sábado, 19 de junho de 2010

PROJETO QUER ENSINAR MPB NAS ESCOLAS DO BRASIL


Uma iniciativa louvável pode mudar paulatinamente as mentes e a formação cultural dos estudantes de escolas públicas.

O Instituto Cravo Alvim, coordenado pelo pesquisador de Música Popular Brasileira, Ricardo Cravo Alvim, pretende reforçar a formação moral e sócio-educacional de crianças e adolescentes através do conhecimento da cultura musical brasileira.

Embora o projeto siga uma corrente ideológica que corteja as tendências brega-popularescas contemporâneas, a medida, que já é ensinada, pelo menos, em várias escolas do Estado do Rio de Janeiro, poderá desenvolver nos alunos uma consciência crítica do que é a Música Popular Brasileira.

Já existe uma lei federal, de número 11769, de 18 de agosto de 2008, que determina que todas as escolas do Brasil incluam o ensino de música brasileira nas instituições de ensino básico (correspondente ao antigo primeiro grau), a partir de 2011.

Com isso, as discussões sobre o valor da cultura brasileira entre as classes populares retoma o rumo interrompido com o fim dos Centros Populares de Cultura da UNE, devido à cassação da entidade pela ditadura em 1964, e com a acomodação do legado do Tropicalismo, que converteu o debate cultural da "geléia geral" numa simples "gororoba cultural" passivamente apreciada pelos intelectuais.

É uma grande esperança ver que, se hoje as gerações de estudantes estão viciadas na mesmice de sambregas, breganejos, batidões, pagodões etc, as futuras gerações terão um melhor embasamento cultural, o que pode refletir nos futuros artistas que serão lançados no Brasil no decorrer desta década.

Em todo caso, será inevitável que nossos alunos, confrontando a música brega-popularesca que predomina hoje nas rádios e TVs com a MPB autêntica que aprenderão nas escolas no próximo ano, farão a comparação entre os dois universos, o que fará com que paulatinamente abandonem os ídolos bregas e neo-bregas atuais, em virtude de uma visão crítica e analítica acerca da cultura popular brasileira.

2 comentários:

Lucas Rocha disse...

Tomara que esse projeto dê certo!

Marcelo Delfino disse...

Será curioso observar o choque de gerações que virá por aí. Um choque positivo, como os das primeiras gerações de roqueiros diante dos pais. As crianças do futuro defenderão a qualidade da MPB em detrimento da Música de Cabresto Brasileira que viciou os pais apenas um pouco mais velhos.