sábado, 12 de junho de 2010

MÚSICOS QUEREM "ATUALIZAR" LEGADO DE CARMEM MIRANDA


A MELHOR FASE DA CARREIRA DE CARMEN MIRANDA FOI NA DÉCADA DE 30.

Um grupo de músicos resolveu gravar novos arranjos sobre os registros vocais da cantora Carmen Miranda (1909-1955), gravados na sua fase áurea, na década de 1930, antes dela conquistar o sucesso mundial às custas de uma estereotipação feita por Hollywood (e, cujas pressões contratuais a obrigavam a tomar remédios para dormir ou ficar acordada, que abreviaram sua vida aos 46 anos).

O coordenador artístico Henrique Cazes, também violonista e cavaquinista, mais os instrumentistas Luís Filipe de Lima (violão de sete cordas), Beto Cazes (percussão), Dirceu Leite (sopros) e Ovídio Brito (cuíca) entraram em estúdio para acrescentar seus instrumentos às gravações históricas da cantora.

Num processo polêmico, o resultado da gravação, o disco Carmen Miranda Hoje, é lançado hoje às lojas. É, portanto, um álbum remixado e em parte regravado, o que mostra que o sentido de "remixagem" não pode se limitar à ideia restritiva dos arranjos dançantes ou da transformação de qualquer música em dance music ou techno.

"A ideia era não ter pudor nenhum [de modificar], não precisava ficar 100% fiel ao que aconteceu na [gravação] original.O importante era colocar a tecnologia de gravação moderna a serviço da voz de Carmen e trazê-la para hoje", afirma Henrique Cazes.

Certamente o disco não substituirá, de forma alguma, as gravações originais da cantora, por razões tão óbvias que nem precisamos mencionar. Mas o trabalho é válido para apresentar Carmen Miranda às gerações mais jovens, pois muitos jovens hoje, ou mesmo quem começa a entrar na casa dos trinta, tem muita frescura em relação às músicas mais antigas e aos antigos padrões de mixagem. Foi por esse raciocínio que se tentou adaptar a Bossa Nova ao público de dance music, com a onda do drum'n'bossa e similares.

Daí que, baseado na declaração de Ruy Castro (que escreveu o livro Carmen, uma Biografia, que eu já li há dois anos), esse disco não deva ser considerado heresia - até porque não substitui o material originalmente gravado pela cantora, repetimos - , mas é uma forma de considerar Carmen como uma cantora atemporal, da mesma forma que permite que o som da voz de Carmen, nos primórdios das gravações modernas, numa qualidade de sons agudos e graves que a tecnologia da época era incapaz de registrar em disco.

Já dá para perceber certa cantora de axé-music fazer reboliço ao poder ser deixada para trás por uma cantora falecida há 55 anos. E não estou falando da fictícia Acarajette Lovve, mas de certa concorrente ainda mais megalomaníaca.

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