo desta ter desalojado a histórica Antena Um.

Mas, em vez de comemorarmos com festa, nos limitemos a sorrir. A música brega-popularesca é um mercado que movimenta milhões de reais por mês, sendo respaldado pelas mais poderosas elites e oligarquias, desde donos de redes de televisão, empresários do varejo e latifundiários.

O lobby com a intelectualidade cada vez mais substitui o jabaculê radiofônico e por isso a nossa posição é de cautela. Muita cautela. Só para citar um exemplo, a dupla breganeja Chitãozinho & Xororó, símbolo máximo da cafonice dominante em 1990, hoje comemoram 40 anos de carreira vendendo uma imagem falsa de "sofisticados", como se eles fossem "grandes nomes da MPB". A apreensão continua. Os donos da música brega-popularesca ainda têm dinheiro e poder.

BREGA-POPULARESCO NÃO TRARÁ DESENVOLVIMENTO CULTURAL PARA O PAÍS



É totalmente inútil defender os movimentos sociais e a música brega-popularesca ao mesmo tempo, acreditando que isso trará desenvolvimento social ao nosso país.

A retórica de defesa da música brega-popularesca, no auge com Pedro Alexandre Sanches - que tenta inserir a argumentação tão conhecida na grande mídia para a imprensa esquerdista - , tenta agora usar como pretextos os movimentos sociais, a mídia alternativa, como se todos nós fôssemos tolos e achássemos que os grandes ídolos popularescos, mesmo os emergentes, são "iunjustiçados pela mídia" apenas pelo simples fato deles representarem o mau gosto, pela sua evidente qualidade duvidosa de seu repertório.

Citam rádios comunitárias como espaço de popularescos emergentes, sem perceber que nem todas as rádios comunitárias prestam, pois várias delas, há um bom tempo, são tomadas por políticos e até mesmo representam os interesses das oligarquias dominantes em determinadas regiões.

Citam gravadoras pequenas como espaço de popularescos emergentes, achando que isso já significa estar à margem da indústria fonográfica. Grande engano, se percebermos que tais gravadoras não representam a filosofia de trabalho das gravadoras independentes, pois, enquanto estas se preocupam com a qualidade artística e não têm fins lucrativos, as pequenas gravadoras de música brega se preocupam unicamente com o lucro, são tendenciosas nos seus critérios "artísticos" e pouco se preocupam com a qualidade ou a integridade do ídolo contratado.

O brega-popularesco tentou se tornar o símbolo da Era Lula, se esforçando em dar uma rasteira na MPB autêntica que ameaçava dominar a época: Maria Rita Mariano, Vanessa da Mata, Wilson Simoninha, Cordel do Fogo Encantado, Ana Cañas, Seu Jorge. Uma "frente ampla" de intelectuais foi recrutada pela mídia e pelos empresários do entretenimento para fazer um discurso "socializante" defendendo as tendências popularescas, enquanto a grande mídia arquitetava, eventualmente, duetos ou tributos tendenciosos que fizessem os ídolos popularescos em evidência se autopromoverem de uma forma ou de outra do legado da MPB autêntica, através de covers ou duetos.

A retórica vigente sobretudo desde 2002 - embora haja registros da mesma retórica publicados até mesmo nos anos 90 - evoca desde alegações de "vítimas de preconceitos" como pretexto para inserir os ídolos popularescos em plateias de melhor formação intelectual, até mesmo declarações hipócritas de que os ídolos emergentes estão "fora da mídia".

Mas a valorização da música brega-popularesca não vai contribuir para o desenvolvimento social nem cultural, como não vai fortalecer a auto-estima nem a identidade do povo.

Isso porque a música brega-popularesca e todo o suporte de valores e expressões culturais que está por trás - imprensa policialesca e mulheres-objeto, por exemplo - são processos que promovem uma imagem domesticada e caricata do povo pobre, agindo não a favor, mas CONTRA os movimentos sociais, queiram ou não queiram os caros amigos.

Afinal, existe um grande contraste entre a realidade sócio, política e econômica do povo pobre, vítima da opressão, da omissão das autoridades, das injustiças sociais, e o circo ao mesmo tempo tolo, ingênuo e patético do entretenimento popularesco. No primeiro caso, o povo sofre. No segundo, o povo é feliz.

