quinta-feira, 24 de junho de 2010

OS PALESTINOS DE LÁ E DE CÁ



Os palestinos do Oriente Médio e seus equivalentes no resto do mundo vivem o drama de não possuírem uma nação. São oprimidos e tratados injustamente como supostos defensores do terror e da guerra.

Eles querem uma nação, querem o reconhecimento de sua identidade. Mas, perseguidos, se refugiam, não raro como nômades, pelo mundo afora, pelo menos para salvar suas vidas e buscar lugares com um mínimo de tranquilidade.

Eles têm sua cultura, não reconhecida pelo "Ocidente", sobretudo o imperialismo que usa o Estado de Israel como massa de manobra para seus interesses.

Ironicamente, os palestinos são os judeus de hoje. Não que o povo judeu seja favorecido pela política imperialista sobre Israel, mas porque são os palestinos que sofrem hoje diante da supremacia de um Estado supostamente associado ao povo judeu, cuja multidão, indiferente aos senhores da guerra, é também batalhadora e sofredora na sua realidade.

No Brasil, além dos próprios palestinos residentes no país que são solidários ao sofrimento geral de seu povo, temos o povo pobre que na prática se tornam os palestinos de cá, com sua realidade de opressão e sofrimento.

A perseguição que os nossos "palestinos" sofrem é a dos proprietários de terras, dos detentores do capital, dos barões da grande mídia e mesmo de outros "coronéis" ou "capangas" militantes e enrustidos, uns camuflados na esquerda midiática, numa brecha editorial de seus militantes, que abrem suas redações para os intelectuais etnocêntricos educados nas bancadas da mídia golpista.

Os palestinos de cá têm sua cultura de mais de 500 anos dizimada diariamente pela condenação da grande mídia, por um lado, e pelo circo do entretenimento popularesco, por outro.

Aos palestinos do Oriente Médio, a "civilização ocidental" seduz pela narcose imperialista da gororoba consumista ianque da mass culture.

Aos palestinos do Brasil, a "democracia brasileira" seduz pela narcose brega-popularesca da gororoba cafona, ora chorosamente piegas, ora grotesca, da mass media tupiniquim.

A mass media dos EUA tenta nos seduzir sob o rótulo de "modernidade" da indústria pop.

A mass media brasileira, mais enrustida, tenta nos seduzir sob o rótulo de "verdadeira cultura popular".

Mas pelo menos a "cultura de massa" dos EUA não é muito sutil nem convincente, apesar de ser desesperadamente persuasiva.

A "cultura de massa" brasileira torna-se sutil, diante do povo indefeso, com seu discurso seduzindo até quem deveria combater todas as manobras da grande mídia local.

O latifúndio, a contravenção, o baronato midiático, os direitistas enrustidos, combatem os palestinos de cá, destruindo sua cultura, seus valores, sua cidadania.

Os palestinos do Oriente Médio fogem para qualquer lugar que, ainda que degradado, lhes ofereça um mínimo de segurança e dignidade.

A opressão imperialista pune os palestinos de lá lhes impedindo de ter um lugar próprio, condenando-os ao nomadismo sem pátria ou ao exílio distante.

A opressão doméstica das elites brasileiras pune os palestinos de cá empurrando-os para o exílio eterno das favelas que desmatam o meio ambiente, para os cortiços nos prédios antigos fedorentos e focos de graves doenças, ou para o nomadismo retirante num Brasil sem futuro.

O "paraíso" de luzes neon, prédios megalomaníacos e praças arrogantes não consegue esconder o drama dos palestinos do Oriente Médio.

O "paraíso" da periferia multicolorida, superproduzida, da cafonice espetacular de boates em luzes coloridas, das grandes avenidas e antigas praças transformadas em calçadões pseudo-coloniais e dos complexos empresariais futuristas, não consegue esconder o drama dos palestinos de cá do Brasil.

A luta dos palestinos do Oriente Médio e de seus semelhantes do mundo inteiro está em construir sua nação, e ter seus direitos sociais e políticos reconhecidos pela "civilização" moderna.

A luta dos palestinos de cá do Brasil está em romper com a opressão latifundiária e grão-midiática, com o paternalismo dos intelectuais etnocêntricos, e ter seus direitos sociais e políticos reconhecidos, sem hipocrisia, pela "democracia brasileira".

Expressamos nossa igual solidariedade aos palestinos de cá e de lá, com suas lutas humanas e dignas.

Um comentário:

Lucas Rocha disse...

Será que os belgas francófonos são os "palestinos" da Europa? A parte flamenga da Bélgica (onde se fala holandês) é mais rica que a Valônia.