quinta-feira, 3 de junho de 2010

NÃO QUERO PARECER CHATO, MAS...



Vejam só as coisas. Na foto à esquerda, vemos o empresário Eduardo Menga, com sua esposa e atriz Bianca Rinaldi, usando sapatos de verniz bicudo e cor marrom-glacê, levando o carrinho das gêmeas do casal.

Na foto à direita, vemos o músico inglês Mick Jagger, nosso grande conhecido por suas contribuições para o rock desde os anos 60, com sua namorada L'Wren Scott. Jagger usa um arrojado par de tênis.

Os contextos e as idades dos referidos cidadãos dão conta do quanto o Brasil está atrasado e do quanto parte da geração born in the 50's do nosso país, mesmo com as transformações sociais mundo afora atingindo até mesmo a turma com mais de 45 anos, resistem a tais mudanças, mantendo certos rigores de comportamento e vestuário tidos como "sofisticados" e "maduros".

Eduardo Menga, de 57 anos (mesma idade do jovial Lulu Santos), usa sapatos de verniz para um simples passeio num shopping. A revista Isto É Gente, que publicou uma outra foto do mesmo evento, definiu o passeio como "Diversão em Dobro".

Já Mick Jagger, de 67 anos, o grande cantor dos Rolling Stones (já com 45 anos de carreira fonográfica), usa tênis num evento em que, aparentemente, os calçados são simplesmente proibidos, que é um evento de gala.

O que leva um roqueiro inglês a arriscar informalidade num evento formal, enquanto um empresário (e ex-tenista!) brasileiro carrega no rigor ortopédico - mas naquela linha de sacrificar os pés em prol do "bom gosto" - , por achar que passear no shopping usando tênis é coisa de meninão (por acaso ele não viu os "coroas" à sua volta?), realmente nos faz refletir o quanto o Brasil ainda é muito atrasado nas transformações sociais que atingem o mundo.

Seria ideal que nossos empresários cinquentões, tão à vontade no uso de tecnologia moderna, com seus carros do ano, celulares da hora, DVDs de última geração e tudo o mais, e que ainda por cima são casados com mulheres bem mais jovens que eles, trocarem os calçados do padrão 1973-1974 por pares de tênis, até porque um dia seus pés pedirão socorro. É o reflexo ortopédico das inevitáveis transformações que acontecem mundo afora, das modernas teorias da Administração até mesmo ao modo de se fazer almoços em entidades como Lions Clube e Iate Clube.

Botar solas acolchoadas nos sapatos de verniz bicudos ou enfiar algodão para o calcanhar será inútil.

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