Outro aspecto que se deve levar em conta é que os valores assimilados e produzidos pela música brega-popularesca não são valores culturais autênticos, mas aqueles ditados pelos meios de comunicação, como rádios FM controladas por grupos oligárquicos e emissoras de TV aberta, também controladas pelas elites regionais.

Só isso faz evitar o agravamento das tensões sociais vividas diariamente pelo povo pobre. O analgésico brega-popularesco promove o conformismo sobretudo entre os jovens da periferia, felizes em caminhar feito gado para os clubes de subúrbio que mostram a música "popular" que eles são induzidos a consumir e que a eles é simbolicamente atribuído.

Em outras palavras, o povo apenas segue o roteiro brega-popularesco estabelecido pela mídia e os intelectuais-ideólogos vendem isso como "a pura e autêntica expressão da cultura popular". Criam um discurso confuso, mas que evoca o sonho, a fantasia de uma periferia feliz, e muita gente cai desprevenida, acreditando e aplaudindo.

Mas, por trás disso, identidades culturais são dizimadas, porque agora a ideia de "identidade cultural" se limitou a uma reles "colcha de retalhos" musical, sobretudo com presença maciça de elementos estrangeiros, usados não para enriquecer uma linguagem local, mas para enfraquecê-la. Não por acaso, o forró-brega, tão associado a uma pretensa ideia de "regionalidade", vive, quase que exclusivamente, de versões de sucessos radiofônicos da música estrangeira.

A "identidade cultural", através dos fenômenos brega-popularescos, se reduziu a uma mera "tradução local" do estrangeiro, uma sub-criatividade que pouco tem de expressiva ou relevante. Artisticamente, é uma cultura débil. Não produz conhecimento, não produz valores sociais, só estabelece padrões de consumo, sem acrescentar coisa alguma para a sociedade.

Por isso, o brega-popularesco não trará desenvolvimento social nem cultural para o Brasil. Pelo contrário, enfraquecerá cada vez mais o povo, com essa "cultura popular" de mercado, que até o reino mineral sabe que é comandado pelas elites e pela grande mídia.

Só o fato das tendências brega-popularescas existirem desde há uns 50 anos, não quer dizer que a atual cultura popular tenha agora que se vincular à cafonice dominante. Essa visão, ao mesmo tempo conformista e cruel, apesar do discurso lindo que os intelectuais apologistas fazem, em nada contribui para enobrecer e valorizar o povo pobre.

Essa visão apologética do brega-popularesco só serve para encher linguiça e convencer os amiguinhos dos intelectuais a se conformarem com a hegemonia da mediocridade cultural do povo pobre. A cafonice dominante mantém o povo no sub-desenvolvimento, na miséria disfarçada por paliativos.

A "cultura" hoje atribuída ao povo pobre é ruim, mas tudo o que se faz é apenas tentar nos convencer a fingir que essa ruindade é "coisa boa". Sabemos que não é. Mas temos que seguir o etnocentrismo bondoso desses ideólogos, enquanto todo o legado cultural autêntico do povo pobre - quando a pobreza não impedia a produção de cultura e arte de excelente qualidade - é deixado para trás, como peça de museu. Até que nosso protesto organizado contra a pasmaceira discursiva reinante se torne mais expressivo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

MARCELO MADUREIRA DÁ RECADO A PEDRO ALEXANDRE SANCHES








Francamente, de que adianta um jornalista de esquerda que defende a mesma música popularesca apoiada com entusiasmo pela mídia de direita? Sobretudo um jornalista que já foi educado pela mídia direitista?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

PARABÉNS MICK JAGGER!!


MICK JAGGER: 'Brasileiros, vocês vão ter que me engolir"!

Parabéns para o grande cantor dos Rolling Stones, Mick Jagger, que aniversaria hoje. Sempre jovial, Mick também esteve presente no último jogo entre as seleções brasileira e holandesa na copa de 2010, que resultou no melhor resultado: a vitória dos holandeses.

Por isso, o melhor presente que Mick deve ganhar é um lugar na ala VIP para a copa de 2014, em todos os jogos com a seleção brasileira. Serve até para esfregar na cara dos futebosteiros que pensam que futebol e rock'n'roll são a mesma coisa. Então, ajoelhar é rezar, e por isso eles terão que engolir Mick Jagger na copa de 2014.

