sexta-feira, 18 de junho de 2010

PEDRO ALEXANDRE SANCHES, O BOM GAROTO DE OTÁVIO FRIAS FILHO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Recordar é viver. Quem imagina Pedro Alexandre Sanches hoje, como paladino da imprensa de esquerda, mal pode imaginar os serviços que ele fez na Folha de São Paulo, como um verdadeiro pupilo de Otávio Frias Filho. Este texto ele escreveu há seis anos.

Pedro Sanches já elogiava a música brega-popularesca, com o mesmo discurso "sociológico" que gente como Hermano Vianna, Rodrigo Faour e outros fizeram e fazem. E aqui vai uma amostra do que Pedro escreveu sobre Tati Quebra-Barraco, no tenebroso periódico da família Frias, família que integra o PiG e milita no Instituto Millenium.

É de deixar a imprensa de esquerda envergonhada com tanta apologia à Música de Cabresto Brasileira que as elites empurram para o povo sob o rótulo de "cultura popular".

O texto é meio pesado nas suas apologias, sendo pouco recomendável para mentes pouco críticas. Preparem o remédio contra enjoo.

"Sou feia, mas tô na moda" traduz a funkeira Tati Quebra Barraco

PEDRO ALEXANDRE SANCHES - da Folha de S.Paulo - 20.06.2004

"Sou feia, mas tô na moda." A autodefinição, em forma de funk carioca, é de Tati Quebra-Barraco. O Brasil ainda desconhece a estrela pop Tatiana dos Santos Lourenço, 24, mas a frase se torna mais verdadeira a cada dia.

É que Tati se move entre guetos, os mais variados deles. Veja só. Mora na Cidade de Deus, desde que nasceu. Antes de ser artista, foi cozinheira de creche. Canta suas letras de funk pornográfico nos bailões cariocas de periferia.

Veja mais. Na última quarta-feira, passeou, em seu moleton rosa da Gang, pelos pavilhões da São Paulo Fashion Week. À noite, cantou na boate gay, simpatizante e underground A Lôca, para uma platéia que incluía profissionais "da moda", drag queens, o roqueiro septuagenário Serguei e o jovem galã Erik Marmo.

Dá volta ao mundo, permanece no gueto. "Do mundo, o mais longe que cheguei foi Mato Grosso", diz. Seu irmão, co-autor e anjo da guarda, Márcio, 28, ex-vendedor de "quentinhas" e ex-operário de lavagem a seco, conta que há negociações para que vá tocar na Europa, reduto já dominado pelo papa do funk, DJ Marlboro.

Não adianta tentar contrariar sua auto-imagem de "feia". "Até melhorei um pouquinho, mas acho que sou feia, sim", avalia, no carro que a leva ao pavilhão da Bienal, na mão um pacote de batatas fritas que comprou no pipoqueiro do aeroporto de Congonhas. "Quando comecei, as pessoas diziam: 'Ah, é essa que canta essa música? Mas ela é feia!' Aí falei: 'Sou, mas estou na moda'."

O som que faz é cru, sintético, sem acabamento. Lembra mais Miami bass que música brasileira. Mas os artistas preferidos de Tati são os pagodeiros Travessos e Belo ("Zeca Pagodinho não é para a minha idade", delimita).

Fala com o desprendimento de quem não compreende que está ajudando a moldar um novo tipo de feminismo --o mesmo de Preta Gil, a filha do ministro, sua versão rica, que posa nua no CD multinacional reivindicando respeito às suas "imperfeições" físicas.

Conversa com a timidez doce de menina suburbana, de alto contraste com a cantora agressiva de "não adianta, de qualquer forma eu esculacho/ fama de p... só porque como teu macho".

A veiculadora dos versos de sexo livre e mais que explícito afronta regras de conduta social por minuto; atinge sem controle crianças, jovens e adultos de seu gueto e de outros guetos.

A moça por trás da estrela suburbana é mãe de Mila Cristina, de três meses, já apelidada de Mila Quebra-Berçário. Seu marido é o segurança Fábio, 32. Ela descreve a relação: "Ele me conheceu assim. Pode até ter ciúme, mas esconde. Mulher é que costuma ter mais ciúme. Homem, não".

Jesus Cristo é presença constante em suas letras, mas de novo em tom de afronta aos costumes: "Se tem amor a Jesus Cristo/ bota tudo, sangue bom", ou "quando leva no [motel] Carícia/ faz amor que é uma delícia/ Jesuuuus!".

"Deus é nosso pai. Se estivesse zangado comigo, eu não estaria onde estou. E esses crentes de hoje em dia, fala sério, estão piores que a gente que é do mundo --roubam, mentem", Tati cospe fogo.

Não "esquenta" com quem se ofende por seus modos. "Sei que muita gente não gosta, mas é gente que não me veste, não me dá nada. Não estou roubando nem traficando, estou trabalhando."

Da televisão, respeita Gugu Liberato e acha que a Globo não gosta dela. "Lá não gostam de favelado, preto, pobre, polêmico. Têm preconceito, mas, se estoura, eles chamam, como aconteceu com o Bonde do Tigrão."

É consciente do sucesso que faz à margem, sem tentar ser darlene, quase sem aparecer em TV, rádio ou CD (tem só um oficial, em julho sai o segundo; é mais fácil achá-la na internet do que nas lojas). "Hoje tenho meu nome, mas sei que isso vai acabar. O sucesso não me sobe à cabeça, nem vai subir", Tati fecha questão.

Seu habitat é violento, mas ela se inclina a abordar o lado mais leve da violência. "Se falar durante meu show, eu xingo. Se tiver que bater, bato. Se me xingam, bato com o microfone na cabeça."

É hora de ela esboçar outra autodefinição, compartilhada com estardalhaço por funkeiros, darlenes e pretas gil --ou em silêncio por magras modelos, maquiadores de moda e "fashionistas" em geral. "Sou sofredora, né?"

Um comentário:

Marcelo Delfino disse...

Devo estar com o estômago em excelente estado, pois aguentei ler essas bobagens de Pedro Alexandre.