quarta-feira, 9 de junho de 2010

OS DONOS DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA


LOJAS AMERICANAS DIVULGAM DVDS DE ÍDOLOS NEO-BREGAS.

Música brega-popularesca é a "verdadeira música popular"? Nada disso. Essa visão hipócrita é difundida por intelectuais etnocêntricos em contraposição à MPB autêntica que só eles estão cansados de ouvir e que é praticamente desconhecida do grande público. Eles tentam dar uma de "bacanas" e passam a defender as tendências brega-popularescas que o grande público é induzido a consumir, mas que é atribuída erroneamente a esse grande público, como se todos pensassem que marionetes podem ter, e possuem, vida própria.

Pois a "verdadeira música popular" que se ouve nos camelôs, nos rodeios, nas micaretas, nas noitadas dos subúrbios e no palco do Domingão do Faustão e que, demagogicamente, é defendida desde por intelectuais como Bia Abramo e Pedro Alexandre Sanches até professores arrogantes como Milton Moura e Eugênio Arantes Raggi, nada tem de verdadeiramente popular.

Primeiro, porque sua qualidade é duvidosa, não há como fazermos de conta que essa música é boa se ela representa uma queda de qualidade artística diante dos grandes ídolos populares do passado.

Segundo, porque essa "verdadeira música popular" que, aparentemente, lota plateias com muita facilidade e vende CDs e DVDs que nem água, é claramente apadrinhada por elites dominantes que nada têm a ver com os interesses genuinamente populares. Pelo contrário, são grupos empresariais, políticos e latifundiários que investem na degradação da música brasileira como forma de enfraquecer culturalmente as classes populares, lançando mão de todo tipo de desculpa e argumentação para fazer prevalecer essa degradação a todo preço, a todo custo.

OS SENHORES DA MÚSICA DE CABRESTO BRASILEIRA

Enumeramos aqui as elites dominantes que investem em todo tipo de música brega-popularesca, que aqui se denomina também de Música de Cabresto Brasileira porque é a forma tardia da "cultura de cabresto" da República Velha, aplicada à ideia de música popular vista pelas elites.

Desde os primeiros ídolos cafonas, passando por todo tipo de breguice e grotesco, pelos medalhões do "pagode mauricinho", "música sertaneja" e axé-music que aparecem no Faustão até nas "novidades" exaltadas na mídia ("funk" e tecnobrega), a Música de Cabresto Brasileira é fruto do latifúndio e do controle social das oligarquias em todo o país. Isso não é tese conspiratória, é um fato que as investigações da imprensa progressista, quando efetivadas, poderão comprovar.

Aqui estão os senhores da música brega-popularesca que domina as rádios e TVs do país:

- LATIFUNDIÁRIOS, USINEIROS E EMPRESÁRIOS DE AGRONEGÓCIO: comandam o coronelismo no país e investem sobretudo em ritmos interioranos, como o breganejo, o forró-brega (óxente-music) e o tecnobrega. Se concentram no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, sobretudo nas zonas rurais. Mas existem similares em outros Estados brasileiros. Os "coronéis" fluminenses apadrinham o sambrega, os "coronéis" baianos a axé-music, o porno-pagode e o arrocha, e os "coronéis" gaúchos já investem na tchê-music. Os empresários do agronegócio estão associados às supostas tendências "universitárias", sobretudo o "sertanejo universitário". Mas as oligarquias mais antigas patrocinaram também os primeiros ídolos cafonas e todo o brega-popularesco posterior.

- EMPRESARIADO REGIONAL (SUPERMERCADOS, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO, VAREJO E ATACADO): Patrocinam sobretudo tendências popularescas emergentes, além de modismos popularescos locais. São geralmente redes estaduais, ou empresas poderosas seja numa região metropolitana, seja num grupo de Estados vizinhos de determinada região. Exemplos disso são o forró-brega, o porno-pagode, o tecnobrega, que em parte são patrocinados por essas empresas.

- REDES DE SUPERMERCADO, ATACADO E VAREJO NACIONAIS: Redes de supermercados, de lojas de eletro-eletrônicos e similares de âmbito nacional investem sobretudo em ídolos de projeção nacional. É o caso dos ídolos neo-bregas, como os de "pagode mauricinho" (sambrega), "música sertaneja" (breganejo), axé-music e alguns nomes do porno-pagode, "funk melody" e forró-brega que se tornam ídolos nacionais. Geralmente o fazem divulgando seus DVDs ou transformando os ídolos em garotos-propagandas dessas redes.