Afinal, Mick é um dos maiores roqueiros do mundo. Sua história é de relevância indiscutível.

SITE DA CBF É HOSPEDADO PELAS ORGANIZAÇÕES GLOBO



As ligações espúrias entre os "cartolas" de futebol e os barões da grande mídia, mais precisamente entre a CBF e as Organizações Globo, ainda vão dar o que falar.

Um fato curioso, que pode botar lenha na fogueira, é que o site da Confederação Brasileira de Futebol, CBF, presidida pelo "imperador" Ricardo Teixeira, é hospedado por nada menos que o portal Globo.Com, conforme mostra a foto acima e a imagem do detalhe, logo abaixo.

Que a Copa do Mundo tornou-se cada vez mais tendenciosa e fraudulenta - consta-se que até o "penta" da $ele$$ão foi conquistado no trambique - , cada vez mais pessoas tornam-se conscientes disso, a cada dia. O que cada vez mais transforma o campeonato mundial de futebol num evento bem menos interessante.

Mas a influência da Rede Globo e seu "porta-voz" Galvão Bueno, além das alianças dos irmãos Marinho com Ricardo Teixeira, só fazem agravar a situação, dentro do contexto do milionário e mafioso mercado futebolístico mundial, do qual o Brasil aparece mais como vilão do que como herói, através dos "cartolas" e da mídia.


DETALHE DO SITE DA CBF, MOSTRANDO O LOGOTIPO DO PORTAL GLOBO.COM

domingo, 25 de julho de 2010

A INDIFERENÇA DA MÍDIA DE ESQUERDA AOS "PALESTINOS" DE CÁ



Envergonha jornais como Caros Amigos permitirem que se defenda uma música brega-popularesca e toda uma simbologia de valores sócio-culturais caricatos, apátridas, estereotipados e domesticados. E todo mundo aplaudindo, com alegria idiota, a gororobização cultural convertida em "paçoca".

É o mesmo pessoal que conhece a luta do povo palestino contra o imperialismo representado por Israel. Não reprovo essa preocupação, pois sabemos o quanto os palestinos sofrem por não terem pátria, por viverem exilados, por sofrerem opressão e violência, que já dizimou várias pessoas.

Mas é preciso ter coerência e verificar também o drama do povo que vê seus barracos deslizando, os agricultores sendo dizimados pela pistolagem, enquanto o público de Caros Amigos aplaude que nem foca de circo as pregações brega-popularescas de Pedro Alexandre Sanches, sobretudo ao tecnobrega (o "funk carioca" da vez) patrocinado pelos mesmos latifundiários que mandam fuzilar agricultores.

Pois os "palestinos" de cá sofrem tanto quanto os palestinos propriamente ditos. O povo palestino, sem pátria, sem poder expressar sua cultura, vivendo feito exilados e lutando para manter seus referenciais culturais, de fato eles merecem nossa solidariedade e respeito. E que devemos sempre lutar contra o imperialismo dos chefões de Israel, paus mandados da política megalomaníaca dos EUA.

Mas e os "palestinos" de cá? Sem cultura própria, sem referenciais nacionais, reduzido a uma massa medíocre, patética e estereotipada graças à supremacia da grande mídia, o povo pobre brasileiro é o "palestino" transformado em bonecos de marionetes pela "política israelense" da grande mídia.

Será que nossos caros amigos não têm vergonha de que, apoiando as pregações de Pedro Alexandre Sanches, jornalista com passagens na mídia golpista e educado pela mesma, apoiam o método Folha-Globo-Contigo de pensar a cultura popular? Ou será que nossos caros amigos fazem tais defesas do povo pobre porque têm medo de algum processo trabalhista de suas empregadas domésticas?

O que Pedro Alexandre Sanches defende é a mesma política de Benjamin Netanyahu traduzida para o âmbito da MPB. A identidade nacional tradicional acabou, agora é "reconstruir nossa identidade" às custas do "resto" dos referenciais estrangeiros misturados. É esse o pensamento apátrida, neoliberal e capitalista do sr. Sanches, menino de ouro de Otávio Frias Filho e senhor de uma retórica de sonho que engana muita gente.

