segunda-feira, 28 de junho de 2010

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, O "CAPANGA" DA FOLHA/ABRIL?



Até agora, eu pessoalmente nunca li nem vi uma declaração do crítico Pedro Alexandre Sanches de que se decepcionou com a mídia de direita ou de que se identifica com a causa da mídia esquerdista.

Sempre achei estranho que Pedro Sanches, de uma hora para outra, saltou da Folha de São Paulo para Carta Capital e Caros Amigos assim de bandeja.

Sabemos muito bem que um grande abismo ideológico separa Folha de São Paulo e a imprensa de esquerda, e não é o tema da cultura popular que estabelecerá exceção para isso.

Também soa muito estranho que Pedro Sanches, com uma argumentação "intelectual" que já vimos em Hermano Vianna, Milton Moura e outros, vá na imprensa de esquerda defender um tipo de pseudo-cultura que transforma as classes populares em caricatura estereotipada, que é o brega-popularesco, uma pseudo-cultura que é recebida de portas abertas pelos veículos das Organizações Globo e do Grupo Folha.

Caso recente, sabemos, foi o do tecnobrega do Pará, que pouco depois de virar capa na revista esquerdista Fórum ganhou acesso fácil nos programas da temível Rede Globo: Mais Você (cuja apresentadora, Ana Maria Braga, militou no movimento direitista Cansei), Domingão do Faustão (símbolo máximo da alienação televisiva brasileira) e Jornal da Globo (cujo âncora William Waack é uma das expressões do reacionarismo midiático).

Até os padrinhos do tecnobrega, a Banda Calypso, tornou-se exemplo porque foi tão falsamente associado às "mídias pequenas", ao "esquema alternativo e independente de divulgação", e hoje tem as portas escancaradas da Rede Globo para aparecer em todos seus programas, além de ter ganho a primeira página, uma vez, do Segundo Caderno de O Globo, a ponto de Chimbinha e Joelma praticamente virarem "astros globais" não assumidos, mas de forma bem explícita. Com direito a se "rivalizarem" com Acarajette Lovve, a cantora axézeira fictícia vivida pelo casseta Beto Silva, cujo assessor Waldeck do Curuzu é interpretado pelo Millenium boy Marcelo Madureira.

Pois de que adiantou a Fórum gastar papel para capa e páginas de pura defesa do tecnobrega - cujo status de "movimento alternativo" é muito falso, ante o apoio latifundiário na "pequena mídia" local - da parte de Pedro A. Sanches, se pouco depois o colunista de Jornal da Globo, Nelson Motta, integrante do Instituto Millenium (expressão do pensamento conservador midiático, tal qual o IPES nos anos 60), escreveu as mesmas alegações?

Em ambos os casos, as apologias de Sanches e Motta se basearam no festival de lorotas que o livro Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música, de Ronaldo Lemos e Oona Castro, que não bastasse a badalação em torno da caricata cultura brega-popularesca então representada no tecnobrega, faz uma idealização da sociedade paraense completamente diferente da Pará sofrida, lutadora e historicamente ligada aos conflitos de terra que sacrificaram muitos trabalhadores e até figuras humanitárias, devido à pistolagem.

Aliás, como um verdadeiro capanga do Partido da Imprensa Golpista, Pedro Sanches entrou na mídia de esquerda e fez lá seu trabalho. Foi fazer o que sempre fez na Folha de São Paulo, dando sua visão etnocêntrica da cultura popular brasileira.

Mas, no fundo, Sanches não se tornou mais esquerdista do que os antigos esquerdistas que hoje militam no Instituto Millenium. Mesmo num método diferente, ele acaba atingindo os mesmos objetivos que Marcelo Madureira, Arnaldo Jabor, Nelson Motta e Guilherme Fiúza alcançam no Millenium, porque defende uma música popular caricata e estereotipada, o brega-popularesco da Música de Cabresto Brasileira, que a grande mídia patrocinou e apadrinhou desde os primórdios de Orlando Dias, Waldick Soriano e Nelson Ned, há mais de 50 anos.

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