- RÁDIOS REGIONAIS: As emissoras de rádio regionais, independente da influência das grandes redes nacionais, investem em todo tipo de tendência brega-popularesca. São as rádios que, pela indústria do jabaculê e do marketing, conseguem estar no topo do Ibope de suas regiões. São geralmente controladas por grupos oligárquicos ou por políticos conservadores que dominam tais regiões.

- REDES NACIONAIS DE TELEVISÃO - As redes nacionais de televisão, sobretudo aquelas ligadas a poderosas aristocracias, difundem a música brega-popularesca como se fosse a "música popular" oficial de nosso país. São essas redes que estabelecem mitos e estereótipos que dão a falsa impressão de que se trata da "verdadeira cultura popular" difundida para o grande público.

- POLÍTICOS REGIONAIS - Vereadores, deputados estaduais e deputados federais, além de em parte controlarem algumas emissoras de rádio regionais - sobretudo por meio de "laranjas" (colaboradores aparentemente insuspeitos) - , também patrocinam os festivais que apresentam ídolos popularescos emergentes. Muitos conjuntos de forró-brega, porno-pagode e tecnobrega foram patrocinados por esses políticos em suas primeiras apresentações.

- EMPRESÁRIOS DE BLOCOS CARNAVALESCOS: Os milionários empresários de blocos carnavalescos são um caso à parte, sendo responsáveis pelo investimento maciço da axé-music em todo o país. A hegemonia da axé-music é fruto dessa influência aristocrática, sobretudo quando barra acesso, em Salvador, de qualquer outra tendência divergente e não-cooptada pela axé-music enquanto, por outro lado, empurra a axé-music para mercados tradicionalmente hostis ao estilo baiano, como o Rio Grande do Sul.

- EMPRESÁRIOS DE CASAS NOTURNAS: Um aspecto que os defensores do brega-popularesco esquecem completamente é que boa parte da "espontânea" popularidade dos estilos popularescos está por conta da divulgação em casas noturnas, em apoio à das rádios FM. O empresariado noctívago e os programadores e DJs de rádio exercem um verdadeiro controle social, determinando o gosto musical a ser adotado pelo povo. Os donos de casas noturnas são decisivos na divulgação sobretudo de tendências emergentes, como de ídolos recentes como Stefany Cross Fox e Gaby Amarantos, além de forjar modismos popularescos que os intelectuais etnocêntricos superestimam como se fosse "expressão da periferia". Também se equiparam a eles os empresários de equipes de som do "funk", os empresários-DJs, verdadeiros chefes dos ídolos funqueiros, mas também produtores de um discurso ideológico que vende o ritmo sob a falsa imagem de "movimento cultural popular".

- EMPRESÁRIOS DO ENTRETENIMENTO: Empresários "artísticos", de agências de eventos ou de talentos, além de financiar também fãs-clubes oficiais, também são responsáveis pelo sucesso dos ídolos popularescos. Eles traçam toda a trajetória de sucesso, adotando procedimentos da Administração Empresarial para os ídolos da mediocridade musical. Através da aplicação de princípios de Administração e Publicidade e Propaganda, transforma-se a mediocridade musical em sucesso absoluto e indiscutível, e todo um processo gerencial e organizacional é feito não só para forjar esse sucesso mas para perpetuá-lo até quando for possível.

3 comentários:

Leonardo Ivo disse...

Só agora que voce viu isso? Eu tinha falado isso pra voce a meses atras. ABS!

O Kylocyclo disse...

Não, Leonardo. Não vi isso agora. Isso eu sei faz muito tempo. É que eu dou um tempo para publicar certas coisas, para não cansar.

André Jede. disse...

Agora, na TV global, está passando a propaganda do novo disco (cd e dvd) do Daniel, chamado "Raízes". Mas, a julgar pelas músicas que veiculam no informe, este "novo" disco não tem nada de novo nem de raiz... Um cd com este nome deveria sugerir algo "terrunho" (no linguajar gaúcho), genuíno, puro, autêntico, e não estas músicas melosas e aguadas... Pelo Jeito, até as "raízes" estão estilizadas agora... Um abraço!