É esse o pensamento que, de forma sorridente, afirma que a identidade cultural que o povo brasileiro construiu com muito sacrifício acabou, não existe mais, e que o máximo agora é todo mundo brincar de caubói americano, de soulman americano, de Beyoncé, de Usher, de Michael Jackson.

A "identidade nacional", agora, é tão somente uma leitura "local" do que vem de fora. Não somos mais nós mesmos, mas apenas meras formas locais de expressar o outro. Não produzimos mais conhecimento, mas tão somente o espetáculo desenvolvido por nossa ingênua e patética ignorância. Não são mais nossas famílias que transmitem os valores sócio-culturais que acreditamos, mas rádios FM e emissoras de TV aberta que transmitem aquilo que devemos acreditar, valores que não são nossos mas que temos que tomar como "nossos".

Afinal, Pedro Alexandre Sanches tenta nos fazer crer que agora "nossa" cultura é mundializada, nossa identidade cultural perdeu o sentido porque agora somos "mundiais", somos "universais". Nossa burrice tornou-se a "mais pura inteligência". A cultura brasileira virou circo e os leitores de Caros Amigos são as focas de circo, aplaudindo qualquer entulho anunciado como "novidade". E nós, que reclamamos disso, temos que fazer papel de palhaços.

O Brasil de Pedro Alexandre Sanches NÃO é o Brasil dos movimentos sociais, das lutas sociais do povo pobre. O Brasil de Pedro Alexandre Sanches é o mesmo Brasil de Fausto Silva, de Gugu Liberato, de Sílvio Santos, do Pânico da TV, das novelas da Rede Globo, do Luciano Huck, da Ilustrada da Folha, da revista Contigo. A Paçoca da Caros Amigos tem o P de Partido da Imprensa Golpista.

E, como um Francis Fukuyama tropicalista, Pedro Alexandre Sanches tenta nos fazer crer que não devamos pensar como nossos pais. Ele nos convida para a ruptura de "um modo tradicional" de ver a MPB. O que não é isso senão a aplicação do "fim da História" na abordagem da cultura brasileira?

Convido os caros amigos da Caros Amigos a lerem mais O Kylocyclo.

MULHERES LEGAIS SÃO ARTIGO DE LUXO NO BRASIL



Ser um homem legal certamente é um fardo no Brasil. Chega a parecer um pecado mortal.

Os homens legais ficam à mercê do assédio fútil e "fácil demais" das mulheres vulgares, que, não obstante, escondem um passado amoroso tenebroso com ex-namorados com experiências sociais tão suspeitas que nem é bom falar.

Para piorar, ainda prevalece o ditado "cavalo dado não se olha os dentes" e se um homem legal rejeita o assédio de uma mulher vulgar, é mal-visto. Se fala mal da "boazuda" de plantão, é visto como "preconceituoso". Se não quer se envolver com ela porque o ex-namorado dela é da pesada e pode ameaçar, é visto como "medroso". Se diz que não está a fim dela, é visto como "homossexual". Ou seja, o homem legal também sofre de bullying, e é obrigado a aceitar as mulheres que sobraram "no mercado" para "provar que é homem".

Péssima realidade do país machista que promoveu a péssima educação de nossas mulheres. Para uma Leandra Leal que aparece dando o ar de sua graça, há milhares de Priscila Pires causando constrangimento até nos perfis do Orkut.

Enquanto no mundo adulto dos anos 80 explodiam os crimes passionais, já que a impunidade dos mesmos inspirava outros crimes semelhantes, as menininhas da época - as tais Priscila Pires que existem aos montes em todo o Brasil - eram desprezadas pelos pais e consumiam a TV aberta e o rádio FM que os barões da mídia ditatorial já reservavam para suas babás de origem pobre consumirem.

Ou seja, não bastassem saírem de cena, nos anos 80, jovens moças dotadas de algum referencial decente de moral, cultura e ética, dizimadas pelos seus "companheiros" que num dia se esqueceram de amá-las e mesmo assim não queriam perdê-las, veio a compensação apenas quantitativa de mocinhas que, no começo do século XIX, se tornaram infantilizadas aos cerca de 25 anos de idade.

