quarta-feira, 2 de junho de 2010

O VERDADEIRO CARTÃO DE VISITAS DO RIO DE JANEIRO



Eduardo Paes não consegue perceber as verdadeiras prioridades para o Rio de Janeiro.

Achando que vai colocar a Cidade Maravilhosa no Primeiro Mundo fechando uma grande avenida para colocar uma praça-calçadão no lugar, Eduardo Paes pode dar vexame para as autoridades estrangeiras, na medida em que não resolverá, como prioridades, a despoluição da Baía da Guanabara e, o que é mais importante, a urbanização do Complexo do Alemão e todas suas áreas próximas, construindo conjuntos habitacionais populares no lugar das favelas.

Pois o Complexo do Alemão é o VERDADEIRO CARTÃO DE VISITAS DO RIO DE JANEIRO, na medida que é a primeira paisagem vista pelos estrangeiros quando eles desembarcam no Rio, pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). E sabemos que o avião é o principal transporte coletivo do mundo, o mais utilizado pelos estrangeiros que queiram atravessar sobretudo os limites continentais.

Afinal, não são os célebres Cristo Redentor e Pão de Açúcar, e nem a orla de Copacabana, que os cidadãos que desembarcam no Galeão primeiro veem no trajeto para o centro carioca, mas a gigantesca região de favelas e reduto da pior criminalidade que ficam às margens da Avenida Brasil e nos entornos das avenidas João Goulart (Linha Vermelha) e Carlos Lacerda (Linha Amarela). Locais que necessitam de urbanização urgente, porque há milhares de moradores necessitados de casas dignas e estrutura urbana decente.

Nem para ser esperto o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é, porque, para seu plano de modernização tosca do Rio ser convincente, ele teria que pedir ao governador e colega de partido político, Sérgio Cabral, para transferir o aeroporto internacional para o Santos Dumont, para evitar que as autoridades gringas vejam de perto a vexaminosa paisagem do Alemão, resultante de antigos descasos das autoridades cariocas, fluminenses e federais, ou que passem pelo local durante eventuais tiroteios, como já ocorreu uma vez quando membros do Judiciário federal visitavam o Rio.

Transformar a Av. Rio Branco em um megalomaníaco calçadão, para fazer par ao vergonhoso deserto de mármore da Praça 15 - que só serviu para criar um espaço para mendigos no caminho entre a estação das Barcas e a Misericórdia - , só representará grande desperdício financeiro, além de outros prejuízos como agravar os engarrafamentos que já existem com a Av. Rio Branco, o que dá na adaptação do dito popular: "Se o trânsito carioca está ruim com a Av. Rio Branco, ele ficará pior sem a avenida".

Também não adianta Eduardo Paes querer manter o projeto do fechamento e prometer investimentos também na Baía e no Alemão porque sabemos que ele não os vê como prioritários, tais promessas são conversas para boi dormir, já percebemos que ele não quer criar um verdadeiro complexo urbano nos arredores de Bonsucesso, Penha e Ramos, como não se preocupa muito com a poluição ambiental nas águas, que tanto agride nosso ecossistema e provoca reações drásticas da Natureza.

Além do mais, dinheiro não é capim. Trezentos milhões de reais para fechar a Rio Branco são um desperdício, mesmo que Paes atraia mais investimentos para as verdadeiras prioridades. Porque não haverá dinheiro para tudo isso, o que poderá causar, para a Prefeitura do Rio de Janeiro, uma gigantesca dívida financeira que sangrará os cofres públicos até depois de 2016.

As festas de 2014 e 2016 serão muito animadas (pelo menos para seus beneficiários diretos, como autoridades, esportistas, patrocinadores e jornalistas), mas no fim elas custarão caro demais.

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