Duplo desserviço de um machismo que dizimou umas mulheres e emburreceu outras tantas. Isso faz uma diferença negativa, já que a personalidade por vezes fútil, por outras piegas, das brasileiras "jecas", faz elas ficarem sozinhas até mesmo em regiões onde há explícita maioria de homens em relação às mulheres na população, como nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Da noite para o dia, apareceram moças solteiras aos montes nessas regiões, quando, em outros tempos, uma Priscila Pires da vida que ainda morasse no Mato Grosso do Sul não passaria de uma recatada esposa de um fazendeiro dez anos mais velho que ela e criador de gado e cavalos. De repente, em Goiás, Amapá, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, apareceram moças "encalhadas", mesmo com uma significativa maioria masculina na população desses Estados.

Para agravar, esse "encalhe" se efetiva através de todo o repertório da música brega-popularesca, com seus sucessos avacalhando as relações amorosas, sempre falando de traições, de solidão, promovendo a péssima imagem do homem para as mulheres que ouvem essas FMs, complementando a exploração dos noticiários policialescos, que praticamente transformam a figura masculina no "bicho-papão" que assusta as marmanjonas "jecas".

Por outro lado, moças legais, que demonstram ser mais que corpos bonitos, que têm classe, inteligência, personalidade e não precisam "provar o tempo todo" que são gostosas, elas são disputadas a toda hora pelos homens. Elas dificilmente ficam sem namorados por muito tempo, e várias delas são até casadas. No Primeiro Mundo, elas são mais fáceis de encontrar, mas no Brasil, uma mulher dessas, que daria uma convivência ao mesmo tempo útil e agradável, não é fácil de encontrar.

Isso é de fazer arrancar os cabelos. O que um homem legal vai fazer com uma mulher que só quer mostrar o corpo e ir para noitadas, sejam elas raves techno ou vaquejadas, festivais gospel ou "bailes funk"? O que uma mulher dessas vai acrescentar para os homens legais? Nada, simplesmente. Nada.

E, agora que Eliza Samudio torna-se o símbolo trágico das "boazudas" que ainda se envolvem com machistas, a situação dessas mulheres torna-se mais confusa ainda. E Priscila Pires levando fora de Léo Santana do Parangolé, o mesmo que a Mulher Moranguinho definiu como "inacessível" aos desejos amorosos desta.

Dá a impressão de que o "mercado" da vida amorosa no Brasil mais parece um mercado de varejo em falência e em processo terminal de liquidação. Só sobra quem não presta. É tão fácil de pegar que uma Priscila Pires sai de graça até para um desempregado. Mas, como diz o ditado, "quando a esmola é tanta...".

sábado, 24 de julho de 2010

PORTAL EGO TENTA DISFARÇAR CRISE DOS BBB'S



A crise do Big Brother Brasil, que faz com que vários de seus integrantes veja perder a efêmera fama na medida em que deixam de receber convites para aparecer em eventos, é tão evidente que mesmo a "badalada" Priscila Pires sofre o peso da decadência, recebendo um "fora" do pagodeiro Léo Santana, durante o Salvador Fest.

No entanto, as Organizações Globo, por razões óbvias, tenta dissimular a crise, acionando o portal Ego para divulgar as badalações das "musas" do Big Brother Brasil, e mesmo omitiu o "fora" que Priscila Pires recebeu do cantor do rebolejo.

Se verificar o portal Ego hoje - http://ego.globo.com - , dará de cara com várias notícias sobre os "astros" do Big Brother Brasil na sua maior especialidade, noitadas. Sobretudo encontros de ex-colegas do BBB em eventos de "téquino", para não dizer as gandaias brega-popularescas.

Só hoje houve várias notas envolvendo Lia, Anamara, Fani e outros.

ALCEU VALENÇA FEZ DURAS CRÍTICAS AO BREGA-POPULARESCO



Esta entrevista ocorreu há um ano e meio atrás, mas vale a pena trazê-la para nossa discussão sobre a crise vivida pela música brasileira.

Enquanto há reacionários que reagem furiosamente aos que criticam seus ídolos popularescos (só porque eles lotam plateias e vão ao Faustão, não significa que eles sejam deuses para que nunca os critiquemos), e há intelectuais deslumbrados que fazem propaganda dos mesmos ídolos sob uma roupagem discursiva intelectualóide, quem reclama pela qualidade da nossa música sofre por não ter espaço na mídia.

As verdadeiras vítimas de preconceito somos nós, que não podemos falar daquele cantor de sambrega, daquela dupla de "sertanejo universitário" e daquela "diva" da axé-music sem que algum engraçadinho nos espinafre. Nós somos desprezados até mesmo pela claque pretensamente esquerdista, que mal havia trocado a assinatura da Folha de São Paulo pela Caros Amigos, que não estranha que um Pedro Alexandre Sanches amamentado pela mídia golpista escreva naturalmente, na imprensa esquerdista, os mesmos pontos de vista veiculados na Folha de São Paulo e Bravo, esta do Grupo Abril.

Pois a verdade machuca todo mundo, cantava Sting há 32 anos atrás, com a banda The Police. Ou então, como diz o ditado popular, a verdade dói. Animais ferozes, quando feridos, dão ainda seus gritos, desesperadamente. Mesmo que sejam gritos do silêncio, da omissão de certos fatos. Para que a "esquerda ilustrada" que assinava a Folha para ler a Ilustrada e Mais! e agora assina Caros Amigos, sonhar com uma periferia de conto de fadas depois de ler horrores sobre os conflitos no Oriente Médio.

"Quem é Alceu Valença?", perguntaria um desavisado pernambucano acostumado aos forró-brega e tecnobrega que consome pelo rádio. Certamente ele deve pensar que é um titio com nome e sobrenome engraçados, sem qualquer serventia alguma para ele.

Mas Alceu é um dos grandes artistas da Música Popular Brasileira autêntica, um dos mestres da música pernambucana, em particular, e da música brasileira, em geral, e um dos grandes seguidores da lição antropofágica de Oswald de Andrade. De origem hippie e influenciado pelo rock, Alceu no entanto é um profundo conhecedor de música de raiz pernambucana, tanto que, certa vez, quando convidado a tocar uma música para o veterano Jackson do Pandeiro, assim que desempenhou a tarefa conquistou de forma entusiasmada o compositor, que antes havia visto Alceu com desconfiança.

Alceu havia criticado, numa entrevista, a atuação do então ministro da Cultura do governo Lula, o também cantor-compositor-músico Gilberto Gil, pelo fato dele não ter abraçado um projeto em prol da verdadeira MPB (fala-se verdadeira MPB mesmo, e não nos lotadores de plateias do brega-popularesco).

PARA ALCEU, BREGA-POPULARESCO TERIA SIDO TRAMADO PELOS EUA

Na entrevista, sobrou até críticas para a megalomaníaca axé-music (que Alceu apelidou como "fuleiragem music"), e também para a destruição da música brasileira pós-1986, através de "um tipo de música canalha". Embora Alceu dê ênfase à axé-music na sua crítica, ele deixa subentendido no seu depoimento que se trata do brega-popularesco como um todo, dessa suposta "música popular" dominante nas rádios FM e na TV aberta.

Alceu atribui a hegemonia da música brega-popularesca à influência do Departamento de Estado e Propaganda dos EUA. Embora a acusação pareça sempre "paranóica", para quem acredita na cultura popular como um fenômeno sempre inofensivo às pessoas em geral (e por isso acha natural um Pedro Alexandre Sanches invadir as redações de esquerda no nosso país), ela faz muito sentido.

Afinal, os EUA, desde 1951, sempre se empenharam para destruir o projeto nacional-popular que se tornou independente até mesmo dos propósitos políticos do Estado Novo. A cultura popular autêntica fluiu de forma tão consistente que, através da literatura, da pintura, do teatro, do cinema e sobretudo da música, entre outras modalidades artísticas, o povo passou a compreender criticamente a realidade da vida, de forma até mais intensa do que nos tempos em que a cultura popular não era manipulada ao bel prazer das elites dominantes.

Juntando a cultura popular original, de raiz, e seu apogeu nos anos 50 e 60, sobretudo com o apoio da UNE e seus Centros Populares de Cultura acionados quando o latifúndio do Norte/Nordeste despejava os primeiros ídolos cafonas, a música brasileira autêntica, realmente popular e não essa cafonice "popularizada" de hoje, ficou associada às lutas populares e aos movimentos sociais de esquerda.

É certo que nos últimos anos tenta-se inverter o discurso, associando a MPB autêntica, mesmo a música de raiz dos antigos mestres dos morros e sertões, a um elitismo de direita, enquanto o brega-popularesco, só por causa do seu histórico de rejeições (na verdade dados não por avaliações preconceituosas, mas pela falta de qualidade artística e cultural de seu cancioneiro), é associado, de forma tão falsa, à intelectualidade de esquerda.

Só que existe a ortodoxia das elites, que não vai ouvir um Jackson do Pandeiro ou Luís Gonzaga, mas, no máximo, Tom Jobim e Chico Buarque, e ainda assim nem tudo. Mas é uma elite que prefere mais ouvir música clássica, mesmo. E existe também, por outro lado, o fisiologismo político e midiático, a indústria do jabaculê movida por redes de televisão concorrentes da Rede Globo e que respaldam, por isso, um mercado falsamente anti-mídia do brega-popularesco.

Por isso, faz sentido a declaração de Alceu Valença, que sente o quanto a MPB autêntica hoje é a verdadeira discriminada, e não os "injustiçados" ídolos popularescos, que tanto posam de "ignorados pela grande mídia" mas no dia seguinte aparecem triunfantes na tela da Rede Globo e nas páginas da Folha de São Paulo.

Faz sentido porque os EUA querem transformar o Brasil em um país mentalmente apátrida, subordinado, sem referenciais, sem ética, sem cultura. Tudo para impedir que a nação sul-americana se torne uma potência, com um povo culturalmente forte e um cenário político transparente, insubordinado e atuante.

Não é por acaso que a ditadura militar intensificou a divulgação, agora em plano nacional, dos ídolos cafonas patrocinados pelo latifúndio, gerando no brega-popularesco que originou diversos derivativos tendenciosos. E que todas as teses que tentam desvincular música brega e ditadura militar soam confusas, contraditórias e de nível argumentativo fraco e duvidoso.

AS FRASES DE ALCEU VALENÇA

“Gil não fez absolutamente nada pela MPB. O ministério dele foi melhor do que o de Weffort, Ponto de Cultura é um negócio bacana. Mas música brasileira nada. Não vi nem uma vez ele fazer um esforço e levar todo mundo lá para fora. Houve esforço para levar ele. Eu tentei levar, fiz um projeto para levar todo mundo, o Brasil Novo Tempo, mas não deu certo. O Brasil está sendo divulgado lá fora por um tipo de música canalha! Mas pense o Brasil divulgado pela coisa bonita brasileira, pela sua identidade. Porque os gringos são apaixonados pelo samba, pelo choro. O mundo gosta do Brasil, mas o Brasil não gosta de se mostrar pro mundo”.

“Tenho quase certeza de que a destruição da música brasileira foi um movimento que veio do Departamento de Estado e Propaganda dos Estados Unidos. Não posso entender, como é que você pode destruir uma indústria de um bilhão de dólares? A MPB dava 800 bilhões de dólares. A MPB de qualidade era detentora de 80% do mercado de música brasileira. Os caras chegaram e trocaram Chico Buarque por Ursinho blau blau. Em 1986, tudo acabou. Dentro da minha loucura eu digo o seguinte: isto se deve à queda da ditadura. A MPB era contra a ditadura. Então ficaram com medo de uma nova Cuba, pela influência desses artistas de esquerda. Quem ouviu Bethânia, Chico, Milton tocar depois de 86? Tudo isso podia até ter acontecido, de uma maneira mais vagarosa. De repente caiu tudo, e veio outra coisa”.

“Eles são absolutamente negociantes. A fuleiragem music vai destruir o Brasil lá fora, porque o axé destruiu a imagem de música de qualidade que se tinha do Brasil. Existia na Europa a boa música brasileira. Só iam para Europa os tampas de crush, Caetano, Chico, Gil, Milton. O besta aqui
(NOTA DESTE BLOG: o próprio cantor) foi muitas vezes. Tinha um tipo de público do cacete. Aí, quando entrou o axé, a fuleiragem, sabe qual o público desta música? Quenga. A fuleiragem aconteceu, mas será que são os músicos que fazem a música? Quem faz é o cara que não gosta de música, mas sabe trabalhar a coisa, contrata uns caras, o jabaculê come por todos os lados, mas não se faz arte”.